Rede Brasil contesta nova estratégia para integração regional do BID [2 Anexos]

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Mar 16, 2011, 8:24:29 AM3/16/11
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Rede Brasil contesta nova estratégia para integração regional do BID


Com participação “pro-forma” da sociedade civil, banco insiste em fortalecer o modelo liberal que desintegra, empobrece e agrava as desigualdades na região.

 

A Rede Brasil sobre Instituições Financeiras Multilaterais enviou ontem (15 de março) ao presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Luis Alberto Moreno, uma carta - anexada nesta mensagem - em que explicita sua veemente oposição ao conteúdo da nova proposta de integração regional dessa instituição, intitulada “Estratégia Setorial de Apoio à Integração Competitiva Regional e Global”. Segundo a avaliação da Rede Brasil, ao invés de investir na diversificação e na integração produtiva entre os países da América Latina, com este projeto, o BID insiste em defender um modelo de desenvolvimento liberal que aprofunda o processo de reprimarização das economias da região, voltado essencialmente para a exportação de commodities. Ou seja, um modelo que coloca em risco o meio ambiente e a vida das populações da América Latina, especialmente as das camadas menos privilegiadas.

 

“Este projeto explicita que o BID novamente pretende investir em um modelo que causa e aprofunda as desigualdades. Trata-se de um aprofundamento da IIRSA [Iniciativa para a Integração da Infraestrutura Regional Sul Americana, que também foi formulada pelo BID], já que pretende-se garantir a passividade da América Latina nos mercados globalizados”, afirma Gabriel Strautman, secretário executivo da Rede Brasil.

 

Com 15 anos de atuação no monitoramento das atividades do BID, especialmente as relacionadas com o financiamento dos grandes projetos de infraestrutura, a Rede Brasil destaca, em sua carta, quatro aspectos ausentes na proposta apresentada pelo BID para a integração regional que tem como pano de fundo a retomada da defesa dos tratados de livre comércio.

 

O primeiro aspecto ausente é a indiferença do projeto ao atual contexto de crise global, sendo que foi esta mesma crise que justificou o nono aumento de capital do banco durante a sua Assembléia de Governadores, em 2009. O segundo refere-se ao problema das mudanças climáticas, que em nenhum momento é citado no documento. “Isso significa que, na visão do BID, integração regional e infraestrutura não têm nenhuma relação com as mudanças climáticas?”, questiona a carta.

 

O terceiro aspecto ausente questionado pela Rede Brasil refere-se ao fato de que nenhuma das críticas historicamente feitas às condenáveis práticas do BID - principalmente as relacionadas às populações atingidas e à IIRSA – foi incorporada nessa nova estratégia. E, por último, a proposta desconsidera totalmente o atual contexto polítco latino americano em que o modelo radicamente liberal não é hegemônico na região e onde outros processos de integração estão em curso.

 

Outra veemente crítica é feita em relação à metodologia sistematicamente utilizada pelo banco, em que as consultas públicas servem somente para que as organizações da sociedade civil legitimem as propostas apresentadas, sem possibilidade efetiva de contribuírem para que o projeto atenda aos interesses da população. Para esta última reunião, as organizações foram convidadas apenas uma semana antes do evento, o que mostra um verdadeiro descaso por parte do BID com a sociedade civil brasileira. Pior ainda, é o fato do representante do BID, Paulo Giordano, ter afirmado que a proposta dificilmente sofrerá mudanças. “Para que fazer consulta, então?”, indaga a carta.

 

Na conclusão, a Rede Brasil afirma que, caso o BID não se disponha a discutir profundamente sua nova estratégia de integração, não medirá esforços para fazer valer os direitos das populações atingidas, garantir a lisura no uso de recursos públicos e combater a degradação ambiental.

 

O governo brasileiro, e em especial a governadora brasileira do BID e ministra do Planejamento, Miriam Belchior, tem o dever de rechaçar esta nova proposta do BID. A menos que o país esteja disposto a ser cúmplice da intensificação deste verdadeiro processo de desintegração competitiva indesejável para a América Latina”, afirma Strautman.

 

Mais informações

 

Gabriel Strautman – secretário executivo Rede Brasil – 61 8107-0181

Patrícia Bonilha – assessoria de comunicação Rede Brasil – 61 8106-5336


Anexos: 2 arquivos

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BID_Carta FINAL.pdf


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