Olho por olho, dente por dente...

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Marcia Ismerim Barreto

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Mar 23, 2015, 8:03:15 AM3/23/15
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— Eu repito: não há certo. Não há errado. Há, no entanto, tudo. E neste tudo está a resposta. Por exemplo — falou dirigindo -se ao rabino —, você já ouviu falar dos dez mandamentos?

O velho senhor, com um sorriso nos lábios, respondem que sim.
— Bem — Almeida agora falava para o público —, risquem a palavra mandamentos. Ninguém lhes obedece mesmo. Vamos ser honestos: os dez mandamentos são a maior piada da Terra, porque ninguém realmente os segue.

As pessoas presentes naquela tenda estavam chocadas com suas palavras, mas Almeida continuou sem parar:
— Vamos deixar de hipocrisia. As pessoas matam não somente outras pessoas, mas também matam outras formas de vida do planeta. As pessoas mentem, roubam e cometem adultério. No sabá, quantas igrejas, templos e sinagogas ficam quase vazias? Então é como eu disse: os dez mandamentos são uma piada.

O rabino começou a protestar, mas Almeida educadamente levantou sua mão, pedindo calma e paciência.
— Rabino, eu gostaria de saber uma coisa: as pessoas que desrespeitam esses mandamentos vão passar a eternidade queimando no inferno? Ou será que um mandamento é mais importante do que outro? Por exemplo: não matar é mais sério do que não mentir? Ou guardar o sagrado dia de Deus é menos sério do que roubar?

O rabino pediu para Almeida prosseguir. Ele estava prestando muita atenção ao que Antônio estava dizendo, como também estavam as quatrocentas pessoas da platéia. Almeida declarou ao rabino e ao público que um mandamento não era mais importante do que outro.

— Mas eles não são mandamentos. Eles não são leis, não são decretos, não são ordens. 

O rabino falou ao microfone, perguntando a Almeida o que eram os mandamentos se não regras de Deus para os homens. Antônio respondeu:
— Eles não são dez mandamentos, eles são dez percepções. 

O rabino olhou curiosamente para o jovem pregador à sua frente, esperando o que viria em seguida. Antônio, com largo sorriso, entendeu a confusão do velho.
— Quando você está iluminado e ciente de sua conexão com Deus e com todos, os supostos mandamentos deixam de ser mandamentos, eles se tornam uma parte de você. Você não obedece. Você é.

Antônio avisou ao público que iria explicar cada uma dessas percepções que eles conheciam como mandamentos. Ele pediu que alguém dissesse o primeiro.

Uma menina de oito anos de idade, na frente do palco com seus pais, gritou: "Não matarás". Antônio sorriu e disse que, apesar de não ser o primeiro, era um bom começo.

— Quando seu espírito chegar à luz, você terá amor e respeito por toda e qualquer forma de vida, e vai entender que não pode terminar com uma vida porque a vida não tem fim. Quando vocês perceberem que são espíritos do mesmo criador, finalmente perceberão a conexão entre vocês e todas as formas de vida que existem. Essa percepção não pode ser imposta; ela tem que evoluir. Vocês saberão que estão evoluídos e iluminados quando "não matarás" virar "eu sou um com o todo".

Uma explosão de vozes ecoou na tenda, e as pessoas disputavam a atenção de Antônio, que pacientemente acalmou o público dizendo que ele podia adivinhar qual era a pergunta que os angustiava.

— Todos vocês querem perguntar sobre assassinato e pena de morte. Aposto que é isso que está em suas mentes.

— Olho por olho, dente por dente — gritou um homem do fundo.

— Olho por olho, dente por dente — repetiu Almeida. — O Velho Testamento — acrescentou, acenando para o rabino. — Esse é um bom exemplo de como as palavras podem ser mal interpretadas, mal usadas e distorcidas.

O zumbido provocado pelos comentários tomou conta da tenda, e Antônio pediu à platéia que ouvisse atentamente o que ele iria explicar.

— Essas palavras, "olho por olho, dente por dente", foram as primeiras instruções básicas sobre o carma: o que você faz será feito a você. Não querem dizer mais nada.

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Do livro "Quando Ele voltar" de Ricky Medeiros


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Paz e Luz!
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