EVANGELHO QUOTIDIANO
"Senhor, a quem iremos? Tu tens palavras de vida eterna".
João 6, 68
Quinta-feira, dia 26 de Março de 2015
Quinta-feira da 5ª
da Quaresma
Santo do dia : Santos Emanuel e companheiros mártires, séc. V?, S.
Ludgero, bispo, +809, S.
Bráulio de Saragoça, bispo, +651
Ver comentário em baixo, ou carregando aqui Santo Ireneu de Lyon :
«Abraão
exultou pensando em ver o meu dia; viu-o e ficou feliz»
Livro de Génesis 17,3-9.
Naqueles
dias, Abrão caiu de rosto por terra e Deus falou-lhe assim: «Esta é a
minha aliança contigo: Serás pai de um grande número de nações.
Já não te chamarás Abrão, mas Abraão será o teu nome, porque farei
de ti o pai de um grande número de nações.
Farei que tenhas incontável descendência que dês origem a povos e de
ti sairão reis.
Estabelecerei a minha aliança contigo e com a tua descendência, de
geração em geração. Será uma aliança perpétua, para que Eu seja o teu
Deus e o Deus dos teus futuros descendentes.
A ti e à tua futura descendência darei a terra em que tens habitado
como estrangeiro, toda a terra de Canaã, em posse perpétua. Serei o vosso
Deus».
Deus disse ainda a Abraão: «Guardarás a minha aliança, tu e a tua
descendência futura de geração em geração».
Livro de Salmos 105(104),4-5.6-7.8-9.
Procurai o
Senhor e o seu poder,
buscai sempre a sua face. Recordai as suas maravilhas,
os seus prodígios e os oráculos da sua boca.
Descendentes
de Abraão, seu servo,
filhos de Jacob, seu eleito,
O Senhor é o nosso Deus
e as suas sentenças são lei em toda a terra.
Ele recorda sempre a sua aliança,
a palavra que empenhou para mil gerações,
o pacto que estabeleceu com Abraão,
o juramento que fez a Isaac.
Evangelho segundo S. João 8,51-59.
Naquele
tempo, disse Jesus aos judeus: «Em verdade, em verdade vos digo: Se alguém
guardar a minha palavra, nunca verá a morte». Responderam-Lhe os
judeus: «Agora sabemos que tens o demónio. Abraão morreu, os profetas
também, mas Tu dizes: ‘Se alguém guardar a minha palavra, nunca sofrerá a
morte’.
Serás Tu maior do que o nosso pai Abraão, que morreu? E os profetas
também morreram. Quem pretendes ser?»
Disse-lhes Jesus: «Se Eu Me glorificar a Mim próprio, a minha glória
não vale nada. Quem Me glorifica é meu Pai, Aquele de quem dizeis: ‘É o
nosso Deus’.
Vós não O conheceis, mas Eu conheço-O; e se dissesse que não O
conhecia, seria mentiroso como vós. Mas Eu conheço-O e guardo a sua palavra.
Abraão, vosso pai, exultou por ver o meu dia; ele viu-o e exultou de
alegria».
Disseram-Lhe então os judeus: «Ainda não tens cinquenta anos e viste
Abraão?!»
Jesus respondeu-lhes: «Em verdade, em verdade vos digo: Antes de
Abraão existir, ‘Eu sou’».
Então agarraram em pedras para apedrejarem Jesus, mas Ele ocultou-Se e
saiu do templo.
Da Bíblia Sagrada - Edição dos Franciscanos Capuchinhos - www.capuchinhos.org
Comentário do dia:
Santo Ireneu de Lyon (c. 130-c. 208), bispo, teólogo, mártir
Contra as heresias
«Abraão exultou pensando em ver o meu dia; viu-o e ficou
feliz»
«Abraão, vosso pai, exultou pensando em ver o meu dia; viu-o e ficou
feliz.» Que quer isto dizer? «Abraão acreditou em Deus e isso foi-lhe
atribuído à conta de justiça» (Gn 15,6; Rom 4,3). Em primeiro lugar
acreditou que Ele era o criador do céu e da terra, o Deus único; depois, que
Ele tornaria a sua posteridade semelhante às estrelas do céu (Gn 15,5).
Paulo também o diz: «como astros no mundo» (Fil 2,15). Portanto, foi a
justo título que, deixando toda a sua parentela deste mundo, ele seguiu a
Palavra de Deus, tornando-se estrangeiro com o Verbo, a fim de se tornar
cidadão com o Verbo, o Filho de Deus (cf Ef 2,19). Foi também a título de
justiça que os apóstolos, descendentes de Abraão, deixaram o barco e o seu
pai e seguiram o Verbo (Mt 4,22). E é a justo título que nós, que temos a
mesma fé de Abraão, tomando a nossa cruz tal como Isaac levou a lenha,
seguimos este mesmo Verbo (Gn 22,6; Mt 16,24).
Porque em Abraão, o homem já tinha aprendido e já se tinha acostumado
a seguir o Verbo de Deus. Na sua fé, com efeito, Abraão observou o
mandamento da Palavra de Deus e não hesitou em entregar «o seu único e
amado filho» em sacrifício a Deus (Gn 22,2), a fim de que Deus também
aceitasse, em favor da toda a sua posteridade, entregar o seu bem-amado Filho
único em sacrifício pela nossa redenção (Rom 8,32).
E como Abraão foi profeta e viu no Espírito o dia da vinda do Senhor e
o desígnio da sua Paixão, quer dizer, a salvação para si mesmo e para
todos aqueles que, como ele, cressem em Deus, estremeceu com grande alegria. O
Senhor Jesus Cristo não era, portanto, desconhecido de Abraão, visto que
este desejou ver o seu dia. E foi assim que, instruído pelo Verbo, Abraão
também conheceu o Pai do Senhor e acreditou nele. […] Por isso disse:
«Ergo a minha mão para o Senhor, o Deus Altíssimo que criou os céus e a
Terra» (Gn 14,22).
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