| Palestrante: Marcelo Consentino
Sábado - 16 de agosto - das 10h30 às 12h30
É um lugar comum da história da filosofia retratar Platão como o protótipo do especulador abstrato, o planificador cerebral do sistema das ideias, o déspota racionalista que teria expulsado todos os poetas de sua República utópica. Curiosamente, Platão jamais escreveu um único tratado teórico, e não só expôs todas as suas ideias na forma de diálogos literários, compondo uma dramaturgia filosófica jamais igualada por qualquer outro pensador, como também forjou uma série de mitos que se imprimiriam para sempre no imaginário ocidental, como a alegoria da caverna, a imagem do demiurgo criador do universo, a estória do divino-humano Eros, a lenda do continente perdido de Atlântida ou a fábula das almas gêmeas.
Mas qual é o real significado do mito no pensamento de Platão? Teriam essas figuras a função meramente decorativa e utilitária de ilustrar raciocínios complexos para mentes não iniciadas? Ou seriam elas mesmas uma iniciação mística a uma dimensão sobrenatural, inconcebível para a mera razão, mas sensível ao coração?
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