A CATEDRAL GÓTICA DE MILÃO E A GEOMETRIA SAGRADA

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Melissa Tobias

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Milão secreto e sagrado - A CATEDRAL GÓTICA DE MILÃO E A GEOMETRIA SAGRADA - 1º PARTE

Interessante matéria que relaciona a geometria sagrada e

a maçonaria operativa somada o história da construção

gótica de Milão.

O caso da construção da Catedral de Milão – IL Duomo – é de extrema importância no estudo da geometria sagrada. Ele interessa em dois sentidos, o documental e o simbólico. A Catedral de Milão foi fundada em 1386 e, por essa razão, estava no centro de um encarniçada controvérsia relativa a que forma de geometria sagrada deveria ser utilizada: ad quadratum ou ad triangulum.


http://www.youtube.com/watch?v=g70IlbxTrhg&feature=player_embedded

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- Milão secreto e sagrado -

Por Vitor Manuel Adrião


18/05/2011


Biscione: o brasão esotérico de Milão

A cidade de Milão tem por Armas um brasão carregado de simbologia esotérica, cuja peça heráldica apresenta em fundo prateado uma serpente azul coroada de ouro vomitando um jovem cor de carne descrito como mouro. Trata-se da vipera (“víbora) ou bissa, mais conhecida entre os milaneses como biscione (“cobra grande”).


A História afirma que este brasão foi criado por Ottone Visconti, dito Ottorino (1207 – 8.8.1295), que nasceu em Milão e foi arcebispo desta cidade. Era filho do poderoso feudatário Ubaldo Visconti, família que dominava a Lombardia, e com o senhorio de Ottorino a capital ficou sob o poder dos Visconti, que durou até 1447. A eleição arcebispal de Ottone Visconti, depois de severas controvérsias e lutas com um outro candidato a esse cargo, Martino della Torre, acabou reconhecida pelo Papa Gregório IX, cujo nome era Tedaldo Visconti (1210-1276). Como agradecimento, Ottone Visconti perpetuou no seu brasão “o mouro vomitado pela serpente” referindo-se ao envolvimento de Gregório IX, antes de ser eleito Papa (1271-1276), na Nona Cruzada (1271-1272) a São João de Acre, na Terra Santa, com o príncipe futuro rei Eduardo I de Inglaterra.



De fato, o biscione é historicamente o brasão de armas da Casa dos Visconti, instalada no Palácio dos Arcebispos na Piazza del Duomo da cidade milanesa. Por vezes, no brasão aparecem as iniciais IO (HANNES), indicando o nome do arcebispo Giovanni Visconti (1290-1354), amigo e protector do grande poeta e humanista Francesco Petrarca (1304-1374), frequentemente chamado de “Pai do Humanismo”.




Além de se referir no plano imediato ao exclusivo senhorio dos Visconti, o biscione coroado é sobretudo emblema hermético ou esotérico de origem muitíssimo anterior a Ottone Visconti, que o terá adoptado para brasão familiar. O primeiro indício está na própria vipera que afinal é um basilisco, o animal mitológico que Plínio o Velho descreve como uma serpente verde com uma coroa dourada. Na Alquimia, o basilisco é chamado a “Criança dos Filósofos” e expressa a natureza inferior do homem transmutada e redimida pela sua natureza superior, que assim o “vomita” como Espírito Vivente ou Ego Integrado na Natureza Divina do Universo. Representa o verdadeiro Alquimista, o Filósofo do Fogo Sagrado, o Delfim Iluminado ou Adepto Perfeito, tanto valendo por Ser Eucarístico ou “Pedra Filosofal” Viva. Ora é isto mesmo que está retratado no brasão do biscione. E o IO de Iohannes (Giovanni) pode muito bem reforçar o sentido oculto do brasão se for transposto para essa outra IO de que fala Apuleio no seu Asno de Ouro, ou seja, a Mónada imperecível integrada no Todo Divino e iluminando o Tudo Humano.



Os tratados orientais de Tantra-Yoga do Hinduísmo primitivo, referem a Força Electromagnética que jaze no interior do Homem e da Natureza a que chamam Kundalini e retratam esta como uma serpente coroada que se eleva iluminando espiritualmente o homem
. Decerto por esta razão os antigos egípcios, cuja cultura e religião os greco-romanos posteriormente adotaram e adaptaram à sua mentalidade, retrataram o seu deus Serapis com corpo de serpente e cabeça humana, algo semelhante ao que aqui se apresenta. Serapis foi assim representado por ser o deus dos Mistérios Subterrâneos, celebrados em criptas e grutas sagradas, e também por representar a Força Vital da Terra, o seu telurismo, circulando no seu interior como uma serpente, ou seja, serpenteando pelos veios ou linhas telúricas que animam o Globo.



Por essa razão de geradora e mantenedora da Vida, a “serpentária” Kundalini veio a ser associada ao Fogo do Espírito Santo e à própria Mãe Divina.
Ora os Ínsubres celtas que por volta do ano 600 a. C. fundaram Mediolanum, Mediolano ou Milão, dedicavam profunda adoração à serpente por verem nela a representante zoomórfica da Deusa-Mãe, pois acreditavam ter sido a serpente marinha que ao sair das Águas Originais da Criação havia povoado a Terra. As crenças primitivas consideravam a serpente como a serva do Altíssimo, sendo muitas vezes figurada com a cabeça coroada.



As ondas do mar – a matéria por excelência – foram representadas nos hieróglifos egípcios por uma linha sinuosa. Naturalemente que o animal mais conforme a esta linha é a serpente, pelo que os ofídios foram escolhidos como totem da Acqua Mater, a matéria fecudante da Natureza. Esta está assinalada no nome do Orago da catedral milanesa: Santa Maria Nascente.



Este simbolismo aquático ou genesíaco da serpente está implícito no nome que certos povos lhe deram. Assim, dos temas semita asiáticos Na, “água”, e Aha, “santa”, engendraram-se os nomes Nahas (hebraico) e Nagas (hindustânico), ambos significativos de “serpente”, sobretudo com o sentido de Serpente de Sabedoria ou Ser-Apis, ou seja, Ser Divino que é todo o Iluminado Perfeito.



Nesse sentido vai também a iconografia paleocristã para a história bíblica de Jonas e a baleia Leviatã, no ato de engoli-lo e regurgitá-lo, que é um motivo comum representativo da morte profana e da ressurreição iniciática.
Esse episódio bíblico reaparece na lenda de Teodórico, o Grande, rei da Itália Ostrogoda (493-526 d. C.), que diz ter sido engolido e vomitado por uma serpente monstruosa na cidade de Arona, a qual significativamente era propriedade da família Visconti.



Como esta figura do biscione amplamente conhecida das tradições e tratados herméticos milenares pode ser rastreada até à Casa de Visconti, com inteira comprovação, permanece desconhecida a maneira como chegou aí, todavia ficando a suspeita que Ottone Visconti talvez não fosse inteiramente alheio à antiga Sabedoria Tradicional.



Panetone: de iguaria ritual a doce regional



O panetone é a iguaria tradicional do Natal na Lombardia, sendo um pão doce recheado de frutas secas (passas de uvas e frutas cristalizadas tais como damasco, laranja, limão, figo e maçã) e com fragrância de baunilha, tendo uma consistência macia resultado do processo de fermentação natural. A sua origem permanece um mistério, que várias lendas tentam explicar sem explicar coisa alguma excepto o seguinte: o panetone tem origem em Milão.



Sabe-se que o panetone também existe noutras partes de Itália e até de França, mas invariavelmente afirma-se que a sua origem é Milão. Esta palavra panetone deriva daquela outra italiana panetto, indicando um pão de forma pequena. O sufixo italiano um que se pronuncia one, mudou o sentido para “pão grande”.



Quando Milão se chamava Mediolano e fora fundada pelos ínsubres celtas por volta do ano 600 a. C., estes por altura do Solstício de Inverno nas proximidades do que viria a ser o Natal dos cristãos, celebravam o renascimento do Sol então recolhido sob o manto invernoso da Natureza, evocando o seu reaparecimento para que propiciasse boas sementeiras, por norma começando em Janeiro e inícios de Fevereiro. Esta celebração celta chamava-se Midwinter ou Yule e foi a primeira festa sazonal comemorada pelas tribos neolíticas do Norte da Europa. Durante esse festejo os druidas, que eram os sacerdotes da religião celta, ofereciam entre si e depois ao povo um pão doce feito de cevada recheado de maçãs e uvas, que era o principal alimento sagrado do Yule. Acompanhavam-no com uma bebida de fermento de cevada (que veio a dar na actual cerveja, cuja base de fabricação é a cevada) adocicada com mel de abelhas que, há falta de designação apropriada, actualmente alguns folcloristas dum pretenso e ingénuo “neopaganismo” urbano chamam inapropriadamente “hidromel”, mas nada tem a ver com este que, dentre outros elementos, comporta mel e cidra.



Quando Milão foi ocupada pelos romanos em 222 a. C. e passou a pertencer ao Império sob o nome Mediolanum, os usos e costumes celtas foram incorporados aos latinos, razão de na mesma época do Solstício de Inverno celebrar-se o Nascimento de Mitra que viria a corresponder ao nascimento de Cristo como Sol Invictus, como também se designava o deus solar Mitra. Simultaneamente, eram celebradas as Saturnais romanas, festejando-se o triunfo de Saturno (Sol Subterrâneo, Inverno) sobre Júpiter (Sol Celeste, Verão), isto porque Saturno representava a Idade de Ouro de Roma e era o próprio Sol original de quem Júpiter descendia. Nesta época ninguém trabalhava, acendiam-se velas e grandes fogueiras para iluminar a noite e havia muita comida. Nas Saturnais, os celebrantes deram origem ao costume agradável de um doce ritual que era servido na altura após as celebrações, constando de um fermento de trigo ou cevada adocicado com mel e recheado com frutas da época. Desse fermento de trigo originou-se a hóstia das celebrações cristãs, e foi assim que os historiadores romanos do século II-III d. C. descreveram a origem milanesa do panetone como um “pão doce grande”, confeccionado com uma massa conservada pronta, modelada e depois posta a assar.



O panetone, por sua fama e singularidade, seria definitivamente identificado ao Natal cristão no século XVIII, por via dos escritos do filósofo e historiador Pietro Verri (1728-1797), onde ele refere o panetone como pane di tono, ou seja, “pão de luxo”, só para ser consumido em ocasiões especiais. Já antes, no século XVI, o pintor flamengo Pieter Bruegel, o Velho (1525-1569), pintara o panetone num quadro como “bolo de frutas da época”, possivelmente inspirado na menção a ele que terá encontrado num livro de receitas escrito pelo lombardo Bartolomeo Scappi (1500-1577), mestre de culinária dos Papas Pio IV e Pio V. Também o pintor holandês Jan Albert Rootins (1615-1674) representou no centro do seu quadro “Natureza morta com frutas”, um magnífico panetone.



O pane di tono
, por já se ter perdido o seu sentido original e o povo gostar de simplificar e dar lógica imediata , deu origem à lenda do pane di Toni: o panetone foi criado por um padeiro chamado Toni, que trabalhava na padaria Della Grazia, em Milão, na época de Ludovico, o Mouro (1452-1508). O jovem padeiro, apaixonado pela filha do patrão, teria inventado o pão doce para impressionar o pai da sua amada. Os fregueses passaram a pedir o pane di Toni, designativo que evolui para o panatón (vocábulo milanês) e depois para o panetone (italiano).



Segundo outra lenda, o panetone foi inventado na corte de Ludovico, o Mouro, na véspera do Natal, entre os anos 1494-1500. Conta a lenda que o Natal era uma grande festa celebrada com grandes banquetes. Em um dos Natais, a sobremesa que havia sido preparada queimou ao ser assada. Um dos empregados da cozinha, chamado Toni, havia preparado uma massa com sobras de ingredientes, que pretendia levar para sua casa. Sem outra opção, ofereceu a sua massa para servir como sobremesa para a corte. Diz a lenda que a sobremesa foi tão apreciada que Ludovico perguntou qual era o nome da iguaria. O jovem Toni, chamado para responder à pergunta do monarca, disse que a sobremesa não tinha nome. Ludovico resolveu chamá-la de pane di Toni, dando origem ao nome panetone.



O formato típico do panetone deu-lhe o apelido de doce do duomo de Milão, para vincar bem o lugar de origem da sua confecção. Com o passar do tempo, na Itália, passaram a surgir novos tipos de panetones baseados em duas escolas: a primeira, descrevendo-o como um panetone redondo, com base larga, bastante baixo e achatado, comum durante a Páscoa; a segunda, preferida pela indústria de doces, descrevendo-o como um panetone alto, com base estreita e uma cúpula bastante acentuada, comum durante o Natal.



Depois, conforme o panetone foi cada vez mais consumido em outros países, novos tipos foram surgindo, novos ingredientes foram acrescentados para satisfazer o paladar e os gostos. Assim, esta singular iguaria ritual se transformou num doce regional, nascido nos templos e crescido nos gostos dos milaneses.



A Ordem dos Templários em Milão



A Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão, vulgo Ordem dos Templários (1118-1312), teve uma presença marcante em Milão e, contudo, hoje não restam vestígios dela, a ponto de duvidar-se de ter estado realmente nesta cidade.



Mas esteve. Segundo diversos autores, os Templários chegaram a Milão entre 1132 e 1135 e deixaram traços da sua passagem desde a basílica de Sant´Ambrogio, na qual o seu antigo Crucifixo diz-se que foram eles quem trouxeram-no de Jerusalém, até à abadia cisterciense de Chiaravalle (Claraval), fundada em 22 de Janeiro de 1135 sob a evocação Sanctae Mariae Claraevallis Mediolanensis, mais conhecida como Santa Maria de Roveniano. Este edifício religioso ainda conserva os traços e a planta originais dessa época em que a arquitectura sagrada era exercida por monges-construtores protegidos do Templo. Esta proteção temporal e espiritual está representada no claustro da abadia, num aro de corrente prendendo quatro colunelos que têm por cima, dirigidas aos quatro pontos cardeais, águias de asas abertas, representando a espiritualidade maior de São João Evangelista, cujo símbolo iconográfico é essa ave.



O primeiro documento milanês atribuído à Milícia do Templo porta a data de 29 de Abril de 1142, e descreve a doação de Ugo e Guglielmo Girindelli, cidadãos milaneses, de um campo nas proximidades de Chiaravalle a Bacone, um cisterciense do mosteiro, para que o mesmo fosse ampliado. O pergaminho dá como data dessa doação Outubro de 1135. O documento porta a cruz a cruz templária e é autenticado pelo juiz e notário Martino, templário, além das assinaturas de várias testemunhas e dos doadores.



Uma outra carta de 25 de Maio de 1149, escrita pelo mestre templário Bonifácio, descreve que “a igreja e casa do Templo está edificada fora da muralha da cidade de Milão”. A comenda templária estaria fora da antiga Porta Romana, nas proximidades da desaparecida igreja, com convento anexo, consagrada a Santa Maria Latina, e do hospital dedicado a São João Baptista, que pertença da Ordem dos Hospitalários que também aí tinham a sua comenda. Segundo o mesmo documento, os templários estariam domiciliados no “pomar de Santo Ambrósio” que é chamado de brolium (brolio), podendo-se traduzir como um espaço cingido a bosque algo parecido a um parque ou jardim moderno. Sobre esse brolio ou brolo, “espaço grande”, está hoje a Piazza Mercato di Porta Ticinese. Dentro da cidade, os templários também foram donatários de pequenos espaços chamados broletum ou broletos, como o Broletto Vecchio (Palácio Real), o Broletto Nuovo (Praça do Mercado) e o Broletto Nuovissimo (Via Rovello, S. Tommaso, Broletto). Ainda hoje existe a Via Brolo e a Piazzetta di San Nazaro in Brolo, com igreja próxima.



Segundo o Liber notitiae Sanctorum Mediolani. Manoscritto della Biblioteca capitolare di Milano, de Goffredo da Bussero, possivelmente sacerdote templário que o terá publicado por volta de 1289, e que em 1917 voltou a ser dado à estampa nesta cidade por Marco Magistretti e Ugo Monneret de Villard referindo-o como integrante o espólio da Biblioteca Ambrosiana, a primeira construção templária milanesa iniciou-se por uma casa modesta, mas foi aumentada e enriquecida sucessivamente até se transformar num palácio, na verdadeira e própria comendadoria militar, compreendendo a capela chamada Santa Maria do Templo instalada entre as actuais Vias Santa Barnada e Commenda. A construção da comendadoria fora da muralha, entre a Porta Romana e a Porta Tosa, teve como motivo principal a posição estratégica: por estar junto à via principal de acesso à cidade e por a cavalaria puder agir com rapidez num vasto raio de acção.



Ainda segundo Goffredo da Bussero, a comenda templária milanesa tinha como distintivo inicial a “dupla cruz patriarcal”, ou seja, a possuída de dois travessões horizontais que é atribuída ao Patriarcado de Jerusalém, mas que na segunda metade do século XII transformou-se em “cruz patente”, com braços triangulares distendendo-se do centro para o exterior. Isto é comfirmado pela descoberta recente, na igreja de São João Baptista em Cesano, ao oeste de Milão, de um túmulo do século XII precisamente com a “cruz patente” vermelha dos templários, o que constitui uma prova irrefutável da presença Templária aqui.




Em torno da cidade a Ordem do Templo trazia arrendadas terras de cultivo, e tinha mercado ou feira em dia de festividade fixa. Segundo alguns, essa feira ficaria na actual Via Larga que então se chamava Contrada del Brolio, não devendo descurar-se o facto de acaso o Brolo chamar-se “de Sant´Ambrogio”, porque nesse período os bens móveis e imóveis de Sant´Ambrogio pertenciam ao património do patrono da Igreja milanesa, na pessoa do Arcebispado de Milão.



A comenda milanesa da Milícia Templária é descrita como composta por um mestre e vários irmãos, todos de linhagem nobre. A esta comenda pertencia Dalmazio de Verzario que doou os seus bens ao diácono Adelardo Comino, e cuja família poderosíssima deu o nome à zona do Verziere. Além do mestre e do sacerdote, que aquele reconhecia neste ser espiritualmente maior do que ele, havia ainda a hierarquia dos cavaleiros, escudeiros e irmãos laicos ou serventes.



Frederico Barbarossa, educado em sua juventude pela Ordem do Templo, quando invadiu Milão a primeira vez em 1154, poupou a cidade, por certo a pedido dos templários, e da segunda vez, em que foi mais austero, em 6 de Agosto de 1158, ainda assim, segundo as crónicas, instalou o seu quartel-general “no Solar Templário de Brolo”, o que comprova estar inteiramente ativa a comenda templária nessa data.



Com o aproximar do século XIV e as perseguições aos bens materiais e espirituais dos templários pela coroa e o clero, ou seja, o rei de França Filipe IV e o papa de Roma, Clemente V, a Ordem do Templo foi decrescendo a sua actividade e desaparecendo aos poucos até só restar a vaga memória dela em Milão, por os seus vestígios também terem sido apagados para rapidamente o esquecimento geral, mas cuja lembrança e presença incontornáveis na História de Milão foram aqui evocadas.



O Duomo de Milão e os desentendimentos maçônicos



O Duomo ou Catedral de Milão, capital da Lombardia, é dedicado a Santa Maria Nascente e situa-se na praça homônima no centro da cidade. Por superfície, é a quarta igreja da Europa, depois de São Pedro no Vaticano, São Paulo em Londres e a Catedral de Sevilha. É a sede da Arquidiocese de Milão e da paróquia de Santa Tecla no Duomo de Milão.



A catedral é imensa, com 157 metros de comprimento e 109 metros de largura. O interior tem cinco naves com uma altura que chega aos 45 metros, divididas por 40 pilares. Possui um transepto com três naves. A sua construção começou em 1386 sob iniciativa do arcebispo Antonio da Saluzzo, num estilo gótico de influência francesa e centro-europeia distinto do estilo corrente na Itália de então, ao qual se chamou “arte lombarda”. Os trabalhos foram apoiados pelo senhor da cidade, o duque Gian Galeazzo, que impulsionou a obra através de facilidades fiscais e promoveu o uso do mármore de Candoglia como material de construção. As obras sofreram várias interrupções que as arrastaram até aos inícios do século XIX, da última vez recomeçadas em 1805 por iniciativa de Napoleão Bonaparte, que entretanto havia invadido a Itália. Nessa época, a fachada principal e grande parte dos detalhes exteriores, tais como os pináculos, foram completadas num mistura de estilos, entre o neogótico e o barroco. Apenas em 1813 a catedral foi dada por finalizada, mais de 400 anos após o início das obras. Porém, no século XX foi julgado necessário mudar as cinco portas da fachada, o que só foi acabado em 1965.



O motivo do Duomo de Milão ter levado tanto tempo para ser construído deve-se ao fato de ter sido pomo de controvérsias e discussões infindáveis entre os mestres arquitetos das corporações de muratori ou pedreiros que intervieram na sua edificação. Logo ao início estalou uma encarniçada controvérsia relativa a que forma de geometria sagrada deveria ser utilizada na base ou chão da sua planta: o ad quadratum (ao quadrado) ou o ad triangulum (ao triângulo). Reuniu-se um grande número de peritos e a discussão arrastou-se sem fim à vista, uns querendo um sistema e outros o outro. Ainda assim e inicialmente a planta baixa da catedral foi desenhada de acordo com o ad quadratum, baseado no quadrado e no quadrado duplo, com uma nave central pronunciada e naves laterais de altural igual. Mas essa planta foi logo abandonada e substituída pelo ad triangulum, para a elevação do edifício. Foi quando a discussão se intensificou por aparecerem problemas aparentemente insolúveis: a altura de um triângulo equilátero, a base do ad triangulum, era incomensurável com o lado do mesmo triângulo. Colocá-lo sobre uma planta baixa baseada no ad quadratum resultaria alterar todos os princípios da geometria sagrada e todas as proporções estariam completamente erradas.



A fim de retornar à lógica da geometria sagrada, foi chamado um matemático de Piacenza, Gabriele Stornaloco, que recomendou um arredondamento da altura das naves de 83,138 braccia (braças) para 84 braças, que poderia ser facilmente dividida em seuis unidades de 14 braças.
Embora fosse aceitável em princípio, o esquema de Stornaloco foi posteriormente modificado, produzindo-se uma dedução na altura e trazendo a catedral para mais perto dos princípios clássicos. O mestre muratori alemão, Heinrich Parler, enfureceu-se com esse compromisso da medida verdadeira, e os seus protestos levaram-no a demitir-se do posto de consultor, em 1392. Em 1394, Ulrich von Ensigen veio da cidade de Ulm como consultor, mas ficou apenas seis meses em Milão. Os muratori da Lombardia não se entendiam e lutaram entre si até 1399, cada qual defendendo a sua tese, quando o mestre arquitecto francês, Jean Mignot, foi chamada de França para supervisionar as obras.



Mignot também não ficaria no cargo muito tempo. As suas críticas aos princípios muratori locais foram tão severas que se formou um comité para discutir as questões que ele levantou. Pretendendo a inculcação dum estilo próprio no esquisso da catedral, indo mesmo contra os princípios geométricos e mecânicos góticos, os muratori lombardos argumentaram que os arcos pontiagudos não poderiam justificar a geometria aberrante pretendida para o edifício, o que levou Mignot a dizer exesperado: “Ars sine scientia nihil est” (a arte não é nada sem a ciência), recebendo a réplica imediata dos mestres milaneses: “Scientia sine arte nihil est” (a ciência não é nada sem a arte). Mignot regressou a Paris em 1401, sem ter feito progresso algum com os intransigentes muratori de Milão. Por métodos pragmáticos, eles improvisaram e terminaram o coro e os transeptos da catedral por volta de 1450.



A geometria do Duomo foi preservada numa edição de Vitrúvio, publicada em 1521. Ela mostra o plano e a elevação da catedral como uma ilustração dos princípios vitruvianos
. Só essa ilustração é uma prova dos sistemas clássicos e muratori da geometria sagrada. O esquema apresentado baseia-se no rombus ou vesica: a elevação triangular do corte transversal da catedral é mostrada em sobreposição a círculos concêntricos em que o quadrado e o hexágono são desenhados, mostrando a relação da elevação com o ad quadratum do plano básico.



Essa exposição da geometria sagrada muratori de uma catedral é indicativa da atitude modificada diante dos mistérios antigos da Maçonaria Operativa exibidos por vários escritores da Renascença.
Ela encaixa-se perfeitamente na tradição de Matthäus Röriczer, falecido em 1492 e que pertencia à terceira geração de uma família que servia de mestres construtores na catedral de Regensburg. Embora estivesse preso ao juramento de silêncio em não revelar os segredos de Arte Operativa aos não-iniciados, Röriczer quebrou o mesmo publicando muitos detalhes que até então permaneciam escondidos nos livros de anotações reservados dos mestres construtores.



Embora a única obra publicada por Matthäus Röriczer fosse um pequeno panfleto, ela tem importância fundamental por ser a única sobrevivente da geometria sagrada maçônica medieval.
Essa obra, intitulada On the Ordination of Pinacles, forneceu a solução de como erigir um pináculo de proporções corretas a partir de uma dada planta baixa. O liberi muratori, equipado com esse esquema e utilizando-se da régua e compasso, podia tomar uma dimensão como ponto de partida e fazer a sua geometria chegar ao plano do tamanho natural, desenhado sobre um “piso de decalque” de gesso, fazendo-se em seguida os gabaritos ou moldes de madeira, segundo os quia as pedras finais eram cortadas e talhadas. A exposição do sistema por Röriczer demonstra a simplicidade desse método canônico, pois invés da referência constante a medidas num plano, como se faz na prática mederna e profana da arquitectura, o pináculo (ou pinásio, a ombreira da porta, o componente da abóbada, etc.) era “desenvolvido” a partir de um quadrado. A geometria, diferentemente da medida, é auto-reguladora e quaisquer erros podem ser identificados de imediato. Seja qual for o tamanho do quadrado inicial, todas as partes do pináculo estão relacionadas a ele, em proporção natural. Como as medidas do quadrado original podem ter sido derivadas como uma função da geometria global da catedral, o tamanho do pináculo ficou relacionado harmoniosamente com o todo.



O livreto de Matthäus Röriczer foi dedicado ao príncipe Wilhelm, bispo de Eichtadt, descrito na dedicatória como “um cultor e um patrono da arte livre da geometria”. Esse príncipe fora um notável patrono dos maçons primitivos e um grande curioso em conhecer a metodologia exata da geometria sagrada.



Por fim, o Duomo de Milão foi construído sobre as bases dum primitivo templo romano, e na sua entrada fica a escada que leva às escavações feitas no seu subsolo. Nestas escavações, podem ser vistos ainda os restos do antigo templo e as relíquias que o decoravam.



Alquimia na basílica de Santo Ambrósio



A basílica de Santo Ambrósio de Milão, seu padroeiro, conserva no interior vestígios significativos da tradição hermética que vêm a pôr este santo em relação direta com a mesma.



Ainda antes de entrar na basílica, vê-se na praça junto à mesma uma coluna de mármore com capitel romano conhecida como o pilar do Diabo. Possui dois buracos que deu azo à lenda da luta entre Ambrósio e o Diabo. Pretendendo trespassar o santo que se esquivou, o Diabo cravou os seus chifres na coluna e Ambrósio exorcisou-o, fazendo com que ele conseguisse libertar-se e escapar aterrorizado. A tradição popular conta que esses buracos às vezes exalam cheiro a enxofre e colocando-se o ouvido junto à pedra pode-se ouvir os sons do Inferno.



Na realidade essa coluna foi usada para a coroação dos primitivos imperadores germânicos, como descreve Galvano Fiamma (1283-1344), cronista dominicano milanês, dizendo que após jurarem sobre o missal recebiam a coroa de ferro das mãos do próprio Santo Ambrósio, coroando-os reis da Itália, e a seguir abraçavam esta coluna. Isto significa a legitimação do Poder Real pela Autoridade Sacerdotal, cujo abraço final à coluna era a comprovação efetiva do abraço e conversão definitiva à romana Igreja, “Coluna viva” de Cristo na Terra. Essas conversões impossíveis, explicáveis exclusivamente por pactos políticos na época, de reis pagãos ao Cristianismo que acabavam abraçando a coluna da Igreja, a sua assembleia de fiéis, aos olhos do povo supersticioso e ignorante este pilar só poderia ter predicados diabólicos ou sobrenaturais, e foi assim que nasceu a lenda dele estar relacionado com o poder do Diabo.




O tema da coluna repete-se dentro da basílica, desta feita numa coluna de granito romana sobre cujo capitel vê-se a serpente de Moisés.
É uma escultura em bronze (no passado acreditava-se que era a original de Moisés) doada à basílica pelo imperador Basílio II em 1007. Ainda hoje as pessoas dirigem orações à serpente para afastar algum tipo de doença, e diz-se que o fim do mundo será preanunciado com a descida da serpente do cimo da coluna.



Se a primeira coluna tem um sentido de conversão temporal, já esta segunda coluna abriga o significa de afirmação espiritual.
A serpente moisaica é simbólica da medicina universal ou taumaturgia, aquela que cura todos os males, sobretudo os morais que a doutrina da Igreja se encarrega de extirpar, e é assim que por vezes se iconografa a serpente por vezes cravada na cruz, indicativa da sabedoria cristã salvadora dos corpos e das almas que, como o próprio Santo Ambrósio afirmou, perdurará até ao Fim dos Tempos, adiantando que o pão transubstanciado na eucaristia era a própria medicina divina, universal.




O tema das duas colunas de certa maneira é reproduzido nas duas torres sineiras da basílica: à direita, o Campanile dei Monaci (“Campanário dos Monásticos”), datado do século IX e prefigurando o sentido de Autoridade Espiritual, e à esquerda o Campanile dei Canonici (“Campanário dos Cónegos”), iniciado em 1128 e concluído só em 1888, vindo a prefigurar o predicado de Poder Temporal.



Sobre um capitel paleocristão, vê-se um grifo alado em atitude de proteção ou domínio a um outro animal indefinido parecendo beber de um vaso. Esta é uma clara figuração alquímica: na Alquimia o grifo é símbolo do Mercúrio dos Sábios ou Mercúrio Hermético, elemento indispensável para se fabricar a Pedra Filosofal. Os antigos Alquimistas chamavam à fase em que se procede à fabricação da Pedra Filosofal de Águia. O fato é que o grifo é a forma mitológica da própria águia, esta que está patente nas colunas junto ao altar-mor da igreja, o que não deixa de ser significativo.



O Ouro Filosófico, símbolo da Perfeição Espiritual e Humana, está presente no próprio Altare d´Oro, coberto com lâminas de ouro e prata e com figuras que representam a vida de Cristo e de Santo Ambrósio.



Este templo românico cuja construção iniciou-se no ano 379 d. C. e sete anos depois foi sagrado pelo próprio Santo Ambrósio, chamava-se originalmente Basilica Martyrum, por estar situado no lugar onde havia o cemitério dos mártires cristãos. Depois da morte de Santo Ambrósio (Tréveris, 339 – Milão, 4.4.397), a basílica passou a ser chamada com o nome do santo. Diariamente uma multidão de peregrinos fiéis diariamente visita esta igreja indo venerar os despojos do santo padroeiro milanês na cripta da basílica, e com eles se mistura um outro tipo de peregrinos também “Filhos de Maria” mas a da Ciência Hermética ou Alquimia, precisamente por o próprio Santo Ambrósio ser identificado como praticante de Alquimia tendo atingido o seu grau supremo: a fabricação da Pedra Filosofal, isto é, a verdadeira Realização Espiritual.



Aurélio Ambrósio ou Ambrósio de Milão, um dos vários autores dos Atos Apócrifos dos Apóstolos, cuja origem situa-se no século IV, mas que não devem ser confundidos com os chamados Evangelhos Apócrifos, alguns dessa época e outros anteriores ou posteriores situados no período gnóstico da Igreja, é desta um dos seus quatro primitivos Doutores e o pressuposto responsável pela conversão do próprio Santo Agostinho. Por seu discurso fácil e fluente, por sua palavra conciliadora e doce, é chamado de “língua de Mel”, e por isso tem por símbolo iconográfico as abelhas. No contexto tradicional, o mundo das abelhas, a colmeia, representa uma comunidade coerentemente trabalhada posta sob a advocação da Grande Mãe, popularmente a própria Igreja e reservadamente a Alquimia que tem Maria por Orago, a cujo seio se acolhem todos os fiéis.



Pelas reformas que inculcou no rito litúrgico da Igreja, Santo Ambrósio também aparece iconografado ostentando um templo ou capela. Nisto, há uma relação oculta, que à primeira vista não se aprecia, entre as primitivas Lojas de Construtores e os Doutores da Igreja. Em ambas as categorias podia-se alcançar a qualificação de pontífice, relativa àqueles considerados como construtores da ponte que une o Homem com o Eterno, uns desde a sua cátedra teológica e outros desde o seu prumo e compasso, uns desde o conhecimento exotérico e outros desde a sabedoria esotérica. Por isto é que surgem iconografados santos com um templo ou capela em miniatura entre as suas mãos. São imagens que foram muito possivelmente concebidas pelos construtores e de imediato adaptadas ao contexto da doutrina oficial da Igreja. Por isto, Santo Agostinho não se coibiu de chamar a Santo Ambrósio de Pontífice Máximo da Igreja.



As Sibilas de San Vittore al Corpo



O mosteiro de San Vittore al Corpo dos frades Olivetanos, da Regra Beneditina, originou-se de uma basílica paleocristã do século IV frequentemente identificada com a desaparecida basílica Portiana, que estava numa área de enterramentos e ligada ao mausoléu octogonal onde jaziam os corpos dos imperadores arianos Graziano e Valentiniano II, o qual ainda existia no século XVI conhecido como “São Gregório”.



Esta basílica de San Vittore al Corpo foi ampliada no século VIII para hospedar as relíquias dos santos Vittore e Sátiro, transladadas da capela de San Vittore in Ciel d´Oro na basílica de Santo Ambrósio. Por volta do ano 1000 foi-lhe anexado um mosteiro beneditino, tendo passado para os Olivetanos em 1507. No início deste século XVI, os edifícios da basílica e mosteiro receberam profundos restauros e reformas, que tornaram San Vittore al Corpo um exemplar da arquitectura monástica de Milão dessa época.



Ignorada pelas fontes historiográficas clássicas, a cerca quinhentista do antigo mosteiro na Via degli Olivetani era um recinto poligonal que dentro de si “comprimia” um espaço octogonal com 42-44 metros de lado, com cerca de 100 a 132 de comprimento. Em cada canto havia uma torre semi-circular, a modo de atalaia ou posto de vigia. Parece que o recinto destinava-se a proteger o mausoléu dos imperadores arianos – seguidores da doutrina de Ário (Líbia, 256 – Constantinopla, 356) cuja concepção do Cristianismo foi considerada herética no Concílio de Niceia, em 20 de Maio de 325 – e o cemitério dos equites singulares, ou seja, dos cavaleiros e guarda pessoal desses imperadores.



Há, pois, um ponto de encontro entre a heterodoxia “herética” de Ário e a ortodoxia “hierática” dos primitivos Padres Apostólicos aqui mesmo em San Vittore al Corpo, e que está assinalado pela presença singular das Sibilas pintadas em volta da cúpula da basílica. Esses frescos das Sibilas, dos quatro Apóstolos e dos Anjos tendo no topo a Pomba do Espírito Santo, foram pintados em 1617 por Guglielmo Caccia, chamado il Moncalvo (1568-1625).



As Sibilas são descritas como Mulheres-Oráculos da Grécia e Roma antigas possuídas de poderes proféticos sob a inspiração de Apolo ou Helius, o Logos Solar, projetando o seu Raio de Luz do Céu à Terra através dos Anjos que vinham aportar à mente das Sibilas os prognósticos divinos.
Por isso se vê a abside da basílica decorada por Anjos e no topo a Pomba do Espírito Santo como a transmissora da Sabedoria Divina. Mais abaixo estão as Mulheres-Oráculos e os quatro Evangelistas sinópticos: Mateus, Marcos, Lucas e João.




Esses Oráculos sibilinos permeio aos Apóstolos, estabelecem a ponte entre a antiga e a nova tradição, prefigurada religião, esta não abjurando aquela mas retificando-a nos pontos considerados ultrapassados ou já vivenciados pelo coletivo humano, adaptando-os assim à vivência presente. O conjunto pictórico parece sugerir o Espírito Santo manifestando-se através dos Anjos que segredam vaticínios do passado, presente e futuro à mente intuitiva das Sibilas que, por sua vez, parecem intuir os Apóstolos na sua escritura dos textos sagrados.



Aparecem retratadas as Sibilas de Cumes (Cumana), de Delfos (Délfica), de Elesponto ou Helesponto (Heliopolis), de Samos (Samo), de Eritreia, da Líbia (Líbica), da Pérsia (Pérsica) e da Suméria (Siméria).



De todas, a que parece mais importante relativa ao Cristianismo será a Sibila de Cumes, a mesma que profetizou o futuro advento do Cristo, e o seu símbolo iconográfico é uma taça de ouro.
A Sibila de Delfos previu a vinda da Idade de Ouro para a Terra, e tem por símbolo uma coroa de espinhos. A Sibila de Helesponto profetizou a queda do Império Romano e o nascimento de uma Nova Civilização, aparecendo carregando uma cruz. A Sibila de Samos ditou que o futuro Salvador do Mundo nasceria numa manjedoura dentro de uma gruta, e por isso carrega nas mãos uma manjedoura. A Sibila de Eritreia fez o Anúncio do Nascimento do Messias, Messiah ou Avatara Jesus Cristo, razão do seu símbolo ser a flor do lírio. A Sibila da Líbia registou as suas Profecias sobre o Advento do Salvador, sendo o seu atributo simbólico um pergaminho. A Sibila da Pérsia vaticinou de forma nebulosa que a verdadeira Luz haveria de iluminar a noite dos homens, e aparece representada com um rolo ou pergaminho fechado. A Sibila da Suméria, simbolizada com um espelho ou um vidro, fez vaticínios sobre a Virgem Divina, a maior das Sibilas do Templo de Jehovah ou Júpiter, assim identificado pelos antigos, e Serva do Senhor Deus Único e Verdadeiro.




As Sibilas, nome grego dórico significando “Vontade de Júpiter” (Zeus ou Deus), eram originalmente sacerdotisas virgens e sábias desse deus que é tido pelos poetas como o rei dos deuses e dos homens e que, lá do Olimpo, agita o Universo com um simples mover da sua cabeça… mais tarde, porém, transformaram-se de imaculadas sacerdotisas em famosas profetisas, e o dom da adivinhação por clarividência intuitiva espalhou-se por toda a Grécia alastrando aos países mais distantes dela.



Os gregos também davam o título de Pitonisa ou Pythia às mulheres preparadas em Escolas Iniciáticas para serem Oráculos, ou seja, Profetisas.
Isto porque, segundo a mitologia grega, Apolo, filho de Júpiter e Latona, nascera na Ilha de Delfos onde veio a matar a serpente Python, alegorizando a tomada da Sabedoria Divina pelo Fogo da Razão, já que a Serpente representa o Fogo Criador que crepita e se agita no escrínio de tudo e todos. Era com a pele da serpente piton se recobria o trípode onde ardia o Fogo Sagrado e se queimavam folhas de loureiro, e sobre o qual se inclinavam a Pitonisa perscrutando dos segredos do futuro.



Hoje, com o declínio da ordem do sistema tradicional tanto espiritual como social, aumentando a eterna ansiedade humana que a impele a procurar saber do seu futuro por obscuras e confusas sendas, vêem-se homens e mulheres de vidas estraçalhadas a quem resta só a esperança na resposta certa de adivinhos e adivinhas a quem recorrem como último recurso numa vida ausente de verdadeira cultura espiritual. Mas tais adivinhos e adivinhas, frutos da ignorância sem ordem nem regra que só gera impuberdade psíquica, em nadíssima podem ser comparados e tampouco assemelhados aos Magos, Pitonisas e Sibilas de antanho.
Em suma, o original sacerdócio feminino todo ele expressando pureza física e moral e espiritualidade esclarecida, tem atualmente como oposto caótico as famosas bruxas cujas práticas divinatórias, inteiramente psíquicas não raro falíveis e até falsárias, correspondem com inteira justeza ao termo bruxaria, isto é, confusão.



Os três Reis Magos de Sant´Eustorgio



A basílica de Sant´Eustorgio de Milão tem como relíquia maior nada mais, nada menos que os pressupostos corpos dos três Reis Magos que seguindo a Estrela do Natal foram a Belém visitar o Menino Deus, Jesus Cristo, acabado de nascer numa gruta que de manjedoura de animais transformou-se em presépio de almas ficando eterno na memória devota cristã.



Por esta razão de ser o lugar do túmulo dos Reis Magos, a basílica de Sant´Eustorgio foi durante largos séculos da Idade Média um importante centro de peregrinação visitado por romeiros indo a Roma ou por peregrinos indo à Terra Santa, que obrigatoriamente iam primeiro aí.
Este templo românico terá sido fundado no século IV pelo bispo de Milão, Eustorgius I (morto cerca de 350 d. C.), de quem a basílica herda o nome. A lenda diz que foi ele quem trouxe as relíquias dos três Reis Magos de Constantinopla para Milão no ano 344, transportando o grande sarcófago de mármore num carro puxado por dois bois, como conta a Vita Beati Eustorgii Confessoris, datada do ano 1200. Mas no século XII o sacro imperador germânico Frederico Barbarossa ocupou Milão e apropriou-se das relíquias dos três Reis Magos, levando-as consigo para a Alemanha entregando-as ao arcebispo de Colónia, Reinaldo de Dassel, em 1164. Só na passagem de 1903 para 1904 é que os pressupostos fragmentos dos ossos e roupas dos três Reis Magos foram devolvidos à basílica de Sant´Eustorgio de Milão. Actualmente estão no altar dos três Reis Magos junto ao sarcófago vazio dos mesmos.

Extraído de: http://lusophia.wordpress.com/2011/05/18/milao-secreto-e-sagrado-po...

Por Vitor Manuel Adrião

http://lusophia.portugalis.com/

E trecho e vídeo extraído de: http://filhosdehiran.blogspot.com/2011/10/catedral-gotica-de-milao-...

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