Fruta estranha
A jovem Billie Holiday entrou para a História com a magistral interpretação de 'Strange fruit', criada por Abel Meeropol, vigoroso militante antirracista. Na ocasião, o público ficou paralisado.
Era a primeira vez que se mostrava em música o linchamento de negros no sul dos EUA.
Jacques Gruman
“O racismo é mais sutil, mas os obstáculos permanecem”.
(Tiffany Hallback, militante do Conselho Nacional das Mulheres Negras, dos Estados Unidos)
Às vezes, o brinquedo – quem disse que a vida é uma linha reta? – namora a ferramenta. Em 1939, uma jovem de vinte e quatro anos se apresentava no Café Society, único clube noturno de New York que não segregava os frequentadores negros.
Num dado momento, o blues calou todas as vozes.
A melodia, praticamente falada, numa impressionante modulação de sentimentos, irrompia em repetidas ondas de choque.
“Árvores do sul dão uma fruta estranha; folha ou raiz, em sangue se banha”.
Aos poucos, as metáforas vão ficando cada vez mais claras.
A jovem Billie Holiday entrava para a História com a magistral interpretação de Strange fruit, criada por Abel Meeropol, vigoroso militante antirracista.
O público ficou paralisado.
Era a primeira vez que se mostrava em música o linchamento de negros no sul dos Estados Unidos, prática hedionda muito comum naquela época.
Existem fotos onde os corpos dos linchados aparecem ao lado de alegres espectadores, que parecem estar num parque de diversões.
Belo programa em noites de sábado! Strange fruit ficou para sempre associado a Lady Day.
Rádios se recusavam a tocá-la, gravadoras se recusavam a incluí-la em discos.
Apesar dos solavancos, é um registro extraordinário do impacto que provoca o casamento das duas caixas.
O sentimento como veículo de transformação da realidade
Não se trata de um abracadabra.
Apenas acho que homens que também brincam – ou que não se levam tão a sério – estão mais aparelhados para compreender e conduzir mudanças e revoluções duráveis.
Sisudez não é sinônimo de seriedade.
Os carrancudos, os de maus bofes, precisam, urgente, de um bom cafuné.
O racismo, poeticamente denunciado por Meeropol, não morreu.
Semana passada lembramos a célebre Marcha a Washington. Cerca de 200 mil pessoas se manifestaram na capital norte-americana contra a segregação e pela universalização dos direitos civis.
O reverendo Martin Luther King Jr. tinha um sonho pacífico, que está longe de se realizar. Embora a face selvagem do racismo nos Estados Unidos tenha se retraído, a discriminação é mutante como o vírus da gripe.
É bom lembrar que, em 1963, ainda era ilegal, em muitos estados, negros e brancos se casarem.
Exatamente como nas leis raciais da Alemanha nazista.
Já não há linchamentos de negros, mas a taxa de desemprego entre eles é quase o dobro da que se registra na população branca.
Já não se proíbem negros nas universidades, mas o nível educacional da população negra é sensivelmente inferior ao da branca.
A desigualdade também se manifesta no perfil de renda, no índice de encarceramento e, sobretudo, na cultura do ódio e da desconfiança.
Tal como no Brasil, a chance de um negro ser parado numa blitz policial é sensivelmente maior do que a de um branco.
Foi essa disposição belicosa que acabou vitimando o jovem Trayvon Martin, assassinado por um segurança que “desconfiou” de suas atitudes num condomínio residencial.
O criminoso foi absolvido.
O fato de um negro ocupar a Casa Branca tem um forte caráter simbólico, mas, lamentavelmente, não passa disso.
Continua, como qualquer branco o faria, refém dos grandes interesses corporativos que comandam as estratégias do país, recuou da promessa de fechar a prisão de Guantánamo, prepara-se para uma intervenção na Síria, mesmo sem ter conhecimento do relatório dos inspetores da ONU e à revelia da comunidade internacional (perece ter se esquecido da patética apresentação do general Colin Powell na ONU, para “provar” a existência de armas de destruição em massa no Iraque).
Alguém já disse que, enquanto o revendo Luther King disse “I have a dream”, o presidente Obama poderia perfeitamente dizer “I have a drone".
STRANGE FRUIT
Southern trees bear strange fruit,
Blood on the leaves and blood at the root,
Black bodies swinging in the southern breeze,
Strange fruit hanging from the poplar trees.
Pastoral scene of the gallant south,
The bulging eyes and the twisted mouth,
Scent of magnolias, sweet and fresh,
Then the sudden smell of burning flesh.
Here is fruit for the crows to pluck,
For the rain to gather, for the wind to suck,
For the sun to rot, for the trees to drop,
Here is a strange and bitter crop.Tradução
Fruta Estranha
Ávores do sul produzem uma fruta estranha,
Sangue nas folhas e sangue nas raízes,
Corpos negros balançando na brisa do sul,
Fruta estranha penduradas nos álamos.
Pastoril cena do valente sul,
Os olhos inchados e a boca torcida,
Perfume de magnólias, doce e fresca,
Depois o repentino cheiro de carne queimada.
Aqui está a fruta para os corvos arrancarem,
Para a chuva recolher, para o vento sugar,
Para o sol apodrecer, para as árvores deixarem cair,
Aqui está a estranha e amarga colheita.
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- Comprei faz poucos meses uma coletânea da Billy Holiday, na iTunes Store. Tem 52 faixas e não tem a "Strange Fruit", uma pena.
Achei impressionante.Ab.Folton
Thru folton's iPad
Fruta estranha
A jovem Billie Holiday entrou para a História com a magistral interpretação de 'Strange fruit', criada por Abel Meeropol, vigoroso militante antirracista. Na ocasião, o público ficou paralisado.
Era a primeira vez que se mostrava em música o linchamento de negros no sul dos EUA.
Jacques Gruman
<image001.jpg>
“O racismo é mais sutil, mas os obstáculos permanecem”.
(Tiffany Hallback, militante do Conselho Nacional das Mulheres Negras, dos Estados Unidos)
Às vezes, o brinquedo – quem disse que a vida é uma linha reta? – namora a ferramenta. Em 1939, uma jovem de vinte e quatro anos se apresentava no Café Society, único clube noturno de New York que não segregava os frequentadores negros.
Num dado momento, o blues calou todas as vozes.
A melodia, praticamente falada, numa impressionante modulação de sentimentos, irrompia em repetidas ondas de choque.
“Árvores do sul dão uma fruta estranha; folha ou raiz, em sangue se banha”.
Aos poucos, as metáforas vão ficando cada vez mais claras.
A jovem Billie Holiday entrava para a História com a magistral interpretação de Strange fruit, criada por Abel Meeropol, vigoroso militante antirracista.
O público ficou paralisado.
Era a primeira vez que se mostrava em música o linchamento de negros no sul dos Estados Unidos, prática hedionda muito comum naquela época.
Existem fotos onde os corpos dos linchados aparecem ao lado de alegres espectadores, que parecem estar num parque de diversões.
Belo programa em noites de sábado! Strange fruit ficou para sempre associado a Lady Day.
Rádios se recusavam a tocá-la, gravadoras se recusavam a incluí-la em discos.
Apesar dos solavancos, é um registro extraordinário do impacto que provoca o casamento das duas caixas.
O sentimento como veículo de transformação da realidade
Não se trata de um abracadabra.
Apenas acho que homens que também brincam – ou que não se levam tão a sério – estão mais aparelhados para compreender e conduzir mudanças e revoluções duráveis.
Sisudez não é sinônimo de seriedade.
Os carrancudos, os de maus bofes, precisam, urgente, de um bom cafuné.
<image004.png>O racismo, poeticamente denunciado por Meeropol, não morreu.
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Recomendo o documentário "Homo Sapiens - 1900 - Eugenics" de Peter Cohen. Por isso Hitler troçava quando jornalistas americanos lhe apontavam os dedos. Programas sociais nos EUA para esterilização de casais portadores de herança racial "inferior" após aplicação de testes de QI ou assemelhados, não raro resultando no suicídio das vítimas desse nazismo que nem disfarçado era. A K-K-K, segundo várias fontes origina-se no que essas fontes rotulam de WASP, White, Anglo-saxon Protestants. Irônico um mal tão pérfido vir de um núcleo, em tese, praticante regular de atos religiosos.- Herança da colonização européia? Acredito piamente que sim por tudo que li sobre o assunto e por tudo que se viu e se vê até hoje nas fobias excludentes do mosaico cultural que habita nessa faixa de terra que nem continente poderia ser, segundo os geólogos. Escravidão em tempos "cristãos" em moldes que deixaram os romanos "pagãos" no chinelo, colonialismo destruidor, desumano e genocida, o racismo é a perpetuação da conveniencia dos modelos econômicos que só conseguem vicejar, ao que parece, com um largo patamar de humanos como objeto de massacre. Triste, isso.- Comprei faz poucos meses uma coletânea da Billy Holiday, na iTunes Store. Tem 52 faixas e não tem a "Strange Fruit", uma pena.
2013/9/9 Francisco Antonio Doria <fado...@gmail.com>
Albert Meeropol depois adotou os órfãos Rosenberg.
Achei impressionante.Ab.Folton
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A jovem Billie Holiday entrou para a História com a magistral interpretação de 'Strange fruit', criada por Abel Meeropol, vigoroso militante antirracista. Na ocasião, o público ficou paralisado.
Era a primeira vez que se mostrava em música o linchamento de negros no sul dos EUA.
Jacques Gruman
<image001.jpg>
“O racismo é mais sutil, mas os obstáculos permanecem”.
(Tiffany Hallback, militante do Conselho Nacional das Mulheres Negras, dos Estados Unidos)
Às vezes, o brinquedo – quem disse que a vida é uma linha reta? – namora a ferramenta. Em 1939, uma jovem de vinte e quatro anos se apresentava no Café Society, único clube noturno de New York que não segregava os frequentadores negros.
Num dado momento, o blues calou todas as vozes.
A melodia, praticamente falada, numa impressionante modulação de sentimentos, irrompia em repetidas ondas de choque.
“Árvores do sul dão uma fruta estranha; folha ou raiz, em sangue se banha”.
Aos poucos, as metáforas vão ficando cada vez mais claras.
A jovem Billie Holiday entrava para a História com a magistral interpretação de Strange fruit, criada por Abel Meeropol, vigoroso militante antirracista.
O público ficou paralisado.
Era a primeira vez que se mostrava em música o linchamento de negros no sul dos Estados Unidos, prática hedionda muito comum naquela época.
Existem fotos onde os corpos dos linchados aparecem ao lado de alegres espectadores, que parecem estar num parque de diversões.
Belo programa em noites de sábado! Strange fruit ficou para sempre associado a Lady Day.
Rádios se recusavam a tocá-la, gravadoras se recusavam a incluí-la em discos.
Apesar dos solavancos, é um registro extraordinário do impacto que provoca o casamento das duas caixas.
O sentimento como veículo de transformação da realidade
Não se trata de um abracadabra.
Apenas acho que homens que também brincam – ou que não se levam tão a sério – estão mais aparelhados para compreender e conduzir mudanças e revoluções duráveis.
Sisudez não é sinônimo de seriedade.
Os carrancudos, os de maus bofes, precisam, urgente, de um bom cafuné.
<image004.png>O racismo, poeticamente denunciado por Meeropol, não morreu.