-----Original Message-----
From: QUAL O SIGNIFICADO DE HEBREUS 6:4-6?
Sent: sexta-feira, 23 de janeiro de 2004 16:17
Subject: ...É IMPOSSÍVEL RENOVÁ-LOS PARA ARREPENDIMENTO?
Mensagem:
Ao Pastor Caio,
Poderia explicar sua posição em relação a Hebreus 6.4-6 em breves palavras? Se aquele que recebeu o dom celestial e por alguns motivo se desviar e pregar heresia, poderá ser salvo e como? Gostaria de receber esta resposta o mais breve possível.
Grata, e graça e paz!
Célia
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Resposta:
Minha querida amiga: Graça e Paz!
A resposta está aqui no site, em Cartas e em Artigos e Devocionais, onde o texto de Hebreus 6: 4-6 está explicado.
Mas vamos lá...
Primeiro a transcrição do texto, começando do verso inicial do capítulo 6.
Pelo que deixando os rudimentos da doutrina de Cristo, prossigamos até a perfeição, não lançando de novo o fundamento de arrependimento de obras mortas e de fé em Deus, e o ensino sobre batismos e imposição de mãos, e sobre ressurreição de mortos e juízo eterno. E isso faremos, se Deus o permitir. Porque é impossível que os que uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial, e se fizeram participantes do Espírito Santo, e provaram a boa palavra de Deus, e os poderes do mundo vindouro, e depois caíram, sejam outra vez renovados para arrependimento; visto que, quanto a eles, estão crucificando de novo o Filho de Deus, e o expondo ao vitupério. Pois a terra que embebe a chuva, que cai muitas vezes sobre ela, e produz erva proveitosa para aqueles por quem é lavrada, recebe a bênção da parte de Deus; mas se produz espinhos e abrolhos, é rejeitada, e perto está da maldição; o seu fim é ser queimada. Mas de vós, ó amados, esperamos coisas melhores, e que acompanham a salvação, ainda que assim falamos. Porque Deus não é injusto, para se esquecer da vossa obra, e do amor que para com o seu nome mostrastes, porquanto servistes aos santos, e ainda os servis. E desejamos que cada um de vós mostre o mesmo zelo até o fim, para completa certeza da esperança; para que não vos torneis indolentes, mas sejais imitadores dos que pela fé e paciência herdam as promessas.
Hebreus foi escrito para quê e para quem? — é a primeira pergunta.
Se você souber responder essa pergunta você saberá a resposta à sua própria questão. Aliás, esse é um princípio essencial de interpretação, seja na Bíblia, seja em qualquer texto, seja em qualquer processo de interpretação—de uma conversa...à uma pintura na parede. Por exemplo, você jamais compreenderá bem nada...se não souber quais eram os contextos históricos dentro dos quais aquela informação ou mensagem foi originada.
Nos Evangelhos você precisa saber basicamente as seguintes coisas a fim de entender o que está dito:
1. Quem eram os ouvintes e quais os significados de suas convicções?
Por exemplo: quem eram os fariseus, quais as suas posições, qual o seu interesse político, religioso, etc... e como se apresentavam aos homens; também o que era importante e desimportante para eles...Ou ainda um outro exemplo: quem eram os Samaritanos e o que os demais judeus pensavam acerca deles? Qual o significado provocativo que há nas palavras de Jesus e no Evangelho quando sempre coloca os samaritanos numa posição “positiva”, num mundo de judeus que os odiavam?
2. Quais as questões daqueles dias...?
Isto porque muitas das palavras de Jesus eram também respostas a contextos claros e específicos. Sabendo-se quais são os contextos, fica fácil entender a palavra dita por Jesus e o significado e a força escandalizadora delas para a mente dos judeus, por exemplo.
3. Como foi que Jesus interpretou Suas próprias palavras?
Interpretou-as apenas quando as “explicou”—como o fez em algumas parábolas?...Ou as interpretou também de outra forma? Ora, as interpretações de Jesus acerca de tudo podem ser vistas nas ações de Jesus...no modo como Ele tratou as pessoas (e aí é fundamental saber quem eram aquelas pessoas e o que se pensava acerca delas naqueles dias). Nos atos e gestos de Jesus nós temos a interpretação da Palavra, de toda ela. Afinal, Ele era o Verbo Encarnado. Portanto, o Verbo-Palavra tem sua explicação na Encarnação; ou seja: no modo como o Cristo Encarnado tratou a vida, pois, nesse caso, como Nele não havia ambigüidade e nem contradição—muito menos esquizofrenia—, à cada gesto Seu há uma Palavra sendo vivida como espírito dela mesma...”As palavras que vos tenho dito são espírito e são vida”.
Ora, isto posto, voltemos ao princípio. Hebreus foi escrito para quê? E para quem?
Foi escrito para os muitos judeus cristãos que estavam voltando atrás, deixando a fé na suficiência da Graça de Deus em Cristo, e retornando ao sistema da Lei e de seus cerimonialismos.
Portanto, trata-se de uma epistola que adverte quanto ao fato de que após saber que Moisés, Josué, os sacerdotes, os levitas, o templo, a arca, e tudo o mais...já haviam passado...e que eram apenas “sombra das coisas que haveriam de vir em Cristo”...—os que estavam agora deixando a Graça e voltando à Lei, estavam pisando na oferta da salvação gratuita em Cristo, e voltando ao que Nele já estava extinto.
Ora, esses que um dia creram na Cruz, que foram iluminados e que se alegraram no amor de Deus, mas que deixaram a alegria da fé e voltaram para os jugos da Lei, colocando a sua fé num sistema caduco—e que teve sua utilidade apenas enquanto não havia chegado
Aquele acerca de quem todas aquelas coisas eram apenas uma miragem profética ou simbólica—; sim, a esses...é impossível renovar para arrependimento, visto que estão crucificando a Cristo outra vez—Ele morreu para cumprir a Lei uma vez e para sempre—; pois estão deixando a fé no que Jesus realizou a fim de se colocarem outra vez sob aquilo pelo que e contra o que Jesus morreu e ressuscitou.
Isto sim é que é cair da Graça...; e nesse sentido a “igreja”, sempre que se entrega aos legalismos, aos moralismos, aos cerimonialismos vazios, e às mecânicas de barganha sacrificial com Deus—está também caindo da Graça!
É bom notar que o texto de Hebreus termina esta advertência com uma palavra de esperança. “...estamos convencidos, com relação a vocês, irmãos, das coisas boas e pertencentes à salvação...ainda que falamos dessa maneira...”.
De fato é isto que o texto está dizendo, e sinceramente, não é uma opção pensar assim...
A heresia de Hebreus é a única heresia: trocar a fé em Jesus pela justiça própria e pela presunção dos feitos pessoais.
Todo aquele que honestamente conhece minimamente as Escrituras sabe que é disso que Hebreus está falando.
Um beijão carinhoso.
Nele, que não nos chamou para retroceder,
Caio
Copacabana
Sexta-feira, 23 de janeiro de 2004 16:17
GRAÇA: VOCÊ ACHA QUE É MOLEZA?
Ora, irmãos, não quero que vocês sejam ignorantes quanto ao fato que nossos pais, no Êxodo, estiveram todos sob a nuvem, e todos passaram pelo mar.
Assim, podemos dizer que todos eles foram batizados, tanto na nuvem como no mar; e isto no que dizia respeito a Moisés.
E mais: podemos dizer que todos eles comeram de um pão espiritual e beberam da mesma fonte espiritual; porque bebiam de uma pedra espiritual que os seguia...
A pedra era Cristo!
Entretanto, Deus não se agradou da maioria deles, razão por que ficaram prostrados no deserto.
Ora, estas coisas se tornaram exemplos para nós, a fim de que não cobicemos as coisas más, como eles cobiçaram.
Não se tornem, pois, idólatras, como alguns deles; porquanto está escrito: O povo assentou-se para comer e beber e levantou-se para divertir-se.
Também não pratiquemos a promiscuidade, como alguns deles o fizeram, e caíram, num só dia, vinte e três mil.
Não ponhamos o Senhor à prova, como alguns deles já fizeram e pereceram pelas mordeduras das serpentes.
Nem tampouco murmuremos, como alguns deles murmuraram e foram destruídos pelo exterminador.
Ora, estas coisas lhes sobrevieram como exemplos e foram escritas para advertência nossa, de nós outros sobre quem os fins dos séculos têm chegado.
Aquele, pois, que pensa estar em pé veja que não caia.
Não nos sobreveio tentação que não fosse humana; mas Deus é fiel e não permitirá que sejamos tentados além das vossas forças; pelo contrário, juntamente com a tentação, nos proverá livramento, de sorte que a possamos suportar.
Portanto, meus amados, fugi da idolatria.
Paulo nos diz que o caminho do Evangelho, que é caminho de Graça — é bondade e favor de Deus para que vençamos as tentações da jornada.
Não nos sobreveio tentação que não fosse humana; mas Deus é fiel e não permitirá que sejamos tentados além das vossas forças; pelo contrário, juntamente com a tentação, nos proverá livramento, de sorte que a possamos suportar.
No entanto, Paulo também nos diz que as conseqüências de se querer a Graça de Deus como Graxa de Deus, são claramente demonstradas pelo caminhar do povo de Israel pelo deserto, conduzidos por Moisés.
A ênfase de Paulo é em “todos”. Todos receberam os benefícios. Todos saíram do cativeiro. Todos foram batizados tanto na chuva da nuvem [conforme o salmo] como no passar pelo mar sem se afogarem. Todos tomaram a “ceia do maná” e todos beberam da água viva que escorria da rocha. Mas a maioria deles não se fez agradável a Deus pelo seu modo de andar...
Paulo diz que os “sacramentos” da eucaristia e do batismo em nada os ajudaram, pois, a vida com Deus é feita de sacramentos de obediência e não de ritos.
Então o apóstolo adverte dizendo que houve algumas coisas no coração dos que peregrinavam pelo deserto e que são as mesmas coisas presentes em todos nós, os que caminhamos pelo chão árido desta terra de peregrinações.
Cobiçaram o que não tinham como se fosse obrigação de Deus libertá-los para uma vida de hedonismo. E faziam isto como fantasia, posto que desejassem agora os alhos e cebolas do Egito, dizendo: Como era boa a nossa vida na terra do Faraó!
Tornaram-se idolatras não por causa exclusivamente do culto ao Bezerro de Ouro, mas, sobretudo, diz Paulo, em razão de que a mente deles se tornara um altar de idolatria do prazer e do deus do imediato; posto que apenas pensassem na vida como um acontecimento de comida, bebidas e prazeres. E, segundo Paulo, este é o espírito mais sutil da idolatria: a idolatria do imediato e dos sentidos. É a tal vida feliz que só é feliz na confusão dos muitos folguedos o tempo todo. No tédio de Deus, então, devaneio...
Além disso, entregaram-se à promiscuidade, especialmente depois de pensarem que como Israel havia vencido a macumba de Balaão, agora, então, estavam livres para a promiscuidade; posto que se Deus os amava, como aparentemente demonstrara protegendo-os da “mandinga do Bruxo” — então, pensavam: “Se estamos livres da mandinga do Bruxo, estamos livres para pegar a mulher dos nossos amaldiçoadores!” Assim, agora, na confusão mental deles, a Graça era um sinal de que estariam livres para tudo. Portanto, mergulharam na promiscuidade.
Por último Paulo adverte contra o espírito de insatisfação e de murmuração, dizendo que tal espírito suscita na existência o poder do exterminador.
Assim, sem delongas, Paulo diz:
A Graça que cobre o pecado e o pecador, cobre todo pecado e todo pecador que deseje viver livre do pecado como escravidão; mas não é um documento de alforria das conseqüências da vida; como se por causa da Graça alguém recebesse permissão a fim de que viva como quem morra...; e, ainda assim, colham-se os frutos que somente colhem os que vivem como quem vive, segundo Deus.
Desse modo, Paulo lhes diz:
Vocês pensam que porque são de Cristo, foram libertos dos ídolos explícitos, receberam batismos, tomam a eucaristia do Corpo de Cristo e bebem da fonte da Vida — vocês ficaram imunes ao pecado?
Que nada! — diz ele.
E conclui:
Aquele que assim segue andando... crendo que apenas porque tenha provado benefícios espirituais está livre para se entregar aos ídolos do coração: cobiça, volúpia, promiscuidade, hedonismo, alienação, auto-engano, murmuração, ingratidão, etc. — está caído no chão da vereda e não sabe.
Pode haver inflação de cultos, batismos, ritos, dízimos, ofertas, pertencimento ao grupo, etc. Mas se o coração não andar no caminho em Graça responsiva ante ao perdão e a libertação, esse fica no estado piorado do qual Jesus falou, sete vezes pior, e, também, põe-se no estado que Pedro descreveu como o de uma porca lavada que volta à lama.
Quanto a nós, cabe a advertência:
Aquele que julga está em pé, cuide para que não caia!
E a razão é simples:
Não nos sobreveio tentação que não fosse humana; mas Deus é fiel e não permitirá que sejamos tentados além das vossas forças; pelo contrário, juntamente com a tentação, nos proverá livramento, de sorte que a possamos suportar.
Nele, que nos tira de uma vida de cobra, comendo o pó da terra, e nos põe sobre os nossos próprios pés, andando como gente,
Caio
2 de fevereiro de 2009
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