Avaliando a Guerrilha (Pt. 1) Estamos avançados no estado de putrefação da Noite. A velha guarda foi toda avisada & agora estão instalando os alarmes de segurança junto com o novo sistema de vigilância & bulldogs treinados para farejar subversivos. Estão com medo! Pois tá... ficarão com mais medo ainda! Um jovem poeta quando quer pode fazer isso... imagine então se ele conseguir juntar bandos imensos, hordas de bárbaros & desbravadores, jogadores silenciosos & eficazes, aventureiros com sede de SITUAÇÕES! Ontem, amigos, foi um primeiro passo para uma liqüefação dos antigos processos criativos. Nada melhor que uma destruição que erga corpos que uma construção que faça nossas artérias se entupirem com tamanha besteirol, tamanha pose & afetação! Bem... o que uma garrafa de vinho não pode proporcionar? O vinho, o alimento do guerreiro, o porta-voz da embriaguês definitiva de onde extraímos o Fogo de uma uma delícia. Iremos
aprontar, amigos... aprontar com fúria & docilidade, com selvageria & amor. E depois deixaremos aquela sensação de "um furacão passou por aqui". Se tivéssemos encontrados todos nossos amigos & curtido juntos uma renovação aleatória dos sentidos, teríamos proposto publicamente mais que um happening por si só... o desvio oficial & não-autorizado de uma noite de Serenata poética onde os bundões imortais continuam achando seus peidos algo sagrado! Mas, basta erguer a voz, atirar nossa face escarrada saída do abismo de andanças violentas & bebedeiras vorazes, carregando conosco o atraso nada formal de nossas vontades delicadas & atirando pérolas brutas na face ansiosa deles que se fartavam em seus jantares & suas bebidas caras. Gostei de ver... gostei de ver que podemos fazê-lo. Gostei de ver que podemos derrubar modelos de senilismo poético, de arcaísmo literal(literário), com um questionamento mais profundo
dos materiais & da atitude do "esteta" diante do absurdo real do qual extrai suas "obras". É bom saber que podemos entrar sem licença em todos os bueiros do Reino ou pela porta da frente das CAtedrais & Templos da Imortalidade para fazer uma mágica arruaça onde todos os sentidos ficarão confusos & com isso o Maravilhoso (que nunca pode ser repetido) surgirá bem diante dos seus narizes... embora a tática maior dos conservadores na área da "cultura" será sempre a Lei da Mordaça, o silêncio tácito sobre tudo o que pode Mudar Vidas & Perspectivas, embaralhar conceitos & preconceitos & desvendar o vazio por trás das máscaras que vestem. Claro... por que fazer alarde contra isso? Se a liberdade de expressão existe melhor será falar das mesmas coisas como se isso por isso só "reembelezasse" o Mundo ou, ao menos, lhes garantiriam uma falsa segurança ou recompensa de estar fazendo o que podem! Não! Claro que os
próximos a tomar seus lugares devem ser feitos & refeitos inifinitamente até adquirir a repugnante semelhança de seus criadores, tutores & mestres! Uma carcaça vazia & bem asseada, um crânio enorme onde penduram cadáveres de idéias & construções líricas baseadas no Lugar Comum da Língua Imutável! E o resto é o resto... não precisa ser citado... não precisa emergir atrás de ar para existirem: que fiquem nos esgotos, no submundo, no lado selvagem & inexplorado eternamente proibido de vir à tona exalar suas cores & odores. "Mas, você está provocando. É claro que não vão lhe dar atenção!" Claro que estou provocando, claro que estou agindo de uma maneira perigosa ou, ao menos, instigante. Não podemos espalhar o pólen quando existem muralhas enormes & fossos abomináveis entre a influência deles & a nossa liberdade que vive na clandestinidade. Melhor seria agir como um cachorro que, desinteressado,
levanta a perna & urina em suas pernas! "Não se pode questionar o nosso dogma: que a Arte & a Vida são coisas bem distintas; e que não importa o quanto você sofreu para expressar o que sente, mas apenas se aquilo soa bonitinho nos nossos delicados ouvidinhos!" Muito bem. É isso... eis o segredo da Grande Literatura... desde Homero até Ronaldo Monte. Aceitemos ou não, a mudança vem... de algum lugar, pode ser que esteja alojada no coração louco & destruído de um jovem poeta que viva em fuga de tudo, que tenha um sério problema em aceitar as coisas, em aceitar a "REALIDADE" como dizem; assim como pode surgir da boca de um bêbado que vive todos os seus dias uma embriaguês profunda de cantos & uma rotina miserável numa fábrica. Até um vendedor de picolé pode chegar perto de você & discutir Apollinaire & mesmo assim ele sempre será uma sombra errante cujo destino é uma vala profunda num chão que não lhe
pertença. Todas as posições que estão aí, todo esse status não pertence simplesmente ao homem que o possui... ele não nasce com aquilo & nem o leva para o seu sombrio destino. Ao cruzar o atlântico um grande poeta (ou alguém que assim se considere) pode, em questão de milésimos, se tornar o pior traste derrotado, o zé-ninguém puro, um zero a esquerda completo. Nunca se esqueçam disso, amores. É por isso que tem tanta gente acomodada & com medo... com medo das mudanças, com medo de ter seus ouvidos, seu sexo, seu corpo, sua mente, invadida com Filosofias Não-Idênticas ao que são acostumados a engolir... a pílula da Matrix cotidiana. Ao mesmo tempo existem os carajosos... aqueles que assumem seus medos, suas caras, pisam em tudo o que vem pela frente mesmo que talvez um dia lhe seja útil, mais que andam sempre em renovação, mesmo que seus corpos fiquem lerdos & pesados & que carreguem problemas & preocupações
que façam obscurecer tudo o que tem diante de si mesmos. Amigo... não se trata de uma questão midiática ou publicitária... o novo não precisa disso para existir... ele entra, como eu falei, pelos fundos ou pela frente sem pedir licença... pega um cigarro de sua mesa sem sua autorização, rouba sua namorada & lhe dá a trepada da vida dela, seqüestra você de sua segurança para te devolver algo imorredouro & fugaz. Não esqueça que nossos rastros aqui sumirão um dia... virão vários outros habitantes (matrículas) neste formigueiro globalizado.. & com tanta pessoa no mundo não poderá haver mais essa idéia de Propriedade. Todos os espaços serão invadidos, todas as honras serão roubadas & a hipocrisia será um prostituta da noite pronta a ser violentada por qualquer um. Quem poderá deter isso? Que controles mais inventarão para barrar a VIDA? Enquanto alguns neuróticos fecham suas carcaças em busca
científico-tecnológicas por exilires para eliminar consideravelmente o seu nível de stress (ao menos "controlá-lo") & outros se alienarão em Igrejas & cultos de todos os tipos... outros estarão por aí, soltos, livres, leves, com todas as couraças estouradas.. crianças num fluxo energético sem fim. Nos preocuparemos com o Presente puramente... o futuro nada nos deve (ao menos diretamente) & o passado já deu o que tinha que dar: Dostoievsky, Rimbaud, grandes Guerras Mundiais, campos de concentração, bombas atômicas, hostilidade entre nações & povos, cristianismo, protestantismo, colonização, submissão, expropriações, vinganças históricas, doenças venéreas, suicídios, sangue & sangue & urina & fezes nas ruas, a invenção do relógio, a mensuração espaço-temporal, o início das Ciências & da Filosofia, etc. Apontaremos nossos corpos explosivos para todas as direções &
absorveremos cada tiro ou cada silêncio lançado contra nós. Não estamos nem aí pra nada disso... poder, glória, mídia, a moda do dia, status, orgulho, pátria, religião, moral... o que são cada coisa dessas afinal? Eu mesmo não sei bem o significado dessas palavras & não entendo como existem pessoas que ficam tão cegas & doentes por correrem a vida inteira atrás disso & morrerem infelizes. Pois a verdade é esta: estamos descontentes... mas "aceitamos" friamente as lições da História & ficamos inertes diante do que mais importa: a sensação que nos preenche.
Voem solitários corações... voem alto... sejam abusivos em todos os teus intentos...
Uma nova postura diante da Vida é "mais que necessária"... e já está iniciado o desmoronamento de todos os julgamentos passados.
11 de fevereiro de 2009 IkaRo MaxX P.S.: muito mais virá por aí |