ESTADÃO vs. MARIA RITA KEHL

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Fabiano .

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Oct 13, 2010, 1:22:03 AM10/13/10
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ESTADÃO vs. MARIA RITA


A emoção no lugar da razão

Por Carlos Brickmann em 12/10/2010



Emoção tem tudo a ver com eleição: é provavelmente o que leva um eleitor a escolher um determinado candidato, não outro. Mas, ao cobrir eleições, o jornalismo não deveria abandonar a razão. Por mais apaixonado que seja, um repórter não pode acreditar que uma mulher distribui panfletos da TFP (que não aceita mulheres, essas tentações ambulantes), não pode achar que há censura contra um articulista quando o artigo é publicado na íntegra, não pode deixar sem resposta o boato de que determinada candidata está proibida de entrar nos Estados Unidos, quando acabou de entrar lá.

O caso mais emblemático, acredita este jornalista, é o da censura: acusou-se um jornal, o respeitado O Estado de S.Paulo, de censurar sua colunista Maria Rita Kehl. Só que não houve censura, tanto que o texto foi publicado normalmente, no lugar de costume. O que se pode dizer é que houve pouca habilidade ao lidar com o fato: demitir uma colunista de prestígio, articulada, bem-informada, polêmica, bem após o episódio do artigo em que defendeu a Bolsa-Família (um artigo, aliás, de ótima qualidade, bem embasado, que poderia servir de base a um debate que só enriqueceria o jornal), é abrir o flanco a todo tipo de acusações. E a explicação de que colunistas entram, colunistas saem, que seu ciclo estava encerrado, só serve para piorar as coisas: depois disso, qualquer argumentação ficará sem base. É acreditar que ela já ia sair mesmo, só que não sabia disso.

Imaginemos que, na melhor das hipóteses, o jornal tenha considerado que, no momento pré-eleitoral, um artigo como o que foi publicado funcionasse como propaganda da candidata do governo (o que não era – mas a consideração poderia ser feita). Uma conversa com a colunista, pedindo moratória em temas que pudessem ser considerados eleitorais, e por poucos dias, talvez fosse mais eficiente. Isso evitaria a acusação de que o jornal, enquanto critica o governo por suas declarações a respeito da liberdade de imprensa, estaria tolhendo a liberdade de seus colaboradores. Demiti-la – e demiti-la do jeito que ocorreu, com informações imprecisas – foi provavelmente a pior saída que poderia ser encontrada.

O grupo jornalístico de O Estado de S.Paulo tem uma tradição de respeito à opinião de seus colaboradores que não pode ser esquecida. Houve ali editorialistas como Miguel Urbano Rodrigues, comunista militante, que hoje está no jornal do Partido Comunista Português; Hélio Bicudo, ligado a correntes católicas não-tradicionais, que levou Júlio de Mesquita Neto a um comício do PT; Lenildo Tabosa Pessoa, ligado à igreja católica mais tradicional, cujas relações com Bicudo nunca chegaram a ser amistosas; e articulistas como Carlos Lacerda, que atacava o regime militar pelas páginas do jornal e se aliava a antigos inimigos do Estado, Juscelino Kubitschek e João Goulart. A família Mesquita sempre teve posições firmes, o que não impediu Ruy Mesquita de defender a candidatura de Jânio Quadros à Presidência, contra a opinião dos demais.

O caso de Maria Rita Kehl não pode ser dissociado da história do jornal. Um dos mais festejados escritores do país, Fernando Morais, conta que, quando os militares quiseram prendê-lo, nos episódios que antecederam imediatamente o assassínio de Vladimir Herzog, Ruy Mesquita se ofereceu para acompanhá-lo em seu depoimento, garantindo que se tratava de um funcionário da empresa. Morais tinha sido funcionário do grupo, mas já saíra havia um bom tempo; entretanto, mantinha-se como o amigo cuja vida e integridade continuavam a ser defendidas.

A tentativa de mover uma campanha de desmoralização do Estado é um erro histórico. Não se pode permitir, mesmo em campanha eleitoral, que o calor da emoção substitua a luz da razão.


 

Fonte: http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=611CIR001

 
 
A psicanalista sentiu na pele os dois pesos de um jornal que defende a
liberdade de expressão, mas não admite a pluralidade de ideias!



Sobre o fato:

Assisti a um debate no programa Observatório da Imprensa (apresentado por Alberto Dines, com a presença de Maria Rita Kehl e o Prof. Muniz Sodré)  sobre ocorrido. Na ocasião, a própria Maria Rita admitiu que não houve censura, uma vez que o texto foi publicado. No entanto, me parece que a esperteza dos editores do jornal foi maior: publicaram o texto da psicanalista para, só depois, demiti-la. E aí ninguém poderia falar em censura já que o texto foi publicado. Beleza, mas, pra mim, isso mais parece resquício da Ditadura que, guardada as devidas proporções em relação ao caso, matou Vladimir Herzog ao invés de proibi-lo de exercer o jornalismo. Ou seja, cortaram o mal pela raiz.







hÀBraÇos!




Fabiano P. Silva
 
www.papirusfalantis.blogspot.com
 


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