
Manhã Cinzenta, de Olney São Paulo, e Hércules 56, de Sílvio Da-Rin
Quinta-feira, 26 de julho de 2012, no Espaço Cultural Linda Mascarenhas
Mentes, olhos e ouvidos se juntam em torno do cinema, estejam abertas ou fechadas as cortinas do céu.

Cinema é uma coisa Linda nasceu do encontro entre o Cineclube Ideário e o IZP. Essa união ilumina novos horizontes e desafios para ambos, numa parceria que garantirá, semanalmente, sessões de cinema aos ares cineclubistas no Espaço Cultural Linda Mascarenhas, nas noites de quinta-feira (das 18h às 23h), com o uso de toda a estrutura necessária para realização das sessões, acomodação e bem-estar do público, dentre outras coisas, como um amplo apoio na divulgação das nossas sessões.
O ciclo ISTO NÃO É REAL é a primeira ação do Cineclube Ideário no Linda Mascarenhas junto ao Instituto Zumbi dos Palmares.

“Todo filme é um filme de ficção”... Christian Metz estava certo?
O que distingue ficção e não-ficção? Até que ponto o cinema é realidade ou ficção? É tudo verdade? É tudo mentira? É o cinema um reprodutor fidedigno da realidade? A câmera capta e transmite fielmente as relações de realidade? Ou seria do diretor/cineasta o poder de manipular sua matéria prima e transformá-la em um produto audiovisual segundo sua visão particular, ou artística, dos fatos? A ficção serve à realidade ou a realidade serve à ficção? Será que a ficção pode ser real mais que a própria realidade? O que se vê na tela não seriam apenas fragmentos transformados em ficção? Meros ou plenos simulacros de realidade? Será que é através de nós que se dá esta realidade? O que é realidade? E quem diz o que é real? Quando há interpretação já não se “ficcionaliza”? Existe um narrador oculto? O cinema é onisciente? A realidade está mais para o conceito de atualidade do que à que vivemos fora das telas? Que compromisso tem o cinema com a realidade? É dele o compromisso com a tal VERDADE? Estaria certo Sergei Eisenstein ou André Bazin? Teoria dialética da montagem ou simplesmente a fotografia em movimento?
Quantas perguntas poderemos ainda fazer? E quantas poderemos responder? Isto é real? Ou não?
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9ª sessão: Quinta-feira, dia 26 de julho de 2012, às 19h, no Espaço Cultural Linda Mascarenhas, com o filme
MANHÃ CINZENTA, dirigido por Olney São Paulo (doc. | 1969 | 22min | BRASIL)Sinopse: Um golpe de estado num país imaginário da América Latina. O poder. A repressão. O filme que levou seu realizador aos porões da ditadura.Manhã cinzenta aborda um golpe de estado num país imaginário da América Latina, no qual os estudantes assumem o poder. O filme aborda de maneira pioneira a questão do movimento estudantil no Brasil em 1968. Foi a primeira produção brasileira a ganhar o prêmio Obernhausen, na Alemanha Oriental.-
"Manhã cinzenta é o grande filmexplosão de 1968 e supera incontestavelmente os delírios pequeno-burgueses dos histéricos udigrudistas. Montagem caleidoscópia, desintegra signos da luta contra o sistema - panfleto bárbaro e sofisticado, revolucionário a ponto de provocar prisão, tortura e iniciativa mortal no corpo de Artysta. O Cinema Nordestino, Cinema Pupular metaforizado em Olney e Miguel Torres, vítimas dos invasores - Heroys do Brazyl!"Glauber Rocha
-HÉRCULES 56, dirigido por Sílvio Da-Rin (doc. | 2006 | 93min | BRASIL)
Sinopse: Na semana da independência de 1969, o embaixador americano no Brasil, Charles Burke Elbrick, foi seqüestrado. Em sua troca foi exigida a divulgação de um manifesto revolucionário e a libertação de 15 presos políticos, que representavam diversas tendências políticas que se opunham à ditadura militar. Banidos do território nacional e com a nacionalidade cassada, eles são levados ao México no avião da FAB Hércules 56. Hercules 56 reúne os sobreviventes do grupo para relembrar os fatos da época.
[Fonte]
-Classificação Indicativa da Sessão: 16 anos.
ENTRADA FRANCA-"Política é o que fabrica o vestígio e a relação dos corpos singulares e dos sujeitos quaisquer (o corpo intérprete, o corpo espectador); política é a cena em que se faz-desfaz a relação do indivíduo com o grupo (é o motivo narrativo que prevalece no cinema); como é também política a relação, frágil, que se estabelece entre o isolamento do espectador na sala de cinema e a implicação, fora da sala, do sujeito na arena social."Jean-Louis ComolliVer e Poder, 2008, p. 13-Sugestões de leitura:Da política no documentário às políticas do documentário: notas para uma perspectiva de análise, de César Guimarães e Victor GuimarãesEspelho Partido | Tradição e Transformação do Documentário, de Sílvio Da-RinDo trânsito estético ao transe político: tempo e espaço em simultaneidade e dilatação na narrativa de Manhã Cinzenta, de Claudio C. NovaesEsplendor e maldição em Manhã Cinzenta, de Maria David SantosHércules 56, por Rodrigo de OliveiraHércules 56 | A História atualizada por indivíduos, por Cléber Eduardo
Abraços,