Declaração Final do II Encontro de Estudantes Latino-americanos de Extensão
Consideramos
que a partir da Extensão temos a capacidade de transformar a pesquisa e o
ensino da universidade, e isso é uma das razões fundamentais pela qual
revitalizamos e promovemos o modelo latino-americano de extensão universitária:
a extensão como um marco de horizontalidade, bidirecionalidade e troca de
saberes na co-construção e nas experiências de projetos de extensão, nos
saberes populares e da universidade. Extensão com ênfase em fortalecer uma
contínua e profunda articulação com os trabalhadores, movimentos sociais e
setores oprimidos da sociedade, a afim de que a ação extensionista perdure,
proporcionando autonomia à comunidade e à universidade, e nela, principalmente
aos estudantes, para que tenham uma melhor compreensão da realidade estrutural
e dos mecanismos de transformação da realidade.
Como proposta, apontamos uma institucionalização da extensão universitária que contemple:
· A formação e conceitualização teórica da extensão para todos os atores da universidade, levando-se em conta os docentes, que tem um papel fundamental no desenvolvimento das atividades de extensão;
· Um processo de institucionalização que desde o início conte com a participação de estudantes e docentes;
· O reconhecimento das atividades de extensão dos docentes pela universidade;
· O papel dinâmico e propositivo do movimento estudantil e, nesse sentido, a sua participação ativa na gestão do desenho e direcionamento dos projetos de extensão, em seu planejamento orçamentário e na política de orientação, coordenação e integração de projetos e práticas extensão.
·
A criação de
espaços curriculares e extracurriculares e interdisciplinares de extensão, com
espaços de formação;
· O apoio a formação integral dos estudantes, agregando ao processo educativo, a extensão, a pesquisa e o ensino;
· A difusão dos valores das atividades de extensão em todos os níveis de educação.
Para construir uma extensão verdadeiramente transformadora, devemos reconhecer a sociedade em que vivemos - baseada em contradições e marcada por opressões de classe – para o que é fundamental a tomada de consciência das comunidades acadêmica e não-acadêmica. Para tanto, é necessário que nos insiramos na realidade com visão crítica e de forma dialética e dialógica, através de referenciais como a educação popular e a economia solidária popular, a fim de produzir outra hegemonia para a universidade e para a sociedade.