A revista Temporis (ação) convida pesquisadores e pesquisadoras a participarem do dossiê Estética de resistência no pós-1964 cuja coordenação editorial será realizada por Daniel Valentini, doutorando em História (PUC-SP).
O dossiê pretende reunir trabalhos que abordem questões relativas à artistas isolados ou grupos de artistas que orientaram suas práticas pelo engajamento social e político, influenciados sobretudo por Sartre.
Tais artistas, ao colocar a realidade nacional no centro do debate estético, constituiram-se num dos mais importantes focos de oposição após a consolidação da autocracia burguesa bonapartista, quando a hegemonia de esquerda no campo cultural ainda se fazia valer por meio de uma "estética de resistência". Em seu limite, estes dissidentes burgueses contestaram as relações de produção e por vezes seguiram o caminho defendido por Walter Benjamin, para qual o autor deveria obrigatoriamente ser seu próprio produtor.
A arte engajada e militante dá continuidade aos intentos criativos que se esboçavam no período democrático. Com a edição do Ato Institucional nº 5, de 13 de dezembro de 1968, ocorre o recrudescimento do terrorismo de Estado, por meio da perseguição, repressão, tortura, extermínio e o cerceamento, em todos os níveis, da vida social e dos direitos individuais. Todavia, a arte se mantém insurgente, resistente e provocando transformações moleculares em todas as dimensões artísticas.
Tais transformações podem ser observadas nas realizações do teatro, do CPC ao Opinião, do Teatro de Arena ao Oficina. Na esfera poética, examina as composições de artistas que vão desde a MPB ao Punk dos anos 1980. No cinema, filmes e documentários de diretores como Cacá Diegues e Glauber Rocha testemunharam a modernização conservadora, a opressão e a angústia de uma vida mutilada pela repressão. No interior deste processo, houve a migração da arte popular para as novelas nacionais, sob hegemonia da Rede Globo. O cinema nacional e os documentários ganham a cena, retratando os aspectos sombrios e tenebrosos dos empreiteiros da tortura.
Em dias de Comissões da verdade, investiguemos as verdades da arte brasileira que decidiu rebelar-se contra a repressão de estado.
Submissão de textos no dossiê, até 20/11. Nas demais seções, a submissão é em fluxo contínuo.