Geração Y, GP e Psicologia

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Elis Novaes

unread,
Sep 18, 2010, 6:31:02 PM9/18/10
to Geração Y na Gestão de Projetos, mba.in...@doctum.edu.br
Interessante a preocupação do grupo em discutir os aspectos
comportamentais de pessoas consideradas como pertencentes a Geração Y,
especificamente no Gerenciamento de Projetos.

Para começar esta discussão deixarei aqui uma provocação sobre
os riscos de rotulações generalizadas de uma geração. Se por um lado é
perceptível em grande parte dos jovens certas características
comportamentais que permitem caracteríza-los como uma determinada
geração: Y, "x ou z", por outro lado, nem todos nascidos em uma
determinada época serão portadores de comportamentos próprios desta
dita geração. As rotulações acabam reforçando os comportamentos
sociais e estes por sua vez reforçam ainda mais o que se pensam sobre
as pessoas pertencentes ao grupo. Num círculo vicioso a geração
desenvolve envolta em rótulos psicologizados e altamente reforçadores:
jovens da Geração Y são menos resilientes, são impulsivos, são
inovadores, são mais propensos ao voluntariado, não se preocupam com
carreiras profissionais, são ambiciosos, são ensimesmados e egoístas e
por aí vai... A partir destes conceitos cria-se uma série de aparatos
e dispositivos corporativos para atrair, reter e fidelizar estes
jovens "estranhos*" ( * aqui me refiro a hibridez que mescla ao tipo
ideal de profissional com características positivas somadas a
características altamente negativas) . Estes, por seu turno, a partir
da permissividade assegurada pelos comportamentos prescritos para a
sua geração, aproveitam ou sofrem com as oportunidades e os
cerceamentos determinados para aqueles que se encontram inseridos
nesta faixa-etária, e isto é generalizado determinando respostas
indiscriminadas a todos os jovens nascidos nesta mesma época, mesmos
aqueles que não possuem, a princípio, tais comportamentos.

Em um artigo de M. Tereza Maldonado ela faz a seguinte consideração:
"Ao traçar o perfil das diferentes gerações, corre-se o risco de fazer
generalizações indevidas, uma vez que nem todos se encaixam nos
esquemas propostos". Esta é a minha preocupação com o que tenho lido
rotineiramente. Vários blogs, sites distintos, artigos e livros
fornecem instruções em como tratar uma geração nascida em uma
determinada época como portadora incondicional de um tipo de
personalidade e comportamento.

Não estou negando aqui a existência de comportamentos comuns a uma
determinada geração, apenas chamo a atenção para que reflitamos sobre
os riscos de generalizações nas condutas corporativas e sociais. Temos
que ressaltar que a construção histórica de uma geração impacta
positivamente ou negativamente a subsequente em todos os sentidos, mas
preocupo-me com o risco da leviandade com que se tem tratado este
tema. Principalmente não devemos nos esquecer que a construção
histórica não tem a linearidade apenas temporal como se tem propagado:
geração Y - jovens nascidos a partir da década de 70 para alguns
autores, para outros a partir da década de 80. Arrisco-me a dizer que
tenho quase certeza que meu avô na década de 60 foi um verdadeiro
jovem da Geração Y.

Desculpe-me se delonguei neste post, vou me policiar para ser mais
breve e menos cansativa nos próximos.

Grande abraço

Alonso Soler

unread,
Sep 20, 2010, 10:24:05 AM9/20/10
to geracaoynages...@googlegroups.com, mba.in...@doctum.edu.br
Oi Elis, concordo totalmente contigo sobre a preocupação de rotular uma
geração. Tenho me posicionado cauteloso quanto a isso aqui neste fórum,
ainda que eu tenha a propensão de dar o braço a torcer em relação a
características gerais de jovens com quem tenho me envolvido nos projetos
das empresas.

A amostra de profissionais com que tenho tido contato representam um cluster
muito específico dentro de toda uma geração. Estou falando de jovens
formados em boas universidades, que foram durante toda a vida 'proteinados'
por condições relativamente favoráveis e que hoje se vêem às voltas com o
ingresso num dos maravilhosos programas de trainees oferecido por grandes
empresas. Esses meninos e meninas são sim, bastante 'espertos' no que diz
respeito ao tratamento da informação e à navegação no mundo digital. É sobre
esse agrupamento de jovens que me refiro em meus posts e que sinto estarem
bastante aderentes ao que se apregoa nas generalizações sobre a GY.

A preocupação do que fazer com esses jovens dentro das equipes de projetos é
grande por dois motivos: Em primeiro lugar, as empresas estão cada vez mais
se 'projetizando', a administração da operação das empresas está se
delimitando á gestão de um portfolio de projetos. A rotina está acabando e
cedendo espaço aos projetos. Isso faz com que os profissionais de hoje sejam
obrigados a entender e a trabalhar com projetos. Se assim o é, em segundo
lugar, a gestão dos projetos hoje, explicita de um certo viés de
normatização, padronização na forma da condução dos projetos, o que vem de
encontro às características divulgadas dos profissionais da GY. Portanto, se
os jovens terão que trabalhar com projetos e a forma usual atual de se gerir
projetos está inadequada ao seu perfil, o que fazer? O que vai mudar, as
características do jovem Y ou a forma de se gerir projetos? Ou existe um
meio termo adequado que ajuste a gestão dos projetos a esse profissional
especial?

Um abraço,

Alonso


-----Mensagem original-----
De: geracaoynages...@googlegroups.com
[mailto:geracaoynages...@googlegroups.com] Em nome de Elis Novaes
Enviada em: sábado, 18 de setembro de 2010 19:31
Para: Geração Y na Gestão de Projetos
Cc: mba.in...@doctum.edu.br
Assunto: Geração Y, GP e Psicologia

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