A sociedade tenta, muitas vezes, definir um “Script” para a vida dos indivíduos, não os deixando seguir com um Sonho de Vida (como o de viajar que Truman tem). Nós (os indivíduos) somos muitas vezes manipulados pela sociedade (ou por parte dela) e muitas de nossas decisões são, na verdade, decisões tomadas pela mesma (Como os pais que forção o filho a tentar Medicina, ou a cultura de guerra entres nações irmãs como acontece no Oriente médio).
Devemos refletir sobre as nossas opções e definir uma escolha, não porque outras pessoas querem assim, mas sim porque decidimos que isso é o que queremos para nós mesmos. Claro que respeitando o direito das outras pessoas de fazerem o mesmo, ou, se elas não estiverem prontas para isso, de seguirem o que a sociedade manda-as fazerem.
No filme é visível essa relação manipuladora da Sociedade. Truman estava preso a uma rotina definida num script. Tudo que ele tentava fazer de diferente era rapidamente impedido (como na cena que a rua fica engarrafada, quando o pai é “morto” no mar ou até coisas sutis como panfletos colados na parede falando de como é perigoso viajar). Claro que tinham aqueles que tentavam retira-lo dessa gaiola que era a sua vida (alguns por sentir pena, outros só para aparecer na TV).
Somando o desejo de viajar (ir para outro lugar) às situações suspeitas e estranhas que aconteciam (como o holofote que caiu do céu, a mulher fazendo propaganda do nada e o elevador com uma sala escondida) foi levado a Truman duas possibilidades: ou estava ficando louco (o que seria bem plausível e conveniente para manter essa manipulação do Show, da Sociedade) ou que tudo não passava de uma armação incrivelmente arquitetada, que é a conclusão final de Truman quando ele consegue se libertar, tanto desse mundo, quanto do seu medo do mar (um dos recursos usados para mantê-lo preso no Show).
E o filme acaba com ele saindo por uma porta no “céu” falso que estava além do mar. Um fim que deixa algumas dúvidas: Ele conseguirá viver num mundo onde o script não costuma ser tão favorável? Ele sobreviverá ao choque de uma sociedade tão diferente? Ou esse choque vai destruí-lo? Uma coisa é certa. Truman foi em frente, seguindo o que acredita.
Eduardo Simões
O filme Show de Truman mostra como a sociedade é manipulada pelos meios de comunicação (principalmente a TV). O interessante é que ao manipular notícias, novelas, bbbs... a mídia manipula o dia-a-dia das pessoas. Note que no filme, apesar de parecer que se tratava da manipulação da vida de uma pessoa - o Truman, na verdade, era a vida das pessoas (dos telespectadores) que estava sendo manipulada. O diretor do programa manipulava, de forma efetiva - fazia o que queria - com os sentimentos dos telespectadores (hora de chorar, hora de rir...). O verdadeiro Truman é a própria sociedade.
O filme conta a história de Truman Burbank, um personagem real em um mundpo falso, no qual toda a realidade conhecida por ele é artificial, desde o aspecto natural do ambiente (o mar, sol, lua etc), às relações sociais (pais, amigos, esposa), criada por um diretor de um programa de TV para ser exibida no mundo inteiro como um reality show, o que seria até válido, desde que não fosse feito de forma escondida, deixando o Truman acreditar, que aquela era sua vida e que ele preferia viver ali a ter que sair para o mundo real.
Uma tese sustentada pelo filme seria como a televisão invade inteiramente a vida das pessoas, confunde público e aprisiona os sujeitos numa vida alienada, ditada pelos valores do mercado, onde a felicidade está ligada à posse de bens de consumo.
Hoje a grande maioria se posta em frente a um aparelho de forma passiva, para distração. Além disso, existe uma articulação do poder econômico, focando no consumismo, não apenas em propagandas, como também em novelas.
O Show de Truman é um filme muito bem elaborado que faz várias críticas a sociedade contemporânea. Dentre elas, a de maior destaque é a falta de limites das pessoas para conseguir dinheiro e sucesso. Fato visível, a partir do momento que uma criança adotada (Truman) por uma companhia passa a viver em uma cidade completamente artificial, em uma vida “falsa”, criada e manipulada por um produtor com o intuito de transformar a vida de Truman no maior e no mais “real” programa de entretenimento. Também é criada toda uma publicidade em cima da vida de Truman, visto que muitos dos produtos exibidos e consumidos no programa estão disponíveis para que os telespectadores possam comprar.
Outra crítica muito interessante do filme está no fato de que mesmo com todos os possíveis fatores e variáveis da vida de Truman sendo controlados, sua vida não sai como o esperado pelo produtor do show. Toda a cidade, todas as situações criadas para impedir (como a morte do pai de Truman numa tempestade, para gerar nele um medo de água) o contato de Truman com o mundo real ruem por completo e ele consegue deixar o seu mundo artificial. Isso mostra que não dá para enganar alguém ou a massa da sociedade por muito tempo, pois algum dia ela se libertará das mentiras criadas, sejam para proteger ou para alienar.
O show de Truman é um filme de comédia, mas com forte crítica ao modelo de vida que a sociedade leva. Tomando como foco um reality show que tem como personagem-centro um homem que não sabe que participa de um programa de TV que invade toda sua vida, uma vida criada pelos produtores do programa para ter a maior audiência possível.
No filme, é frisado o quanto o capitalismo usufrui dos meios de comunicação para transformar o pensando das pessoas, deixando-as alienadas e dependentes daquele sistema, ficando assim sem ideais fixos. Para o público, não importa se quem está protagonizando aquele show é um ser humano livre, que tem o direito de fazer escolhas; o “entretenimento” é mais divertido e valioso. Trazendo essas características para a vida real, temos o exemplo dos nazistas sobre a Alemanha no século passado. Toda a campanha foi feita em cima de propagandas, tratando e manipulando seres humanos como simples objetos.
A sociedade precisa ter opinião própria e lúcida, o que esse tipo de show não proporciona.
O filme aborda, de uma forma diferente e ao mesmo tempo interessante, a relação entre a mídia e as pessoas, neste caso, direcionado a cultura de massa e a alta rentabilidade que um programa, o reality show venha a obter. O filme retrata um reality-show chamado "O show de Truman" que traz uma realidade simulada da vida, ou melhor, de toda a vida de Truman, desde o seu nascimento, até a descoberta da "farsa", nesse espaço de tempo, Truman vive uma vida de mentira acreditando ser de verdade.
Nesse sentido, podemos refletir com relação ao poder de manipulação, invasão, e muitas vezes, opressão, que a mídia pode exercer sobre as pessoas, a qualquer custo, em busca de lucro e poder. Ainda nesse raciocínio, podemos fazer uma comparação entre a mídia e o diretor do reality show, Cristof, que manipula e coordena todo o programa, fazendo até com que as pessoas que assistem ao programa não se importem com aquela farsa vivida por Truman e se omitam, esquecendo do fato que Truman é, assim como todos nós, um ser humano que tem direito de ser livre e viver uma vida “normal”.
O filme retrata o caso de um individuo que passou a sua vida inteira em uma bolha. Sem o conhecimento da verdade. Como no mito da caverna de Platão onde o ser olha para as suas sombras achando que se trada do mundo real. E o personagem passa por todas as fazes do mito da caverna. Passando a desconfiar de um mundo exterior e assim que ele realmente descobre, fica em duvida e com medo de ver o q tem fora da caverna quando o dono do show faz o convite pra ele voltar e ficar em sua “ caverna” ou descobre o que realmente há em seu exterior. Interessante também que o filme toca em um ponto moral/ético. Que na moral da sociedade é uma coisa totalmente normal e aceitável uma pessoa ser enganada sua vida inteira por dinheiro e entretenimento alheio. Além da personagem que é sua paixão e motivação a sair da “caverna” ninguém tem um olhar ético (que é o pensamento critico derramado na moral existente na sociedade) de tudo isso. Da mesma forma que os índios brasileiros que moralmente acham certos cometerem infanticídio e não existe ninguém com ética para fazer uma análise das atitudes.
Ivson de Assis
A história de Truman basicamente retrata a condição do ser humano frente ao poder e influência da mídia na sua vida. É uma clara alusão ao status de mercadoria que assumimos quando aceitamos passivamente tudo o que é imposto pela mídia, sem questionarmos o que de fato está por trás desse seu jogo de interesse.
O modelo social imposto pela mídia, tal qual percebemos no filme, não visa formar cidadãos autônomos, livres para fazer suas próprias escolhas. Estimula-se sempre atitudes irreflexivas frente ao que são induzidos a consumir e ao modo como são induzidos a se comportar. O personagem Truman é a personificação deste comportamento irreflexivo, acrítico e passivo que exercemos frente ao controle excessivo da mídia. É o retrato da alienação que ocorre quando viramos vítimas das armadilhas provocadas por esta sociedade capitalista e de seu mundo idealizado.