A ESCOLA CLÁSSICA - FAYOL

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Apr 1, 2006, 5:17:44 PM4/1/06
to Gestão de Recursos Humanos - FFPG - TURMA 2006
A Escola Clássica - Fayolismo


1. A Obra de Henri Fayol

Henri Fayol (1841 - 1925) nasceu em Constantinopla e faleceu em Paris.
Aos 19 anos formou-se em engenharia de minas indo trabalhar em uma
indústria de mineração de carvão e aço - Compagni Comenantry Four
Chambault et Decazeville - onde desenvolveu toda sua carreira. Começou
como engenheiro e terminou como diretor da mesma empresa (1888 a 1918),
salvando-a de uma situação difícil.

Criou o Centro de Estudos Administrativos, onde se reuniam semanalmente
pessoas interessadas na administração de negócios comerciais,
industriais e governamentais.

Fayol desenvolveu um conjunto de "princípios de administração geral"
que considerava útil para toda situação administrativa em qualquer
tipo de empresa. No prefácio de seu livro afirma que: "A
administração constitui fator de grande importância na direção dos
negócios: de todos os negócios, grandes ou pequenos, industriais,
comerciais, políticos, religiosos ou de qualquer outra índole. "
(Fayol, p.19). Seu livro "Administração Geral e Industrial" (1916)
somente foi publicado quando tinha 70 anos e está dividido em duas
partes: a primeira trata da importância do ensino da administração e
a segunda sobre os princípios e elementos da administração.

A partir da Primeira Guerra Mundial, o Fayolismo adquiriu impulso e
popularidade, tornando-se conhecido como "uma escola de chefes". Os
outros trabalhos do autor são pouco conhecidos e seus maiores
divulgadores são Lyndall Urwick e Luther Gulick.

2. A Administração como Ciência

Assim com Taylor, Fayol dedicou sua vida à introdução do método
científico na administração das empresas. Entretanto, enquanto
Taylor realizou seus estudos partindo das funções do operário
chegando às atribuições da gerência, Fayol realizou suas pesquisas
no sentido inverso, seguindo uma hierarquia do topo para a base da
pirâmide. Outra diferença entre os dois autores, diz respeito a
supervisão. Taylor defendia o controle de um operário por diversos
supervisores, cada um especializado em um aspecto da tarefa do
operário. Já Fayol defendia a conceito de unidade de comando, onde um
operário deve ter apenas um chefe.
3. As Seis Funções Básicas da Empresa


Fayol distinguiu 6 funções empresariais como o conjunto de
operações que toda a empresa possui.
3.1. Função Técnica - é a função relacionada com a produção de
bens ou serviços da empresa (atividade fim). Fayol, não considerava a
capacidade técnica como a função primordial de uma empresa.

3.2. Função Comercial - é relacionada com a compra, venda e permuta
de matéria-prima e produtos. "A habilidade comercial, unida à
sagacidade e à decisão, implica profundo conhecimento do mercado e da
força dos concorrentes, grande previsão e, nas empresas importantes,
aplicação cada vez mais freqüente de combinações." ( Fayol p.24)

3.3. Função Financeira - é a função que trata da procura e
gerência de capitais. Para Fayol o capital é necessário para toda e
qualquer atividade da empresa, pois sem capital não é possível pagar
os funcionários, adquirir matéria-prima, etc., sendo condição
essencial de êxito acompanhar constantemente a situação financeira
da empresa. "Nenhuma reforma, nenhuma melhoria é possível sem
disponibilidade ou sem crédito" ( Fayol p.24)

3.4. Função de Segurança - visa proteger os bens e as pessoas de
problemas como roubo, inundações e obstáculos de ordem social como
greves e atentados. "É o olho do patrão o cão de guarda, numa
empresa rudimentar; é a polícia e o exército, num Estado." ( Fayol
p.25)

3.5. Função de Contabilidade - é relacionada com os registros
contábeis.

Revela a situação econômica da empresa sendo um poderoso instrumento
de direção.

3.6. Função Administrativa - coordena e sincroniza as demais
funções. É distribuída dentro dos níveis hierárquicos. O ritmo da
administração é assegurado pela direção, com o fim de conduzir a
empresa. Desta forma, Fayol definiu as Funções da Administração.

* Prever: desenhar um programa de ação. O programa deve ter
unidade, continuidade, flexibilidade e precisão.
* Organizar: construir a estrutura, material e social, da empresa.
* Comandar: dirigir o pessoal. Cada um dos diversos chefes tem os
encargos e a responsabilidade de sua unidade.
* Coordenar: unir e harmonizar as atividades e esforços.
* Controlar: assegurar que tudo está em conformidade com o
programa adotado, as ordens dadas e os princípios admitidos.

Para o desenvolvimento de cada função, Fayol considera necessário um
conjunto de qualidades pessoais. Estas qualidades são: ( Fayol p. 27)
1. físicas: saúde, destreza, vigor.

2. intelectuais: aptidão para compreender e aprender, discernimento,
força e agilidade intelectual.

3. morais: energia, firmeza, coragem de aceitar responsabilidades,
iniciativa decisão, tato e dignidade.

4. cultura geral: conhecimentos variados.

5. conhecimentos especiais: relativos à função.

6. experiência: conhecimento prático.


A importância dos elementos constitutivos da capacidade dependem da
natureza e a importância da função, bem como, do tamanho da empresa.
Se nas empresas rudimentares são reduzidas à extensão das
capacidades, nas grandes empresas são exigidas inúmeras capacidades,
mas como existe a divisão de funções, cada agente desempenha parte
delas. Fayol procurou medir a importância relativa de cada função em
cada nível da empresa (nível hierárquico). Mostrou que a capacidade
técnica é a principal capacidade dos chefes inferiores de uma grande
empresa e dos chefes das pequenas empresas; e que a capacidade
administrativa é a principal capacidade dos grandes chefes.

Em resumo, a capacidade técnica domina a base da escala hierárquica
enquanto, a capacidade administrativa domina o topo e, à medida que
alguém se eleva na escala hierárquica, a importância relativa da
capacidade administrativa aumenta enquanto a da capacidade técnica
diminui.
"Em todas as classes de empresas, a capacidade essencial dos agentes
inferiores é a capacidade profissional característica da empresa, e a
capacidade essencial dos grandes chefes é a capacidade
administrativa." (Fayol, p.28)
4. Os Princípios Gerais de Administração

Com o objetivo de delinear a capacidade administrativa, Fayol
desenvolveu 14 princípios de administração, afirmando que eles não
significavam uma rigidez sendo ..."pois, maleáveis e suscetíveis de
adaptar-se a todas as necessidades." (Fayol, p. 43) Os chamados
"princípios" de Fayol, devem ser considerados como critérios ou
prescrições genéricas. São eles:

* Divisão do Trabalho - especialização dos trabalhadores e
gerentes para aumentar a eficiência; implica na separação dos
poderes.
* Autoridade e Responsabilidade - a autoridade pode ser
estatutária, inerente à função, e/ou pessoal, derivada da
inteligência, do saber e da experiência do chefe. A autoridade
implica em responsabilidade, devendo haver sanção - recompensa ou
penalidade - no exercício do poder.
* Disciplina - respeito as convenções estabelecidos entre a
organização e seus empregados. Implica em obediência, assiduidade e
no respeito, entre outros. É pois indispensável que haja bons chefes
em todos os graus hierárquicos, que as convenções sejam tão claras
e eqüitativas quanto possível e que as sanções sejam aplicadas.
(Fayol, p.47).
* Unidade de Comando - o empregado deve receber ordens de apenas um
superior. Há o princípio da autoridade única, pois considera que a
dualidade de comando é fonte de conflito.
* Unidade de Direção - deve haver um só chefe e um só plano
para um grupo de atividades que tenha o mesmo objetivo.
* Subordinação dos Interesses Individuais aos Interesses Gerais
* Remuneração do Pessoal - a remuneração deve ser justa e
garantir a satisfação para os empregados e para a empresa.
* Centralização - concentração da autoridade. Nos pequenos
negócios, em que as ordens do chefe vão diretamente aos agentes
inferiores, a centralização é absoluta; nas grandes empresas o chefe
está separado dos empregados subalternos por longa hierarquia havendo
intermediários obrigatórios.
* Hierarquia ou cadeia escalar - linha de autoridade do escalão
superior ao inferior. As comunicações se dão através de uma via
hierárquica.
* Ordem - material: há um lugar para cada coisa e cada coisa
deve estar em seu lugar. E ordem social: há um lugar para cada pessoa
e cada pessoa deve estar em seu lugar.
* Equidade - justiça.
* Estabilidade e Duração do Pessoal - a rotatividade tem um
impacto negativo sobre a eficiência da organização (empresa).
* Iniciativa - capacidade de montar um plano e assegurar seu
sucesso.

..."manter a iniciativa de todos, dentro dos limites impostos pelo
respeito da autoridade e da disciplina" (Fayol, p.62).

* União do Pessoal ou Espírito de Equipe - o bom relacionamento
entre as pessoas fortalece a organização. Entretanto, é
indispensável observar a unidade de comando.


5. Críticas à Obra de Fayol

As críticas feitas a Fayol dizem respeito a sua pouca originalidade na
definição dos princípios gerais da administração; concepção da
organização com ênfase exagerada na estrutura; insistência pela
utilização da unidade de comando e centralização da autoridade
denotando a influência das antigas concepções militares e
eclesiásticas. Ainda com relação a sua obra, pode-se ressaltar a
importância que o autor dá para a hierarquização, permitindo a
iniciativa por parte do funcionário somente dentro da faixa da
pirâmide onde ele se insere.

Conforme Chiavenato (p.161-168) deve-se ainda considerar:

o Abordagem simplificada da organização formal: com
princípios contraditórios e normativos (como deve ser).
o Ausência de trabalhos experimentais: "... Fayol fundamenta
seus conceitos na observação e no senso comum. Seu método é
empírico e concreto, baseado na experiência direta e no pragmatismo."
(Chiavenato p.164)
o Extremo racionalismo na concepção da administração:
como um conjunto de princípios universalmente aceitos, visando a
eficiência máxima da organização.
o Abordagem incompleta da organização: pois não foram
consideradas as organizações informais.
o Abordagem típica da teoria da máquina: a organização
era considerada sobre o prisma do comportamento mecânico de uma
máquina; o modelo administrativo corresponde a divisão mecânica do
trabalho (parcelamento de tarefas)
o Abordagem da organização como um sistema fechado.

6. Bibliografia:

LODI, Jõao Bosco. História da administração. 9ª edição, São
Paulo, Pioneira, 1987

CHIAVENATO, Idalberto. Introdução à teoria geral da administração.
3ª edição, São Paulo, McGraw-Hill do Brasil, 1983

CHIAVENATO, Idalberto. Teoria Geral da Administração: abordagens
prescritivas e normativas da administração. vol.1, 5ª edição, São
Paulo, Macron Books, 1997

FAYOL, Henri- Administração Industrial e Geral: previsão,
organização, comando, coordenação e controle. 10ª edição, São
Paulo, Atlas ,1989

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