Prezados,
Apesar de ter tomado e comunicado a minha decisão de atender à solicitação da presidência do IAB, peço desculpas ao Paulo Henrique Paranhos e quebro minha promessa. Novamente volto a enviar um e-mail aos listados neste grupo. Prometo fazer isto pela última vez (vou fazer o bloqueio de e-mails com esta origem), apesar de me divertir com algumas das iradas e raivosas manifestações postadas. Afinal na vida o bom humor é essencial, especialmente em uma etapa da vida em que é necessário se preparar para outra (se é que outra existe...). Para mim qualquer polêmica só vale a pena ser travada, quando existe um mínimo de prazer e humor que, para meu total desgosto, no caso inexiste. Ou seja, em outras palavras, polêmica é também uma forma de dialogo e fraternidade. Eu que pouco sei, tive a felicidade de aprender isto com um dileto e erudito amigo, versado em Platão.
Uma primeira observação que faço se refere ao fato de ser ou não ambientalista. Nunca reivindiquei este rotulo. Quanto ao tema lembro de uma velhíssima disputa entre as ordens beneditina e franciscana. Em um passado remoto os primeiros defendiam o controle e a intervenção sobre a natureza. Os segundos, em consonância com o exemplo do criador da ordem, privilegiavam a harmonia das ações humanas com a natureza. Se é para dizer alguma coisa a este respeito limito-me a afirmar que, sem negar os argumentos beneditinos, minhas simpatias sempre estiveram mais com os franciscanos.
Faço também um comentário motivado pelas reações quanto ao clip do comediante George Carlin. Não discuto, nem julgo o humor ou a falta do mesmo, de ninguém. Cada um tem o seu! Até pela razão de que é impossível explicar, para quem não entendeu, o sarcasmo de uma piada. Quando se tenta fazer isto o humor já se foi. Outra coisa é classificar o humorista como um reacionário, logo ele um reconhecido ícone do movimento de contra-cultura americana da década de 60. Pior ainda associar seu nome à teorias creacionistas.
Coitado do comediante, ex-coroinha que perdeu a fé, que fez de sua arte uma arma para ironizar os donos do poder, os meios de comunicação, o estabelecimento industrial-militar americano e as religiões institucionalizadas. Imagino que deve ter se revirado no tumulo! Carlin, descontados os exageros próprios e necessários para o exercício do seu oficio, era lúcido suficiente para entender as contradições, incoerências, ingenuidades e alguns falsos compromissos do movimento ambientalista americano. Lá, como aqui, causas ambientais são usadas como defesa de privilégios e interesses particulares que não ousam tirar a mascara (Claro que não se pode generalizar...). Será que é ser reacionário, expor o quase total silêncio do “ambientalismo” (americano, internacional e mesmo brasileiro) com o desastre do vazamento de petróleo no Golfo do México? Em tempo, isto foi feito não pelo Carlin que já tinha morrido, mas sim pela New Left Review. Ou ainda de um ambientalismo brasileiro que ignora questões como a absoluta necessidade e urgência de tratar temas como o saneamento básico e transporte público. Nem tudo é o que parece ser!
Apenas para efeito de informação, transcrevo abaixo algumas notas sobre o comediante Carlin. Quanto ao mais, como houve uma referência não humorada, algo desairosa à calvície do humorista, sendo eu também um careca assumido e contente com ela, que resta senão saudar, com muito humor e auto-ironia, todos cujas cabeças são glabras. Saudações também para todos os cabeludos. Abraço cordial para todos/ Geraldo
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Carlin’s noted irreverent observations on such taboo subjects as religion, death, patriotism and big business, as well as pungent examinations of modern language and the “decrepit state of the American culture….
George Carlin por ele mesmo:
… on politics: I had a left-wing, humanitarian, secular humanist, liberal inclination on the one hand, which implied positions on myriad issues. On the other I had prejudices and angers and hatreds towards various classes of people. None of which included skin color or ethnicity or religion. Well—religion, yes. I used to get angry at blue-collar right-wingers but that passed because I saw that in the end they were just a different sort of victim.
…on values: The worst thing about groups are their values. Traditional values, American values, family values, shared values, OUR values. Just code for white middle-class prejudices and discrimination, justification for greed and hatred. I believe in giving everyone, as I encounter them, one at a time the full value of their dignity and their honor in the world. Whether I’m seen as a celebrity on an elevator or I’m just George the stranger, I open myself to them and I take them in and I give them everything I would want myself in terms of treatment, feeling and consideration. I call that a value.
…on being an individual(sobre sua atuação como ator isolado): It always seemed to me that the reasons groups came together were superficial. The group didn’t feed me and I had nothing to contribute to it. I had a deeper goal, this giant puzzle to work on, which was only going to happen if they left me alone… The aloneness of the stage makes groups irrelevant. Few things dramatize the face-off between loner and group more starkly than the artist before the audience. And there’s no irony here. If this loner can’t get the audience to act as a group—laugh together—he’s fucked.