Esta é, naturalmente, uma faculdade que habita nessa alma, que é inerente. O aspirante a discípulo tem de despertar a si mesmo para a consciência dela por um esforço de vontade feroz, resoluto e indomável. Uso a palavra indomável por uma razão especial. Somente aquele que é indomável, que não pode ser dominado, que sabe que tem de exercer o senhorio sobre os homens, sobre os fatos, sobre todas as coisas exceto sua própria divindade, pode despertar esta faculdade. "Com fé todas as coisas são possíveis." Os céticos riem da fé e se orgulham de sua ausência em suas próprias mentes. A verdade é que a fé é um grande motor, um poder enorme, que de fato pode realizar todas as coisas. Pois é a aliança ou compromisso entre a parte divina do homem e seu eu inferior.
O uso deste motor é absolutamente necessário para obter o conhecimento intuitivo; pois, a menos que um homem acredite que tal conhecimento existe dentro de si mesmo, como pode ele reivindicá-lo e usá-lo?
Sem ele, está mais desamparado que qualquer madeira à deriva ou destroço nas grandes marés do oceano. Estes são lançados de um lado para o outro, de fato; assim também pode um homem ser lançado pelos acasos da fortuna. Mas tais aventuras são puramente externas e de muito pouca importância. Um escravo pode ser arrastado pelas ruas em correntes, e ainda assim reter a alma tranquila de um filósofo, como bem se viu na pessoa de Epicteto. Um homem pode ter todos os prêmios mundanos em sua posse, e parecer senhor absoluto de seu destino pessoal, e ainda assim não conhecer paz, nem certeza, porque é abalado dentro de si mesmo por cada maré de pensamento que toca. E essas marés cambiantes não apenas varrem o homem corporalmente de um lado para o outro como madeira à deriva na água; isso não seria nada. Elas entram pelos portais de sua alma, e lavam sobre essa alma e a tornam cega e vazia e desprovida de toda inteligência permanente, de modo que impressões passageiras a afetam.
A fé é um grande motor, um poder enorme, que de fato pode realizar todas as coisas. Pois é a aliança entre a parte divina do homem e seu eu inferior. Sem ela, ele está mais desamparado que qualquer madeira à deriva nas grandes marés do oceano.
— Luz no Caminho — Mabel Collins