In recent decades, forests have been at the forefront of debates about the environmental history of European colonialism in the nineteenth and twentieth centuries. From South Asia to sub-Saharan Africa and Australasia, historians have studied the emergence of colonial forestry departments that aimed to survey, manage and exploit forests and their resources. The Portuguese case has been largely absent from recent analyses of colonial forestry and, more generally, the environmental history of empires. However, as this article shows, the Forest Administration of Goa (Administração das Matas de Goa), established in 1851, preceded many of the better-known colonial forestry services, and over the following decades the colonial authorities in this small Portuguese colony on the west coast of India sought to demarcate state forests, separate forests from agricultural fields, and regulate local people’s access to resources. By examining the origins and development of colonial forestry in Portuguese India, this article argues that Goa is a compelling case study for exploring the environmental impact of the Portuguese empire.
Nas últimas décadas, as florestas têm estado na linha da frente dos debates em torno da história ambiental do colonialismo nos séculos XIX e XX. Da Ásia do Sul a África, passando pela Oceânia, a historiografia analisou a criação de departamentos florestais coloniais que visavam o levantamento, a gestão e a exploração das florestas e dos seus recursos. O caso português tem estado largamente ausente destas análises recentes a respeito silvicultura colonial e, de um modo mais geral, da história ambiental dos impérios. No entanto, como este artigo procura mostrar, a Administração das Matas de Goa, criada em 1851, precedeu muitos dos serviços florestais coloniais mais conhecidos e, nas décadas seguintes, as autoridades coloniais desta pequena colónia portuguesa na costa ocidental da Índia procuraram demarcar matas do estado, separar espaços florestais e agrícolas e regular o acesso das populações locais aos recursos silvícolas. Ao examinar as origens e o desenvolvimento da silvicultura colonial na Índia Portuguesa, este artigo argumenta que Goa proporciona um caso de estudo particularmente estimulante para explorar os impactos ambientais do império português.