Fwd: REESTRUTURAÇÃO CURRICULAR

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Euzebio Fernandes de Carvalho

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Oct 29, 2014, 2:42:53 PM10/29/14
to Lista GEPE UEG
Boa tarde,

sobre as decisões de Formosa, nós colegas das áreas do ensino/aprendizagem de história temos a considerar que é preciso começar a pensar a formação dos professores em História de forma epistemológica (e não pedagógica). Isto implica que a formação do professor e as preocupações com a aprendizagem e o ensino de história devem nascer da própria História, do conjunto de conhecimentos que foram produzidos e acumulados; que constituem a Cultura Histórica, a Historiografia, a Teoria e a Metodologia da História. Para isso, consideramos:

1) para se cumprir as normas federais que regem os cursos de licenciaturas, o núcleo de modalidade 'licenciatura' deveria ter/contemplar todas as disciplinas "pedagógicas"; Todas as disciplinas pedagógicas deveriam se concentrar aí. Isto evitaria que tenhamos que, dentro da carga horária das disciplinas específicas, tenhamos que 'abrir mão' para completar a carga horária mínima de disciplinas das licenciaturas;

2) As disciplinas que pensam o ensino/aprendizagem de história não são 'pedagógicas'. Não somente. Esse tratamento/entendimento muda a natureza do que estamos tratando. Não é só a pedagogia que pensa/forma professores. Todas as disciplinas que dialogam com a Educação Básica o fazem, cada uma a partir dos conhecimentos acumulados dentro do seu campo. É a partir desses conhecimentos que devemos então, formar os profissionais/professores em/de história;

3) O que foi considerado para a licenciatura em história possa cumprir as 300h de "Prática como Componente Curricular" (PCC), regulamentadas em âmbito federal (Resolução CNE/CP 01/2002; Resolução CNE/CP 02/2004)? Entendo PCC como "prática que produz algo no campo do ensino [...] a ser realizada desde o início do curso".

4) Considerar as disciplinas 1) "fundamentos da educação" e 2) "história da educação brasileira" como disciplinas do núcleo específico é um retrocesso (aí sim, está se pensando a formação do professor de história de forma pedagógica). Se concordarmos com isso, estamos abrindo mão de carga horária nas quais poderíamos pensar o lugar específico da formação em história. Ressalto que pra cumprir as Diretrizes Para Formação de Professores da Educação Básica, é central que os srs. olhem com atenção as disciplinas cuja especificidade seja a aprendizagem e o ensino de história
Em lugar dessa duas disciplinas sugerimos:
1) "História do Ensino de História e sua Historicidade" (há um conjunto de material já produzido sobre isso que dá base para uma disciplina específica);
2) "Ensino de História 2: Educação Histórica" (idem. Mais à frente faço uma discussão sobre essa disciplina. lá, inclusive, vcs entenderão porque ela tem o número '2')
 
5) Deixar apenas uma disciplina de América (ou nenhuma) até porque o "mundo Atlântico" para o qual já existe uma disciplina, engloba as Américas. (sugiro até que ela se intitule "Tópicos em História das Américas").

6) Para que a disciplina de "História e Cultura Afro-Brasileira" garanta a dimensão "pedagógica" é preciso que lhe acrescentemos um pré-título:
3) "Educação das Relações Étnico-Raciais I: História e Cultura afro-Brasileira" e
4) "Educação das Relações Étnico-Raciais II: povos indígenas" (para cumprirmos a lei 11.645/2008)

7) Sugiro que a disciplina de "Didática e Metodologia do Ensino de História I e II" seja desmembrada em:
5) "Ensino de História 1: Didática da História" (para a qual envio a ementa aqui anexada) e
6) "Ensino de História 2: Educação Histórica" (já citada anteriormente). Aqui tenha a pontuar que pensar "metodologia de ensino de história" como técnicas a serem aplicadas é mto restrito. Metodologia de ensino de história é além de pensar "como usar" cinema, música, quadrinhos, TV... Nesse sentido, a disciplina de Educação Histórica contemplaria o conjunto de operações metodológicas necessário ao planejamento de uma "aula" ('conceitos substantivos' e 'conceitos de segunda ordem', como por exemplo: instrumental para investigar o pensamento histórico prévio dos alunos, o uso de documentos históricos em sala de aula e a aula oficina

8) Além disso tudo, nós professores e orientadores de Estágio solicitamos as disciplinas:
Estágio I
Estágio II
Estágio III
Estágio IV (respectivamente no 5º, 6º, 7º e 8º período)

Mesmo que as considerações aqui apresentadas sejam utópicas, elas não poderiam ficar na dimensão do silêncio.

É preciso pensar num curso de licenciatura em história com mais de quatro anos. Isso não é atrativo pro mercado, poderiam dizer alguns... Mas, pergunto-lhes: na atualidade, quem escolhe as licenciaturas estão realmente preocupados com "atrativo do mercado"? O público jovem que escolhe a licenciatura tem um perfil mto diferente daquele que escolhe engenharia, medicina e direito... Baseado em que estudo se afirma que licenciaturas com mais de quatro ano não são atrativas?

Outra coisa, cada curso de história da UEG tem uma história, tem um processo de reconhecimento diferente do outro, possui um número diferente que lhe identifica no MEC, no INEP etc. Digo isso pra relembrar que CADA COLEGIADO tem autonomia para fazer a reestruturação que lhe caiba, a partir da formação específica de seus professores. Vejam no caso de Goiás: temos uma doutora em "Arqueologia Histórica". Que princípio pautado pela qualidade justificaria 4 disciplinas de América (área que não temos nenhuma especialista, mestre tampouco doutor) em vez de uma disciplina de Arqueologia Histórica? Penso que a construção da nossa Matriz Disciplinar tenha que passar por aí.

Não temos um único curso de história na UEG. Temos 12. Se fosse apenas um único curso, nós professores teríamos um único coordenador de curso, um único departamento e poderíamos transitar entre eles com o fim de completar nossa carga horária. Não é isso que acontece...

Outra coisa, não podemos pensar a Matriz Curricular do Curso de História tendo por horizonte "esgotar os conteúdos". Se assim fosse, nem um curso específico de História Medieval, em quatro anos, conseguiria discutir todo o conhecimento históricos produzido e acumulado ao longo dos anos nessa área.

Para os preconceituosos de plantão, NÓS DO ENSINO DE HISTÓRIA não mais planejamos (ou pelo menos 'deveríamos planejar') nossas aulas a partir do conteúdo, mas do uso e da função social/individual desse conteúdo. Importa mais as competências para 'usar/criticar/propor' os conteúdos do que ouvi-los, lê-los, memorizá-los, reproduzi-los...

Queria retornar a questão da Matriz Unificada... um argumento que mto ouço é sobre a tal "transferência" dos alunos. Onde estão os dados que justificam esse argumento? Arisco dizer que a PrG não tenha os números de transferência de alunos entre as unidades/câmpus. Talvez os tenha entre UEG e outras instituições... Desde 2010, estou na UEG. Nunca soube de uma transferência de aluno... ouço e vejo muito sobre a desistência e a evasão...

Por isso, penso que uma medida radical e imediata contra a desistência e evasão em nossos cursos de história seja montar uma Matriz a partir da formação específica dos professores de cada colegiado. Só vejo vantagens nisso: os colegas professores poderiam dar aulas muito mais qualificadas em sua área de formação/pesquisa do que ter que ministrar uma disciplina por 'obrigação', para cumprir a carga horária mínima. Seríamos profissionais mais realizados profissionalmente. E isso repercutiria em aulas mais interessantes, com mais qualidades e estudantes mais satisfeitos.

Por fim, se tiverem interesse nessas sugestões de disciplinas posso mandar um esboço de ementa e de bibliografia.

Por hora, envio um esboço para a disciplina "Ensino de História 1: Didática da História"

Sigamos no debate...


--
euz3bio fernandes de carvalho
(homo)A(fé)TIVIDADE
Mestre em História (UFG/2008)
Professor
de Didáticas, Práticas e Estágios em História
(DESIII)
Universidade Estadual de Goiás em Regime de Dedicação Exclusiva.

(62)9142-7799(Cl/Whats app)
Academia.Edu
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EH1_Didática_da_História_ementa_2014.docx
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