Este medicamento contraindicado para uso por pacientes com meningite ou outras afeces do Sistema Nervoso Central que possam afetar a barreira hematoenceflica, devido aos seus efeitos nos receptores GABA-rgicos do crebro.
A dosagem recomendada de Ivermectina para o tratamento destas afeces numa nica dose oral visa fornecer aproximadamente 200 mcg de Ivermectina por kg de peso corporal. Consulte a Tabela 1 para orientar-se em relao dosagem. Em geral, no so necessrias outras doses. Contudo, devem ser feitos exames de fezes para acompanhamento (estrongiloidase) e avaliaes clnicas (demais afeces), para verificar a eliminao da infeco.
A dosagem recomendada de Ivermectina para o tratamento da oncocercose uma dose oral nica que visa fornecer aproximadamente 150 mcg de Ivermectina por quilo de peso corporal. Consulte a Tabela 2 para orientar-se em relao dosagem. Em campanhas de distribuio em massa, inseridas em programas de tratamento internacional, o intervalo entre doses usado de forma mais comum foi de doze meses. No tratamento individual de pacientes, pode-se reconsiderar uma nova dosagem em intervalos de trs meses.
As reaes adversas so, em geral, de natureza leve e transitria. Durante o tratamento com Ivermectina podem ocorrer raramente as seguintes reaes: diarreia e nusea, astenia, dor abdominal, anorexia, constipao e vmitos.
As reaes de hipersensibilidade resultantes da morte das microfilrias aps o tratamento com Ivermectina provocam sintomas de reao do tipo Mazzotti: artralgia/sinovite, dor abdominal, aumento e sensibilidade dos ndulos linfticos, principalmente os ndulos axilares, cervical e inguinal; prurido, edema, erupes, urticria e febre.
Reaes oftlmicas durante o tratamento da oncocercose so raras e podem estar ligadas doena. Estes efeitos secundrios aps o tratamento com Ivermectina, podem ser: sensao de anormalidades nos olhos, edema de plpebra, uvete anterior, conjutivite, limbite, queratite e coriorretinite ou coroidite. Raramente elas podem tornar-se graves ou so associadas com perda de viso e, de forma geral, so resolvidas sem a necessidade de tratamento com corticosteroides.
Foram relatadas as seguintes anormalidades em testes de laboratrio durante as experincias com o medicamento: eosinofilia transitria, elevao das transaminases e aumento da hemoglobina (1%). Leucopenia e anemia foram verificadas em um paciente.
Dados de um estudo multicntrico, realizado dentro do Programa de Controle da Oncocercose, o qual tratou 50.929 pacientes, com dose nica de Ivermectina, acompanhados por 72 horas ps tratamento; mostrou 2,4% de reaes adversas moderadas e 0,24 % de reaes severas (93 casos). As reaes severas mais frequentes foram hipotenso postural sintomtica e dispneia severa. No houve nenhum caso de morte ps tratamento.
Em casos de eventos adversos, notifique empresa e ao Sistema de Notificao de Eventos Adversos a Medicamentos - Vigimed, disponvel em , ou para a Vigilncia Sanitria Estadual ou Municipal.
Foi observada letalidade significativa em camundongos e ratos aps doses orais nicas de 25 a 50 mg/kg e de 40 a 50 mg/kg de ivermectina, respectivamente. No foi observada letalidade significativa em ces aps doses orais nicas de at 10 mg/kg. Nessas dosagens, observaram-se os seguintes sinais relacionados ao tratamento: ataxia, bradipneia, tremores, ptose, reduo de atividade, vmitos e midrase. Na intoxicao acidental ou na exposio significativa a quantidades desconhecidas de formulaes veterinrias de ivermectina em humanos, seja por ingesto, inalao, injeo ou exposio de reas do corpo, os seguintes efeitos adversos foram relatados com maior frequncia: erupo cutnea, edema, dor de cabea, tontura, astenia, nusea, vmito e diarreia.
Entre outros efeitos adversos relatados esto convulses, ataxia, dispneia, dor abdominal, parestesia e urticria. Massi, D. et al. publicaram um relato de caso na literatura africana em 2017 com paciente que, aps dosagem repetida 15 dias aps a dosagem de 150mcg/Kg, apresentou encefalopatia, obnubilao e cegueira bilateral. Em casos de intoxicao acidental, a terapia de apoio, quando indicada, deve incluir a administrao parenteral de fluidos e eletrlitos, assistncia respiratria (oxignio e ventilao mecnica, quando necessrio) e agentes hipertensores nos casos de hipotenso clinicamente significativa. Pode ser indicada a induo de vmitos e/ou lavagem gstrica o mais rpido possvel, seguida de laxantes e outras medidas anti-envenenamento rotineiras, quando necessrio, para evitar a absoro do produto ingerido.
Aps o tratamento com drogas microfilaricidas, os pacientes com oncodermatite hiperreativa (sowda) podem apresentar maior probabilidade que outros de sofrer reaes adversas severas, especialmente edemas e agravamento da oncodermatite.
O paciente deve ser lembrado de que o tratamento com Ivermectina no elimina os parasitas Onchocerca adultos e, portanto, normalmente necessrio repetir o acompanhamento, podendo ser requisitado um novo tratamento.
Dados histricos demonstram que as drogas microfilaricidas como citrato de dietilcarbamazina (DEC), podem causar reaes cutneas e/ou sistmicas de variada gravidade (reaes de Mazzotti) e reaes oftlmicas em pacientes com oncocercose. Essas reaes provavelmente se devem a respostas alrgicas e inflamatrias morte das microfilrias. Pacientes com oncocercose tratados com a Ivermectina podem sofrer essas reaes, alm de possveis reaes adversas relacionadas com a prpria droga.
O tratamento de severas reaes de Mazzotti no foi submetido a estudos clnicos controlados. Hidratao oral, repouso, solues salinas intravenosas e/ou corticosteroides parenterais foram usados no tratamento da hipotenso postural. Anti-histamnicos e/ou cido acetilsaliclico foram usados na maioria dos casos leves a moderados.
Em pacientes imunocomprometidos (incluindo os portadores de HIV) em tratamento de estrongiloidase intestinal, pode ser necessrio repetir a terapia. Estudos clnicos adequados e bem controlados no foram conduzidos nesses pacientes para a determinao da dosagem tima. Vrios tratamentos, com intervalos de duas semanas, podem ser necessrios e a cura pode no ser conseguida. O controle de estrongiloidase no intestinal nesses pacientes difcil e pode ser til a terapia supressiva, isto , uma vez por ms.
Como ainda no se dispe de dados clnicos suficientes referentes ao tratamento de crianas menores de 5 anos ou com menos de 15 kg, o uso deste medicamento por pacientes desta faixa etria no deve ser realizado. No foram estabelecidas a segurana e eficcia em crianas com menos de 15 kg ou menores de 5 anos.
A Ivermectina excretada no leite materno em baixas concentraes. O tratamento de mes que planejam amamentar somente deve ser feito quando o risco de retardar o tratamento da me superar o possvel risco para o lactente.
No foram realizados estudos em longo prazo com animais para avaliar o potencial carcinognico da Ivermectina. A Ivermectina no evidenciou sinais de genotoxicidade no ensaio de Ames para verificao de mutagenicidade microbiana in vitro com Salmonella typhimurium, variedades TA1535, TA1537, TA98 e TA100, com e sem ativao de sistema enzimtico de fgado de rato, bem como em ensaios de citotoxicidade e mutagenicidade empregando linfoma de camundongo linhagem L5178Y e em ensaio de sntese de DNA com fibroblastos humanos.
A Ivermectina demonstrou ser teratognica em camundongos, ratos e coelhos quando administrada em doses repetidas de 0,2; 8,1 e 4,5 vezes a dose mxima recomendada para humanos, respectivamente (baseada em mg/m2 /dia). A teratogenicidade foi caracterizada nas trs espcies testadas por fissuras palatinas. Observouse tambm deformao das patas dianteiras em coelhos. Esses efeitos foram obtidos somente com doses iguais ou prximas aos nveis txicos para as fmeas prenhes. Portanto, a Ivermectina no parece ser seletivamente txica para o feto em desenvolvimento. A Ivermectina no teve efeitos adversos sobre a fertilidade de ratos em estudos com doses repetidas de at trs vezes a dose mxima recomendada para humanos, de 200 mcg/kg (baseada em mg/m2 /dia).
A estrongiloidase uma infeco parasitria que pode desenvolver quadros clnicos graves e que, alm do comprometimento intestinal, pode causar leses cutneas, broncopulmonares, hepticas, biliares, miocrdicas e mesentricas.
A eficcia da ivermectina no tratamento da estrongiloidase tem sido demonstrada em vrios estudos1-3 . Marty et al4 demonstraram eficcia superior da ivermectina em comparao com o albendazol no tratamento da estrongiloidase e Torres et al5 demonstraram a eficcia da ivermectina no tratamento da estrongiloidase em pacientes imunodeprimidos.
A eficcia da Ivermectina no tratamento da oncocercose tem sido demonstrada em vrios estudos6-11, j tendo sido demonstrado que a Ivermectina tem maior eficcia que a dietilcarbamazina no tratamento da oncocercose12.
A filariose linftica humana, conhecida tambm como elefantase no Brasil, causada pelo helminto Wuchereria bancrofti e transmitida por mosquitos do gnero Culex, nos quais as microfilrias se desenvolvem e atingem o estgio infectante. Os vermes adultos vivem nos linfonodos e vasos linfticos, e as microfilrias so encontradas no sangue perifrico. No tratamento e controle da disseminao da filariose, a dietilcarbamazina apresenta resultados relativamente fracos, associados ao elevado ndice de reaes adversas em relao Ivermectina.
A ascaridase causada por um parasita helmntico denominado Ascaris lumbricoides. A prevalncia desta doena d-se em regies de ambiente quente com condies sanitrias precrias em que os parasitas encontrem-se presentes e, em casos de contaminao de alimentos e fontes de gua.
A escabiose ou sarna humana uma dermatose de alta incidncia no Brasil, produzida pelo caro Sarcoptes scabiei. A sarna crostosa ou norueguesa tem tido um aumento de incidncia, principalmente em pacientes imunodeprimidos.
Atualmente existe consenso na literatura cientfica sobre a importncia da Ivermectina no tratamento da escabiose26-28. Alm disso, tambm foi demonstrada a eficcia da Ivermectina via oral no tratamento da escabiose em imunodeprimidos29 e durante a ocorrncia de surtos em instituies27.
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