PNLD 2024 DECRETA FIM DO LIVRO DIDÁTICO DE HISTÓRIA

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Paulo Eduardo Dias de Mello

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Dec 17, 2021, 8:44:02 PM12/17/21
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Prezados/as,

Hoje em evento técnico do "novo" PNLD, em sua versão para 2024, foi anunciado que as obras didáticas para os 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental serão organizadas por área de conhecimento. 

Isso significa na prática que NÃO teremos mais obras didáticas de História, mas da  área de Ciências Humanas, entendidas aqui como História e Geografia...

Não preciso mencionar aqui que essa decisão terá desdobramentos catastróficos para o ensino de História e Geografia, e impactos na formação de professores.
Também não preciso mencionar que o MEC exorbita de sua competência ao querer impor uma mudança do currículo, da famigerada BNCC, mas que ainda está organizada por componentes curriculares no EFII. Foi esse documento que orientou todas as redes a formularem os currículos estaduais e municipais. Ao propor essa mudança o MEC atropela e abre portas para uma organização curricular não prevista na BNCC.

O discurso das técnicas é de que o EFII deve ser um preparatório dos alunos para o "Novo Ensino Médio". O que atenta frontalmente contra a LDB que afirma a especificidade de cada etapa da formação na Educação Básica. O EFII não é apenas propedêutico do Ensino Médio. A LDB afirma no artigo 32: "O ensino fundamental obrigatório, com duração de 9 (nove) anos, gratuito na escola pública, iniciando-se aos 6 (seis) anos de idade, terá por objetivo a formação básica do cidadão."

Este governo se supera. Seu ódio às humanas, ao pensamento crítico, se reveste agora do discurso da interdisciplinaridade, do ensino por temas atuais (os livros serão organizados por temas), da inovação tecnológica. São esses argumentos usados para baratear e subtrair a disciplina de História do currículo. Através do edital e dos materiais didáticos que serão formulados se abrem as vias do retrocesso, por exemplo, para o restabelecimento dos Estudos Sociais, agora sob o figurino interdisciplinar e tecnológico da área de Humanas.

Rechaço veemente as concepções de currículo e saber escolar que alimentam este edital. Superam os estragos da BNCC, que ao menos mantinha sob o rótulo de "componente curricular" a disciplina de História.

Lá atrás, na ANPUH, repudiamos e denunciamos a retirada da disciplina de História do "Novo Ensino Médio". Hoje a estratégia se faz via PNLD. E ocorre no fim do ano, quando já estamos exaustos de tantos ataques. 

Mas, não podemos esmorecer. 
Há que reagir, antes que se estabeleça esse estrago.
A situação é grave e urgente.
   
 Abraços!

Quem quiser assistir à reunião técnica veja em: 



Paulo Eduardo Dias de Mello
Professor Adjunto do Departamento de História
Coordenador do Laboratório de Estudos sobre Formação de Professores e Ensino de História - LEFOPEH
Universidade Estadual de Ponta Grossa - UEPG



Priscilla Ferreira Cerencio

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Dec 18, 2021, 10:36:59 AM12/18/21
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Olá colegas!

Paulo, concordo contigo que precisamos nos posicionar enquanto entidade (e urgente, pois o prazo é curto), mas é importante ressaltar que ainda não está decretado. Esse evento foi exatamente para o FNDE e a COGEAM apresentarem a intencionalidade do MEC. Ao longo da apresentação notem que as técnicas indicam várias vezes que esse é o momento de a sociedade se posicionar, pois após a publicação do edital e início da produção dos materiais não tem mais essa margem.
Considerando o cronograma apresentado por elas, a possibilidade de publicação do edital em janeiro é enorme. Ainda temos oportunidade de sermos ouvidos e, pelo que entendi, até de apresentar sugestões de critérios pedagógicos a serem seguidos. Fico até pensando se essa abertura não é até uma forma de resistência dos técnicos a uma ordem superior, pois se a sociedade civil se opor e fizer barulho, vai ser preciso ser revisto.
Então, antes de ir para a guerra propriamente dita, proponho começar com a diplomacia. Uma carta em nome da ANPUH com as nossas considerações e das demais entidades de classe também. Vamos aproveitar enquanto o edital não é publicado e temos essa brecha.

Abraço,

Priscilla

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Helenice Rocha

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Dec 18, 2021, 10:53:52 AM12/18/21
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Prezados colegas, 

Agradecemos a divulgação dessa audiência é vamos nos mobilizar. A coordenação do GT de Ensino de História irá buscar junto à Anpuh as melhores alternativas de ação. Todas as contribuições serão bem vindas.
Abs

Antonio S. de Almeida Neto

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Dec 19, 2021, 10:50:41 AM12/19/21
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Colegas,

Espero que todos estejam bem.

Paulo, obrigado por divulgar mais esse golpe no ensino de História.

Diante do cenário catastrófico fico aqui me perguntando: Quem, num futuro próximo, quererá ser professor de História? Para que formar professores de História? Qual o sentido de discutirmos esse tema em congressos e eventos? Para que associações de/com professores de História? Para que mestrado em ensino de História? Estamos em extinção.

Penso nisso e sou tomado por imensa melancolia. Receio que ficaremos historicamente conhecidos como “a geração que esbanjou seus professores de História” (parafraseando Roman Jakobson). Nossa época, nossa geração, está assistindo ao fim do ensino de História e NÓS, (entre os quais, ME incluo) não conseguimos frear essa onda avassaladora, seja por inação, incapacidade político-estratégica, conivência, assimetria das forças político-econômicas, falta de unidade.

Concordo que a situação é grave (mais uma vez!) e que seja preciso fazer algo, reagir, protestar, nem que seja pelo simples direito de estrebuchar, mas não sei muito bem por onde começar. Estou mais para “tocar um tango argentino” (MB). De qualquer forma, penso que, como estamos no âmbito no GTEH da ANPUH, nossa associação deve ser chamada a se manifestar urgente e publicamente. (E como nessa lista há muitos associados da ABEH, parece-me adequado que também essa associação se posicione). Também seria importante acessarmos eventuais canais políticos que intercedam por nossa causa.

Abç.




--
Antonio Simplicio de Almeida Neto
UNIFESP - Depto. História
PPGs História e ProfHistória

elison antonio paim

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Dec 19, 2021, 11:53:10 AM12/19/21
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Dentre tudo que Toninho escreveu assino embaixo.
Nossas entidades precisam se pronunciar e estrebucharmos juntos!
Abraços

Patrícia Santos

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Dec 20, 2021, 10:33:23 AM12/20/21
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Olá para Todxs!

Concordo plenamente com você Prof. Toninho.
E também me pergunto aqui sobre o que  podemos fazer. 
Abraço Solidário,
Patrícia Cerqueira

Eri Cavalcanti

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Dec 20, 2021, 10:33:29 AM12/20/21
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Estimados colegas...
Paulo querido, obrigado pelo compartilhamento de mais um golpe; uma pá de cal no Ensino de História...
Penso que devido à urgência e ao reduzido tempo que temos, talvez seja necessário mesmo já partir para a "guerra" mas no campo das relações políticas com o parlamento...
Compartilho das palavras/sensações do colega Antonio Simplicio...

Me parece que a única via capaz de tensionar as relações de forças de modo a criar alguma possibilidade efetiva é pelo diálogo com parlamentares, através das associações. Penso que apenas notas de repúdio (mesmo sendo importantes e necessárias, até para registros) não fará nenhum efeito. Há colegas que conhecem parlamentares do campo progressista (e não apenas aqueles com os quais temos maiores diálogos). Penso que um nome é o deputado Rogério Correia do PT/MG que fez, recentemente, uma audiência pública na Câmara em defesa da Capes, penso que muitos aqui acompanharam)
Att.:

Em dom., 19 de dez. de 2021 às 12:50, Antonio S. de Almeida Neto <asa...@unifesp.br> escreveu:

Adriana Conceição

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Dec 22, 2021, 8:53:09 PM12/22/21
to GT de Ensino de História e Educação - ANPUH
Boa noite a todas e todos:
Gente que situação?
A cada dia um ataque, a cada dia uma tentativa de acabar com o pensamento crítico.
Mas, a esperança do novo ano nos fortalece.
Obrigada a todes pelas partilhas e espero que a profa. Helenice possa nos trazer boas notícias.
Abraços
Adriana

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