Príncipe Rosa Cruz - Grau 18°
O Capítulo Rosa Cruz desenvolve-se em três Câmaras, a Negra, a de
Suplícios e a Vermelha, sendo essa última, dispensável; em Rituais antigos, a
divisão era em Câmaras da Torre, Negra e Vermelha.
A primeira Câmara, a Negra será forrada em negro, com lágrimas
brancas; o pavimento é de mosaico, com quadros alternadamente brancos e
negros.
O Pavimento Mosaico apresenta a alternativa de seus quadrados
poderem ser em losangos.
No Oriente sobre três degraus fica o Altar do Presidente, coberto de
pano negro com chamas encarnadas; no primeiro degrau repousa a Pramanta
sobre uma Cruz em um coxim de veludo vermelho.
Sobre o Altar, um Crucifixo, tendo de cada lado, um castiçal com vela de
cera amarela Por sobre o dossel de pano negro com franjas prateadas, fica
uma Estrela Flamejante.
A cobertura do Altar será total, arrastando-se o pano no piso.
O Altar do Presidente, que é denominado de Sapientíssimo, não deve se
confundido com o Altar comum existente no Grau de Aprendiz e onde é
colocado o Livro Sagrado.
O Altar do Presidente é a mesa do Dirigente situada num plano superior,
elevado por trás degraus do piso.
Os Vigilantes não estão sentados sobre estrado algum e não possuem,
diante de si, qualquer Altar. Estão colocados um ao lado do outro, no Ocidentes
tão próximos que, para executarem a Bateria, batem os respectivos Malhetes
um no outro.
O Altar do Presidente está coberto com um pano negro, ornamentado
com chamas encarnadas, passo que se arrasta pelo piso.
A tônica de ornamentação e o negro e o vermelho, símbolo do fogo; o
negro que não é cor, mas sim, ausência, simboliza o vazio, o vácuo e as
chamas, o Fogo Espiritual.
Na Câmara Negra, três Candelabros com onze braços cada um e trinta
e três lâmpadas iluminam o ambiente.
Nos três ângulos, três colunas de média altura e sobre cada uma um
cartaz com as palavras: Fé, Esperança, Caridade.
Sobre o Altar são colocadas três cruzes, sendo a do centro, mais alta e
que tem no centro a Rosa Mística envolta em espinhos e aos pés, uma esfera
envolta por uma serpente; as demais cruzes, possuem no centro um crânio
pousado sobre duas tíbias cruzadas; aos dois lados do Altar dois candelabros.
O Trono do Presidente, colocado à frente do Altar, é em forma triangular,
coberto por pano negro sobre o qual são colocados: o Livro Sagrado, o
Compasso, o Esquadro o Triângulo e os colares dos Candidatos.
Próximo ao Trono do Presidente, um candelabro de sete braços com
velas.
A câmara vermelha é o Templo dos trabalhos usuais do Capítulo; as
paredes são vermelhas; nela são colocados os três candelabros de onze
braços.
Esses candelabros são colocados ao Oriente, ao Ocidente e ao Meio-dia
Também nessa Câmara são colocadas as três colunas com os cartazes, iguais
às da Câmara Negra.
Ao Oriente sobre o Trono do Presidente, um Dossel vermelho com
franjas douradas.
Na parte frontal do Dossel, um transparente em formato de estrela; no
centro, uma Cruz dourada com a Rosa Mística; aos pés, um Pelicano.
Sob a Cruz é pintado um sepulcro descoberto.
Defronte ao Trono, um Altar ornamentado em vermelho sobre o qual são
depositados o Livro Sagrado, aberto em São João, um Compasso e um
Esquadro.
Aos lados do Altar, duas colunas altas sobre as quais estão cartazes
com as palavras "Infinito" e "Imortalidade".
Defronte ao Primeiro Vigilante uma outra Coluna branca com cartaz e a
palavra "Razão"; defronte ao Segundo Vigilante, outra Coluna branca com a
inscrição "Natureza".
No centro do Templo, outro Altar em vermelho onde repousa a
Pramanta; defronte, um Candelabro de sete braços.
O Presidente é denominado de "Sapientíssimo" e "Artesata"-os
Vigilantes têm o tratamento comum de Vigilantes; os Irmãos o título de
"Cavaleiros".
O traje é composto de uma túnica branca com uma Cruz inserida no
peito, cor grená; luvas negras; espada e cajado.
Colar em seda vermelha com três Cruzes Teutônicas negras sobre as
quais, rosas místicas em ouro; no verso do Colar que é negro, três Cruzes em
vermelho e no centro de cada uma, uma rosa mística em prata.
A jóia consiste em um Compasso aberto a 45°; entre as hastes, um
pelicano sobre um semicírculo.
Simbolicamente, o vermelho do Colar representa a luz solar; é o símbolo
do amor.
As linhas verticais das Cruzes simbolizam a vida; os horizontais, a
morte; significa que não se atinge a imortalidade senão após se haver
superado o obstáculo da morte.
A Rosa simboliza o segredo.
Portanto, a Rosa e a Cruz simbolizam o segredo e a imortalidade.
A idade dos Cavaleiros é 33 anos; a Bateria dá sete golpes, sendo 6 por
1.
A Aclamação: Hoschea.
A hora do início dos trabalhos: A Palavra está perdida.
A hora de encerramento: A Palavra foi encontrada.
Lenda do Grau: Comemoração em louvor à Doutrina Evangélica.
A PRAMANTA
Trata-se de um vocábulo originado do sânscrito, com a afia atualizada,
pois escrevia-se com "th"; há variações no vocábulo, podendo-se dar-lhe o
sentido feminino ou masculino.
Simboliza a criação do fogo, pois, constitui um aparelho que por meio de
fricção, produz calor e, conseqüentemente, fogo, pelo incêndio dos elementos
de combustão contidos em seu recipiente.
A Pramanta deveria fornecer o fogo para o acendimento das velas
durante a sessão ritualística.
Consiste a Pramanta em um bastão cilíndrico de madeira dura, que é
colocado dentro de um recipiente encaixando-se num orifício.
Friccionando-se o bastão, quer manuseando-o, quer provocando-lhe
rotação rápida por meio de um cordel que se enrola e desenrola, como os
meninos fazem com os seus piões, o atrito provocará fagulhas que irão
incendiar combustível colocado dentro da tigela; esse material é lenhoso ou
musgo seco, enfim, material extraído da própria Natureza.
Encontramos muitas referências ao uso da Pramanta nos livros védicos.
A tigela tem a denominação de Arani e seria a representação simbólica
da fêmea, enquanto a Pramanta seria o macho.
A produção do fogo equivaleria ao ato sexual, um ato de geração.
A Pramanta deveria ser colocada no centro da Cruz, escondida por uma
Rosa.
O ato sexual sempre foi discreto e oculto. A geração do fogo constitui
também um ato oculto e secreto, fora do alcance de vista profana.
Nos dicionários maçônicos e na literatura ocidental, não encontra
referência, alguma a respeito da Pramanta e, mesmo poucas pessoas
possuem o conhecimento adequado de sua origem e dos motivos por que a
Maçonaria a adotou.
Nos rituais antigos não se conhece o vocábulo Pramanta Ele foi
introduzido há poucos anos, e não sabemos as razões dessa escolha.
Mas, sentimos, após presenciar o ato litúrgico de seu uso que realmente
se fazia necessário um instrumento tão sofisticado e tão antigo, para valorizar a
chama de fogo que irá acender as luzes necessárias para a Cerimônia geral.
Hoje, pouco valor se dá a esses gestos requintados e esotéricos eis que
se torna muito mais prático riscar um fósforo para se obter o fogo.
As Cerimônias que se desenvolviam no monte Olimpo por ocasião das
Olimpíadas, eram comoventes, porque o fogo que acendia as tochas era obtido
através de uma lente, incindindo o Sol, num material combustível, chama que
era conservada durante todo o cerimonial, que durava dias consecutivos.
No Brasil tínhamos o fogo da Semana da Pátria que acendido do fogo
de lâmpadas votivas das igrejas, era mantido durante a semana toda, em todo
o território nacional.
A obtenção do fogo por meio de Pramanta resulta de um ato
cerimonioso; portanto, profundamente esotérico, que assume aspectos divinos
e que produz resultados benéficos.
Todas as reuniões do Capítulo deveriam ser obrigatoriamente
observadas dentro dos preceitos ritualísticos, cabendo a fiscalização às
Autoridades Maçônicas Superiores.
* *
O CRUCIFIXO
É idéia generalizada de que a Maçonaria não é religião e que se
apresenta eclética, sem se fixar em qualquer doutrina ou seita. No Grau Rosa
Cruz a concepção cristã apresenta-se com grande soma de imagens retiradas
do cristianismo.
O crucifixo é uma delas, pois, não podemos confundir crucifixo com a
própria Cruz.
A Cruz é mais recipiente que conteúdo; é sempre vista e não contém o
Crucificado; temos uma Cruz ocupada com o corpo de Jesus e, após, vazia
como símbolo de redenção.
No Altar do Capítulo vemos colocado o Crucifixo, ou seja uma Cruz
ocupada.
Qualquer dicionário definirá: Crucifixo: "Imagem de Cristo pregado na
Cruz", ou seja, o "Crucifixado".
Posto os dicionários cometam um erro filosófico, vez que, Cristo jamais
foi "crucifixado", mas apenas, Jesus.
Trata-se de uma concepção já mais moderna de que entre Cristo e
Jesus há certa diferença, face o aspecto espiritual do Cristo e o aspecto
exclusivamente humano de Jesus; a expressão exata será: "Jesus, o Cristo".
Logo, sobre o Altar teremos uma Cruz onde se verá crucifixada a
imagem de Jesus.
E isso constitui a presença essencial da figura exponencial do
cristianismo.
O Grau 18 é um Rito Cristão, e ao estudarmos os símbolos que usa,
mais nos convencemos disso.
A Cruz não se constitui apenas do objeto central, mas sim, do conjunto
de três Cruzes; tríade, porém ocupada pelos seus respectivos Crucificados.
Assim, tanto o bom como o mau ladrão, foram os companheiros de
Jesus, numa situação unida e como tal, deveriam permanecer. O Calvário é o
conjunto das três Cruzes, e o cristianismo retira do fato uma lição permanente,
de que ao lado da Perfeição estão colocadas a dualidade do bem e do mal.
A interpretação filosófica da presença do bom (Dimas) e do mau
(Gestas) ladrões, será de que, tanto um como outro, encontraram em Jesus a
sua redenção.
Também o mau foi sacrificado, numa demonstração de que todo homem
é igual e merece a sua oportunidade, seja qual for a situação do momento.
Embora o criador do Rito não desejasse colocar no Altar as três Cruzes,
fê-lo simbolicamente, colocando de cada lado do Crucifixo, um castiçal com
vela amarela.
Esses castiçais simbolizam os ladrões que, purificados, foram
consumidos pelo fogo sagrado que neles entrou, através do elemento cera, que
traduz pureza.
A cera amarela, aqui, constitui apenas a escolha de material, pois, cera
amarela será a cera in natura sem ter passado por purificação química.
O método de clarificação da cera, mais usado, é deixá-la exposta à luz
do Sol; por si só, adquire transparência e perde a cor amarela.
A cera simboliza a purificação; acesas as velas, constituem a imolação,
ou seja, a morte necessária para significar a dação em sacrifício. Os dois
ladrões, purificados pela presença do Senhor, foram dados em holocausto,
como "primícias", ou seja, frutos perfeitos, virginais, de uma iniciação recém
adquirida.
Não resta dúvida alguma que, ressurgindo Jesus da morte da Cruz, os
seus dois companheiros também ressuscitaram, apesar do relato bíblico
silenciar a respeito do destino dos corpos dos ladrões.
Quem se dedica ao estudo das abelhas terá notado como o inseto
executa tarefas maçônicas; muito já se tem escrito a respeito, e os apicultores
sabem, perfeitamente, que desde as células hexagonais fabricadas para
guardarem as larvas e o mel, até os rituais que se desenvolvem dentro da
colméia, há muito de maçônico.
O Dossel constitui a cobertura do Altar; não deve haver dúvida de que o
Altar onde vão o Crucifixo e os dois Castiçais, constitui a mesa do Presidente.
O Dossel está revestido de panos negros e as suas franjas prateadas.
O porquê da prata torna-se óbvio que é devido representar a Estrela
flamejante à noite.
As Estrelas são visíveis, de um modo geral, à noite e brilham, assim,
com maior intensidade.
Se as franjas fossem douradas, representariam o dia, eis que o ouro' é
um símbolo representativo do Sol.
A cor negra (que não é cor) representa o Cosmos, infinito e sem
visibilidade, ausente de claridade, onde se destaca, apenas, uma Estrela: a
Flamejante (não confundir com a Estrela'Flamejante do 2o Grau).
* *
A Rosa Mística
A rosa Mística é vermelha; flor originária do Oriente, simboliza um
Iniciação adquirida com perseverança e sacrifício.
Os Alquimistas a tinham representando o signo da realização da
"magnus opus" (obra magna) e para a maçonaria constitui o emblema da
perfeição alcançada. Para o cristianismo é símbolo da pessoa de Jesus.
O Avental negro, com a Cruz no centro e a respectiva Rosa, é o símbolo
operativo do Grau.
O Colar negro, ou fita, onde estão bordados os símbolos do Grau,
representa a união entre os Irmãos.
* * *
O Candelabro de Sete Velas
Os Candelabros foram adotados por todas as religiões e as suas origens
são desconhecidas; contudo, a referência feita no Livro Sagrado, tanto no
Antigo como no Novo Testamento, nos traz luz e compreensão.
Salomão, ao construir o Templo, determinou a colocação de muitos
candelabros. No lugar denominado de "Santo" foi colocado o Candelabro de
Sete luzes.
O significado do Candelabro vamos encontrá-lo em duas referências: no
Livro de Zacarias, capítulo 4 e no do Apocalipse, Capítulo 1°.
Zacarias tivera uma visão de um Candeeiro de ouro de sete lâmpadas.
Pede explicação ao Anjo que lhe fez ver a visão. O Anjo lhe diz que as sete
Lâmpadas são os sete olhos de Jeová. O Candeeiro em si, é apropria Palavra
de Jeová.
No Apocalipse o Anjo informa que as sete Espadas são as sete Igrejas
(as sete cristandades da Ásia Menor).
O Candelabro de sete Velas, na Terceira Câmara, fica junto à grade
entre a mesa do Tesouro e a entrada do Oriente.
Certamente, não lhe foi dado o mesmo significado litúrgico que os
hebreus lhe emprestavam; contudo, a sua presença tem o toque antigo de
representar a Palavra de Deus, que em última análise, está sempre presente.
Como inexiste o Altar onde repouse um Livro Sagrado, o Candelabro de
sete Velas substitui esse Livro Sagrado.
E o "olhar" de Deus, que tudo perscruta, também, em substituição ao
Delta Luminoso que não se vê na Terceira Câmara.
* * *
AS VIAGENS
O Candidato pratica três viagens que dentro do cerimonial são
denominadas de: viagem da Fé, da Esperança e da Caridade.
Há um fundo musical.
Na primeira viajem, são dadas com os Neófitos três voltas pelo Templo.
Durante as voltas são proferidas sentenças absurdas, numa demonstração de
que a sugestão profana, muitas vezes, pode penetrar nos Templos Maçônicos
e que nem tudo o que se afirma dentro de Filosofia é verdade.
O 1º Vigilante diz: "Creio na existência de dois deuses: um branco e
bom; outro negro e cheio de maldades".
Já a crença em dois deuses é uma demonstração do absurdo, porque o
Neófito não é um profano, mas sim, alguém que já possui elevados
conhecimentos maçônicos.
A primeira reação do Neófito é de espanto, pois, a afirmação lhe causa
um impacto; não pode contestar e nem sequer tem tempo para refletir, eis que
ouve a segunda sentença.
Diz o 2º Vigilante: "Creio em Brahma, que gerou a Trimurti; Brahma o
criador; Vishnu, conservador; Shiva o destruidor".
O espanto aumenta vez que, o Neófito ouve algo que lhe causa maior
confusão, ainda. Como pode ouvir tal disparate Se o Grau 18 é essencialmente
cristão?
Mas, sem ter tempo para retrucar, ouve a terceira sentença proferida
pelo Orador: "Creio na transmigração das almas".
E a voz do Secretário acrescenta. "Adoremos o Sol, a Lua, as Estrelas
porque são deuses."
O Neófito, que acompanha atônito o desenrolar do cerimonial, não sabe
o que fazer; confundido, tenta refazer-se, quando o Hospitaleiro afirma: "O
recém-nascido, morto sem batismo, está para sempre condenado".
Essa sentença parecerá ao Neófito um retorno brusco às crenças
populares cristãs; tenta lembrar-se de que lhe disseram da existência de um
Limbo, onde iriam os recém-nascidos sem batismo. Mas ao final da segunda
volta, o Tesoureiro diz: "O Rei é Deus; nós somos seus escravos".
A que Rei estaria se referindo o Tesoureiro? O Rei dos Judeus, Nosso
Senhor Jesus Cristo? Mas por que está mencionando-se a escravidão?
No meio de terceira volta, retorna o 1ºo Vigilante a sentenciar: "O Papa é
infalível".
Reacende-se na mente do Neófito a discussão da infalibilidade dos
papas, as lutas religiosas, os dogmas e quando tenta colocar em ordem sua
mente confusa, o 2o Vigilante afirma: "Maomé é infalível".
O Orador, ao encerrar a terceira volta, pronuncia com firmeza as
seguintes palavras: "O fogo é Deus. Façamos estátuas de madeira e adoremolas".
Após o término da terceira volta, o Mestre de Cerimônias conduz, o
Neófito até o topo da Coluna da Pé e manda que leia a palavra que nela está
colocada, em voz alta.
Somente então é que o Neófito percebe que as palavras absurdas
ouvidas representam a fé dos homens, as crenças facilmente aceitas, as
doutrinas exóticas facilmente seguidas.
Lida a palavra em voz alta, o Sapientíssimo esclarece ao Neófito sobre a
crença dos homens e concita-o a esperar por uma nova Fé inspiradora.
À primeira viagem foi dado o nome de Fé, porque a Fé se tem prestado
aos maiores absurdos; enquanto existe Fé, há o perigo constante da
superstição; aceitar uma verdade fabricada pelos homens, dourando-a para
que seu aspecto se torne aceitável, é permanecer sem Lei e sem Verdade.
A fé é uma Coluna de Câmara; sua existência não pode ser posta em
dúvida e ela, realmente, alimenta o espírito, porém quando se trata da Fé
raciocinada, iluminada pela razão, fruto da elaboração mental, à luz da
presença do Senhor dos Mundos. A Fé elabora a Esperança.
A segunda viagem: consiste em o Neófito dar uma volta completa dentro
do recinto da Câmara colocando-se frente à Coluna onde está escrita a palavra
Esperança que ele lê, em voz alta.
O homem jamais se sentirá plenamente satisfeito com o que possui e
com o que sabe. O desconhecido é por demais atraente. Quase todos os
grandes feitos heróicos têm as suas raízes na curiosidade; é obedecendo ao
impulso de saber que o homem se torna arrojado. A Esperança sempre
alimentará o Maçom para um novo passo. São 33 as fases ou estágios que o
Maçom procura alcançar.
Passo a passo, sobe degrau por degrau uma Escada cujo topo imagina
alcançar vislumbrando poder, posição hierárquica e sobretudo, conhecimento.
A busca incessante da Verdade é o que alimenta o ideal e só por meio
da Esperança poderá o Neófito sentir o poder da Fé.
Dia mais, dia menos, saberá o que existe no topo do último degrau!
A terceira viagem: é feita sob o signo da Caridade. O Evangelho de
Jesus tem sólido ensinamento na Caridade que é compreendida em seus três
aspectos: a Caridade no conceito de doar; a Caridade com amor e a Caridade
como obediência à Vontade de Deus.
"Mais bem-aventurado é dar que receber", um dos áureos ensinamentos
de Jesus.
A dádiva não abrange somente a riqueza, mas todo o desprendimento.
A dádiva mais preciosa é aquele de quem se dá a si mesmo para uma causa
justa.
A dádiva não é exclusivamente, material ou sentimental; quem se
propõe obedecer à Vontade de Deus, abrindo mão de uma pretensa liberdade
(livre-arbítrio) e sentir o prazer de entrar em Harmonia com o Criador, está em
Caridade permanente.
Conhecer qual seja a Vontade de Deus é conhecer um dos mais
profundos Mistérios espirituais.
A Caridade tem sido interpretada de múltiplos modos e formas. Há o
aspecto religioso que propala do desprendimento de quem oferece preces em
benefício dos mortos. Há quem faz trabalho social, auxiliando quem sofre. Há o
aspecto intelectual que busca desbravar a ignorância, alfabetizando, educando
e instruindo. Enfim, o conceito de Caridade comum e convencional não é o
conceito maçônico de Caridade.
O Cavaleiro Rosa Cruz, quando Neófito, compreenderá durante a
terceira viagem o significado real da expressão Caridade; o Ritual apresenta-se
rico em ensinamentos para uma adequada compreensão do que seja a
Caridade Maçônica.
* * *
A CEIA
A Ceia do Grau 18 é a mesma "Santa Ceia", ou comunhão ou Missa dos
cristãos Constitui uma Cerimônia que, embora evoque a Santa Ceia realizada
por Jesus, foge a qualquer semelhança.
No centro da Câmara é colocada uma mesa coberta com uma toalha
branca, onde estão dispostos pão, vinho e um recipiente contendo brasas.
O pão deverá ser do tamanho comum e proporcional aos Cavaleiros
presentes. Há quem prefira consumir "pãos ázimos" usados pelos judeus nos
seus cerimoniais.
O vinho será tinto, de preferência seco e colocado num único recipiente.
O braseiro, por sua vez, deverá conter brasas suficientes para consumir
as sobras de pão e vinho.
A Cerimônia recorda que esses elementos são sagrados pois
simbolizam a presença física de Jesus.
A Ceia constitui um cerimonial cuja origem é lembrada como sendo a
realizada por Jesus com os seus doze Discípulos, sem contudo pretender ser a
repetição daquele ato.
São recordados, também, os Rosa cruzes, médicos do século XVI.
A Ceia do Grau 18 é realizada com cará ter de obrigação, pelo menos,
uma vez por ano, na quinta-feira santa, denominada de "Endoenças".
A palavra "endoenças" provém do latim, significando "indulgência", pois
nos séculos passados a Igreja distribuía nas quintas-feiras santas indulgências
especiais.
A Ceia do Grau 18, porém, pode ser realizada por ocasião de Iniciação
de novos Cavaleiros, em qualquer época e quantas vezes for necessário.
Recorda, também, os Cavaleiros da Távola Redonda da época
medieval.
A Ceia simboliza a despedida e, face isso, os Cavaleiros "retomam os
seus cajados".
Desse ponto em diante, os trabalhos são "suspensos (e jamais
encerrados) e os Cavaleiros irão percorrer o mundo em busca de
conhecimento e de realização dos seus mistérios (aventuras cavalheirescas).
Na Ceia, os Cavaleiros serão distribuídos ao redor da mesa,
permanecendo de pé a fim de receber o pão e o vinho.
Não se confunda essa "ceia de despedida" com o "banquete" quando
além do pão e vinho, haverá o cordeiro assado, nessa ocasião os Cavaleiros,
sentam e confraternizam, ale-mente, sendo individual o copo de vinho.
Na Ceia de despedida todos bebem de uma só taça.
Jesus, ao distribuir o pão e o vinho, esclareceu que simbolizava o seu
próprio corpo e o seu sangue.
Porém, a Ceia rosacruciana distribui a nutrição que simboliza o sangue e
o corpo de todos os Cavaleiros presentes, para que as forças da Vida sejam
aumentadas; a inteligência seja sã e sincera e que a Verdade seja discernida e
as aspirações esclarecidas ante o Grande Arquiteto do Universo.
O Sapientíssimo "rompe o pão", tira um pedaço e o come em primeiro
lugar; Jesus tinha uma maneira peculiar de "partir" o pão, que não chegou até
nós, mas, quando isso fazia, era logo conhecido, como sucedeu na Ceia de
Emaús, após a sua ressurreição.
Após ingerir o pão, o Sapientíssimo o distribui, passando todo pão ao
Cavaleiro que se encontra à sua direita; esse, por sua vez, come sua porção e
o vai passando, até fechar o círculo.
Somente o Sapientíssimo é quem fala; ao distribuir o pão diz: "Comei,
meus Irmãos e dai de comer a quem tem fome. Amai e frutificai".
Aqui o Sapientíssimo coloca-se na posição de Mestre, ordenando. Ele
não diz: "devemos comer", incluindo-se, mas, apenas dá ordens.
O pão circula, após, silenciosamente, de mão em mão. Deve haver o
cuidado de não sobrar pão; apenas, algumas migalhas para serem queimadas
no braseiro.
Quanto ao vinho, a Cerimônia prossegue de igual forma; em primeiro
lugar o Sapientíssimo bebe na mesma Taça que deve ter o formato maior que
as comuns (o Santo Graal) e a Seguir a passa ao Cavaleiro de direita,
proferindo as seguintes Palavras: "Bebei, meus Irmãos e dai de beber a quem
tem Sede; aprendei e ensinai".
Cada Cavaleiro, ao passar a Taça, como fez com o pão, repete a frase
referida.
Pelas palavras que o Sapientíssimo profere é demonstrado que a
preocupação não é só alimentar o corpo, mas também, os sentimentos.
Ao final, as migalhas que sobrarem do pão e as gotas do vinho são
devolvidas ao Sapientíssimo que as coloca no braseiro. O vinho reacenderá o
fogo transformando-se em "incenso místico".
Esse ato de queima é de suma importância, porque nenhuma parcela do
corpo e do sangue dos Cavaleiros poderá ser perdida ou jogada fora; constitui
elemento sagrado.
Encerrada a Cerimônia, diz o Sapientíssimo: "Consumatum est", ou seja,
"Está consumado", palavras de Jesus proferidas ao expirar na Cruz.
Está findo um final irreversível; assim, encerram-se as Cerimônias da
Ceia da despedida.
Os Cavaleiros retiram-se, ampliando o círculo que haviam formado ao
redor da mesa. Ao atingirem as Colunas, depositam seu óbulo e o Ritual
prossegue na parte do encerramentos declarando ao final o Sapientíssimo que
os trabalhos são suspensos, e diz: "Ide em Paz"!
O significado da despedida, em primeiro lugar, constitui uma ordem de
deixar o Templo e ir embora, percorrendo horizontalmente o Mundo, retornando
a identificarem-se com os profanos, com a maldade, a dor, a miséria, campo
propício para o cumprimento do dever maçônico.
Finalmente, é a Paz que tranqüiliza e conforta. O Mundo de hoje sofre
as tensões nervosas da soma de milhões de seres infelizes ou que se sentem
desprotegidos.
Nada mais precioso, apropriado e justo para o homem profano que
receber a Paz.
Jesus proferiu palavras adequadas para que o povo se sentisse bem:
"Minha Paz vos deixo, minha Paz vos dou".
Ir em Paz significa cumprir a verdadeira missão maçônica.
Paz na consciência, em todo o seu ser, irradiando Luz, bênção para
muitos, conforto e sobretudo, ESPERANÇA!