Nos bastidores de muitos projetos digitais, ainda existe uma confusão que atrapalha o avanço da acessibilidade: a ideia de que ela deve se adaptar ao estilo de cada time, especialmente o de design. É comum ouvir frases como “no nosso projeto a gente faz acessibilidade do nosso jeito” ou “essa é a nossa interpretação da WCAG”. Mas acessibilidade digital não é questão de gosto, de estética ou de interpretação criativa. É tecnologia, padrão e responsabilidade compartilhada. A confusão entre arte e tecnologia Design é arte aplicada. É sobre estética, equilíbrio, emoção e experiência. Já acessibilidade é engenharia da inclusão uma camada técnica que garante que toda essa arte possa ser percebida, compreendida e usada por todos, inclusive por pessoas com deficiência. Quando designers tratam acessibilidade como uma “adaptação” ou “estilo próprio”, acabam enfraquecendo o propósito real dela. Um botão bonito que não tem rótulo acessível não é inclusivo. Um contraste refinado que não atinge o nível mínimo da WCAG não é escolha estética: é barreira. Acessibilidade é única A acessibilidade digital segue normas internacionais como a WCAG (Web Content Accessibility Guidelines), a Seção 508 e a Lei Brasileira de Inclusão (LBI). Essas diretrizes existem para que o resultado final seja previsível e universal. O usuário com deficiência não precisa “reaprender” como navegar em cada site ele deve encontrar padrões conhecidos e consistentes. Por isso, acessibilidade não muda de empresa para empresa. O que muda é o grau de maturidade e comprometimento de quem aplica. ... |