Oi meus queridos,
Envio abaixo a programação da Jornada do Cinema Silencioso, que está bem legal! Espero a presença de vocês!
A sessão de abertura é amanhã às 20h, com o filme Salomé - depois haverá um coquetel. Não precisa de convite, é só chegar beeeem antes.
Beijo
Vi
I JORNADA BRASILEIRA DE CINEMA SILENCIOSO
10 a 19 de agosto de 2007
A I Jornada Brasileira de Cinema Silencioso
acontece na Cinemateca Brasileira, com patrocínio do Banco Santander e
apoio da Caixa Econômica Federal, do Goethe-Institut, da Imprensa
Oficial, da FIAF (Federação Internacional de Arquivos de Filmes), do
programa Ibermedia, da Fritz Dobbert e da Quanta. 41 filmes – entre
inéditos ou raramente projetados nas telas brasileiras – e 30 atrações
musicais compõem o evento, além de exposições, conferências e oficinas
com estudiosos e músicos que se dedicam à pesquisa sobre o cinema
silencioso. Toda a programação, exceto as oficinas com instrumentistas
alemãs especialmente convidadas, tem entrada franca.
A idéia da Jornada
surgiu nas reuniões de pesquisadores ligados à área de cinema que
acontencem regularmente na Cinemateca Brasileira desde 2002. Ao longo
desse período discutiu-se a possibilidade de ampliar o debate sobre o
tema e recriar para os espectadores contemporâneos a experiência do
espetáculo cinematográfico dos primeiros tempos, a exemplo do que já
acontece nos festivais II Cinema Ritrovato, promovido pela Cinemateca de Bolonha, e Giornate del Cinema Muto, ambos na Itália.
Um dos objetivos da Jornada
é apresentar o cinema dos primórdios do século 20 como resultado direto
das experimentações técnicas e estéticas que marcam a modernidade
urbana. Uma gama considerável de gêneros narrativos e estilos de
interpretação, além de efeitos especiais e processos de colorização
bastante sofisticados, poderão ser conferidos durante a programação.
Tão importante quanto a
escolha dos filmes foi a seleção dos músicos que acompanharão as
projeções. Com curadoria de Livio Tragtenberg, as atrações musicais
estão em sintonia com a diversidade de temas e estilos dos filmes
apresentados no evento. André Abujamra, Arrigo Barnabé, Michelle Agnes,
Maurício Takara, Jorge Peña, Wilson Sukorski, os grupos Patife Band e
Frame Circus, entre outros, estão entre os convidados. Para as chamadas
Sessões assinadas, personalidades como o cineasta Carlos
Reichenbach, o maestro Julio Medaglia e o ilustrador MZK foram
convidados a construir trilhas sonoras com músicas pré-existentes
revelando combinações insuspeitas.
A mostra de filmes vai
ocupar as duas salas da Cinemateca Brasileira. As projeções com
acompanhamento musical serão realizadas na Sala Cinemateca/BNDES. Na
Sala Cinemateca/Petrobras, a programação será exibida sem
acompanhamento musical, com exceção das Sessões assinadas.
A I Jornada
também terá oficinas com músicos estrangeiros convidados. A pianista
Kirsten-Eunice Martins, residente do cinema Arsenal de Berlim, a meca
do cinema silencioso na Alemanha, e Robyn Schulkowsky, percusionista
que trabalhou com John Cage e Stockhausen, vão oferecer oficinas
voltadas à criação musical para filmes silenciosos.
A relação música e cinema silencioso também será tema de uma das mesas de debates promovidas pela I Jornada.
Os processos de restauração de filmes e o estágio atual das pesquisas
sobre cinema silencioso no Brasil também serão discutidos por
pesquisadores e profissionais convidados.
Além das salas de
cinema, a Cinemateca terá outros espaços voltados para o evento, como a
exposição de objetos antigos e equipamentos de cinema da coleção de M.
Padovan e da própria instituição, além de uma exposição de fotos do
cinema silencioso instalada nos jardins da Cinemateca.
A I Jornada Brasileira de Cinema Silencioso
apresentará produções brasileiras e estrangeiras restauradas e
conservadas por importantes arquivos de filmes como George Eastman
House, a Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos, a Cinemateca da
Suécia, o Arquivo Nacional de Imagem do Uruguai e a própria Cinemateca
Brasileira – responsável pela restauração dos filmes pernambucanos dos
anos 20 que serão apresentados e pela realização do evento.
A seguir, os programas que compõem a I Jornada Brasileira de Cinema Silencioso:
NINFAS E ARRANHA-CÉUS: CINEMA, MODERNIDADE E O IMPULSO ESTETIZANTE
Com curadoria de Ben Singer, professor da Universidade de Wisconsin, nos Estados Unidos, e autor do livro Melodrama and modernity e do artigo Modernidade, hiperestímulo e o início do sensacionalismo popular, publicado no livro O cinema e a invenção da vida moderna (Cosac&Naif), o programa Ninfas e arranha-céus: cinema, modernidade e o impulso estetizante
é composto de filmes americanos produzidos entre 1897 e 1923. Os
títulos deste programa podem ser divididos em: obras rebuscadas
esteticamente e que têm na dança moderna um denominador comum; seriados
de ação e aventura da década de 10; e vistas urbanas que flagram o
início da vida moderna em grande centros urbanos, como Nova Iorque e
Chicago.
No dia 11 de agosto, às 17 horas,
na Sala Cinemateca/BNDES, o professor Ben Singer apresentará uma
conferência sobre o conceito de modernidade aplicado aos estudos sobre
o cinema silencioso.
[dança]
SALOMÉ
Estados Unidos, 1923, 35mm, branco e preto com tingimento, 75min
Companhia produtora: Nazimova
Productions. Produção: Alla Nazimova. Direção: Charles Bryant. Roteiro:
Peter M. Winters (pseudônimo de Natacha Rambova), baseado em peça
homônima de Oscar Wilde. Fotografia: Charles Van Enger. Câmera e fotografia da 2ª unidade: Paul Ivano (não creditado). Direção de arte e figurino:
Natacha Rambova. Elenco: Mitchell Lewis (Herodes, Tetrarca da Judéia),
Alla Nazimova (Salomé, enteada de Herodes), Rose Dione (Herodíades,
esposa de Herodes), Earl Schenck (Narraboth, capitão da guarda), Arthur
Jasmine (pagem de Herodíades), Nigel De Brulier (o profeta Iokanaan,
João Batista), Frederick Peters (Naaman, o carrasco), Louis Dumar
(Tigellinus).
Alla Nazimova, estrela nascida
na Rússia e com vasta experiência teatral, decidiu, quando foi liberada
de seu contrato com a Metro Goldwyn Mayer em 1921, realizar filmes “de
qualidade”. O segundo – e último – desses filmes foi a controvertida
peça Salomé, de Oscar
Wilde. O diretor foi Charles Bryant, marido de Nazimova. A cenógrafa e
figurinista foi a bela e caprichosa herdeira Winifred Hudnut, conhecida
como Natacha Rambova e futura sra. Rodolfo Valentino (dois meses depois
que o filme foi finalmente lançado). Nazimova e Rambova foram mais bem
sucedidas em recriar as ilustrações de Aubrey Beardsley, suntosamente
fantásticas, inspiradas em temas asiáticos, que acompanhavam a primeira
edição inglesa do texto de Wilde. Salomé acompanha em
linhas gerais a história bíblica do rei Herodes e de sua cobiça
incontrolada por sua enteada de 14 anos, Salomé. Interessada em seduzir
o piedoso Iokanaan (também conhecido como João Batista), a adolescente
se enfurece quando é rejeitada por ele. Obviamente, é o desejo de
Salomé por Iokanaan que faz com que ela dance para Herodes. Ao final,
ela exige que a cabeça cortada de Iokanaan seja apresentada a ela como
pagamento por sua excitante performance.
A ALMA DO CIPRESTE / THE SOUL OF THE CYPRESS
Estados Unidos, 1921, 35mm, branco e preto, 7 min
Direção e roteiro: Dudley Murphy.
A alma do cipreste é a primeira das três Visual symphonies/Sinfonias
visuais – combinação entre filme, música e dança – dirigidas por Dudley
Murphy, no início dos anos 1920. O filme, influenciado pela fotografia
pictórica em voga na Califórnia das décadas anteriores, conta um
história inspirada em mitos da Grécia antiga. Um músico aventura-se
pela floresta até chegar a um penhasco, em frente ao mar, onde senta-se
numa pedra e começa a compor uma música em sua flauta. A canção liberta
uma dríade (ninfa das árvores) do antigo cipreste onde ela vive. O
rapaz é imediatamente cativado pela figura, que foge assustada de volta
para a árvore. Antes de desaparecer, porém, a dríade promete amor
eterno ao músico se ele sacrificar o próprio corpo e retornar para ela
imortal. Filho do diretor da escola de arte da Universidade de Harvard,
Dudley Murphy começou a fazer filmes depois de trabalhar como
jornalista. Seu oitavo filme é Ballet mécanique/Balé mecânico, co-dirigido com o artista francês Fernand Léger e música original de George Antheil. Durante décadas, Ballet mécanique
foi considerado um filme de Léger. Dudley Murphy era creditado apenas
como fotógrafo. A descoberta de uma versão mais antiga do filme –
incansavelmente re-editado por Léger até sua morte, nos anos 1950 –
provou que Murphy dividia os créditos de criação lado a lado com o
artista francês. Murphy reutilizou as técnicas experimentais de Ballet mécanique com um efeito extraordinário em Black and tan/Negro e bronzeado, rodado com Duke Ellington em 1929, um dos filmes mais populares nos primórdios do cinema sonoro.
A FLAUTA DE KRISHNA / THE FLUTE OF KRISHNA
Estados Unidos, 1926, 35mm, cor, 7min
Companhia produtora: Eastman Kodak
Company. Argumento, roteiro e coreografia: Martha Graham Elenco: Robert
Ross (Krishna), Evelyn Sabin (Radha), Betty MacDonald, Thelma Biracree,
Constance Finkel.
A flauta de Krishna
registra uma das mais antigas coreografias de Martha Graham e está
entre os raros exemplos de filme colorido pré-Technicolor que
sobreviveram. O filme é, na verdade, um teste produzido pela própria
Kodak. Apesar de os créditos de direção não estarem registrados em
nenhum lugar, a George Eastman House e a National Film Preservation
Foundation acreditam que o filme foi dirigido por Rouben Mamoulian, na
época diretor da Escola de Teatro Eastman. Mamoulian foi responsável
pela vinda da jovem dançarina e coreógrafa Martha Graham – que
revolucionou a dança moderna no início do século 20 – para a Escola de
Música Eastman. Graham dirigia o novo departamento de dança da escola
em Rochester, Nova Iorque, quando convidou as alunas Betty MacDonald,
Thelma Biracree e Evelyn Sabin para dançarem A flauta de Krishna em um filme colorido experimental. O trio tornou-se a primeira companhia de dança de Martha Graham. A performance de A flauta de Krishna, filmada pela equipe do laboratório da Eastman Kodak, aconteceu em 18 de abril de 1926, no Teatro Eastman, em Nova Iorque.
DIANA, A CAÇADORA / DIANA THE HUNTRESS
Estados Unidos,1916, 35mm, branco e preto, 29min
Direção: Charles Allen e Francis Trevelyan Miller.
“Um realizador
com mais imaginação do que a maior parte dos seus colegas descobriu os
mitos gregos e o resultado da sua redescoberta foi vista ontem no
Strand. Foi um filme chamado Diana, a caçadora,
baseado em algumas lendas da mitologia grega e tendo os deuses e deusas
do Olimpo como personagens. A lenda de Diana e Ácteon consome a maior
parte do filme. Diana e as suas ninfas banham-se no lago e Ácteon, que
espreita pelos arbustos, é transformado num veado por uma das setas de
Diana. O papel de Ácteon é interpretado pelo tenente Percy Richards,
cujo elegante uniforme de um branco imaculado é familiar para todos que
caminham na Quinta Avenida. As ninfas foram personificadas pelas alunas
da escola de dança ao ar livre de Miss Noyes, e Paul Swan e Lionel
Braham aparecem como deuses. Os atributos do sr. Swan como bailarino
permitem-lhe irromper graciosamente na cenas como Apolo, enquanto o
grande porte do sr. Braham o fazem um Júpiter imponente. Do ponto de
vista da fotografia o filme é excelente. Alguns dos efeitos de nuvens
em que vemos Apolo conduzindo sua carruagem na direção do Sol, e Diana
na direção da Lua dão a ilusão do espaço. As seqüências em que vemos as
ninfas dançando nos pântanos são esplêndidas.” (Resenha publicada no New York Times, em 19 de Junho de 1916)
NA JUVENTUDE, JUNTO AO MAR SOLITÁRIO / IN YOUTH, BESIDE THE LONELY SEA
Estados Unidos, 1925, 35mm, branco e preto, 5min
Companhia produtora: American Mutoscope & Biograph Co.
Filme de diretor anônimo, Na juventude, junto ao mar solitário
foi realizado aproximadamente em 1925 e originalmente concebido como um
tríptico, com as imagens projetadas simultaneamente em três telas e
conectadas por uma montagem precisa e sofisticada. Experiência anterior
ao famoso Napoléon/Napoleão, de Abel
Gance, longa de 1927 que também contava com a projeção simultânea em
três telas, o filme é inspirado no poema, também de autoria
desconhecida.
[seriados de ação e aventura]
A MULHER DE CINZA / A WOMAN IN GREY
Estados Unidos, 1919-20, 35mm, branco e preto, episódios 9, 10, e 15, 45min
Companhia produtora: Serico Producing Company Inc. Produção: George H. Wiley. Direção: James Vincent. Argumento: A.M. Williamson eC.N. Williamson. Roteiro: Walter Richard Hall. Fotografia: George Coudert. Edição e intertítulos: Joseph White Farnham. Elenco: Arline Pretty (Ruth Hope), (Tom Thurston), Fred C. Jones (J.H. Hunter), John Heenan (Wilfred Amory), Margaret Fielding (Paula Dunne), Ann Brody (Miss Traill), Jane Mair (Grace Carleton), Jack Newton (Ralph Gordon), J.W. Driscoll, Jack Manning, Walter Chapin, Violet De Biccari, Adelaide Fitz-Allen.
A mulher de cinza
é sobre uma fortuna escondida cuja localização na mansão abandonada dos
Amory só poderá ser descoberta combinando dois antigos documentos. Ruth
Hope, com seu protetor Tom Thurston, encontra os códigos e combate o
vilão J.H. Hunter, que está tentando roubar os documentos e usurpar a
fortuna. Uma sub-trama envolve o mistério da verdadeira identidade de
Ruth: ela esconde uma reveladora marca com um bracelete peculiar que
cobre as costas de sua mão esquerda e está firmemente presa a anéis em
cada dedo. Os quinze episódios do seriado se desenrolam como um jogo de
vai-e-vem de perda e recuperação dos códigos, bem como uma série de
crises nas quais o vilão ou tenta raptar e assassinar a heroína ou
arrancar o bracelete de sua mão.
NA TRILHA DO OCTOPUS / THE TRAIL OF THE OCTOPUS
Estados Unidos, 1919, 35mm, branco e preto, episódios 1, 11, 12 e 15, 48min
Companhia produtora: Hallmark Pictures Corporation. Distribuição: Film Crearing House Inc. e S.A. Lynch Enterprises. Direção: Duke Worne. Roteiro: J. Grubb Alexander. Elenco: Ben F. Wilson (Carter Holmes), Neva Gerber (Ruth Stanhope), William Dyer (Sandy MacNab), Howard Crampton (Dr. Reid Stanhope), William A. Carroll (Omar), Marie Pavis (Mlle. Zora Ruharde), Wang Foo (Earnest Garcia), Harry Archer (Raoul Bornay), C.M. Williams (Aboul Shabistari) e ? (Monsieur X).
Carter Holmes, criminologista
reconhecido, ajuda Ruth Stanhope a encontrar as 9 adagas que destravam
o segredo maldito da Marca Registrada do Demônio. Serão exibidos quatro
episódios deste seriado, um deles - que narra a destruição de
Montmartre por um cometa - é mencionado pelo surrealista André Breton
em seu livro Nadja, publicado em 1928.
[vistas urbanas]
CORNER MADISON AND STATE STREETS, CHICAGO
EUA, 1897, 35mm, BP, 28seg, 18qps
Companhia Produtora: Edison Mfg. Co.
NEW BROOKLYN TO NEW YORK VIA BROOKLYN BRIDGE, No. 02
EUA, 1899, 35mm, BP, 2min 16seg, 18qps
Companhia Produtora: Edison Mfg. Co.
LOWER BROADWAY - NEW YORK CITY
EUA, 1902, 35mm, BP, 1min 36seg, 18qps
Companhia produtora: American Mutoscope and Biograph Co. Fotografia: Robert K. Bonine
PANORAMA WATER FRONT AND BROOKLYN BRIDGE FROM EAST RIVER
EUA, 1903, 35mm, BP, 2min 30seg, 18qps
Companhia Produtora: Edison Mfg. Co. Fotografia: Edwin S. Porter.
MOVE ON
EUA, 1903, 35mm, BP, 1min 45seg, 18qps
Companhia Produtora: Edison Mfg. Co. Fotografia: A. C. Abadie
CONEY ISLAND AT NIGHT
EUA, 1905, 35mm, BP, 3min 39seg, 18qps
Production Company: Edison Mfg. Co. Fotografia: Edwin S. Porter.
“As cidades, é
claro, sempre foram movimentadas, mas nunca haviam sido tão
movimentadas quanto se tornaram logo antes da virada do século. O
súbito aumento da população urbana (que nos Estados Unidos mais que
quadruplicou entre 1870 e 1910), a intensificação da atividade
comercial, a proliferação dos sinais e a nova densidade e complexidade
do trânsito das ruas (em particular com a grande expansão dos bondes
elétricos na década de 1890) tornaram a cidade um ambiente muito mais
abarrotado, caótico e estimulante do que jamais havia sido no passado.” Trecho de Modernidade, hiperestímulo e o início do sensacionalismo popular, de Ben Singer, publicado em O cinema e a invenção da vida moderna.
O CINEMA EM PERNAMBUCO NOS ANOS 20
Na
década de 20, um grupo de amantes do cinema em Recife realizou uma
série de filmes que até hoje serve como referência da produção
brasileira do período tanto para pesquisadores como para cinéfilos em
geral. O trabalho de diretores como Jota Soares, Gentil Roiz e Ary
Severo e das atrizes Almery Steves e Rilda Fernandes, que se firmaram
como verdadeiras estrelas à época, estão na seleção de filmes
apresentada pela I Jornada Brasileira de Cinema Silencioso.
Os filmes foram restaurados – com patrocínio da Caixa Econômica Federal
– no laboratório da Cinemateca Brasileira a partir de antigos materiais
em nitrato conservados pela Fundação Joaquim Nabuco, de Recife. Graças
ao processo Desmet Color, os filmes Veneza americana, Jurando vingar e Grandezas de Pernambuco poderão ser apreciados em cópias novas com as mesmas cores das viragens e tingimentos aplicadas aos nitratos originais.
AITARÉ DA PRAIA
Brasil, Recife - PE, 1928, 35mm, branco e preto com tingimento, 62 min.
Direção: Gentil Roiz. Companhia
Produtora: Aurora Filme. Produção: Joaquim Tavares. Argumento e
roteiro: Ary Severo. Fotografia: Edson Chagas. Elenco: Ary Severo
(Aitaré), Almery Steves (Cora), Rilda Fernandes (Glória), Antonio
Campos (Artur, primo de Glória), Jota Soares (Traíra), Cláudio José
(Zeno), Mário Freitas Cardoso (José Amaro), Luís Marques (Capitão
Afonso), Rosa Temporal (Dona Guilhermina, mãe de Cora), Queiroz
Coutinho (pai de Glória), Tito Severo (irmão de Cora), Valderez de
Souza.
Aitaré, pescador, namora Cora,
uma moça da localidade. Numa festa em casa do Capitão Afonso, Cora e
Aitaré dançam e o namoro deles é reprovado pelas fofoqueiras do local.
Durante o baile, Aitaré briga com Zeno, marginal que vive pela praia.
Em casa, Cora conta o acontecido a sua mãe, D. Guilhermina. Esta
reprova o namoro da filha e revela que Aitaré é o “último de uma raça
que foi a nossa maior inimiga...”, o último descendente de uma raça que
há cem anos passados imperou com todo o despotismo neste recanto.
Apesar da desaprovação da mãe, Cora segue encontrando-se com Aitaré,
reafirmando seu amor por ele.
JURANDO VINGAR
Brasil, Recife - PE, 1925, 35mm, branco e preto com tingimento, 52 min.
Direção: Ary Severo. Companhia
Produtora: Aurora Filme. Produção: Gentil Roiz. Argumento: Gentil Roiz.
Roteiro: Ary Severo. Fotografia: Edson Chagas. Elenco: Gentil Roiz
(Júlio Serra), Rilda Fernandes (Berta), José Lira (Zé Morais), Yara de
Alencar (irmã de Júlio), Altina Lira (colega de Berta), Antonio Campos,
Pedro Salgado, Jota Soares, Ary Severo.
Numa zona canavieira do interior do estado de
Pernambuco, vive o herói Júlio Serra, plantador de cana, em uma ampla
casa, com sua mãe e sua irmã. Sua namorada, a heroína Berta, trabalha
em um bar com uma colega e um amigo. Seu inimigo é o vilão Zé Morais.
Um dia, no bar, Zé Morais tenta seduzir Berta, o que provoca
sensacional briga ganha por Júlio. Noutro dia, enquanto Júlio está na
cidade negociando sua safra de cana, Zé Morais mata a punhaladas a irmã
de Júlio e rapta Berta, aprisionando-a em uma cabana. No entanto, o
garoto Marrequinha vê tudo e conta a Júlio, que jura vingança e vai à
cabana onde está Berta, matando Zé Morais e salvando Berta, com quem se
casa. Na festa de casamento, um amigo de Júlio percebe que um menino
põe gotas de veneno no copo de Júlio. Consegue agarrar o garoto, que os
leva ao mandante do crime: um amigo de Zé Morais. Depois de uma
perseguição e tiros, o amigo de Júlio é ferido e o de Zé Morais, morto.
A FILHA DO ADVOGADO
Brasil, Recife - PE, 1926, 35mm, branco e preto, 79 min.
Direção: Jota Soares. Companhia
Produtora: Aurora Filme. Produção: João Pedrosa da Fonseca. Argumento e
roteiro: Ary Severo, baseado em novela de Costa Monteiro. Fotografia:
Edson Chagas. Elenco: Jota Soares (Helvécio Aragão), Guiomar Teixeira
(Heloísa Correia), Euclides Jardim (Lúcio Novais), Norberto Teixeira
(Dr. Paulo Aragão), Olíria Salgado (Antonieta Bergamini).
O advogado Dr. Paulo Aragão,
antes de seguir para a Europa, conta seu segredo ao amigo jornalista
Lúcio: tem uma filha natural, Heloisa, que vive com a mãe, Lucinda,
numa casa da fazenda. Lúcio fica com a incumbência de providenciar a
mudança delas para o Recife. Lúcio entra em contato com Heloisa e sua
mãe. Heloisa e Lúcio começam discreto namoro, observados por Gerôncio,
o criado. Helvécio, único filho legítimo do Dr. Paulo, é um Dom Juan e
vive seus dias de farrista. Heloisa e a mãe, já na cidade, conhecem
Helvécio numa festa. Ele corteja Heloisa. Depois da missa, Heloisa e a
mãe vão visitar amigas vizinhas. Num dos quartos da casa, encontra
Helvécio, que tenta agarrá-la. Ela resiste. Pega uma arma que lhe fora
dada pelo pai e atira. Helvécio cai. Gerôncio, que a tudo assistia pelo
buraco da fechadura, sai correndo para chamar a polícia. Heloisa é
presa. Helvécio morre. Lúcio escreve para Dr. Paulo, lhe informando
sobre a situação de sua filha. Surge Henry Valentin, um advogado que se
oferece para defender Heloisa.
AS GRANDEZAS DE PERNAMBUCO
Brasil, Recife - PE, 1926, 35mm, branco e preto com tingimento, 30 min.
Diretor: Chagas Ribeiro. Diretor técnico: Horácio de Carvalho. Companhia Produtora: Olinda Filme.
Apresenta, entre outros
aspectos, o cais do porto, prédios e ruas do centro da cidade e
bairros, Mercado de São José, Casa Operária, Avenida Beira-Mar,
queda-d’água e reservatório de Gurjaú, Jockey Club, Mercado da
Madalena, Câmara dos Deputados, Ginásio Pernambucano, a Escola Normal e
seu diretor Ulysses Pernambucano, Matadouro Municipal dos Peixinhos,
vistas e ruas de Olinda, banho de mar.
NO CENÁRIO DA VIDA (FRAGMENTOS)
Brasil, Recife - PE, 1930, 35mm, branco e preto, 10min.
Direção: Luiz Maranhão e Jota
Soares. Companhia Produtora: Liberdade Filme. Produção: Mario Furtado
de Mendonça e Luiz Maranhão. Roteiro: Luiz Maranhão. Argumento: Jota
Soares e Mário Furtado de Mendonça. Fotografia: Edson Chagas.
Cenografia: Cláudio Celso. Elenco: Mazil Jurema (heroína), Cláudio
Celso (Rodolfo), Severino Coelho (rival de Rodolfo), Luís Marques (pai
da heroína), Lélia Verbena (dançarina do cabaré), Oséas Torres de Lima
(dono do cabaré), Nita Palmer, Fred Junior, Frosquita Freire, Alfredo
Coelho, Rodolpho Cavalcanti.
Uma moça, filha de um abastado
industrial, e o jovem Rodolfo de Carvalho amam-se intensamente. O
casal, bem como outras destacadas figuras da sociedade recifense,
encontra-se nas noitadas do Clube Pernambucano. Numa dessas noites,
trava-se ferrenha briga entre Rodolfo e seu rival. Mais tarde Rodolfo é
condenado por um crime que não cometera, e vai cumprir sua pena em
Fernando de Noronha. Ele foge do presídio e procura vingar-se de quem o
acusara injustamente. Finalmente o jovem casal afasta os impedimentos
para o seu amor.
VENEZA AMERICANA
Brasil, Recife - PE, 1925, 35mm, branco e preto com tingimento, 60 min.
Companhia Produtora: Pernambuco Films. Produção: J. Cambière e Ugo Falangola.
“O presente
filme se refere ao progresso de Pernambuco, evidenciando-o com a
oportunidade dos festejos do Centenário da Confederação do Equador.
Assim, a par de um belo motivo, são-nos mostrados os progressos do
próspero Estado do Norte, onde se destaca a construção do novo cais de
Recife.” (Pedro Lima, Selecta, ano XI, n.19, 9 maio 1925, p.12-3)
RECIFE NO CENTENÁRIO DA CONFEDERAÇÃO DO EQUADOR
Recife - PE, 1924, 35mm, branco e preto, 10min.
Companhia produtora: Pernambuco Film. Produção: Ugo Falangola e J. Cambière
“Recife no 1º
Centenário da Confederação do Equador constituiu um ótimo programa,
pois o público pernambucano assistiu ontem nesse cinema o artístico
trabalho editado pela Pernambuco-Film, apresentando o Recife artístico,
comercial e industrial, através de nove partes. A vista geral abrange o
belo panorama que se descortina do alto de nossas torres e recorda o
nosso passado, em confronto com o presente progressista e os
empreendimentos do governo atual.” (Jornal do Commercio, 21 de outubro de 1924, página 2.)
SESSÃO ESPECIAL DE O GABINETE DO DOUTOR CALIGARI
Na sessão de encerramento, haverá a exibição de uma rara cópia colorida de O Gabinete do dr. Caligari, enviada especialmente ao Brasil pelo Arquivo Nacional da Imagem do Uruguai.
O GABINETE DO DR. CALIGARI / DAS CABINET DES DR. CALIGARI
Alemanha, 1920, 35mm, PB e Tingido, 71min
Produção: Rudolf Meinert e Erich
Pommer. Desenho de produção: Walter Reimann, Walter Röhrig e Hermann
Warm. Direção: Robert Wiene. Roteiro: Hans Janowitz e Carl Mayer.
Fotografia: Willy Hameister. Direção de arte: Hermann Warm. Figurinos:
Walter Reimann. Assistência de direção: Rochus Gliese. Elenco: Werner
Krauss (Dr. Caligari), Conrad Veidt (César), Friedrich Feher (Francis),
Lil Dagover (Jane), Hans Heinrich von Twardowski (Alan), Rudolf
Lettinger (Dr. Olson), Rudolf Klein-Rogge, Hans Lanser-Rudolf, Henri
Peters-Arnolds, Ludwig Rex, Elsa Wagner. Harry Froboess (dublê).
A história do demente Dr.
Caligari e seu fiel sonâmbulo César, suspeitos de uma série de
assassinatos que aterroriza uma pequena cidade alemã. Segundo o crítico
Siegfried Kracauer: “De modo bastante lógico, o filme espalha uma
atmosfera totalizante de horror. Como o mundo nazista, o de Caligari é abundante de sinistros presságios, atos de terror e explosões de pânico”.
CINEMA ALEMÃO ANTES DE CALIGARI (1912-1919)
O
programa CINEMA ALEMÃO ANTES DE CALIGARI apresenta 9 produções da
década de 1910, anteriores ao Expressionismo Alemão – que tem como
marco inicial o longa O Gabinete do Dr. Caligari, de
1920. Os filmes foram trazidos ao Brasil com o apoio do Goethe-Institut
e revelam um cinema alemão pouco conhecido e que, por muito tempo, foi
relegado a segundo plano por historiadores e pesquisadores. O interesse
por esses títulos ampliou-se a partir de novos estudos acadêmicos –
como os do pesquisador Paolo Cherchi Usai, que junto com Lorenzo
Codelli, organizou a publicação de Prima di Caligari - Cinema Tedesco, 1895-1920 (Antes de Caligari - Cinema Alemão, 1895-1920) – e da primeira edição da mostra exibida na Giornate del Cinema Muto, na cidade italiana de Pordenone.
DUAS VIDAS / ZWEIMAL GELEBT
Alemanha, 1912, 35mm, branco e preto com tingimento, 24 min.
Direção: Max Mack. Com Eva Speyer, Anton Ernst Rückert.
Durante um passeio com o marido
e a filha, uma mulher acredita que a menina foi atropelada por um
automóvel. A mãe perde a consciência e é levada para um sanatório onde
permanece por alguns dias. O doutor que a trata apaixona-se por ela.
Quando ela sofre uma crise, o médico a declara morta. Na vigília
fúnebre, porém, ela desperta apenas na presença do médico, que constata
que ela perdeu a memória. Ele a rapta e leva para o exterior, na
esperança de casar-se com ela. Mas o marido e a filha vão para a mesma
localidade e, num encontro com a menina, ela lembra-se de todo seu
passado. Dividida entre suas duas vidas, a mulher condenada atira-se de
uma ponte antes de ser forçada a tomar uma decisão.
A BOLA NEGRA OU AS IRMÃS MISTERIOSAS / DIE SCHWARZE KUGEL ODER DIE GEHEIMNISVOLLEN SCHWESTERN
Alemanha, 1913, 35mm, branco e preto com tingimento, 39 min.
Direção: Franz Hofer. Com Mia Cordes (Edith), Manny Ziener (Violeta), Paul Meffert (visconde Giron).
As irmãs Edith e Violeta,
malabaristas de variedades, voltam do enterro de Gussy, uma terceira
irmã que cometeu suicídio, traída pelo homem que amava. Ela deixou para
as irmãs a fotografia do homem e uma carta pedindo que se vinguem em
seu nome. Com o nome de “As Irmãs Misteriosas”, elas apresentam-se
observadas pelo visconde Giron. Apresentadas a ele, Violeta fica
lisonjeada com a corte que ele lhe faz. O visconde espia as irmãs numa
cena íntima, e as reconhece como parentes da suicida. Edith, na casa do
Visconde, apanha um álbum que cai de um armário oculto: uma foto de
Gussy e outra de Giron confirmam suas suspeitas de que o conquistador é
o responsável pelo suicídio da irmã. Num pacto de vingança, as irmãs
combinam que aquela que ficar com uma bola negra no final da
apresentação de malabarismo executará o visconde. No confronto final,
enquanto os criados de Giron perseguem Violeta, Edith o ameaça com um
revólver. Encurralado e arrependido, ele implora que as irmãs o perdoem.
A IGREJA DO DIABO / DIE TEUFELSKIRCHE
Alemanha, 1919, 35mm, branco e preto com tingimento, 44 min.
Direção: Hans Mierendorff. Com Otto
Werther (Asmus, um camponês), Agnes Straub (Ane, sua mulher), Raul
Rehkopf (o diabo), Hans Mierendorff (pastor).
O camponês Asmus adormece e sonha.
A velha igreja incendiou-se. Os chefes das vilas locais discutem sobre
onde construir a nova igreja, e fixam-se numa área, de propriedade de
Asmus, na divisa das três vilas. O Diabo, disfarçado de funileiro,
aborda Ane, jovem esposa de Asmus, que deseja ardentemente ter um
filho, para convencê-la a fazer um pacto com ele: se Asmus vender a
terra para a construção da igreja, Ane conceberá uma criança. A jovem
concorda e se entrega ao Diabo. Sua casa é imediatamente consumida
pelas chamas e Ane, possuída, dança freneticamente diante de Asmus
desesperado. Os homens passam a perseguir Ane; mesmo o pastor não
resiste a sua tentação. Asmus doa a área e o Diabo faz com que uma
esplêndida igreja surja da noite para o dia. É o próprio Diabo quem
recebe o pastor e os fiéis no novo tempo. Ane delata o pecado do
pastor, que decreta que não existem mais pecados. Deus, na figura de um
velho de barbas brancas, bate à porta e é mandado embora. Todos
renegaram a Deus, portanto pertencem ao Diabo. Asmus acorda de seu
sonho tempestuoso.
A FLOR DO PÂNTANO / DIE SUMPFBLUME
Alemanha, 1913, 35mm, branco e preto com tingimento, 52 min.
Direção: Viggo Larsen. Com Wanda
Treumann (Sandra, depois condessa von Dahlenberg), Viggo Larsen (Theo,
conde von Dahlenberg), Richard Liebesny (Edgar von Schmetting).
Em Paris, o escultor alemão
Edgar conhece a modelo Sandra. Ao fazer um molde de gesso do pé de
Sandra em seu estúdio, apaixona-se por ela. Para poder pagar-lhe a
instrução, consegue um empréstimo de 20 mil marcos junto a seu amigo,
Conde Theo von Dahlenberg, mas Sandra rouba o dinheiro e foge. Torna-se
uma dançarina famosa e, anos depois, conhece Theo e se casa com ele.
Algum tempo depois, Theo visita seu velho amigo Edgar, que havia
voltado de Paris para Berlim. Theo nota o molde do pé de uma mulher, um
pé que ele parece reconhecer. Leva o molde consigo e o acha
extraordinariamente semelhante ao pé de Sandra. Esta visita Edgar e ele
promete que não dirá nada sobre o caso antigo dos dois. Desconfiado,
Theo compara o molde de gesso ao pé de Sandra, enquanto ela dorme.
Edgar escreve ao amigo comunicando a decisão de deixar Berlim. O conde
convida Edgar para um jantar de despedida em sua casa. Ao perceber que
Sandra tenta ressarcir Edgar da antiga dívida, Theo, embriagado, a mata.
E A LUZ SE APAGOU / UND DAS LICHT ERLOSCH
Alemanha, 1914, 35mm, branco e preto com tingimento, 41 min.
Direção: Fritz Bernhardt. Com
Eduard Rothauser (Werle, atacadista), Friedrich Forberg (Gerd, seu
pupilo), Beatrice Altenhofer (Inge Sörensen), Edmund Breitenbach
(Knudsen), Reinhold Flügel (Petersen).
O atacadista Werle e seu pupilo
Gerd estão ambos apaixonados por Inge, filha de um amigo de Werle.
Quando este percebe que Inge está interessada em Gerd, embarca-o
subitamente num navio para a Índia. Em seguida, intercepta todas as
cartas de Gerd para Inge. A moça não entende o desaparecimento de Gerd
ou seu silêncio e, após a falência do pai, casa-se com Werle. Quando
Gerd escreve anunciando sua volta, Werle entra em pânico. Contrata dois
malandros, invade o farol da entrada do porto, mata o faroleiro e apaga
a luz do farol, o que provoca o encalhe do navio de Gerd, que quase se
afoga. O rapaz volta à casa de Werle e em, conversa com Inge, percebe
que foram vítimas de um complô maligno. Werle tenta um último ato
desesperado para escapar à justiça, mas o destino lhe traz o castigo e
os amantes alcançam a felicidade.
EXPIAÇÃO / DIE SÜHNE
Alemanha, 1917, 35mm, branco e preto com tingimento, 67 min.
Direção: Emerich Hanus. Com Martha
Novelly (Martha), Kurt Vespermann (Ludwig), Olga Engl (senhora von
Lass, mãe de Ludwig), Lore Rückert (Sibylle), Max Ruhbeck (conde von
Blaten).
Martha e Ludwig conhecem-se
desde a infância e no verão, como de costume, a jovem passa algumas
semanas na fazenda em que o rapaz mora com a mãe. O amor nasce entre
eles. Mas, num acidente que Martha não consegue evitar, Ludwig fica
cego. Martha torna-se escultura reconhecida. Quando a mãe de Ludwig
morre, Martha muda-se para a fazenda de Ludwig, onde abre um ateliê.
Após várias tentativas, Martha encontra um médico que vê possibilidades
de curar Ludwig. Este, no entanto, começa a flertar com a dançarina
Sibylle durante as sessões de pose que faz para Martha. Após passar a
operação, Ludwig volta a enxergar. Martha, porém, não é mais tão bela
como era em sua memória. Ele cai nas malhas de Sybille, amante do conde
von Blaten, que apenas quer se divertir com o rapaz. Ao se dar conta
disso, e ao perceber a dedicação e o carinho de Martha, Ludwig volta
para o amor de sua infância.
A RAINHA DA BOLSA / DIE BÖRSENKÖNIGIN
Alemanha, 1916, 35mm, branco e preto com tingimento, 53 min.
Direção: Edmund Edel. Com Asta
Nielsen (Helene Netzler), Aruth Warthan (Lindholm, diretor da mina),
Willi Kayser-Hell (inspetor Müller).
Helene Netzler, dona da mina de
cobre “Glückauf”, vem a saber que a mina está se esgotando, o que
ameaça a sua situação financeira. Ela vai até a mina, para acompanhar a
situação pessoalmente. Lindholm, o administrador da mina, encontrou um
novo veio de cobre que promete grande fornecimento; Helene
imediatamente ordena que todas as ações, que por muitos dias
inflacionavam o mercado, fossem compradas. Enquanto isso, especialistas
confirmam a descoberta de Lindholm. Numa celebração em sua casa, Helene
promove Lindholm a sócio da mina. Lindholm se interessa pela prima de
Helene, Lina, moça pobre que mora na casa como dama de companhia. Mas
Helene se apaixona por Lindholm.
A ESPERTEZA DE WANDA / WANDA’S TRICK
Alemanha, 1916, 35mm, branco e preto com tingimento, 46 min.
Direção: R. Portegg. Com Wanda
Treumann (Wanda Schmied), Heinrich Schroth (Heinrich Löbel, fabricante
de cigarros), Maria Grimm-Einödshofer (senhora Schmied).
Wanda Schmeid trabalha na fábrica
de cigarros de Löbel. Embora goste de sua operária e a convide para
sair no sábado, Löbel não tem vontade de se casar. Wanda ganha o grande
prêmio na loteria e Löbel, em apuros financeiros, a pede em casamento,
mas é rejeitado. Wanda se demite do emprego mas apresenta uma
estratégia de propaganda para o ex-patrão: uma fotografia dela, agora
famosa, será escondida em um pacote de cigarros Löbel; aquele que
comprar o maço premiado poderá desposá-la. O esquema publicitário
funciona: no final do mês os lucros são grandes e Wanda é convidada por
Löbel para ser sócia da fábrica. Eles combinam vender o pacote com a
fotografia durante a festa de caridade da companhia. Durante a festa,
um vagabundo disfarçado de garçon acompanha, por um furo numa cortina,
a manobra de Wanda para vender o pacote premiado para o próprio Löbel.
Mas apronta uma confusão e rouba o pacote do bolso de Löbel. Num jantar
de “noivado” num restaurante da moda, o malandro comporta-se
pessimamente, e se embriaga. Os jornais anunciam que, por um erro
tipográfico, o número ganhador do grande prêmio da loteria não era o de
Wanda, mas a notícia não a entristece porque imediatamente livra-se do
vagabundo. Quando ela pretende devolver a sociedade a Löbel, este a
pede em casamento.
O AMOR DE MARIA BONDE / DIE LIEBE DER MARIA BONDE
Alemanha, 1918, 35mm, branco e preto com tingimento, 43 min.
Direção: Emerich Hanus. Com Martha
Novelly (Maria), Eva Maria Harmann (Gunne), Ursula Hell (Anella), Paula
Eberty (senhora Bonde), Emerich Hanus (Martin Steinert), Kurt
Vespermann (barão Fedja Bronikow).
A velha sra. Bonde vive com
suas três filhas adultas. Uma delas, a frágil Gunne, está noiva de
Martin, com quem faz acrobacias hípicas num circo. Mas Martin é desde
muito apaixonado por Maria, a irmã do meio. Um dia Gunne se machuca em
um dos números; Maria a substitui e se apresenta ao lado de Martin.
Contra sua vontade, Maria finalmente reconhece seu amor por Martin. Os
dois se casam em segredo e escondem o casamento do resto da família
dela, mas a mãe os flagra se beijando e eles finalmente contam a
verdade a Gunne, que morre. Depois da sra. Bonde ter dado a bênção ao
casamento, Martin e Maria vivem felizes juntos, até que Maria tem um
filho e deixa de poder montar. Anella, a irmã caçula, toma seu lugar.
Desse momento em diante, Maria passa a ser atormentada pelo medo de que
a velha história se repita. Ela não consegue suportar o ciúme e o
desespero, e tem visões com Gunne e Martins e Anella beijando-se. Em
sua cegueira, não percebe sequer que a irmã está sendo concedida em
casamento a um pretendente. Corroída pela desconfiança, Maria
envenena-se.
FILMES ALEMÃES DO ACERVO DA CINEMATECA BRASILEIRA
Além dos filmes do programa CINEMA ALEMÃO ANTES DE CALIGARI, a I Jornada
exibirá clássicos alemães do período que fazem parte do acervo da
Cinemateca Brasileira. A seleção reúne filmes dirigidos por Ernst
Lubitsch, F.W. Murnau, Fritz Lang e Stellan Rye. Alguns títulos foram
restaurados a partir de cópias localizadas no acervo da Cinemateca
Brasileira.
O ESTUDANTE DE PRAGA / DER STUDENT VON PRAG
Alemanha,1913, 35mm, branco e preto, 75min
Direção: Stellan Rye. Roteiro:
Hanns Heinz. Fotografia: Guido Seeber. Elenco: Paul Wegener
(Balduin[s]), John Gottowt (Scapinell), Grete Berger (Condessa Margit),
Lyda Salmonova (Lyduschka), Lothar Körner (Conde Schwarzenberg), Fritz
Weidemann (Barão Waldis-Schwarzenberg), Alexander Moissi.
Um estudante vende o reflexo de sua imagem para uma figura mefistofélica e sua vida é arruinada por seu duplo espectral.
HARAKIRI
Alemanha, 1919, 35mm, branco e preto, 75min
Companhia produtora: Decla-Film-Gesellschaft Holz & Co. – Berlim.
Direção: Fritz Lang. Roteiro: Max Jungk, a partir da peça Madame Butterfly,
de John Luther Long e David Belasco, baseada na ópera homônima de
Giacomo Puccini. Fotografia: Max Fassbender. Cenógrafo: Heinrich
Umlauff. Elenco: Paul Biensfeldt (Tokuyawa), Lil Dagover (O-Take-San),
Georg John (monge budista), Meinhard Maur (Príncipe Matahari), Rudolf
Lettinger (Karan), Erner Hübsch (Kin-be-Araki), Käte Küster, Nils Prien
(Olaf Jens Anderson), Herta Hedén [ou Hedwig Wollan] (Eva), Harry
Frank, Joseph Roemer, Loni Nest.
Fritz Lang realizou este drama entre as filmagens da primeira e da segunda parte da série de aventuras Die Spinnen/As
aranhas. Harakiri conta a história de uma jovem japonesa, interpretada
por Lil Dagover, que se apaixona por um oficial americano.
DEPOIS DA TEMPESTADE / DAS WANDERNDE BILD
Alemanha, 1919, 35mm, branco e preto, 64min
Companhia produtora: May-Film GmbH
– Berlim. Produção: Joe May. Direção: Fritz Lang. Consultor de criação:
Joe May. Roteiro: Thea von Harbou. Fotografia: Guido Seeber.
Cenografia: Otto Hunte. Elenco:
Mia May (Irmgard), Hans Marr (Georg Vanderheit), Rudolf Klein-Rogge
(Georgs Vetter), Loni Nest (filha de Irmgard), Harry Frank.
Mulher engravida do cunhado,
irmão gêmeo do marido, que foge e é dado como morto. Ela também
desaparece. O marido e um primo deste iniciam uma tumultuosa jornada
atrás da mulher, que escapa pelas montanhas e passa a ter seus passos
vigiados por um enigmático eremita.
O CAMINHO NA NOITE / DER GANG IN DIE NACHT
Alemanha, 1920, 35mm, branco e preto, 70min
Direção: F.W. Murnau. Roteiro:
Harriet Bloch e Carl Mayer. Elenco: Olaf Fønss (dr. Eigil Borne), Erna
Morena (Helene), Conrad Veidt (o píntor), Gudrun Bruun-Stefenssen
(Lily), Clementine Plessner.
Conrad Veidt, em uma das
performances mais eletrizantes de sua carreira, interpreta o papel de
um jovem pintor que perde a visão. Um médico, que muda para o campo
após trocar a esposa por uma dançarina de cabaré, consegue recuperar a
visão do pintor, mas as conseqüências dessa cirurgia bem sucedida serão
desastrosas.
A BONECA DO AMOR / DIE PUPPE
Alemanha, 1919, 16mm, branco e preto, 55min
Direção: Ernst Lubitsch. Direção
técnica: Kurt Maschneck. Fotografia: Theodor Sparkuhl. Argumento:
E.T.A. Hoffmann. Roteiro: Hanns Kräly. Elenco: Max Stonerl (Barão de
Chanterelle), Hermann Themig (Lancelot), Viktor Jansen (Hilarius),
Marga Köhler (sua mulher), Ossi Oswalda (Ossi), Gerhard Ritterband (o
aprendiz), Jakob Thiedke, Josefina Dora (a alma de Lancelot).
O barão de Chanterelle não quer
que sua linhagem acabe e convoca todas as moças da cidade para que seu
sobrinho – e único herdeiro – escolha qual será sua futura mulher. O
sobrinho quer enganar o tio casando-se com uma boneca, mas uma moça de
verdade toma o lugar da boneca.
FILMES PUBLICITÁRIOS COM GRETA GARBO (1921-22)
Como complemento da sessão de abertura, a I Jornada Brasileira de Cinema Silencioso
exibirá uma coletânea de trechos de filmes publicitários estrelados por
Greta Garbo, realizados para uma grande loja de departamentos da Suécia
chamada PUB, de propriedade de Paul U. Bergström. Antes de iniciar sua
carreira cinematográfica, Garbo trabalhava como vendedora na sessão de
moda feminina do estabelecimento e, em 1921, foi convidada a fazer
fotos para o catálogo das coleções e a participar de anúncios
publicitários da loja exibidos nos cinemas.
SESSÃO ESPECIAL DE CANÇÃO DA PRIMAVERA
Sessão do filme com a presença de Lilian Rubens, a atriz principal de Canção da primavera, hoje com 95 anos.
CANÇÃO DA PRIMAVERA
Brasil, São Paulo - SP, 1932, 35mm, PB, 90min
Companhia Produtora: Alfa-Capitol. Produção: Potyguar Medeiros e Francisco Campos.
Direção: Fábio Cintra, pseudônimo
de Potyguar Medeiros. Fotografia: Francisco Campos. Direção de Arte:
Wal P. Zornig. Companhia Distribuidora: Paramount. Elenco: Lílian
Rubens (Leonor), Álvaro Alvarado (Affonso Pontes), Ronaldo de Alencar
(Ricardo), Arnaldo Conde, Rodolfo Mayer.
Melodrama sobre a filha de um
importante industrial paulistano que perde a visão no dia em que
completa 18 anos. Levada para uma fazenda, envolve-se com o filho da
caseira, um jovem muito sensível apesar de uma terrível deformação na
face. Curada da cegueira, depois de uma bem sucedida operação, ela é
levada a confundir o médico que a operou com o filho da caseira, que se
mata de degosto.
FILMES PARA CRIANÇAS
A Cinemateca reuniu
alguns clássicos franceses do seu acervo para uma sessão direcionada ao
público infantil. Os artistas Émile Cohl, George Méliès, Segundo de
Chomon e Ferdinand Zecca são, ao mesmo tempo, inventores e mestres do
cinema fantástico. Seus filmes rememoram uma época em que o cinema
ainda era visto por muitos como uma extensão dos espetáculos de mágica.
O ESPECTRO VERMELHO / LE SPECTRE ROUGE
França, 1907, 35mm, cor, 9min
Direção: Segundo de Chomón.
A CONQUISTA DO POLO / LA CONQUÊTE DU PÔLE
França, 1912, 35mm, branco e preto, 18min
Direção: Georges Méliès.
MAX VIRTUOSE
França, 1913, 35mm, branco e preto, 2min30seg
Direção: Max Linder.
PORCELANAS DELICADAS / PORCELAINES TENDRES
França, 1909, 35mm, branco e preto, 3min
Direção: Émile Cohl.
QUATRO PEQUENOS ALFAIATES / LES QUATRE PETITS TAILLEURS
França, 1910, 35mm, branco e preto, 7min
Direção: Émile Cohl.
A EVOLUÇÃO DA CARTOLA / THE EVOLUTION THE TILE
França, 35mm, branco e preto, 4min30seg
Direção: Émile Cohl.
A INFÂNCIA DA ARTE / L'ENFANCE DE L'ART
França, 1910, 35mm, branco e preto, 4min30seg
Direção: Émile Cohl.
SONHO DE UM GARÇOM DE CAFÉ / LE SONGE D'UN GARÇON DE CAFÉ
França, 1910, 35mm, branco e preto, 5min20seg
Direção: Émile Cohl.
O PEQUENO GALO / LE P'TIT CHANTECLAIR
França, 1910, 35mm, branco e preto, 6min20seg.
Direção: Émile Cohl.
CONFERÊNCIAS E MESAS
11 de agosto, 17hs, Sala BNDES
NINFAS E ARRANHA-CÉUS: CINEMA, MODERNIDADE E IMPULSO ESTETIZANTE
Conferência do pesquisador Ben Singer, autor do livro Melodrama and modernity e do artigo Modernidade, hiperestímulo e o início do sensacionalismo popular, publicado no livro O cinema e a invenção da vida moderna
(Cosac&Naif). Professor da Universidade de Wisconsin, nos Estados
Unidos, Singer reflete sobre a relação do cinema com a modernidade e
comenta a seleção de filmes preparada por ele para a I Jornada.
14 de agosto, 17hs, Sala Petrobras
O ESTÁGIO ATUAL DAS PESQUISAS SOBRE CINEMA BRASILEIRO SILENCIOSO
Com a participação de:
Eduardo Morettin
– Graduado em História pela Universidade de São Paulo (1988), mestre em
Artes pela Universidade de São Paulo (1994) e doutor em Ciências da
Comunicação pela Universidade de São Paulo (2001). Atualmente é
professor doutor da Universidade de São Paulo. Tem experiência na área
de Cinema e História, com ênfase em Teoria e História do Audiovisual e
História do Brasil República, tendo publicado em revistas nacionais e
estrangeiras principalmente sobre os seguintes temas: cinema e
história, cinema brasileiro, história do Brasil, história do cinema e
filme histórico. É um dos organizadores de História e Cinema: dimensões históricas do audiovisual
(São Paulo, Alameda, 2007). É conselheiro da Cinemateca Brasileira e da
Sociedade de Amigos da Cinemateca. Membro do Conselho Consultivo do
Museu Paulista e do Núcleo Regional São Paulo – ANPUH.
Glênio N. Povoas – Mestre em
Ciências da Comunicação pela Escola de Comunicações e Artes da
Universidade de São Paulo. Formado em Jornalismo pela FAMECOS-PUCRS,
onde é professor do Departamento de Jornalismo e do Curso Superior de
Tecnologia em Produção Audiovisual. Nesta universidade realizou
doutorado em Comunicação Social com a tese Histórias do cinema gaúcho:
propostas de indexação 1904-1954. Redator e repórter na Editoria de
Cultura do jornal Diário do Sul (Porto Alegre, 1987-88). Professor no
Curso de Cinema da FAAP (1994-95) e do Centro de Ciências da
Comunicação-UNISINOS (1986-2000). Publicou os livros Cinema RS - produção audiovisual 2004-2000 (2005), O homem que copiava - livro de imprensa (2003), Vento norte - história e análise do filme de Salomão Scliar
(2002), Cinema RS - produção audiovisual 1998-2000 (2000). Iniciador do
processo da Cinemateca Capitólio em Porto Alegre em 2002. Desde outubro
de 2003, programador do Cine Santander Cultural. Em parceria com Jorge
Furtado, foi co-roteirista de Memorial de Maria Moura (1994), Benjamim (2003) e Oscar Boz (2003).
Hernani Heffner – Graduado
em Comunicação Social, habilitação Cinema, pela Universidade Federal
Fluminense. Tornou-se pesquisador com uma bolsa concedida pela
Embrafilme para uma biografia sobre o fotógrafo Edgar Brasil. Entrou em
1986 para a Cinédia, onde fez levantamentos de dados para os livros
editados e projetos para a restauração dos filmes da empresa. Coordenou
entre outras as recuperações de O Ébrio, Alô, Alô, Carnaval e Mulher.
Foi admitido em 1996 como Curador de Documentação e Pesquisa da
Cinemateca do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, passando alguns
anos depois a responder como Conservador pelo Arquivo de Filmes da
instituição. É professor dos cursos de Gestão Cultural da Universidade
Cândido Mendes e Cinema da Pontifícia Universidade Católica. É autor de
vários artigos sobre cinema para jornais e revistas e responsável por
mais de cem verbetes da Enciclopédia do Cinema Brasileiro.
Sheila Schvarzman – Doutora em
História Social e pós-doutora em Multimeios pela Universidade Estadual
de Campinas - Unicamp. É professora do Programa de Pós-Graduação em
Comunicação da Universidade Anhembi-Morumbi e do Centro Universitário
Senac. Foi professora visitante do Departamento de Multimeios da
Unicamp e pesquisadora do Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico de
São Paulo. É autora de Humberto Mauro e as imagens do Brasil, publicado pela Edunesp em 2004.
Mediação: Carlos Roberto de Souza
15 de agosto, 17hs, Sala Petrobras
RESTAURAÇÃO DE FILMES SILENCIOSOS
Com a participação de:
Patrícia de Filippi – Docente
em Preservação e Conservação Fotográfica na Faculdade SENAC de
Comunicação e Artes – Bacharelado em Fotografia (1999-2005).
Especialização em Preservação de Filmes na Escola de Preservação
Jeffrey L. Selznick, da George Eastman House, em Rochester, NY, Estados
Unidos – Bolsa Virtuose, Ministério da Cultura (2000-2001).
Especialização em Preservação de Bens Culturais – Conservação
Fotográfica no Arquivo Público da Cidade de Nova York, NY, Estados
Unidos – Bolsa CAPES/FULBRIGHT (1990-1991). Desde 1996, é coordenadora
do Laboratório de Restauração da Cinemateca Brasileira, em que
desenvolve vários projetos de restauração e preservação do acervo da
instituição, destacando-se os projetos de restauração de Limite, de Mário Peixoto, e de restauração digital dos 14 títulos realizados pelo cineasta Joaquim Pedro de Andrade.
Noel Desmet – É responsável
pelo Laboratório de Restauração da Cinématéque Royale de Belgique desde
1965, quando o fundou. Desenvolveu o processo conhecido como
"Desmetcolor", de copiagem para simular a cor original dos tingimentos
e viragens dos filmes em nitrato, usado desde os anos 70 pelos arquivos
de filmes.
16 de agosto, quinta-feira, 17hs, Sala Petrobras
MÚSICA E CINEMA SILENCIOSO
Com a participação de:
Adriano Campos – Economista
com mestrado em Economia Internacional na Sorbone. Violonista amador e
audiófilo. Participou da pesquisa musical para restauração do filme Limite, de Mário Peixoto, a convite da Cinemateca Brasileira.
Eunice Martins – Pianista e
compositora nascida em Berlim, de ascendência luso-germânica. Estudou
piano na HDK, em Berlim. Compositora, é desde 2000 pianista residente
do Kino Arsenal de Berlim, a meca do cinema silencioso na Alemanha.
Especialista em música para cinema silencioso, Eunice tem em seu
repertório dezenas de filmes do mundo inteiro. Já se apresentou em
festivais importantes, na Europa e na Ásia, e no Auditório do Museu do
Louvre em Paris. Em 2007, contribuiu com sua música para o simpósio e
retrospectiva Sprach der Liebe - Asta Nielsen, Ihre Filme, Ihr Kino, no
Deutsches Filmmuseum, Frankfurt Am Main.
Livio Tragtenberg – Compositor
e saxofonista. Compõe para cinema, teatro, dança e cria instalações
sonoras. Tem vários CDs editados, entre eles, São Paulo, a symphonia da
metrópole. Recebeu bolsas de composição de VITAE e da Guggenheim
Foundation. Trabalha desde 1995 com Johann Kresnik em espetáculos de
teatro-dança na Alemanha. Escreveu livros sobre música, entre eles,
Música de cena (Ed. Perspectiva). Recebeu por três vezes o Premio de
Trilha Sonora no Festival de Cinema de Brasília. Fez música para filmes
de Djalma Limongi, Julio Bressane, Lucia Murat, Tata Amaral, Roberto
Moreira, Joel Pizzini, Toni Venturi e Jean Claude Bernardet.
Robyn Schulkowsky – Compositora
e percussionista americana, vive na Alemanha desde 1980. Responsável
por inúmeras estréias e gravações de composições para percussão.
Trabalhou com John Cage, Mauricio Kagel, Stockhausen, entre outros.
Compõe para teatro e cinema e também atua na área do jazz como
improvisadora. Organizou um evento de 24 horas de percussão com músicos
do mundo todo na Feira Mundial de Hannover em 2000.
OFICINAS
15 de agosto, das 14hs às 16hs, Sala BNDES
SOM/IMAGEM
Com a percussionista Robyn Schulkowski
Oficina para músicos e
compositores sem restrição do tipo de instrumento musical. O
participante deverá ter alguma experiência anterior, bem como em
improvisação. A oficina dará ênfase na contribuição ativa dos
participantes, possibilitando idéias a serem desenvolvidas em peças
musicais. Os participantes irão desenvolver 1 ou 2 temas básicos a
serem utilizadas como trilha num filme mudo a ser apresentado em
seguida à oficina. A idéia é desenvolver uma sensibilidade de grupo,
harmonizando o coletivo.
17 e 18 de agosto, das 14hs às 16hs, Sala BNDES
A MÚSICA E O CINEMA SILENCIOSO
Com a pianista Eunice Martins
O cinema nunca foi silencioso.
Desde os primeiros dias do cinema os filmes foram acompanhados por
música. Hoje é justamente a música que consegue restituir-nos a
atualidade e a relevância de filmes aparentemente tão distantes. Ela
ajuda a nós, ao público de hoje com os seus preconceitos visuais e
auditivos, a lançar uma ponte através da fisionomia histórica entre nós
e estes filmes. No primeiro dia da oficina Eunice Martins começará por
mostrar, partindo de um filme, alguns fenômenos e problemas do trabalho
musical com filmes silenciosos. Em seguida vai expor um panorama geral
da história da música no cinema silencioso. Para terminar esta primeira
parte da oficina, examinará alguns filmes curtos (Mélies, Edwin S.
Porter etc.), dos quais cada participante ativo escolherá um para
experimentar acompanhamentos musicais. No segundo dia da oficina, os
participantes terão a possibilidade de apresentar sugestões e por em
obra montagens musicais próprias para trechos dos filmes escolhidos.
Estas tanto poderão ser gravações já existentes como improvisações
próprias do momento. Para terminar, serão discutidos os exemplos
propostos e qualquer pergunta ou sugestão que apareça. A oficina está
concebida para todas as pessoas interessadas ativa ou passivamente.
EXPOSIÇÕES
De 10 a 19 de agosto, durante a I Jornada Brasileira De Cinema Silencioso, na Cinemateca Brasileira
• Coleção de equipamentos cinematográficos M. Padovan
• Instalação fotográfica A EMOÇÃO MUDA – MUDA?
MÚSICOS NA I JORNADA BRASILEIRA DE CINEMA SILENCIOSO
ALEXMONO:
cantor-compositor, auto-produtor e ativista cultural. Atua na cena
musical desde os anos 1990. Como vocalista e compositor da banda
Coração Tribal lançou CD homônimo pela Virgin em 1997, no Brasil, na
Europa e no Japão. No ano 2000, Alexmono atuou junto a coletivos de
arte no Recife. Em 2001, colaborou com o coletivo de artistas plásticos
Carga & Descarga, quando em parceria com Gabriel Furtado e Igor
Medeiros produziu trilha sonora para o vídeo-arte Sacrosantos Eróticos.
Em 2003, com o Re:Combo e o Media Sana realizou a exposição e ação
multimídia Arte e Tecnologia no Teatro Mauricio de Nassau, no Recife
Antigo. Em 2004 lançou o CD Atleta do cotidiano. Em abril
deste ano realizou no Teatro do Parque, no centro do Recife, o Projeto
Antenado, reunindo bandas, poetas e VJs. Como seu convidado se
apresentará PI.R – Teclados e programação.
ANDRÉ ABUJAMRA: como
cantor e guitarrista, lidera e produz o grupo Karnak, que já lançou
três CDs. Participou do grupo Os Mulheres Negras e da Banda Vexame,
produzindo o primeiro LP do grupo pela Sony Music. Compôs músicas para
várias peças teatrais e ganhou diversos prêmios por trilhas sonoras
entre eles Moliére e APETESP. No cinema, atuou em Sábado (1995), Boleiros (1998), ambos de Ugo Georgetti, Castelo Rá-tim-bum, o filme (1995), de Cao Hamburger e Durval Discos (2002), de Ana Mulayert. Foi um dos responsáveis pela trilha sonora para o programa infantil Castelo Rá-tim-bum, da TV Cultura.
ANTONIO PINTO: compositor das trilhas sonoras de Central do Brasil (1998), de Walter Salles e de Cidade de Deus (2002), de Fernando Meirelles, entre outras. Foi convidado pelo diretor Michael Mann pra participar da trilha sonora de Collateral/Colateral (2004), estrelado por Tom Cruise e Jamie Foxx. Outro de seus recentes trabalhos é a composição para a série de TV Jonny Zero, exibida pela FOX.
ARRIGO BARNABÉ:
nascido em Londrina, chegou a São Paulo na década de 1970 para cursar
arquitetura, mas desistiu para se dedicar a música. Seu primeiro
sucesso foi a música Clara Crocodilo, que integrou a trilha de A ilha das cangaceiras virgens (1976),
de Roberto Mauro. Destacou-se em 1979 no Festival Universitário da TV
Cultura. Na década de 1980, Arrigo já era respeitado em toda a cena
musical do país por fazer uma música que unia o contemporâneo ao
erudito. Compôs trilhas para curtas metragens de diversos gêneros, como
André louco e O rito de Ismael Ivo.
BETO STRADA: músico,
arranjador e compositor, atua há mais de 20 anos produzindo trilhas
para longas metragens e documentários, tendo participado de mais de 40
filmes. Também compõe jingles para televisão e campanhas publicitárias.
Nos anos 1970, foi pioneiro na criação de temas e vinhetas para
programas de rádio em todo o país. Nos anos 1980, iniciou também a sua
participação compondo trilhas para teatro. Além de músico, também dá
aulas de criação e produção musical no Brasil e no exterior. Entre seus
inúmeros trabalhos se destacam as trilha para Excitação (1976), de Jean Garret, filmes da Renato Aragão Produções e as campanhas junto a MPM Propaganda.
CLARICE MANTOVANI:
cantora e acordeonista deficiente visual que atua nas ruas de São Jose
do Rio Preto e região, no interior de São Paulo. Participa também do
Duo Mantovani.
DJ A.S.M.A. (Ataque
Sonoro Mental AmplificaDor): seu primeiro contato com toca-discos foi
aos três anos de idade ouvindo discos de metal. A partir daí, ampliando
sua pesquisa em discos de vinil, garimpados em sebos pelo mundo,
construiu um acervo que vai da bossa ao punk. O contato diário com
toca-discos despertou o interesse pela técnica de manipular os discos (turtablism). Toca em festas, exposições de arte e fotografia, divulgando o turtablism do Brasil para o mundo. Atualmente faz parte do grupo Lunattack’z Crew DJ’s. É DJ do MC Rinconsapiência.
DJ F7: iniciou seus trabalhos na
década de 1990, discotecando nas principais festas que aconteciam
naquela época: Sub Club, 8º DP, Class, Tom Tom, DJ Club, entre outras.
Em 1995, foi convidado a integrar o
Crew DZ Cuts, se apresentando em diversos eventos. Em 1999, idealizou o
nome Lunattack’z Crew DJ’s e convidou os integrantes atuais para
juntarem idéias e projetos visando à expansão da cultura DJ no Brasil.
Desde então, lançou mais de 10 mixtapes. Atualmente, prepara disco do
Lunattackz e integra a banda Pavilhão Nove.
DUOPORTAL: formado
por Zé Renato Gimenes e Gustavo Barbosa Lima, faz música com
instrumentos artesanais rústicos de sopro e percussão, de cerâmica e de
bambu, vindos de diversas partes do mundo. Dirigidos pela intuição,
buscam inspiração na diversidade, simplicidade e riqueza das músicas
tradicionais do planeta, principalmente brasileiras. Os instrumentos
são o ponto de partida para a criação. A música surge a partir das
descobertas da natureza e das possibilidades de cada instrumento, de
suas combinações e das novas maneiras de utilizá-los, buscando melodias
nos instrumentos de percussão e ritmos nos instrumentos de sopro.
EDUARDO GUIMARÃES
ÁLVARES: em 1984, graduou-se em Composição pela Escola de Comunicações
e Artes da USP, onde estudou com Willy Corrêa de Oliveira e Gilberto
Mendes. Também estudou com o compositor argentino Dante Grela. Entre
1986 e 1996 foi coordenador dos Ciclos de Música Contemporânea e
Festival Articulações – Sons da Atualidade em Belo Horizonte. Em 1997
foi coordenador do XXXIII Festival Música Nova de São Paulo,
patrocinado pelo Itaú Cultural. Desde 2005, é professor de matérias
teóricas na Universidade Livre de Música, no Centro de Estudos Musicais
Tom Jobim, em São Paulo.
EUNICE MARTINS:
pianista e compositora nascida em Berlim, de ascendência
luso-germânica. Estudou piano na HDK, em Berlim. Compositora, é desde
2000 pianista residente do Kino Arsenal de Berlim, a meca do cinema
silencioso na Alemanha. Especialista em música para cinema silencioso,
Eunice tem em seu repertório dezenas de filmes do mundo inteiro. Já se
apresentou em festivais importantes, na Europa e na Ásia, e no
Auditório do Museu do Louvre em Paris. Em 2007, contribuiu com sua
música para o simpósio e retrospectiva Sprach der Liebe - Asta Nielsen,
Ihre Filme, Ihr Kino, no Deutsches Filmmuseum, Frankfurt Am Main.
FRAME CIRCUS: projeto
musical que experimenta sonorizar filmes antigos buscando linguagens
diversas. Seus integrantes são Paulo Beto, Tatá Aeroplano e Maurício
Fleury, três músicos com influências distintas, mas que possuem a
música popular e o rock em comum. Tudo começou há 10 anos atrás, como
um exercício de composição mesclado a um grande interesse por cinema
por Paulo Beto. A banda Frame Circus surgiu quando Paulo Beto convocou
os músicos Tatá Aeroplano (Cérebro Eletrônico, Jumbo Elektro, Zeroum) e
Maurício Fleury (Multiplex e Montage) para musicarem curtas-metragens
mudos apresentados pela primeira vez no projeto Trilhas Metragens no
final de 2006, realizado no SESC Paulista.
GILBERTO MAURO: sobrinho do cineasta Humberto Mauro, autor das trilhas sonoras dos filmes Você sabe quem, de Maria Clara Guimn, Bailarina, Dois lados, O Diabo é (o) que nóis acredita,de Carlos Canela, Retrato inacabado, de Sérgio Gomes, Ruas ilustres,de Alexandre Pergigão, entre outros. Já gravou 5 CDs: Canto da estrada aberta (1997), Em busca do urubu (2001), Panacea Trio (2004), Seletânea (2004), Aurum parapoukos (2006).
JORGE PEÑA: nascido
no Uruguai, é fotógrafo, percussionista e sonoplasta. Trabalha com
dança e teatro compondo trilhas, texturas e paisagens sonoras. No
teatro, fez parte do grupo Ornitorrinco e da companhia Pessoal do
Faroeste, da qual participa até hoje. Desde 2003 realiza encontros e
oficinas de percussão, coordenação motora e sonoplastia no seu Stúdio,
em São Paulo. Em 2006, dirigiu uma oficina de sonoplastia e memória
auditiva para o grupo experimental de teatro do SESI. Atualemente,
desenvolve o projeto Sonoplastia dos Sonhos dentro do Presídio Femenino
de Sant'Ana.
JOSÉ LUÍS: sanfoneiro deficiente visual de Ribeirão Preto, interior de São Paulo. Atua nas ruas da cidade e região.
J.P. SOM: sanfoneiro
deficiente visual que atua nas ruas de Araraquara e região, no interior
de São Paulo. Compõe valsas e musica caipira.
LAÉRCIO DE FREITAS:
pianista, maestro, arranjador e compositor. Em 1957, graduou-se em
piano no Conservatório Carlos Gomes. Fez parte da Orquestra Tabajara de
Severino Araújo e do Sexteto de Radamés Gnatalli. Em 1973, lançou o LP Laércio de Freitas e o som roceiro.
Atuou como arranjador e regente em companhias de discos, tendo
acompanhado diversos artistas como Ângela Maria, Maria Bethânia, Maria
Valle, Emílio Santiago, Nancy Wilson, Clara Nunes e The Supremes, entre
outros. Atua como arranjador junto à Banda Sinfônica do Estado de São
Paulo, para a qual também conduz aulas de prática de execução conjunta.
LIVIO TRAGTENBERG:
compositor e saxofonista. Compõe para cinema, teatro, dança e cria
instalações sonoras. Tem vários CDs editados, entre eles, São Paulo, a symphonia da metrópole.
Recebeu bolsas de composição de VITAE e da Guggenheim Foundation.
Trabalha desde 1995 com Johann Kresnik em espetáculos de teatro-dança
na Alemanha. Escreveu livros sobre música, entre eles, Música de cena
(Ed. Perspectiva). Recebeu por três vezes o Premio de Trilha Sonora no
Festival de Cinema de Brasília. Fez música para filmes de Djalma
Limongi, Julio Bressane, Lucia Murat, Tata Amaral, Roberto Moreira,
Joel Pizzini, Toni Venturi e Jean Claude Bernardet.
MARCO SCARASSATTI:
compositor formado pela Unicamp, desenvolve a pesquisa de criação de
esculturas e ambientes sonoros. Dirige filmes e vídeos, além de atuar
como compositor de trilhas sonoras para audiovisuais, teatro e dança.
Dedica-se à música improvisada (coletivos Sǒnax e Olhocaligari) e
atualmente pesquisa a construção poética do espaço sonoro a partir das
imagens alquímicas do jesuíta Athanasius Kircher. É professor da
Faculdade Casper Líbero, em São Paulo.
MAURÍCIO TAKARA:
baterista das bandas Hurtmold, Instituto e São Paulo Underground (com o
trompetista e artista de Chicago Rob Mazurek). Mauricio Takara também
assume o controle de samplers, sintetizadores, efeitos e computador no
seu projeto solo intitulado “m. takara”. É também conhecido no cenário
musical nacional e internacional pelo trabalho que já realizou com
bandas e artistas como o cantor Otto, Cidadão Instigado, Xis e Stella
Campos e colaborações com Nação Zumbi, Naná Vasconcelos, Damo Suzuki,
Scotty Hard, Vanessa da Mata, Joe Lally etc., além de ter participado
de várias trilhas sonoras para curta e longa metragens.
MICHELLE AGNES:
compositora e pianista. Tem acompanhado filmes mudos de diversos
autores, como Buster Keaton, Fatty Arbuckle, Chaplin, Edison, Lumière,
Meliès e René Clair. Em 2003, foi premiada pela Unesco com uma
residência no estúdio do Institut International de Musique
Électroacoustique de Bourges, na França. Seu mestrado, pela Unicamp,
trata das relações entre música, trilha sonora e futurismo no filme Entuziazm/Entusiasmo (1931), de Dziga Vertov.
NELSON PINTON:
pianista e compositor formado pela Unicamp, desenvolve intenso trabalho
em improvisação (grupo Sǒnax), música eletrônica/eletroacústica,
trilhas sonoras para filmes e documentários. Participou em 2003 do
Festival Syntèse IMEB em Bourges, na França. Em 2004, ganhou o prêmio
Rumos Itaú Cultural na categoria áudio-ficções e dirige o estúdio
Vitrola Digital.
PATIFE BAND: banda
paulistana que mistura punk rock com composição dodecafônica. Projeto
do músico e compositor Paulo Barnabé, a banda teve início na década de
80 com uma trajetória vertiginosa: nasceu após o espetáculo
musical-performático João Bobo e as Bonecas Infláveis, idealizado pelo
próprio Paulo Barnabé. Lançaram o primeiro disco em 1985 pelo selo Lira
Paulistana, ganhando destaque com a versão para o clássico da Jovem
Guarda Tijolinho, de Wagner Benatti. No ano seguinte, participaram da trilha sonora do filme Cidade oculta (1986), de Chico Botelho, com a música Pregador maldito. A Patife Band também é formada pelo experiente e virtuose guitarrista André Fonseca e pelo baixista Maurício Biazzi.
PAULO HARTMANN:
músico que explora as potencialidades da guitarra preparada, tem sua
principal atuação no improviso livre e na criação de paisagens sonoras
através da geração de loops em tempo real. Já realizou apresentações de
tele-performance em galerias de Berlim. Recentemente apresentou-se em
festivais na Colômbia e na França.
ROBYN SCHULKOWSKY:
compositora e percussionista americana, vive na Alemanha desde 1980.
Responsável por inúmeras estréias e gravações de composições para
percussão. Trabalhou com John Cage, Mauricio Kagel, Stockhausen, entre
outros. Compõe para teatro e cinema e também atua na área do jazz como
improvisadora. Organizou um evento de 24 horas de percussão com músicos
do mundo todo na Feira Mundial de Hannover em 2000.
WILSON SUKORSKI:
compositor, músico eletrônico, performer multimídia, criador/produtor
de conteúdos musicais para rádio, vídeo e cinema, designer e construtor
de instrumentos musicais inusitados e pesquisador em áudio digital.
SESSÕES ASSINADAS
CARLOS REICHENBACH:
diretor, produtor, diretor de fotografia, roteirista e professor de
cinema, com formação musical, assinou quinze filmes de longa-metragem
como realizador. Entre eles: Lilian M (1975), Filme demência (1986), Anjos do arrabalde (1987), Alma corsária (1993), Dois córregos (1999), Garotas do ABC (2003)e o inédito Falsa loura.
JÚLIO MEDAGLIA:
maestro e arranjador, formado em regência sinfônica pela Academia de
Freiburg, na Alemanha. No final dos anos 1960 foi um dos organizadores
dos Festivais da Record, e em 1967 escreveu o arranjo da música Tropicália,
de Caetano Veloso, marcando assim o início do movimento tropicalista.
Foi diretor artístico do Teatro Municipal de São Paulo e do Rio de
Janeiro, e também regente titular do Teatro Nacional de Brasília. Atua
como dirigente de festivais de música em todo o Brasil. Compõe para
cinema. Entre seus trabalhos de destaque está o filme O segredo da múmia (1986),
de Ivan Cardoso. É ensaísta e colaborador dos mais importantes órgãos
de imprensa nacionais. Tem livros publicados como tradutor e autor.
MZK: ilustrador, quadrinista e DJ,
começou tocando por diversão em festas de amigos e nos shows do Los Sea
Dux, grupo instrumental no qual tocava maracas. Sua pesquisa de rock e
hip hop dos anos 80 tomou novos rumos influenciada pela música
instrumental e pelo desejo de identificar os originais "sampleados" por
produtores de rap, abrindo seu horizonte musical para novos ritmos e
criações (soul, jazz, música latina, trilhas sonoras, easy listening,
tropicalismo e música étnica), sempre à procura do "groove original".
Cinemateca Brasileira
Largo Senador Raul Cardoso, 207 – Vila Mariana
próxima ao Metrô Vila Mariana
Outras informações: 3512-6111 (ramal 210) / 3512-6101
ENTRADA FRANCA
PROGRAMAÇÃO
10/08 – sexta (Sessão de abertura)
SALA CINEMATECA / BNDES
21h
Ninfas e arranha-céus: cinema, modernidade e o impulso estetizante
Salomé (1923), 75min
Complemento: Filmes de publicidade com Greta Garbo (1920-21), 7min.
Acompanhamento musical de Eunice Martins, Robyn Schulkowsky e Livio Tragtenberg
11/08 – sábado
SALA CINEMATECA / BNDES
17h
Conferência de Ben Singer: “Cinema, modernidade e o impulso estetizante”
19h
Ninfas e arranha-céus: cinema, modernidade e o impulso estetizante
A alma do cipreste / The soul of the cypress (1921), 10min
A flauta de Krishna / The flute of Krishna (1926), 7min
Na juventude, junto ao mar solitário / In youth, beside the lonely sea (1925), 5 min
Diana, a caçadora / Diana, the huntress (1916), 29min
Acompanhamento musical do Duo Portal
21h
Cinema alemão antes de Caligari
Duas vidas / Zweimal gelebt (1912), 24min
A bola negra / Die schwarze Kugel (1913), 39min
Acompanhamento musical de Beto Strada e Carlos Ranoya
12/08 – domingo
SALA CINEMATECA / BNDES
17h
Filmes para crianças (coletânea de filmes curtos, inclui obras de Meliés, Émile Cohl e Max Linder), 61 min
O espectro vermelho
A conquista do Pólo
Max Virtuose
Porcelanas delicadas
Quatro pequenos alfaiates
A evolução da cartola
A infância da arte
Sonho de um garçom de café
O pequeno galo
Acompanhamento musical de Jorge Peña
19h
Cinema em pernambuco nos anos 20
Veneza americana (1925), 61min
Acompanhamento musical de Alex Mono e PI.R
21h
Cinema alemão antes de Caligari
A flor do pântano / Die Sumpfblume (1913), 52min
Acompanhamento musical de Eunice Martins
SALA CINEMATECA / PETROBRAS
17h
Cinema alemão antes de Caligari
Duas vidas / Zweimal gelebt (1912), 24min
A bola negra / Die schwarze Kugel (1913), 39min
Sessão sem acompanhamento musical
19h
Cinema em pernambuco nos anos 20
Aitaré da Praia (1925-27), 62min
Sessão sem acompanhamento musical
21h
Ninfas e arranha-céus: cinema, modernidade e o impulso estetizante
A alma do cipreste / The soul of the cypress (1921), 10min
A flauta de Krishna / The flute of Krishna (1926), 7min
Na juventude, junto ao mar solitário / In youth, beside the lonely sea (1925), 5 min
Diana, a caçadora / Diana, the huntress (1916), 29min
Sessão sem acompanhamento musical
13/08 – segunda
SALA CINEMATECA / BNDES
17h
Cinema alemão antes de Caligari
E a luz se apagou / Und das Licht erlosch (1914), 41min
Acompanhamento musical de Eduardo Guimarães Álvares
19h
Cinema alemão antes de Caligari
Expiação / Die Sühne (1917?), 67min
Acompanhamento musical de Marco Scarassatti, Paulo Hartmann e Nelso Pinton
21h
Cinema alemão antes de Caligari
A rainha da Bolsa / Die Börsenkönigin (1916), 53min
Acompanhamento musical de Robyn Schulkowsky
SALA CINEMATECA / PETROBRAS
17h
Cinema alemão antes de Caligari
A igreja do diabo / Die Teufelskirche (1919), 44min
Sessão sem acompanhamento musical
19h
Cinema em pernambuco nos anos 20
A filha do advogado (1926), 79min
Sessão sem acompanhamento musical
21h
Filmes alemães do acervo da Cinemateca Brasileira
Harakiri (1919), 75 min
Sessão sem acompanhamento musical
14/08 – terça
SALA CINEMATECA / BNDES
17h
Cinema alemão antes de Caligari
Duas vidas / Zweimal gelebt (1912), 24min
A bola negra / Die schwarze Kugel (1913), 39min
Acompanhamento musical de Eunice Martins
19h
Cinema alemão antes de Caligari
A esperteza de Wanda / Wanda’s Trick (1916?), 46min
Acompanhamento musical de Michelle Agnes
21h
Cinema em pernambuco nos anos 20
No cenário da vida (1930), fragmento, 10min
Recife no Centenário da Confederação do Equador (1924), fragmento, 10min
As grandezas de Pernambuco (1926), 30min
Acompanhamento musical de DJ F7 e DJ A.S.M.A
SALA CINEMATECA / PETROBRAS
19h
MESA – "O estágio atual das pesquisas sobre cinema brasileiro silencioso"
21h
Ninfas e arranha-céus: cinema, modernidade e o impulso estetizante
Coney Island at night
New Brooklin to New York via Brooklin bridge, no. 2
A mulher de cinza / A woman in grey (1919-20), episódio 9, 18min
Move on
Panorama water front and Brooklin bridge from East River
A mulher de cinza / A woman in grey (1919-20), episódio 10, 18min
Lower Broadway
Corner Madison & State Street, Chicago
A mulher de cinza / A woman in grey (1919-20), episódio 15, 18min
SESSÃO ASSINADA por MZK
15/08 – quarta
SALA CINEMATECA / BNDES
14-16h
Oficina com Robyn Schulkowsky
17h
Cinema alemão antes de Caligari
O amor de Maria Bonde / Die Liebe der Maria Bonde (1918), 43min
Acompanhamento musical de Robyn Schulkowsky
19h
Filmes alemães do acervo da Cinemateca Brasileira
O estudante de Praga / Der Student von Prag (1913), 75min
Acompanhamento musical de Antônio Pinto
21h
Cinema em pernambuco nos anos 20
A filha do advogado (1926), 79min
Acompanhamento musical de André Abujamra
SALA CINEMATECA / PETROBRAS
17h
MESA – "Restauração de filmes silenciosos"
19h
Cinema alemão antes de Caligari
Expiação / Die Sühne (1917?), 67min
Sessão sem acompanhamento musical
21h
Ninfas e arranha-céus: cinema, modernidade e o impulso estetizante
Salomé (1923), 75min
Complemento: Filmes publicitários com Greta Garbo (1920-21), 7min
Sessão sem acompanhamento musical
16/08 – quinta
SALA CINEMATECA / BNDES
17h
Ninfas e arranha-céus: cinema, modernidade e o impulso estetizante
Na trilha do Octopus / Trail of the Octopus (1919), episódios 1, 11, 12 e 15, 50 min Acompanhamento musical de Arrigo Barnabé
19h
Cinema alemão antes de Caligari
A igreja do diabo / Die Teufelskirche (1919), 44min
Acompanhamento musical de Maurício Takara
21h
Cinema em pernambuco nos anos 20
Aitaré da Praia (1925-27), 62min
Acompanhamento musical de Clarice Mantovani, José Luis e J.P. Som
SALA CINEMATECA / PETROBRAS
17h
MESA – "Música e cinema silencioso"
19h
Cinema alemão antes de Caligari
A flor do pântano / Die Sumpfblume (1913), 52min
Sessão sem acompanhamento musical
21h
Cinema alemão antes de Caligari
O amor de Maria Bonde / Die Liebe der Maria Bonde (1918), 43min
Sessão sem acompanhamento musical
17/08 – sexta
SALA CINEMATECA / BNDES
14-15h30
Oficina com Eunice Martins
17h
Filmes alemães do acervo da Cinemateca Brasileira
Depois da tempestade / Das wandernde Bild (1919), 64min
Acompanhamento musical de Eunice Martins
19h
Cinema em pernambuco nos anos 20
Veneza americana (1925), 61min
Acompanhamento musical de Gilberto Mauro
21h
Ninfas e arranha-céus: cinema, modernidade e o impulso estetizante
Coney Island at night
New Brooklin to New York via Brooklin bridge, no. 2
A mulher de cinza / A woman in grey (1919-20), episódio 9, 18min
Move on
Panorama water front and Brooklin bridge from East River
A mulher de cinza / A woman in grey (1919-20), episódio 10, 18min
Lower Broadway
Corner Madison & State Street, Chicago
A mulher de cinza / A woman in grey (1919-20), episódio 15, 18min
Acompanhamento musical de Michelle Agnes
SALA CINEMATECA / PETROBRAS
20h
Cinema em pernambuco nos anos 20
No cenário da vida (1930), fragmentos, 10min
Recife no Centenário da Confederação do Equador (1924), fragmento, 10min
As grandezas de Pernambuco (1926), 30min
Sessão sem acompanhamento musical
22h
Cinema alemão antes de Caligari
A esperteza de Wanda / Wanda’s Trick (1916?), 46min
SESSÃO ASSINADA por Carlos Reichenbach
18/08 – sábado
SALA CINEMATECA / BNDES
14-15h30
Oficina com Eunice Martins
17h
Filmes alemães do acervo da Cinemateca Brasileira
O caminho na noite / Der Gang in die Nacht (1920), 70min
Acompanhamento musical de Eunice Martins
19h
Cinema em pernambuco nos anos 20
Jurando vingar (1925), 52min
Acompanhamento musical de Frame Circus
21h
Ninfas e arranha-céus: cinema, modernidade e o impulso estetizante
Na trilha do Octopus / Trail of the Octopus (1919), episódios 1, 11, 12 e 15, 50min Acompanhamento musical do Beto Villares
SALA CINEMATECA / PETROBRAS
19h
Filmes alemães do acervo da Cinemateca Brasileira
O estudante de Praga / Der Student von Prag (1913), 75min
SESSÃO ASSINADA por Julio Medaglia
21h
Cinema alemão antes de Caligari
A rainha da Bolsa / Die Börsenkönigin (1916), 53min
Sessão sem acompanhamento musical
19/08 – domingo
SALA CINEMATECA / BNDES
17h
Homenagem a Lilian Rubens
Canção da primavera (1932), 90min
Acompanhamento musical de Laércio de Freitas
19h
Filmes alemães do acervo da Cinemateca Brasileira
Harakiri (1919), 75 min
Acompanhamento musical de Wilson Sukorski
21h
Sessão de encerramento
O gabinete do Dr. Caligari / Das Cabinet des Dr. Caligari (1919), 74min
Acompanhamento musical da Patife Band
SALA CINEMATECA / PETROBRAS
17h
Filmes alemães do acervo da Cinemateca Brasileira
O caminho na noite / Der Gang in die Nacht (1920), 70min
Sessão sem acompanhamento musical
19h
Filmes alemães do acervo da Cinemateca Brasileira
A boneca do amor / Die Puppe (1919), 55min
Sessão sem acompanhamento musical