só lembrando que eu não falo de hipótese no sentido especulatório, mas de uma hipótese
científica construída a partir de dados experimentais que fundamentam uma teoria que
é aceita (e praticamente hegemônica desde os anos 90). ela só não é a única (daí entra
a questão de acreditar mais em uma que na outra). o anexo mostra como é o modelo
conexionista de leitura.
sobre o hábito de ler em caixa alta poder ser social, eu continuo discordando. legibilidade
não é só social nem só biológica. a 'mistura' é o problema (ler é fisiológico, processar é
fisiológico, compreender é fisio-socio), apesar de que no caso específico dos testes de
performance, só faz sentido levar isso em consideração quando o texto não é conhecido
e não há como considerar 'estar acostumado'.
explico melhor: ninguém está acostumado a ler uma coisa que nunca leu. por mais que a
tipografia seja familiar, o texto pode ser de física quântica. o teste só vai fazer sentido nesse
cenário onde a tipografia precisa 'desaparecer' para que possamos investigar o que realmente
foi assimilado.
no caso de textos curtos (títulos e afins), o caso é mais de 'fotografar' do que ler, então a
questão da tipografia distinta é ainda mais forte. nos textos longos, dependendo da
configuração das frases, o cara consegue até ler blocos inteiros.
e por último: a questão fisiológica SEMPRE se aplica. os olhos, o quiasma, nervo ótico e
o resto da parafernália inteira continuam no mesmo lugar independente da fonte, do país
ou do humor de quem lê. o problema da avaliação da legibilidade é sempre a performance:
(que não sei se é uma medida que interessa) quando o sentido do texto é mais complexo,
a tipografia precisa desaparecer, o papel precisa refletir pouca luz, o cachorro não pode
estar latindo... tudo que extrapolar o limiar perceptivo além do texto em si atrapalhará o processo.
eu curto esse tipo de texto que sacode as bases relativamente estáveis dos alunos, mas
acho que falta detalhamento e contar as diferentes versões. sinto uma coisa parecida quando
conto aos alunos de ergonomia que a gestalt é papo furado, e por mais que a maioria continue
descrente, eu insisto e vou mostrando os motivos. depois, acreditar pode ser uma questão de fé.
:)
abs