O que a vida me diz
estou vivo.... em outro lugar... atrevassando delirantes desertos entre as chuvas negras de uma epidemia que se aproxima... as sombras dos carrascos batendo na janela de minha casa sem paredes... meus eternos quartos roídos por fantasmas & cenas inesquecíveis de um filme de fumaça... meus olhos cheios de chuva de lugares que ninguém nunca visitará terreiros de consciências falhas, crianças sorrindo num pomar de algodão inofensivo - o eterno & proibido palácio onde mora a inocência - meus delitos & exílios forçados forjados numa comunicação etérea com a realidade a fragilidade do mundo que não digere meu amor & minha raiva fora dos limites da polarização... abandonado por meus antepassados minha vida flui num córrego de sonho minhas orquestras de perfumes secretos, as mãos tremendo de cadeias cíclicas de etanol difuso no hálito da noite... as corujas em meus olhos inflamados contra a justiça meus quartos & casas abandonadas na missão da evasão mística não deixando pegadas deixando sinais de amor telepático nas paredes como manchas no horizonte - o risco de uma estrela no entardecer... - minha neblina febril tocando teus braços enchendo teus olhos quentes de beijos devorando a maçã de teu rosto - - cheguei em tua Vida & te dei Amor & Lágrimas - - imagens que nunca serão esquecidas... NUNCA!! acendi a lanterna uterina da volúpia brincando de Deus num mórbido sábado, cruzei tuas pernas com meus aviões lançando bombas de êxtase em teu baixo ventre - rajadas elétricas de pulsões amorosas - & te penetrando como um trem insaciado numa quarta-feira de vinhos chilenos roubados Venci uma guerra & deixei a serpente caída com um exército de apocalipses balbuciando exército de amores silenciosos como um caramujo enrolado em papel fino queimado numa palavra ao vento... as bíblias mortas sepultadas nos rostos indistintos de bonecos que jazem num paraíso empestado Macacos-Homens chorando numa poltrona de silêncio o quanto fomos longe & nunca voltaremos!! nunca houve partida ou chegada & estamos inconscientemente interligados ao Mal... talvez um dia uma flor ejacule todas as tensões nos jardins & acordem as outras um banquete de libélulas ao sol num crepúsculo doentio & ranzinza
Na Casa das Rosas (São Paulo), lendo um texto do "Reiki de Um Homem Bomba" em cima da mesa do Ademir Assunção... pari todos os vestígios, os assassinos,
os mistérios insondáveis, cuidei de ti como de um bon sai, frágil sombra, galho de incômodos primaveris na eterna sede de delírios - tenho novas visões, renasci & fiz a fênix sair do ovo & cruzar com suas asas famintas o genocídio emplastificado com sorrisos carimbados no verso - apátrida & imoral como um beijo na terra de robôs empertigados que lutam com os cotovelos... a canção desmancha o câncer, tira a tinta da falsa parede compus o tempo todo na forca, mas, minhas asas me deram uma velocidade de chicote de luz --- prolifieração de outro sentir me dando vísceras novas em folha --- A luta contra o papel em branco descanando a personalidade, a autoridade, a intenção... é o momento de encontrar outra expressão, a revolta me leva à outras terras que nunca foram prometidas, meus pés me mostram o mundo... teu beijo, tua carícia antes proibida, minha solução em meio a balbúrdia daqueles exércitos famigerados por políticas, religiões & novos moralismos -- as velhas armadilhas da farsa -- ensinei-te a desprezar palavras... idéias... formas... a ir mais longe dentro dessa selva de canibais doentes - raquíticos roedores de sobrevivência duvidosa - sobrevivendo por atalhos psicologicamente frágeis, escondidos nas carapuças de bárbaros domesticados por doutrinas & ciências decadentes regi-me pelo desconhecido... fui ao seu encontro... toquei o seu útero... senti a ressonância, a reação, a surpresa... estou por aí, sozinho, nu, incompreendido com a força de mil mortes atômicas & todas as vidas desconhecidas de heróis mitológicos fundidos como livros infantis. causador de incêndios & alvoroços, paixões escandalosas maestro de minha vida costurando ao perdidos um cordão de sangue & vinho, dando uma nova beleza a cada cicatriz... te abri os braços & recebi sua dor... currei tua alma com o vapor, o fogo em meus olhos de chuva de cometas alucinados, meu toque elétrico de carícias precisas, geométricas, anárquicas, meus beijos intempestivos que estalam na sua pele & provocam choques agradáveis... as mordidas na pele, nas costas, na nuca, no ventre os megavolts de uma ereção que preenche o vácuo de sua tempestade silenciada pelos outros & por si mesma abrigo-me em tua caverna & risco as paredes quentes - não sem derrubá-las!! te amo... te dou um filho & um motivo - UMA VIDA NOVA crio as minúcias do sonho... exibo meus dentes tortos, dedos, língua... saio por aí pronto para os furacões indefinidos numa noite sem leis napalm no peito, no fundo as estrelas cantam canções esquecidas na pré-estória de nossos belos & ardorosos desejos... a pré-história do mistério,,, nossa vontade de queimar carros... os flashs nos fazendo sombra... estive por aí, levando chuva, trovão, em lutas & batalhas contra o G-8 batalhas de corpos quentes o último recurso... estive escondido no buraco de tua alma contrariando enredos, traficando, traindo, amando apenas - sendo - ser - semente todas as mudanças impossíveis no alto de uma montanha mágica perfumada por inesquecíveis equinócios perdido numa razão intragável... fumo um cigarro, apago-o em minha mão choro por qualquer coisa... mas... continuo vivo... além da vida... mutilado da história como uma ciência adjacente -- uma chaga violenta cujo amor é um vulcão -- & escarpas no sangue distribuindo as trincheiras da ilusão sou o perdedor mais benigno que qualquer tumor no espaço & no tempo um brinquedo para mulheres soberanas um amor para mulheres perdidas em seus desejos pecaminosos a manhã depois do dia cinza cintilando como festas perfeitas os pulmões foram abertos por segredos mágicos meus lábios ainda nem falaram quero estar pronto para todas as travesias & as montanhas escarpadas me mostram o caminho nos soluços das pedras... SERÁ QUE ALGUM DIA DEIXAREI O EXÍLIO??? Quem sou eu??? anjo, castrado, demônio, santo, homúnculo, carga podre de miséros anos, com espírito livre? Uma fagulha poderosa perdida num lasso brilho, LASCIVO, transmitindo uma sintonia de dedos ensandecidos... pimenta, morte, dor, o último segredo do coração humano.... OLHOS & SEXO a eterna diferença em extinção no último suspiro antes da eternidade perdida.... No entanto.... pego minha mochila & ponho nas costas... A VERDADEITA EPOPÉIA SÓ VAI COMEÇAR retirado de um caderno que estava perdido... não tem dada... mas, é desse ano
* - várias inspirações: roubadas em Natal, estrada para Garanhuns, relacionamentos complicados dos últimos tempos, exílios em casas abandonadas ou de amigos, vivências com grandes amigos... IkaRo MaxX |
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