100 things every designer needs to know about people

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Bianca Trancoso

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May 9, 2012, 12:57:51 PM5/9/12
to ixdav...@googlegroups.com
http://www.4shared.com/office/wtD3HJZN/gfx-100thingseverydesignerneed.html

Nunca vi ninguém falando deste livro e ele apresenta coisas bem legais, numa linguagem bem acessível. Recomendo a calouros e gente já formada.

Por exemplo, não fazia ideia de que a visão periférica é mais importante que a central. Que é um mito que letras em caixa alta são difíceis de ler (só não estamos acostumados), e que não há diferenças de legibilidade entre tipografias sem serifa e serifadas (o que interfere são outros aspectos). Também tinha uma leve noção, mas não conhecia o "leitura em sacadas". Das outras coisas, é uma boa forma de embasar seus trabalhos e entender algumas coisas que já eram óbvias pra você.

É claro que com 100 coisas, nada é muito aprofundado dentro do livro. A própria autora diz que é uma coletânea de coisas das quais julga mais importantes. Não vejo descrédito nenhum neste caráter (só benefícios, já que podemos ver conceitos variados que nos ajuda a projetar melhor para pessoas), creio que quem queira se aprofundar, é só buscar mais a respeito (o próprio inclui inúmeras referências, já que  é um trabalho extremamente embasado).


obs. ainda estou no item 20
obs2. é um bom livro, não super impressionante/genial. Só fiquei empolgada porque acho difícil encontrar livros assim em design (quando falam de diversos aspectos, geralmente parece uma viagem do que a pessoa acha, sem muito embasamento -- quando são bem embasados, geralmente adentram em um tema específico // apenas uma impressão).

Hugo Cristo

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May 9, 2012, 5:33:21 PM5/9/12
to ixdav...@googlegroups.com
Por exemplo, não fazia ideia de que a visão periférica é mais importante que a central.

não é. a função é diferente, não tem essa de mais ou menos importante.
 
Que é um mito que letras em caixa alta são difíceis de ler (só não estamos acostumados),

não é mito. a questão é acreditar ou não na hipótese conexionista do processamento da informação. alguns tipógrafos que pesquisam isso estão mais ou menos alinhados com essa proposta... tem gente que chama de bouma, tem gente que chama de wordshape... enfim, o formato da palavra é o problema. quanto mais distinto, mais rápido o reconhecimento. já que a CAIXA ALTA tende a ser mais uniforme (hastes, espessuras, ocos, tudo parecido), a leitura (na média) é mais lenta. 
 
e que não há diferenças de legibilidade entre tipografias sem serifa e serifadas (o que interfere são outros aspectos).

há diferenças. serifas são pontes entre os caracteres. é claro que a modulação do traçado é muito importante e ajuda no ritmo horizontal, mas lembrando dos wordshapes, letras sem serifa no espaçamento normal tendem a ser mais separadas e contribuir negativamente para o reconhecimento do wordshape.
 
Também tinha uma leve noção, mas não conhecia o "leitura em sacadas". Das outras coisas, é uma boa forma de embasar seus trabalhos e entender algumas coisas que já eram óbvias pra você.

movimentos sacádicos explicam justamente o porquê das duas questões anteriores. a percepção é espaço-temporal, então os detalhes distintivos dos pedaços importam.
 
É claro que com 100 coisas, nada é muito aprofundado dentro do livro. A própria autora diz que é uma coletânea de coisas das quais julga mais importantes. Não vejo descrédito nenhum neste caráter (só benefícios, já que podemos ver conceitos variados que nos ajuda a projetar melhor para pessoas), creio que quem queira se aprofundar, é só buscar mais a respeito (o próprio inclui inúmeras referências, já que  é um trabalho extremamente embasado).

parece legal (e perigoso).

abs 
--
Prof. Hugo Cristo, Msc.
Doutorando em Psicologia - PPGP / UFES
Professor Assistente - Departamento de Desenho Industrial / UFES
Coordenador do Laboratório de Psicologia da Computação - LabPC / UFES
www.hugocristo.com.br | www.labpc.com.br | www.twitter.com/hugocristo

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Bianca Trancoso

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May 9, 2012, 7:58:14 PM5/9/12
to ixdav...@googlegroups.com
Só para apresentar os pontos da autora.
 
Por exemplo, não fazia ideia de que a visão periférica é mais importante que a central.
não é. a função é diferente, não tem essa de mais ou menos importante.
 
Me expressei mal. O que a autora apresenta é que a visão periférica é mais usada que o foco da visão para percebermos o que estamos vendo (quando se trata de cenas, objetos, entretanto, são reconhecidos mais facilmente no foco da visão).


Que é um mito que letras em caixa alta são difíceis de ler (só não estamos acostumados),
não é mito. a questão é acreditar ou não na hipótese conexionista do processamento da informação. alguns tipógrafos que pesquisam isso estão mais ou menos alinhados com essa proposta... tem gente que chama de bouma, tem gente que chama de wordshape... enfim, o formato da palavra é o problema. quanto mais distinto, mais rápido o reconhecimento. já que a CAIXA ALTA tende a ser mais uniforme (hastes, espessuras, ocos, tudo parecido), a leitura (na média) é mais lenta.
 
Neste caso ela diz que só não lemos com facilidade texto em caixa alta porque não estamos acostumados à ele (não teria então uma causa fisiológica - estas justificativas de são mais uniformes não se aplicaria). Entretanto, ela apresenta uma causa mais social*: não estamos acostumados a leitura de textos exclusivamente em caixa alta, assim como também existem outros significados pra esse tipo de texto (AFINAL, ASSIM EU ESTOU GRITANDO).
* a autora não usa este termo

 
e que não há diferenças de legibilidade entre tipografias sem serifa e serifadas (o que interfere são outros aspectos).
há diferenças. serifas são pontes entre os caracteres. é claro que a modulação do traçado é muito importante e ajuda no ritmo horizontal, mas lembrando dos wordshapes, letras sem serifa no espaçamento normal tendem a ser mais separadas e contribuir negativamente para o reconhecimento do wordshape.

Neste caso ela não se aprofunda muito no tema, só fala que "pesquisadores" mostraram que não há diferenças de compreensão, velocidade da leitura etc. E que só há grandes diferenças na leitura quando a fonte começa a ficar muito decorativa, porque aí o cérebro demoraria à reconhecer os padrões. 

Neste ponto eu ainda sou um pouco cética (só apresentei este ponto porque é diferente de tudo que já me foi apresentado). Entretanto me faz repensar um pouco nas minhas escolhas tipográficas com justificativa apenas na legibilidade.

Me parece que existe uma diferença, mas não sei se ela é importante o suficiente (leio textos longos impressos sem serifa rapidamente também, afinal, depende mais do desenho da fonte e seu reconhecimento do que o fato dela ter serifa). Não sei o quanto estas "pontes" me auxiliam a ler realmente mais rápido.

Também não sei, em textos longos, por exemplo, qual seria a diferença real (e se teria uma diferença considerável) entre a fonte mais legível sem serifa e a fonte mais legível com serifa.

(entendo os dois pontos de vista, só não consigo perceber isso sensivelmente, e não consigo tomar nenhum partido, logo, fico mais propensa a acreditar no que já acreditava ).
---

Só deixando claro que também creio que é muito de acreditar ou não nestas hipótese. No caso da caixa alta, esta justificativa me pareceu mais plausível (e nunca afirmo que é a certa, mas faz muito mais sentido na minha cabeça do que as explicações anteriores que havia ouvido).

Hugo Cristo

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May 9, 2012, 8:20:01 PM5/9/12
to ixdav...@googlegroups.com
só lembrando que eu não falo de hipótese no sentido especulatório, mas de uma hipótese 
científica construída a partir de dados experimentais que fundamentam uma teoria que 
é aceita (e praticamente hegemônica desde os anos 90). ela só não é a única (daí entra 
a questão de acreditar mais em uma que na outra). o anexo mostra como é o modelo 
conexionista de leitura.

sobre o hábito de ler em caixa alta poder ser social, eu continuo discordando. legibilidade 
não é só social nem só biológica. a 'mistura' é o problema (ler é fisiológico, processar é 
fisiológico, compreender é fisio-socio), apesar de que no caso específico dos testes de 
performance, só faz sentido levar isso em consideração quando o texto não é conhecido 
e não há como considerar 'estar acostumado'.

explico melhor: ninguém está acostumado a ler uma coisa que nunca leu. por mais que a
tipografia seja familiar, o texto pode ser de física quântica. o teste só vai fazer sentido nesse
cenário onde a tipografia precisa 'desaparecer' para que possamos investigar o que realmente
foi assimilado. 

no caso de textos curtos (títulos e afins), o caso é mais de 'fotografar' do que ler, então a 
questão da tipografia distinta é ainda mais forte. nos textos longos, dependendo da 
configuração das frases, o cara consegue até ler blocos inteiros.

e por último: a questão fisiológica SEMPRE se aplica. os olhos, o quiasma, nervo ótico e 
o resto da parafernália inteira continuam no mesmo lugar independente da fonte, do país 
ou do humor de quem lê. o problema da avaliação da legibilidade é sempre a performance: 
(que não sei se é uma medida que interessa) quando o sentido do texto é mais complexo, 
a tipografia precisa desaparecer, o papel precisa refletir pouca luz, o cachorro não pode 
estar latindo... tudo que extrapolar o limiar perceptivo além do texto em si atrapalhará o processo.

eu curto esse tipo de texto que sacode as bases relativamente estáveis dos alunos, mas
acho que falta detalhamento e contar as diferentes versões. sinto uma coisa parecida quando
conto aos alunos de ergonomia que a gestalt é papo furado, e por mais que a maioria continue
descrente, eu insisto e vou mostrando os motivos. depois, acreditar pode ser uma questão de fé.

:)

abs 

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