No dia 5 de junho, uma grande marcha tomou conta da Esplanada dos Ministérios. De diversos pontos do país, professores, estudantes, técnico-administrativos e outras categorias do serviço público federal organizaram caravanas para Brasília, totalizando mais de 15.000 manifestantes. Em defesa da educação pública e da valorização dos serviços/servidores públicos, pressionaram para que o Ministério do Planejamento recebesse as categorias mobilizadas. Ao mesmo tempo, centenas de estudantes, da Amazônia aos pampas gaúchos, realizavam, em frente ao Ministério da Educação, a Plenária de Brasília. Em um momento histórico, representantes dos comandos locais de greve estudantil, DCEs, CAs/DAs, coletivos e entidades nacionais (UNE, ANEL, executivas de curso) decidiram unificar as lutas de cada universidade em uma só! O movimento estudantil da UFPB esteve presente, compondo uma caravana com estudantes e professores da UFPB e UFCG.
A greve docente, que eclodiu em diversas IFES no dia 17/05, está inserida num contexto de precarização do trabalho docente, de ausência dos requisitos básicos para a realização do tripé universitário e a consequente desfiguração da Universidade Pública como locus de organização da cultura, produção do conhecimento e crítica. Para o conjunto d@s estudantes, essas condições são agravadas pelas dificuldades financeiras com que se deparam ao entrar na universidade: transporte, alimentação e fotocópias são alguns dos gastos mais comuns. A insuficiência de recursos e dos programas de assistência estudantil, no momento em que mais de 40% dos estudantes das IFES são oriundos das classes econômicas "C", "D" e "E", impossibilita a fruição do universo acadêmico em sua plenitude.
Frente a essas condições, o governo Dilma tem intensificado os ataques à educação (nos últimos dois anos, 5bi. foram cortados da pasta) e o ministro Mercadante declarou não negociar com categoria em greve. No entanto, o movimento grevista têm crescido a cada nova assembléia realizada e o movimento estudantil, ao lado dos professores, dá provas de que um novo período de lutas está aberto.
Assim, convencidos da justeza da pauta docente e da necessidade de contribuir para a crítica e transformação da Universidade Pública brasileira, estudantes de diversas IFES declararam GREVE ESTUDANTIL POR TEMPO INDETERMINADO. Durante a Plenária, foi unânime a crítica ao processo de expansão orientado pelo REUNI e suas consequencias para a comunidade estudantil. Crítica essa refletida no manifesto aprovado ao final da atividade: "Os(as) estudantes enfrentam no dia a dia das universidades a falta de professores, salas de aula, restaurantes universitários, moradia estudantil, além da estrutura autoritária da universidade, que não respeita a construção paritária entre os três segmentos nas instancias deliberativas da universidade e nas escolhas dos(as) representantes da universidade. Acreditamos que o modelo de educação que vem sendo implementado, especialmente a partir do REUNI em 2007, não tem uma destinação de verbas proporcional a expansão que é proposta. Queremos 10% do PIB para a educação pública já e uma expansão com qualidade".
Na UFPB, Comando Local de Greve docente têm desenvolvido uma série de atividades e se mostra aberto ao diálogo com estudantes e técnico-administrativos. A iniciativa da formação do "Fórum em Defesa da UFPB", envolvendo todos os segmentos da comunidade universitária para a construção de uma pauta comum local, aponta para a necessária unificação de nossas lutas. Nesse sentido, o movimento estudantil combativo em nossa universidade deve cerrar fileiras com os professores, fortalecendo as atividades construídas pelo Comando Local de Greve e construindo iniciativas conjuntas.
É hora de organizar a resistência ao desmonte da universidade pública dentro da UFPB! É necessário sensibilizar cada estudante, CA/DA e coletivo para a construção de um fórum de mobilização estudantil e uma pauta local unificada. Da mesma forma, é tarefa de tod@s fortalecer, pela base das IFES, o Comando Nacional de Greve Estudantil, discutindo os rumos de nossa luta a partir de uma perspectiva nacional e participando de seus fóruns.
Para viabilizar essa iniciativa, estamos propondo a realização de uma plenária estudantil nesta quarta-feira (13), às 14h no Anfiteatro, para discutir a construção de um fórum de mobilização estudantil.
Estão mobilizados pra essa luta em defesa da universidade pública:
Hector Abdal - Ciências Sociais
Isadora Silveira - Enfermagem
Julianny Resende - Enfermagem
Kamilla Soares - Filosofia
Livio Brandão - Serviço Social
Luana Motta - Filosofia
Ricardo Silva - Ciências Sociais
Vitória Araújo - Serviço Social