Texto Áureo: 1 João 2.15,16
Verdade Prática: Só há um modo de a Igreja de Cristo destronar a
Satanás: manter a Deus no trono e combater a apostasia com a espada do
Espírito.
Leitura Bíblica: Apocalipse 2.12-17
Lição 05
INTRODUÇÃO
Primeiro,
vieram os discípulos de Balaão que, sob o manto de uma espiritualidade afetada
e exótica, logo acharam guarida na Igreja em Pérgamo. Depois, chegaram os
nicolaitas que, embora atrevidos e afoitos, também não encontraram dificuldades
para se acomodar entre as pobres e desprotegidas ovelhas. Quando o ministério
local deu por si, já não havia mais nada a fazer: o terreno já estava tomado
pelo inimigo. E o pastor da igreja? Ele sabia que a situação era grave, mas não
ignorava o que acontecera ao seu antecessor. Ao reagir, o destemido Antipas foi
assassinado pelo grupo que sustentava o trono de Satanás naquela igreja.
As coisas,
porém, não haveriam de continuar daquele jeito. Já enjoado, Jesus, através de
João, envia uma carta ao anjo de Pérgamo, ungindo-o a retomar o cajado e
apascentar o rebanho de conformidade com a sã doutrina. Caso contrário, o
próprio Senhor batalharia contra aqueles iníquos com a espada que sai de sua
boca.
Como estão
nossas igrejas? Será que, de alguma forma, não permitimos que o Diabo se
entronizasse entre nós e não o percebemos? É hora de reagir contra o império
das trevas.
I.
PÉRGAMO, O
TRONO DE SATANÁS
1. Pérgamo, a cidade dos livros e da
ignorância espiritual: Situada às margens do Caico e distante trinta
quilômetros do Mar Egeu, Pérgamo era a mais importante metrópole da Mísia.
Cidade antiga e rica, fizera-se afamada por sua biblioteca, cujo acervo chegou
a ser estimado em duzentos mil volumes. De tal forma ela se achava ligada aos
livros, que o seu nome tornou-se sinônimo destes: pergaminho. Seus operários
sabiam como industriar a pele animal como suporte à escrita.
Como uma cidade
tão rica em livros podia ser tão pobre quanto ao conhecimento do verdadeiro
Deus? Faltava-lhe a sabedoria do Livro dos livros (Pv 1.7).
2. A Igreja em Pérgamo: Pérgamo, em
grego, significa casado. É bem provável que a Igreja de Cristo haja sido
implantada em Pérgamo quando da estadia de Paulo em Éfeso (At 20.31). Apesar de
a cidade ser a guardiã doo trono do próprio demônio, o reino de Deus prevaleceu
em seus termos. Se o trono era do Diabo, o cetro estava nas mãos de Cristo (Is
9.6).
II.
A ESPADA DE
DOIS GUMES
1. A espada afiada de dois gumes: A
uma igreja casada com o mundo e que já se havia acomodado a duas ardilosas
heresias, apresenta-se Jesus como “aquele que tem a espada aguda de dois fios”
(Ap 2.12). Sim, contra as apostasias, só existe uma arma realmente poderosa: a
Bíblia Sagrada – a espada do Espírito Santo (Ef 6.17; Hb 4.12).
2. Manejando bem a espada do Espírito:
Se temos semelhante arma, combatamos as mentiras que nos chegam aos arraiais
como verdades. Cortemos pela raiz as heresias, misticismos e modismos que
teimam brotar em nossos campos. Nessa luta, porém, saibamos como manejar a
Palavra de Deus: “Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não
tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade” (2 Tm 2.15).
Guerreemos
contra as inverdades doutrinárias que o Diabo, velada e abertamente, vem
semeando na seara do Mestre (2 Pe 2.1).
III.
O
DESTINATÁRIO
1. Um anjo numa cidade infernal:
Não era nada fácil ao anjo de Pérgamo habitar nessa cidade. Se por um lado, era
coagido pelos pagãos a incensar o altar no qual César era divinizado; por outro
lado, era constrangido a conviver com o paganismo que, a princípio sutil,
ameaçava agora o remanescente fiel da igreja. Mas o Senhor Jesus estava de tudo
ciente: “Eu sei as tuas obras, e onde habitas, que é onde está o trono de
Satanás” (Ap 2.13). Denota-se, pois, que os crentes infiéis e casados com o
mundo, haviam entronizado Satanás na casa de Deus.
Pérgamo era uma
cidade infernal, mas o Senhor queria o seu anjo ali, para que ali fosse
manifestado o Reino dos Céus.
O paganismo era
uma cidade infernal, mas o Senhor queria o seu anjo ali, para que ali fosse
manifestado o Reino dos céus.
2. O testemunho e a perseverança de um
anjo: Embora habitasse num lugar espiritual e moralmente hostil, o anjo
da igreja em Pérgamo porfiava em manter o seu testemunho, como realça o próprio
Senhor: “[...] reténs o meu nome e não negaste a minha fé” (Ap 2.13). Ele
mantinha uma postura impecável como servo de Deus. Se parte de sua igreja
achava-se casada com o mundo, ele e o remanescente fiel encontravam-se
aliançados com o Cordeiro de Deus.
3. Antirpas, a fiel testemunha: Mui
provavelmente, Antirpas havia precedido o destinatário da carta no pastorado de
Pérgamo. E pelo que depreendemos das palavras do Senhor, o fiel Antirpas, cujo
nome em grego significa “contra todos”, levantara-se para combater os apóstatas
que haviam entronizado o Diabo naquela igreja. Por isso, ajuntaram-se todos
para tirar-lhe a vida, conforme denuncia Jesus: “o qual foi morto entre vós,
onde Satanás habita” (Ap 2.13).
Sim, Antirpas
não foi morto pelas autoridades romanas. Ele foi morto pelos que se diziam
irmãos. Por conseguinte, caberia ao atual anjo de Pérgamo continuar a luta de
Antirpas. Levantar-se-ia ele contra os que detinham a doutrina de Balaão e
sustentavam o ensino dos nicolaitas.
IV.
AS HERESIAS
DE PÉRGAMO
1. Doutrina de Balaão: Ensino
pseudobíblico que, torcendo as Sagradas Escrituras através de artifícios
teológicos e hermenêuticos, corrompia a graça de Deus, apresentando aos santos
uma teologia permissiva e eticamente tolerante (Jd 4). O objetivo dessa
doutrina era levar o povo de Deus a prostituição e à idolatria, a fim de
enfraquecendo-os moral e espiritualmente, extorquir-lhes os bens materiais. Era
a teologia dos ladrões.
O patrono desta
doutrina era Balaão, filho de Beor que, embora profeta e teólogo utilizou-se da
profecia e da teologia para levar a maldição ao arraial hebreu (Nm 25).
Subornado por Balaque, rei de Moabe, ensinou-lhe como levar a maldição às
tendas hebreias. Por isso, o apóstolo Pedro taxa-o de louco (2 Pe 2.15,16). E
Judas acusa-o de venalidade (Jd 11).
Balaão tinha os
seus discípulos em Pérgamo. Estimulados pela ganância, utilizavam-se de sua
influência teológica sobre aa igreja, a fim de leva-la a noivar-se com o mundo.
2. A doutrina dos nicolaitas: Não
sabemos muita coisa acerca dos nicolaitas. O que sabemos é que a sua doutrina
não destoava quase nada do ensino de Balaão. Pelo menos quando ao conteúdo.
Se Balaão era
dissimulado, sutil e teológico, os nicolaitas, fazendo abertamente comércio dos
santos, publicamente apregoava a repaganização as igreja, afirmando ser
possível servir a Deus e aos ídolos. Utilizando-se de um linguajar bem
elaborado, levara muitos fiéis a se desviarem pelos caminhos da fornicação, do
adultério e da idolatria.
CONCLUSÃO
Escrevendo aos
filipenses, o apóstolo Paulo afirmou: “Mas a nossa cidade está nos céus, donde
também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo” (Fp 3.20). Embora o cristão
não tenha como evitar o lado “temporal” da vida, seu olhar deve fixar-se em sua
redenção eterna. Jesus sabia da sedução que os bens terrenos podem exercer
sobre nós e por isso advertiu: “Porque onde estiver o vosso tesouro, ai estará
também o vosso coração” (Mt 6.21). Por este motivo, coloquemos o Senhor Jesus
sempre em primeiro lugar.
Fonte: Lições Bíblicas (Jovens e Adultos)
Editora: CPAD
Trimestre: 2º/2012
Comentarista: Claudionor de Andrade
Tema Central: AS SETE CARTAS DO APOCALIPSE – A mensagem final de
Cristo à Igreja
Páginas: 34 - 40