Em 24 de abril de 2011 17:27, Jadsely Clementino
<jad.am...@gmail.com> escreveu:
O mercúrio está presente em diversas formas (Hg metálico, orgânico, inorgânico) e pode encontrar-se em três estados de oxidação (0, +1, +2), em geral facilmente interconvertíveis na natureza. Tanto os humanos, como os animais estão expostos a todas as formas através do ambiente.
Quando se combina com elementos como o cloro, enxofre ou oxigênio, obtêm-se os compostos de mercúrio inorgânico, também designados como sais de mercúrio (sais mercurosos e mercúricos). Por outro lado, se um átomo de mercúrio se liga covalentemente, a pelo menos um átomo de carbono, dá origem a compostos de mercúrio orgânico (metilmercúrio, etilmercúrio, fenilmercúrio).
A produção mundial de mercúrio é estimada em 10.000 toneladas por ano para uso nas mais diversas áreas, como indústrias, mineração e odontologia, sendo os principais produtores o Canadá, a Rússia e a Espanha. A emissão natural de mercúrio é devida à gaseificação da crosta terrestre, emissões vulcânicas e à evaporação natural de corpos d'água. A mineração de ouro e prata, a extração de mercúrio, a queima de combustíveis fósseis e a fabricação de cimento são exemplos de fontes antropogênicas de mercúrio.
Na América do Sul, o processo de extração de ouro utilizando o mercúrio é usado em países como Venezuela, Colômbia, Bolívia, Guiana Francesa, Guiana, Equador e Peru desde os anos 80. No Brasil, desde o tempo dos bandeirantes.
O mercúrio (Hg) chega até o homem por duas maneiras: ocupacional e ambiental. A primeira é mais conhecida e está ligada ao ambiente de trabalho, tal como mineração e indústrias; geralmente está associada aos garimpos de ouro, às fábricas de cloro-soda e de lâmpadas fluorescentes. A contaminação ambiental, por sua vez, é provocada pela dieta alimentar, comumente pela ingestão de peixes.
Os problemas associados à contaminação por metais pesados têm recebido um destaque especial em vários países, independente do seu grau de desenvolvimento. O controle do mercúrio ressurge como uma preocupação atual devido à sua alta toxicidade e persistência na atmosfera, estando incluído no rol das Substâncias Tóxicas Persistentes (STP), sob monitoramento pelo Global Environmental Facility – GEF.
Tendo em vista a alta mobilidade deste metal nos reservatórios do nosso planeta, com um tempo de residência que pode chegar até dois anos na atmosfera, vários países já implementaram programas para o seu monitoramento.
A Agência de Proteção Ambiental dos EUA (USEPA), enfatizou a necessidade de se regular emissões de mercúrio frente aos riscos que o mesmo apresenta. O programa similar canadense avalia o transporte de mercúrio à longa distância e suas possíveis implicações na qualidade de vida.
A comunidade científica internacional reconheceu o metilmercúrio na cadeia alimentar aquática como risco em potencial para o meio ambiente e à saúde humana, e como conseqüência, os países que compõem o NAFTA - Estados Unidos, Canadá e México - criaram um programa de controle do mercúrio.
No Brasil, o controle ambiental ficou sob responsabilidade dos órgãos ambientais dos governos estaduais. No entanto, falta uniformidade de objetivos, ações, e articulação com as instituições da esfera federal. Como conseqüência, o país não dispunha até então de nenhum programa nacional de monitoramento de poluentes.
Visando preencher esta lacuna a Diretoria de Licenciamento e Qualidade Ambiental do IBAMA, com apoio do CNPq, criou o PROGRAMA MERCÚRIO - PROMER, Programa Nacional de Controle e Monitoramento de Mercúrio na Amazônia e no Pantanal, com a assessoria de 90% dos especialistas brasileiros em mercúrio. O PROMER foi lançado oficialmente, pelo IBAMA, no dia 31 de agosto de 2001. A coordenação técnica do Programa ficou com a UNICAMP e a UFRJ, sob a coordenação institucional e administrativa do IBAMA.
O mercúrio é, sem dúvida, um dos mais tóxicos dentre os metais e encontra-se disseminado em rios e solos da Amazônia, em grande parte devido à sua utilização na recuperação do ouro em garimpos, de forma indiscriminada e sem qualquer controle. Publicações recentes, no entanto, comprovam também a presença natural do mercúrio em algumas regiões, sem histórico de atividade garimpeira, como é o caso do Rio Negro.
Estima-se em 100 a 130 t/ano o montante de Hg (mercúrio) introduzido na Amazônia nos últimos anos pela atividade garimpeira, sendo 40% lançado diretamente nos rios e 60% disperso na atmosfera e transportado a longas distâncias.
Além do garimpo, atualmente são apontadas outras duas fontes de contaminação por mercúrio na Amazônia, a queima da biomassa florestal e degradação dos solos lateríticos; nestes dois casos, a acumulação do mercúrio seria devida a processos naturais de concentração desse elemento. As condições dos rios da Amazônia (baixo pH da água, alta concentração de matéria orgânica dissolvida e baixo teor de material particulado) favorecendo a metilação do mercúrio, sugerem um cenário de contaminação contínua e crescente.
Os resultados de pesquisas na Amazônia apontam para níveis preocupantes de mercúrio nos peixes piscívoros, superando em média os limites máximos permitidos para consumo humano estabelecidos pela OMS. Como conseqüência deste resultado é também elevada a concentração de Hg em amostras de cabelo da população ribeirinha da Amazônia em cuja dieta o consumo do peixe é predominante.
O PROMER pretende montar uma Rede Nacional e Permanente de Monitoramento dos níveis do mercúrio na Amazônia Legal e no Pantanal, em várias matrizes, que permita elucidar o ciclo biogeoquímico do mercúrio nestes biomas, identificando fontes de emissão regional e global, transporte, ciclagem e acúmulo na cadeia trófica, de tal modo que se tenha um diagnóstico preciso sobre o ciclo e, por conseguinte, a ecotoxicologia do mercúrio.
A principal componente e a célula unitária deste programa são as Unidades Geradoras de Dados de Monitoramento ou simplesmente os Laboratórios Locais (LL), que compõem a Rede de Monitoramento, localizados na Amazônia e no Pantanal que já dispõem de um histórico de atuação na determinação de mercúrio.
Foram identificados e visitados 7 LL a fim de verificar in loco quanto a disponibilidade e adequação dos equipamentos, a existência de um técnico exclusivo, as metodologias analíticas disponíveis para as diversas matrizes a serem monitoradas.
A próxima etapa é estabelecer o protocolo de amostragem, de análise e interpretação dos resultados e promover a capacitação dos técnicos no Controle de Qualidade Analítica, coordenando exercícios de intercalibração, de forma que todos os laboratórios da rede estejam aptos a iniciar os trabalhos de monitoramento.
A avaliação consolidada das concentrações nas diferentes matrizes das principais bacias da Amazônia e do Pantanal; a elaboração de um banco de dados disponível para a população, pesquisadores e governo; e subsídios para ações de gestão governamental são os resultados esperados do PROMER. Além de permitir a capacitação e a consolidação da qualidade analítica dos laboratórios da região e de beneficiar as populações ribeirinhas, que terão o apoio de especialistas da saúde e do meio ambiente na busca de soluções aos seus problemas de saúde causados pela contaminação de sua principal fonte de alimento: os peixes.
Esses dados me chocaram e me fizeram ver a importância de estudos de impactos do uso do Mercúrio.
Pessoal, vale a pena conferir os principais estudos de impactos do mercúrio no Brasil, é um resiltado alarmante, e quando chega a decorrer pelo mundo sobre este assunto, as coisas ficam bem piores.
Deus me livre! Ainda bem que sou ambientalista de causa e de coração.
Por hoje é só, amanhã tento mandar o resto das minhas pesquisas e em sala de aula comentaremos o que falta.
Agradeço a todos e boa semana.
Com o coração triste e a emoção aflorando,
Clayton Christian.
Há décadas, o mercúrio (Hg) é usado para a purificação do ouro (Au). Além de ser o único metal líquido na temperatura ambiente o mercúrio consegue se unir facilmente com o metal precioso. Os garimpeiros jogam o mercúrio junto do aurífero originando a formação do amálgama (Combinação de mercúrio com metais). Depois esse amálgama é aquecido em altas temperaturas; o mercúrio que tem ponto de ebulição mais baixo se volatiliza (vaporiza); concomitantemente, ocorre a fusão entre as partículas do ouro, no fundo do recipiente. O excesso de mercúrio usado no processo de amalgamação é lançado diretamente no rio. Essa técnica vem, ao longo dos anos, causando danos ao meio ambiente e às populações que vivem nas regiões de garimpos que a praticam. Isso acontece porque o mercúrio utilizado na amalgamação do ouro é transferido para atmosfera na forma de vapor e para as águas dos rios, na forma de mercúrio metálico (Hg0), dimetilmercúrio (CH3) 2Hg ou de metilmercúrio (CH3Hg+), que é a forma mais tóxica. O mercúrio metálico e o dimetilmercúrio também podem ser transformados em metilmercúrio pela ação das bactérias que vivem nos sedimentos dos rios. Essas substâncias entram na cadeia alimentar da população da região através da ingestão do mercúrio pelos peixes e posteriormente da ingestão dos peixes pela população, além da utilização da água do rio para uso doméstico.
A água também é utilizada na agricultura local, expondo o solo e conseqüentemente os alimentos agrícolas à contaminação pelo mercúrio. Alguns insetos metabolizam o mercúrio metálico em dimetilmercúrio que é altamente tóxico para os seres vivos. Como esses insetos fazem parte da cadeia alimentar, o mercúrio orgânico acaba por ser ingerido pelo ser humano. O mercúrio vaporizado, ao ser inalado também é altamente tóxico.
Sendo assim, tanto o mercúrio metálico perdido durante o
processo de amalgamação, como o mercúrio vaporizado durante a queima da
amálgama para a separação do ouro, são altamente prejudiciais à vida. As
maiores sequelas pela intoxicação por mercúrio se dão no sistema nervoso,
podendo levar à perda da coordenação motora; se ingerido ou inalado por
grávidas, haverá a possibilidade de geração de fetos deformados, sem cérebros,
por exemplo.
Att:Allysson Kleber \o/
O mercúrio,
apesar de ser um elemento natural que se encontra na natureza, pode ser
encontrado em baixas concentrações no ar, na água e no solo.
Consequentemente o mercúrio pode estar presente,
em algum grau, nas plantas, animais e tecidos humanos. Quando as concentrações
do mercúrio excedem os valores normalmente presentes na natureza, entretanto,
surge o risco de contaminação do meio ambiente e dos seres vivos, inclusive o
homem.
O mercúrio é o único metal líquido à temperatura
ambiente. Seu ponto de fusão é -40°C e o de ebulição 357°C. É muito denso (13,5
g/cm3), e possui alta tensão superficial. Combina-se com outros elementos como
o cloro, o enxofre e o oxigênio, formando compostos inorgânicos de mercúrio, na
forma de pó ou de cristais brancos. Um desses compostos é o cloreto de
mercúrio, que aparece nas pilhas secas e será abordado no presente trabalho.
Esse composto prejudica todo o processo de reciclagem se não for retirado nas
primeiras etapas de tratamento.
O mais importante de todos os usos modernos para o mercúrio está na fabricação de instrumentos para laboratórios. Estes instrumentos fazem uso das suas mais diversas propriedades físicas, tais como peso específico, fluidez, condutividade elétrica, grande coeficiente de dilatação além da sua facilidade de purificação. Entre os intrumentos, destaca-se na fabricação de termômetros, eletrodos, barômetros, instrumentos para medir pressão do sangue e como catalisador (células de mercúrio para solda eletrolítica; em energia atômica).