Por Altamiro Borges
Na semana passada,
durante o MaxiMídia – Fórum Internacional de Marketing e Comunicação, em
São Paulo, o presidente do Conselho da Editora Abril, Roberto Civita,
defendeu abertamente o ativismo político dos meios de comunicação e
elogiou o Estadão, que manifestou seu apoio ao demotucano José Serra em
editorial. Segundo reportagem do Portal Imprensa, no painel “Papo de
CEO”, o capo da famíglia Civita confessou o que só os ingênuos não
sabiam:
“O jornal [Estadão], assim como a maioria da imprensa,
tem seguido durante toda a cobertura das eleições a premissa de que José
Serra tem melhores condições que Dilma para assumir a presidência do
Brasil”. O chefão da Abril, que edita a escrota Veja, afirmou que
“considera mais difícil os meios de comunicação assumirem uma cobertura
neutra sobre a política no país. Civita também defendeu no encontro a
liberdade de imprensa e criticou qualquer autorregulamentaçao por parte
dos veículos. ‘Cada empresa deve se regulamentar’, concluiu”, relata o
Portal.
O promíscuo “ativismo político”A
confissão de Roberto Civita deveria servir de puxão de orelha para
muitas pessoas – inclusive “inocentes” jornalistas – que ainda acreditam
numa pretensa neutralidade da mídia. A revista Veja, “assim como a
maioria da imprensa”, tem lado. Defende, aberta ou sutilmente,
interesses políticos e econômicos de classe da elite burguesa. Na
disputa presidencial em curso, ela aposta todas as suas fichas em José
Serra, sem qualquer escrúpulo ou imparcialidade.
No caso da Veja,
seu “ativismo político” ocorre inclusive por motivos comerciais bem
sinistros. Os tucanos mantêm uma relação promíscua, que cheira
corrupção, com a famíglia Civita. Uma simples Comissão Parlamentar de
Inquérito (CPI) poderia até levar ao fechamento desta editora, por suas
relações patrimonialistas que sugam os cofres públicos. Se a Dra. Sandra
Cureau, vice-procuradora regional eleitoral, fosse mais séria, as
contas da Abril resultariam num escândalo.
O “mensalão” pago pelos tucanosRepito,
até a exaustão, um levantamento feito pelo blog NaMariaNews, uma
excelente fonte de informação sobre os negócios do atual governo
paulista na área de educação. Numa minuciosa pesquisa aos editais
publicados no Diário Oficial, o blog descobriu o que parece ser um
autêntico “mensalão” pago pelo tucanato ao Grupo Abril. Veja algumas das
mamatas:
- DO [Diário Oficial] de 23 de outubro de 2007.
Fundação Victor Civita. Assinatura da revista Nova Escola, destinada às
escolas da rede estadual. Prazo: 300 dias. Valor: R$ 408.600,00. Data da
assinatura: 27/09/2007. No seu despacho, a diretora de projetos
especial da secretaria declara ‘inexigível licitação, pois se trata de
renovação de 18.160 assinaturas da revista Nova Escola’.
- DO de
29 de março de 2008. Editora Abril. Aquisição de 6.000 assinaturas da
revista Recreio. Prazo: 365 dias. Valor: R$ 2.142.000,00. Data da
assinatura: 14/03/2008.
- DO de 23 de abril de 2008. Editora
Abril. Aquisição de 415.000 exemplares do Guia do Estudante. Prazo: 30
dias. Valor: R$ 2.437.918,00. Data da assinatura: 15/04/2008.
-
DO de 12 de agosto de 2008. Editora Abril. Aquisição de 5.155
assinaturas da revista Recreio. Prazo: 365 dias. Valor: R$ 1.840.335,00.
Data da assinatura: 23/07/2008.
- DO de 22 de outubro de 2008.
Editora Abril. Impressão, manuseio e acabamento de 2 edições do Guia do
Estudante. Prazo: 45 dias. Valor: R$ 4.363.425,00. Data da assinatura:
08/09/2008.
- DO de 25 de outubro de 2008. Fundação Victor
Civita. Aquisição de 220.000 assinaturas da revista Nova Escola. Prazo:
300 dias. Valor: R$ 3.740.000,00. Data da assinatura: 01/10/2008.
-
DO de 11 de fevereiro de 2009. Editora Abril. Aquisição de 430.000
exemplares do Guia do Estudante. Prazo: 45 dias. Valor: R$ 2.498.838,00.
Data da assinatura: 05/02/2009.
- DO de 17 de abril de 2009.
Editora Abril. Aquisição de 25.702 assinaturas da revista Recreio.
Prazo: 608 dias. Valor: R$ 12.963.060,72. Data da assinatura:
09/04/2009.
- DO de 20 de maio de 2009. Editora Abril. Aquisição
de 5.449 assinaturas da revista Veja. Prazo: 364 dias. Valor: R$
1.167.175,80. Data da assinatura: 18/05/2009.
- DO de 16 de junho
de 2009. Editora Abril. Aquisição de 540.000 exemplares do Guia do
Estudante e de 25.000 exemplares da publicação Atualidades – Revista do
Professor. Prazo: 45 dias. Valor: R$ 3.143.120,00. Data da assinatura:
10/06/2009.
Negócios de R$ 34,7 milhõesSomente
com as aquisições de quatro publicações “pedagógicas” e mais as
assinaturas da Veja, o governo tucano de José Serra transferiu, dos
cofres públicos para as contas do Grupo Civita, R$ 34.704.472,52 (34
milhões, 704 mil, 472 reais e 52 centavos). A maracutaia é tão descarada
que o Ministério Público Estadual já acolheu representação do deputado
federal Ivan Valente (PSOL-SP) e abriu o inquérito civil número 249 para
apurar irregularidades no contrato firmado entre o governo paulista e a
Editora Abril na compra de 220 mil assinaturas da revista Nova Escola.
Esta
“comprinha” representa quase 25% da tiragem total da revista Nova
Escola e injetou R$ 3,7 milhões aos cofres do ‘barão da mídia’ Victor
Civita. Mas este não é o único caso de privilégio ao Grupo Abril. O
tucano Serra também apresentou proposta curricular que obriga a inclusão
no ensino médio de aulas baseadas nas edições encalhadas do ‘Guia do
Estudante’, outra publicação do grupo. Como observou o deputado Ivan
Valente, “cada vez mais, a Editora ocupa espaço nas escolas de São
Paulo. Isso totaliza, hoje, cerca de R$ 10 milhões de recursos públicos
destinados a esta instituição privada, considerando apenas o segundo
semestre de 2008”.
Fonte:
http://altamiroborges.blogspot.com/2010/10/chefao-da-veja-confessa-apoio-serra.html
Fabiano P. Silva
www.papirusfalantis.blogspot.com