
“A ficção é tão real quanto o documento; é um momento distinto da realidade.”
Jean-Luc Godard
(Introdução a uma verdadeira história do cinema)
Recife Frio, de Kleber Mendonça Filho, e Nanook, o esquimó, de Robert J. Flaherty
Quinta-feira, 02 de agosto de 2012, no Espaço Cultural Linda Mascarenhas
Mentes, olhos e ouvidos se juntam em torno do cinema, estejam abertas ou fechadas as cortinas do céu.

Cinema é uma coisa Linda nasceu do encontro entre o Cineclube Ideário e o IZP. Essa união ilumina novos horizontes e desafios para ambos, numa parceria que garantirá, semanalmente, sessões de cinema aos ares cineclubistas no Espaço Cultural Linda Mascarenhas, nas noites de quinta-feira (das 18h às 23h), com o uso de toda a estrutura necessária para realização das sessões, acomodação e bem-estar do público, dentre outras coisas, como um amplo apoio na divulgação das nossas sessões.
O ciclo ISTO NÃO É REAL é a primeira ação do Cineclube Ideário no Linda Mascarenhas junto ao Instituto Zumbi dos Palmares.

“Todo filme é um filme de ficção”... Christian Metz estava certo?
O que distingue ficção e não-ficção? Até que ponto o cinema é realidade ou ficção? É tudo verdade? É tudo mentira? É o cinema um reprodutor fidedigno da realidade? A câmera capta e transmite fielmente as relações de realidade? Ou seria do diretor/cineasta o poder de manipular sua matéria prima e transformá-la em um produto audiovisual segundo sua visão particular, ou artística, dos fatos? A ficção serve à realidade ou a realidade serve à ficção? Será que a ficção pode ser real mais que a própria realidade? O que se vê na tela não seriam apenas fragmentos transformados em ficção? Meros ou plenos simulacros de realidade? Será que é através de nós que se dá esta realidade? O que é realidade? E quem diz o que é real? Quando há interpretação já não se “ficcionaliza”? Existe um narrador oculto? O cinema é onisciente? A realidade está mais para o conceito de atualidade do que à que vivemos fora das telas? Que compromisso tem o cinema com a realidade? É dele o compromisso com a tal VERDADE? Estaria certo Sergei Eisenstein ou André Bazin? Teoria dialética da montagem ou simplesmente a fotografia em movimento?
Quantas perguntas poderemos ainda fazer? E quantas poderemos responder? Isto é real? Ou não?
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10ª sessão: Quinta-feira, dia 02 de agosto de 2012, às 19h, no Espaço Cultural Linda Mascarenhas, com o filme
RECIFE FRIO, dirigido por Kleber Mendonça Filho (doc. | 2009 | 23min | BRASIL)Sinopse: A cidade brasileira de Recife, que já foi tropical, agora é fria, chuvosa e triste, depois de passar por uma desconhecida mudança climática.-
""Recife Frio é um filme muito pessoal sobre uma visão minha do Recife, cidade que anda muito mal tratada no seu traçado urbano. Embora o filme seja claro no que quer dizer, Recife Frio é um lamento de amor pelo Recife""
Kleber Mendonça Filho-
NANOOK, O ESQUIMÓ, dirigido por Robert J. Flaherty (doc. | 1922 | 79min | EUA + FRANÇA)
Sinopse: Esse clássico documenta um ano da vida do esquimó Nanook e de sua família, que vivem em Hudson Bay, no Canadá. A caça, a pesca e as migrações de um grupo que está à parte da industrialização da década de 20. O cotidiano de uma família que realiza as atividades do dia-a-dia em volta basicamente de uma única questão: ter o que comer. O filme é considerado o primeiro documentário antropológico de longa-metragem da história do cinema.
[Fonte] + [Fonte]
-''Se há uma historia, é a do homem na sua oposição a natureza."
Robert Flaherty (1922)"A ideia do documentário, em suma, exige apenas que as questões de nosso tempo sejam trazidas para a tela de uma qualquer maneira que estimule nossa imaginação e torne a observação destas questões um pouco mais ricas que até então. De um certo ponto de vista, se confunde com jornalismo; de outro, pode elevar-se à poesia ou ao drama. E de outro ainda, sua qualidade estética resulta simplesmente da lucidez da exposição."
Robert Flaherty (1924)
-Classificação Indicativa da Sessão: Livre.
ENTRADA FRANCA-"É preciso criar uma imagem do real, não na intenção de contar uma história, mas do ponto de vista de uma poética da restituição [...] essa fabricação do 'real' com peças tomadas ao acaso: atores, figurino, cenário, tudo vem da vizinhança. Essa proximidade lhes confere o tom de realidade e de verdade."Youssef Ishaghpour (2004)-Sugestões de leitura:BLOG: Documentário e Ficção no Cinema ModernoNanook, o esquimó: um pioneiro do filme documental, por Diana RibeiroNanook, o Esquimó | Verdades re-encenadas, por Felipe BragançaNanook, O Esquimó | Alimento para a cena, por Thiago BritoDocumentário e/ou Ficção: considerações sobre Nanook, of the north, de Robert Flaherty, de Gabriel Aguiar de Andrade“Recife frio”: imaginativo e renovador, por José Geraldo CoutoRecife Frio, por Bruno CarmeloRecife Frio, por Heitor Augusto
Abraços,