Minhas reflexões sobre o conto "Idéias de um Canário" - Machado de Assis

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Helga Marte Carvalho Pacheco

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Aug 22, 2011, 7:22:04 AM8/22/11
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É o conto que mais me impressionou de Machado de Assis, irei expor minha própria interpretação de acordo “do tamanho do meu mundo”.

O surpreendente dos contos de Machado de Assis é que cada leitor pode ter sua própria interpretação, por isso que é tão importante para mim quem for lê-lo deixar escrita sua própria reflexão.

No inicio do texto quando canário se refere ao dono como sendo seu escravo e age como se tudo que acontece é por causa dele, ele é o centro do seu universo. Isso me faz lembrar muito um pensamento de uma criança de um ou dois ou três anos, revelando assim, uma infantilidade do canário.

Então, Macedo leva-o para sua casa e coloca-o numa gaiola maior, que significa um universo maior me lembrando um adolescente. Então começa uma grande troca de informações e conhecimento entre os dois até o ponto que Macedo é todo canário, pois, me parece que ele o trata como sua criação, sua obra prima que o consome tanto que chega a ficar doente e também mostra a sua ambição de ficar famoso pela sua obra, e ao mesmo tempo, o canário já se sente seguro para aumentar seu horizonte, pois, absorveu o conhecimento necessário para não depender mais dos outros e poder alcançar sua ambição, a liberdade.

Sendo assim, o canário escapa da gaiola e a principio trepa no telhado, e depois em uma árvore por perto e depois numa grande chácara onde pode viver plenamente. Ao encontrar Macedo, ele demonstra carinho e desdém pelos ares de professor de Macedo pois parece-lhe que o professor não aceita que ele já é seu próprio professor, e Macedo ao vê-lo se demonstra terno e egoísta e até faz chantagem ao canário para que ele volte para sua casa como se o canário devesse tudo o que conquistara à ele, mas o canário não pode mais voltar, se voltasse à gaiola com certeza morreria e não iria viver sua vida com a liberdade que todos os pássaros e adultos têm o direito.

Para mim, isso demonstra uma relação paternal onde os filhos têm que partir para se realizarem e muitas vezes os pais os castram, deixando-os dependentes deles, com chantagens e controle.

Eu fiz a interpretação desse conto baseado no livro "Memorial de Aires", onde o casal Aguiar tem Tristão e Fidélia como "filhos postiços" que acabam partindo para a Europa e Aires diz que até fez uma fábula à respeito por isso essa associação a esta fábula de Machado.
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