meu nome é Fernanda Santaguida, tenho 34 anos, sou casada, mãe de 2 filhos (4 e 2 anos), tenho estado muito angustiada nos ultimos dias com todos esses “Novos projetos” que tem como objetivo único desrespeitar a família e os preceitos de Deus. Para que o sr. possa me entender melhor, vou falar um pouco de mim.
Nasci em uma família pobre, sou filha de faxineira e de um mecânico (já falecido), sempre estudei em escolas públicas, fiz toda a minha faculdade em uma instituição de ensino privado com bolsa de 100% visto que era funcionária da instituição que me concedia este privilêgio. Casei-me com meu marido em 2004, tive meu primeiro filho em 2007 e o segundo em 2008, atualmente sou a gestora de uma pequena empresa que realiza cursos de pós graduação e capacitação para profissionais da saúde. Quando eu era criança, sempre que precisava minha mãe me dava algumas palmadas, nunca morri, nem tive um braço quebrado por isso, não fiquei trumatizada, nem me tornei uma pessoa ruim, ao contrário, pela descrição acima pode-se perceber que me tornei uma pessoa honrada. Lembro-me que quando era criança, alguns assuntos eram muito mistificados, as moças casavam-se virgens, fumar não era coisa de mulher, drogas são para marginais, mulher não beija na boca de mulher!
Aprendemos tudo isso e não nos tornamos racistas, nem homofóbicos, nem agressores contumaz, somos capazes de nos relacionar com qualquer pessoa, somos capazes de respeitar qualquer religião, opção sexual, temos a noção exata do que é uma palmada para ensinar e o que é espancar para saciar a raiva. Todas essas coisas que nos ensinaram na infância foram muito válidas, pois não engravidei antes da hora, nunca fumei, não usei drogas, nunca cheguei em casa bêbada, largada de qualquer maneira, nem eu, nem os amigos da minha geração, muito pelo contrário, tenho um círculo de amigos de infâncias que assim como eu, nasceram muito pobres e hoje conseguem oferecer aos seus filhos uma vida dígna, muito melhor do que seus pais conseguiram proporcionar, entretanto, apesar de terem nascido pobres foram orientados da mesma forma que eu fui, e hoje, estão assim como eu, muito preocupados com os rumos que todos esse projetos muito bem idealizados no papel podem levar. Educo o meu filho como fui educada, quando precisam, lhes fou umas plamadas sim e faço isso, pois não quero no futuro vê-los apanhando de policiais e sendo presos como os rapazes de classe média demonstrados ontem no jornal, faço isso, pois assim aprendi e não morri, aprendi valores importantíssimos, que hoje sairam de moda, cairam no desuso, “ Não tem nada demais tomar um copinho de cerveja (ele tem 11 anos), o que tem demais minha filha transar? ela sabe o que faz (ela tem 13 anos), o que que tem se meu filho fumar um baseado, são vivências! (ele tem 15 anos). Onde isso vai parar?
Não invoquei o nome de Deus para basear meus pensamentos, mesmo eu sendo uma cristã, pois não quero que este meu desabafo seja interpretado como de uma mulher “fanática”, que não pensa ou que está sendo '”manipulada”. Invoco aqui os preceitos sociais que aprendi bem antes das minhas escolhas religiosas. Invoco aqui meu direito de mãe, que se preocupa verdadeiramente com sua família. Invoco aqui meu direito de cidadã de me sentar em um restaurante e se me sentir desconfortável com algo que vejea de me levantar e ir embora sem que sofra retalhiações por isso. Invoco aqui meu direito de mulher, guerreira, cuidadora, mãe, filha, irmã, de ver minha família protegida, de saber que não vou perder a guarda dos meus filhos agora se tiver que puní-los com uma palmada. Invoco aqui toda a sociedade que não foi consultada.
Por fim deixo um questionamento, como um país que tem leis tão brandas para menores infratores, pode criar uma lei onde impede que um pai corrija seu filho, pois vamos refletir, um filho quando a mãe diz vai para o castigo, ele faz pois sabe que pode haver uma punição maior pela desobediência, a partir do momento que essa possibilidade não exista mais, como faremos para que eles nos obedeça? Deixo também outra questão, meus filhos são bem pequenos, já estão na escola, é natural a curiosidade, como eu vou dizer para ele que é errado beijar na boca de outro menino sem que eu seja taxada como homofóbica?
É hora da sociedade GRITAR, fazer passeata, manifestar-se publicamente, hoje ainda podemos! quando o projeto virar lei não poderemos mais abrir a boca, ou seremos presos, colocados ao lado de marginais, seremos ameaçados, constrangidos, tentados, teremos que ver cenas que nos chocam e agradecer por isso, como faremos?
Por fim Deputado, quero manifestar minha solidadriedade ao senhor, não sou sua eleitora, não conheço seu trabalho, mas vejo que tem se levantado quase que solitariamente contra essas enxurradas de impropérios que vem assolando nossa sociedade.
Tomei a liberdade de copiar essa nossa conversa a alguns amigos, que não se se concordam comigo, mas acho que chegou a hora de todos nós fazermos alguma coisa.
Atenciosamente,
Fernanda Santaguida
(21) 8787-4748