Oi Pessoal,
vejam esta reportagem da Isto É, para destrair
nossas mentes:
4.
ESCOLINHA GARIBALDI
Depois de ser alvo de seguidas broncas da presidenta
Dilma Rousseff, o ministro da Previdência se especializou em planilhas e passou
a estudar os números de sua pasta durante as madrugadas. E ele acha que o
esforço tem dado certo
Josie Jeronimo
NOVO VOCABULÁRIO - O estudioso ministro Garibaldi
Alves: "Agora argumento com cálculos atuariais"
Todo ministro que
assume uma vaga na Esplanada passa por uma espécie de sabatina desde a primeira
reunião com a presença da presidenta Dilma Rousseff. Os auxiliares sabem: a
chefe é durona e não gosta de papo-furado. Para ter certeza de que os ministros
estão se dedicando à gestão das pastas, Dilma costuma submeter seus escolhidos a
testes, como se aplicasse uma prova escolar. Muitas vezes na frente dos colegas.
Se o ministro responde e demonstra domínio do assunto, ganha salvo-conduto até o
surgimento de outra dúvida sobre a administração da pasta. Mas se vacila,
gagueja e não demonstra segurança sobre as informações de seu ministério, passa
a ser cobrado cada vez com mais rigor. Há casos até de ameaças de demissão.
Ciente disso, nos últimos dois anos, alguns ministros passaram a se esforçar
mais para evitar broncas. Fazem serão e trabalham até nos fins de semana,
ralando para permanecer no cargo. É o caso principalmente do ministro da
Previdência, Garibaldi Alves. Depois de ser alvo de uma série de esculachos
públicos, ele iniciou um supletivo para conseguir gabaritar as provas da
presidenta. “Presidenta, eu quero apresentar uma ideia para um novo projeto”,
tentava o ministro. “De onde você vai tirar o dinheiro?”, devolvia Dilma.
“Podemos resolver o problema com uma estratégia alternativa”, arriscava
Garibaldi, para logo ser rebatido pela presidenta: “Não vamos brincar à beira do
precipício.” Diante de um muro intransponível para argumentos políticos, o
ministro da Previdência reparou que os amantes das planilhas de Excel
“apanhavam” menos. Convocou, então, um corpo técnico para auxiliá-lo nos
estudos. Dedicou de 12 a 15 horas por dia para destrinchar
gráficos.
O teste de fogo foi no início deste ano, quando o
Congresso discutia a criação do fundo que vai custear a previdência complementar
dos servidores públicos, o Funpresp. O governo queria se livrar dos custos dos
benefícios especiais e transferir para as receitas do fundo as despesas com as
aposentadorias para mulheres, professores e policiais, que se aposentam com
menos tempo de contribuição. O ministro da Previdência relatou a Dilma que os
parlamentares rejeitariam o texto do governo. “Desse jeito não passa,
presidenta”, tentou. “Não interessa”, ela respondeu ríspida. “Conversei com as
bancadas, estão dispostos a aprovar rápido, com a ressalva das aposentadorias
especiais. Desse jeito não passa, eles vão votar com a emenda”, continuou
Garibaldi, com seu jeito manso. “Eu veto!”, disse Dilma, encerrando a conversa e
levantando-se da cadeira de modo a deixar claro que o ministro deveria sair do
gabinete.
OUTROS TEMPOS - Dilma Rousseff não confiava nos
argumentos técnicos do ministro Garibaldi Alves
Garibaldi saiu
perdido da sala, perguntando-se o que fazer para convencer a presidenta. Só com
números, concluiu. A semana de trabalho foi longa. Chamou seu melhor
especialista, o secretário de Políticas de Previdência Complementar da pasta,
Jaime Mariz, e viraram noites trabalhando. Elaboraram relatórios para provar a
Dilma que o governo não sairia perdendo e se cedesse um pouco terminaria o ano
com o Funpresp aprovado. Bem ensaiado, Garibaldi foi para a sessão de
convencimento. Disse que tinha números para apresentar e ela começou com uma
sabatina digna de estudos avançados de economia. Ao perceber que o ministro
tinha os dados na ponta da língua, deu o aval para negociar com o Congresso. No
Planalto, os “cortes” são vistos como um bom presságio. “Argumentei com cálculos
atuariais. Olha como eu estou dominando a linguagem”, brinca
Garibaldi.
O ministro, antes de se tornar um estudioso dos
números de sua pasta, era alvo das constantes reclamações de Dilma. Durante a
campanha presidencial, o projeto de ampliação do número de agências do Instituto
Nacional de Seguro Social (INSS) estava na lista de promessas de Dilma. A
presidenta não estava satisfeita com a lentidão das obras e reclamou.
Pressionado, Garibaldi teve que apresentar relatório mostrando que o problema do
projeto estava nas políticas do Ministério do Planejamento e não na sua pasta.
Não convenceu. Logo quando assumiu a pasta, o senador desagradou à presidenta ao
dizer que estava recebendo um abacaxi. Na primeira reunião com Dilma recebeu do
ex-ministro da Casa Civil Antônio Palocci o pedido de manter o
secretário-executivo Carlos Eduardo Gabas em sua equipe. “Eu disse a ele: olha
Gabas, sei que você está aqui para me vigiar, mas eu contratei outros dois para
lhe vigiar.” Agora, Garibaldi garante que Gabas é seu maior aliado e está
empenhado em implantar na Esplanada um sistema de monitoramento online
semelhante ao das agências do INSS. “Agora, ele não tem mais tempo para me
vigiar. Não precisa mais”, brinca o ministro. Depois de ganhar alguns elogios da
presidenta, ele não tem medo de afirmar que o ministério ainda é um abacaxi.
“Mas eu posso dizer que o descasquei um pouco.”