A pergunta do assunto desse email pode ser boba ou fácil de responder. Mas queria provocar uma discussão aqui.
Afinal, a maior parte de vocês desenvolvem ou querem desenvolver games. Para mim, games são arte, logo vocês são os artistas. Mas vocês têm essa compreensão? Vocês se preocupam com a estética ou simbolismo por trás do que vocês criam? Você acredita que está realizando um trabalho artístico, enviando uma "mensagem" através dos jogos que produzem? Ou pelo menos têm essa pretensão?
Entendo que há muita técnica por trás dessa arte, mas com o cinema não é diferente, né? Ambos têm o potencial de com o uso de processos técnicos por vezes complexos realizar uma obra artística.
Você está produzindo arte?
Abs,
Guilherme Neto
guin...@gmail.com
--
IGDA Rio
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Gente, legal a discussão, mas o propósito não era exatamente debater se games são artes, ainda que o assunto tenha a ver.
Mas sim se vocês se consideram artistas, enxergam suas criações como obras de arte ou têm essa pretensão.
Abs,
Guilherme Neto
guin...@gmail.com
no meu caso aoh sou artista ae bobo da corte for artista !!! meu alvo eh entreter pessoas ... e as vezes cachorros tbem

E qual é o propósito de vencer em um game? O que eu ganho materialmente, literalmente, ao zerar um jogo?Acho triste tratar como algo nocivo alguém querer fazer arte com games. Na sua opinião, isso não é possível? Um artista não pode querer expressar suas ideias e sentimentos através dos jogos? Deve procurar fazer outra coisa, então?
oje em dia, ao que chamam de cultura popular. Os games passam longe desses conceitos.
--
Você está muito enganado se acha que em teatro também não existe essa
distinção, em vários sentidos... =P
--
Bruno
--

Atenciosamente,
Pedro Thiers
Eu também estou pra ler todos os posts ainda, mas apesar de concordar
com algumas coisas q falou, sou obrigado a discordar de outras...
>
> Não, jogo não é arte.
>
Eu gostei mais do final do seu email, quando foi menos categórico :)
eu acho que depende, e teria q se fazer uma análise caso a caso. No
final do email eu proponho um "algoritmo" pra dizer se um jogo é ou
não arte, mas antes, os pontos que eu discordo:
> Jogo é um produto. Produtos tem funções específicas, que atendem um público
Hmmm.. Talvez eu concorde em parte, mas acho que precisaria elaborar
mais, pq creio que muita arte seja criada como produto, e muita arte
que foi criada antes é então transformada em produto, então temos que
elaborar por exemplo se nesse caso ela deixa de ser arte? ou deixa de
ser produto, ou seja, se são mutuamente exclusivos ou não.
> alvo determinado anteriormente. A minha definição pessoal de jogo é "um
> conjunto de lições e desafios que tem como objetivo desenvolver uma
> experiência gratificante".
Bom, arte também teria o objetivo de ser gratificante, não? Ou
talvez "a maioria", apesar de muitas vezes me parecer q a definição de
arte é algo tão geral que engloba até algumas atividades ou "produtos"
gerados sem objetivo inicial algum, e talvez por isso que gere tanta
confusão... até vir algum crítico de arte pra analisar o negócio =)
Não entendi direito o q quis dizer com "lição". Tipo o que estão
comentando na thread do Megaman? Mas isso me fez pensar se existe
alguma diferença entre jogos de mesa/tabuleiro e jogos eletrônicos,
nesse tópico (arte ou não), pois essa questão das
regras/desafios/lições fazem parte da programação e implementação, e
como já disseram antes "implementação é tudo", não sei se é "tudo" =),
mas talvez seja a diferença entre arte e não-arte. (no final eu
elaboro melhor essa questão, diferenciando entre engenharia e arte)
> Arte, por outro lado, não visa um público determinado, mas a concepção do
Aqui eu tenho que discordar, e como contra-exemplo coloco os vários
tipos de música que existem.. por exemplo, rock, MPB, sertanejo,
country, pop.. não vejo como que no momento da "concepção do produto",
o mero ato do artista, músico no caso, visar o público determinado
dele que isso tiraria da arte da criação, composição, da peça...
ou talvez você ache, o q é bem possível eu concordo, que cada músico
tenha o próprio estilo e a categoria q vai se encaixar DEPOIS da obra
criada seria apenas um sintoma desse estilo? Pode ser, talvez isso
explique o porquê de quando uma obra específica fuja do que o nicho do
músico está acostumado acabe alienando o público cativo dele e não
faça tanto sucesso quanto antes, apesar de poder se encaixar em outra
categoria (até POR CAUSA disso), por exemplo, Guns & Roses, sempre foi
considerado hard rock (q eu saiba), mas pro final foi ficando uma
gororoba meio "punk", aí desagrada os fans de hard e já é tarde demais
pra atrair fans de punk, pq a imagem da banda não era essa.
> produto em si. Quer gerar algo novo e acima ou simplesmente diferente dos
> padrões atuais, mesmo que não seja compreendido na data da sua concepção.
Um jogo pode ser mal compreendido também =)
já ví uns vídeos no youtube, ou artigos falando de "como jogo X é
sub-apreciado ou under-rated (e muitos são over-rated)", etc
talvez os críticos de arte do futuro vão classificar melhor as
centenas de jogos antigos e idolatrar algum criador por ter sido o
primeiro de um "movimento" (assim como em arte tem vários movimentos e
tal =)) q só viria a se desenvolver muito a frente de seu tempo?
> Arte procura sensibilizar e gerar análise, introspecção, novas percepções.
Talvez, mas muitas vezes o artista pode nem estar pensando nisso, não
sei se seria sempre, talvez inconsciente? Pra mim, basta q a vontade
de criar e de expressar algo específico seja mais forte do q eu...
seja como for, alguns jogos devem se encaixar nisso.. mas concordo
que, se tiver, é raro mesmo..
> Se um produto não atender ao público, ele é um fracasso. Se uma arte não
> atender ao público, ela não foi compreendida e por vezes se torna mais
> valiosa por isso.
Existiram muitos artistas que foram considerados fracassos na sua
época e depois vieram os críticos e tornaram a coisa
super-prestigiosa.. não sei se é isso que quis dizer?
tem também aquela história de q "qnd o artista morre as peças ficam
muito mais caras" =) já q não produzirá mais... Eu concordo que esse
objetivo capitalista dos jogos diminui o valor artístico (ou "pode
reduzir") do produto pq vira meio q uma fábrica, qnd vc obriga um
artista a trabalhar a tendência é o espirito de criação se revoltar.
Outro problema é que a visão original costuma se perder com centenas
de pessoas trabalhando num jogo, corre-se o risco de se tranformar num
frankenstein sem vida no final, apenas uma colagem de peças disjuntas.
Essas competições de criar um jogo em uma semana, ou num final de
semana, dá pra ver melhor essa questão artística, na minha opinião.
> Não estou dizendo que jogo não pode ser arte. Só que são características
> paralelas. Um jogo pode ser muito bem sucedido sem ser algo inovador ou
> sensibilizar. Vide Angry Birds, que só deram uma roupagem nova aos milhões
> de jogos de catapulta que já existiam na internet.
>
Nisso eu concordo plenamente, e talvez esse ponto que levantou, o da
inovação, seja a questão mais importante pra responder se um jogo é
arte ou não. Concordo 100% com a ideia de q apenas uma roupagem nova
não faz arte, apesar da roupagem em si, poder se arte se analisada em
separado, o conjunto não teve um impeto criativo (oq possa talvez ser
definido como inovação?). Por exemplo, os sprites de um jogo podem ser
super criativos e artísticos, mas o resto ser pura cópia como seu
exemplo do angry birds.. apesar de eu não estar a par dos outros jogos
de catapulta pra poder afirmar se não teve algo novo na implementação,
mas se foi, então, ótimo exemplo.. o que leva ao algoritmo =) divide
and conquer.. um jogo é uma combinação de várias coisas, muitas delas
já são consideradas artes por si só. Se dividirmos um jogo em música,
arte gráfica, arquitetura, literatura, programação, etc... podemos
analisar cada uma e talvez até chegar a uma definição de jogo como a
"colagem" artística OU NÃO, dessas partes. A maioria já é considerada
arte, i.e. música, desenho, escrita... algumas há controvérsias.. como
programação, design, etc..
O design como vc bem falou pode ser confundido com arte, talvez aqui
esteja o ponto onde a confusão se inicie, talvez vc possa esclarecer
melhor a diferença, eu não faço idéia =) mas me parece q PODE ser
arte, dependendo... (da inovação talvez?) Talvez tenhamos também que
diferenciar entre o Design de produtos, e.g. fazer um novo carro, e o
Game Design, que eu sempre vi como a parte mais artística (ou
potencialmente mais artística) de um jogo, mas claro que posso estar
enganado aqui também =) game design me soa mais como literatura.. mais
especificamente como o roteiro de um filme.
A programação é na maioria das vezes considerada engenharia e não
arte, mas acho q no caso dos jogos, e como muitas vezes existem mais
de uma forma (muita vezes infinitas formas) de se alcançar um mesmo
objetivo, principalmente na implementação de um jogo, nesse caso pode
ser considerado arte. Acho que esse conceito é resumido bem pelo que
falaram antes que "implementação é tudo", e explica pq a mera cópia de
um engine anterior "com nova roupagem" não gera arte, apenas o famoso
"é só mais um First Person Shooter" =) Ao menos quando eu estou
programando boa parte eu considero arte, a própria atividade em sí
(até a identação dos parágrafos, por isso que a maioria das empresas
têm regras específicas pra não gerar confusão), mas se o algorítmo for
mais 1 search da vida, o código de máquina vai ser o mesmo depois de
compilar/interpretar, nesse caso não seria arte.
A programação me parece ser a parte física, ou prática, do Design. A
"Colagem" que junta todas as outras peças artísticas de um jogo e
portanto define se o jogo vai manter a imagem de arte, será apenas uma
peça de engenharia, um produto =), apenas para a apresentação dessas
diferentes mídias ao público, ou pior, apenas um frankenstein, uma
mera sombra das obras de arte que podem ou não fazer parte dele.
> Jogos só precisam ser divertidos.
> --
>
A satisfação que um jogo gera, seja estética como a maioria do que é
considerado arte ou "prática" como na diversão interativa ou não (o
que seria um filme, certo?) é secundário, na minha opinião. Depende do
observador da arte, não do objeto da arte ou do artista, e não remove
da arte apesar de ser, por definição, necessária para a apreciação
dela. Sem observador não há apreciação, mas a arte continua. Porém
existe uma escola de arte que discorda disso, afirmando que não há
arte sem o observador.
Me parece que essas são todas as partes que formam um jogo, alguém
lembra de mais alguma? Então, se todas forem arte, o jogo será arte.
Se alguma delas não for, então o jogo será outra coisa... engenharia,
por exemplo...
> Atenciosamente,
>
> Pedro Thiers
>
> --
abraço,
Marcos