DIA INTERNACIONAL DA MULHER

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Gavronski

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Mar 8, 2010, 9:27:48 PM3/8/10
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Não acredito que ninguém mandou nada para o grupo ainda. :P

Bom, para não deixar esse dia passar em branco sem um e-mail/spam clichê...


Sei que muitas se ofendem com o próprio conceito de uma data para comemorar a mulher e a sua história. De fato, não há como cumprimentos e saudações em apenas um dos 365 dias do anos não soarem falsos ou desonestos.

De qualquer forma, espero que tenham boa vontade para enxergar ao menos uma pitada de sinceridade no que segue. 

Talvez o mais apropriado fosse falar de lutas e conquistas, mas torço para que o versos abaixo tratem de algo talvez até mais relevante..

Enfim, parabéns a todas!! :D  



DE COMO FAZER UMA BRUXINHA DE PANO 
(E ALGUNS CONSIDERANDOS) 
Apparício Silva Rillo 

Claro, são necessárias 
- embora não fundamentais - 
as coisas que chamamos materiais: 
- retalhos, sobras de lã, 
paina ou palha picada para encher o corpo, 
um par de agulhas, 
linha branca e preta. 
De três cores, pelo menos, o retrós: 
- para os olhos, as sobrancelhas e a boca. 

Ah, e uma tesoura! 
De preferência uma tesoura antiga 
dessas de uma parda pátina na lâmina. 
Uma tesoura que haja cortado umbigos de criança 
entre outros quefazeres das tesouras antigas. 

Eis aí o necessário, 
o material estritamente necessário 
para fazer-se - como se deve fazer - 
uma bruxinha de pano. 

Lembrem-se 
que eu falei antes no fundamental. 
Sem a ciência, 
sem a riqueza do fundamental 
ninguém faz uma bruxinha de pano que se preze. 

É preciso coração para fazer uma bruxinha de pano. 
É preciso que haja um século de avós, 
é preciso que haja um século de mães, 
é preciso que haja um século 
de velhas empregadas resmungonas, 
é preciso que haja um século 
de sentimentos de maternidade 
para fazer-se, 
como se deve fazer, 
uma bruxinha de pano. 

É preciso mais: 
que haja uma herança intemporal de rugas e trabalhos 
nas mãos que fazem uma bruxinha de pano. 
Que essas mãos venham de outras mãos 
hábeis para fazer o pão, 
mansas para a ternura e para a reza. 

É preciso que frente aos olhos 
de quem faz uma bruxinha de pano 
haja uns óculos de lentes redondas em seus aros de ouro 
por onde se possa ver para dentro 
e não apenas para fora. 

É preciso que o corpo de quem faz uma bruxinha de pano 
resguarde o íntimo calor das reuniões de família 
ao redor da grande mesa de jantar 
- antigamente. 

Claro, 
são necessários 
mas não fundamentais os materiais. 

Ela precisa de alma, a bruxinha, 
e alma é tudo o que há pouco alinhavei. 
Alma é memória, 
uma inscrição na pedra, 
uns olhos grandes, uns bigodes no retrato 
e o tempo nas feridas da moldura. 

Não, não vos arrisqueis a fazer uma bruxinha de pano 
se não tiverdes alma para fazer uma bruxinha de pano. 

Melhor fareis se comprardes uma boneca de material sintético, 
dessas que se fazem aos milhares 
nas fábricas multinacionais de brinquedos de plástico. 
Dessas bonecas que choram, 
que riem, que andam e que falam, 
tão aparentemente iguais a nós, humanos, 
com traços de criança copiados tão perfeitamente 
que nem parecem bonecas. 

Parecem, na verdade, 
o que talvez sejamos um dia em nossos netos: 
- criaturas feitas em série, 
filhas de provetas, programadas 
por um computador que terá outro nome 
que não o nome de Deus. 
Ou quem sabe se até nome de Deus, 
se os homens forem tão loucos em si 
para chegarem tão longe de si, 
tão distante de Deus!
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