Colegas;
A respeito da semana do sono gostaria de parabenizar os profissionais envolvidos. Todos de inegável gabarito, discorrendo com segurança sobre temas diversos e primando pela qualidade. Gostaria tb de registrar a sentida ausência nesses eventos de colegas que, controversos ou não, escreveram seus nomes entre aqueles pioneiros na nossa odontosono. Aos Profs. Ricardo Barbosa, Walter Silva, Marcelo Quintela, Goldofin, Gabriela Vedolin (e outros que a memória agora me trai) expresso minha admiração e minha expectativa de que, em breve, possa assisti-los nos brindando com a vasta experiência acumulada ao longo de tantos anos.
Um problema que acompanha desde meus primórdios como "roncólogo" é a discrepância de laudos entre diferentes clínicas. Todos sabemos da importância de manter o mesmo padrão realizando os exames na mesma clínica mas, não raro, é necessário recorrer a um segundo laboratório. Vanderlei se queixava de leve sonolência e apesar, da apneia de 63,0 ev/h, tinha como queixa principal o ronco. Ele foi submetido à Órtese Conjugada e, controlado o quadro, retornou à mesma clínica para a poli final. O desfecho frustrante, com o IAH no mesmo nível - 63,2 - exigiu uma certa negociação para que Vanderlei persistisse com o tratamento, não só aceitando novos ajustes mas tb se submetendo a uma terceira poli, dessa vez em outra clínica. Assim feito a terceira poli revelou um IAH de 2,3 ev/h. Esse resultava correlacionava-se melhor com a clinica relatada pelo paciente e ficamos todos felizes. Mas a verdade é que nunca me convenci que os pequenos ajustes que fiz fossem os responsáveis por essa redução tão significativa do índice. Minha crença é que a segunda poli não retratou a queda do IAH. Minha grande apreensão é que discrepâncias como essa não são pontuais, embora tenham se reduzido com o aperfeiçoamento das técnicas polissonográficas. Outra questão (para um postagem futura) é o agudo reflexo de anteriorização da lingua que alguns pacientes apresentam. A lingua de Vanderlei avançava para "fugir" da mola, reflexo este que se mantinha mesmo durante o sono (Vejam na foto a posição da lingua ao dormir e ao acordar). Ao longo da noite o estímulo da mola fazia com que ela se colocasse anteriormente, se alojando entre as placas. Creio que esse reflexo, neste caso, tenha sido a principal razão do êxito. Uma última questão: tenho poucos pacientes negros mas todos, mesmo aqueles com o IAH mais baixo, mostram-se como casos mais complexos do que os brancos. Algum dos colegas já teve essa experiência? Desconheço artigos a respeito.
Abs;