Caos, Theos e Cosmos — A Tríplice Unidade

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May 29, 2026, 4:03:44 PM (9 days ago) May 29
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Caos, Theos e Cosmos — A Tríplice Unidade

Caos-Theos-Cosmo, a tríplice divindade, é tudo em tudo. Portanto, afirma-se que é macho e fêmea, bem e mal, positivo e negativo: toda a série de qualidades contrastadas. Quando latente (no pralaya) ela é imperceptível e se torna a Divindade incognoscível. Ela pode ser conhecida apenas através das suas funções ativas; ou seja, como matéria-Força e Espírito vivo, como as correlações e o resultado, ou a expressão, no plano visível, da UNIDADE última e sempre desconhecida.

Por sua vez, esta tríplice unidade é a produtora dos quatro "Elementos" primários, que são conhecidos, em nossa natureza visível terrestre, como os sete (por enquanto os cinco) Elementos, cada um deles divisível em quarenta e nove (ou sete vezes sete) sub-elementos, dos quais a Química está familiarizada com cerca de setenta. Todos os Elementos Cósmicos, tais como o Fogo, o Ar, a Água, a Terra, participando das qualidades e defeitos dos seus Primários, são na sua natureza Bem e Mal, Força (ou Espírito) e Matéria, etc., etc.: e cada um deles, portanto, é ao mesmo tempo Vida e Morte, Saúde e Doença, Ação e Reação.

Nos Puranas, também, Brahmâ é o Theos que surge do Caos, ou o grande "Profundo", as águas; sobre as quais o Espírito=ESPAÇO, personificado por ayana — o Espírito movendo-se sobre a face do futuro Cosmos ilimitado — está pairando silenciosamente na primeira hora do redespertar. Ele é também Vishnu, que dorme em Ananta-Sacha, a grande Serpente da Eternidade, que a teologia ocidental, ignorando a Cabala, a única porta que abre os segredos da Bíblia, vê como — o Diabo. É o primeiro triângulo ou a tríade Pitagórica, o "Deus com três Aspectos", antes de ser transformado, através da sua perfeita quadratura do Círculo infinito, no "Brahmâ de quatro-faces".

No estado primordial da criação, o universo rudimentar, submerso em água, repousava na essência de Vishnu. Tendo saído deste caos e escuridão, Brahmâ, o arquiteto do mundo, instalado em uma folha de lótus, flutuava sobre as águas, incapaz de discernir qualquer coisa exceto a água e a escuridão. Percebendo esta situação lúgubre, Brahmâ consternado diz a si mesmo: "Quem sou eu? De onde vim?" E ele escuta uma voz: "Dirija suas ideias a Bhagavat". Brahmâ, saindo da sua posição natatória, senta-se sobre o lótus numa atitude de contemplação e reflete sobre o Eterno, que, satisfeito com esta evidência de compaixão, dispersa a escuridão primeva e abre a sua compreensão.

O Zohar ensina que são os elementos primordiais — a trindade do Fogo, Ar e Água — os quatro pontos cardeais e todas as Forças da Natureza que formam coletivamente a VOZ da VONTADE Memrab, ou a "Palavra", o Logos do Absoluto Silencioso TODO. "O ponto indivisível, ilimitado e incognoscível" se espalha sobre o espaço sem fim, e assim forma um véu (o Mulaprakriti de Parabraham) que oculta este ponto Absoluto.

Nas cosmogonias de todas as nações são os "Arquitetos" sintetizados por Demiurgos (na Bíblia, os "Elohim"), que dão forma ao Cosmos a partir do Caos, e que são o coletivo Theos, "macho-fêmea", Espírito e matéria. "Por uma série (yom) de fundações (yesod) os Alhim fizeram com que existissem a Terra e o céu" (Gênese, II, 4). Estes "Movimentadores", os "Corredores", os theoi (de θέειν, "correr"), que fazem o trabalho de formação, são os "Mensageiros" da lei manvantárica. Eles estão sempre e constantemente formando matéria sob o impulso incessante do Elemento ÚNICO (o Incognoscível), representado no mundo dos fenômenos pelo Éter, ou "os deuses imortais que dão nascimento e vida a todos".

Os hindus têm uma série interminável de alegorias para expressar esta ideia. No Caos primordial, antes que ele se transformasse, já desenvolvido, nos Sete Oceanos (Sapta Samudra) — emblemáticos das sete gunas (qualidades condicionadas), compostas das trigunas (Satwa, Rajas e Tamas) — estão latentes tanto Amrita (imortalidade) como Visha (veneno, morte, maldade). Amrita está além de qualquer guna, porque é INCONDICIONADO em si mesmo; no entanto quando cai na criação fenomênica ele fica misturado com o MAL, o Caos, com theos latente em si, e antes que o Cosmos tenha sido exteriorizado. Portanto, vemos Vishnu — aqui representando a Lei Eterna — periodicamente colocando o Cosmos em atividade — batendo o primitivo Oceano (o Caos ilimitado) até que saia dele o Amrita da Eternidade, reservado apenas para os deuses e os devas; e Vishnu tem que empregar na tarefa Nagas e Asuras — demônios no hinduísmo exotérico. Toda a alegoria é altamente filosófica, e a vemos repetida em todos os sistemas filosóficos.

— A Doutrina Secreta Vol. 1 — H.P. Blavatsky

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