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A união homossexual com os mesmos direitos que o casamento entre homem e mulher é um projeto que está desde 1996 na pauta do Congresso Nacional. Foi apresentado pela então deputada federal Marta Suplicy (PT). Mas nunca foi votado pelos parlamentares. Independente de ser regido por lei, milhares de casais no Brasil já vivem sobre o mesmo teto há muito tempo, mas ainda não podem usufruir dos direitos de uma união estável. A universitária Janaina Oliveira e a companheira dela Daniele Brígida vão participar da celebração e esperam que o Fórum Social Mundial consiga sensibilizar a sociedade para compreensão da liberdade sexual. 'Hoje sinto que a sociedade nos tolera. E não quero ser tolerada, quero ser respeitada. Pago meus impostos como qualquer pessoa e não sou anormal', diz Janaina. Ela lembra que vencer esse preconceito é uma tarefa difícil pois o primeiro obstáculo está na família. 'Cheguei a ser expulsa de casa e ainda hoje minha família, que é muito católica, não aceita com naturalidade. Minha mãe não diz para os outros abertamente que tenho uma companheira', conta a universitária. Quem ainda não teve coragem de assumir a homossexualidade diante da família espera que a troca de experiências durante o Fórum Social Mundial facilite o diálogo. 'Minha irmã é a única que sabe, mas contei através de depoimento postado no Orkut e nunca falei pessoalmente sobre isso. Tenho medo que mudem o comportamento. Espero que o Fórum contribua com mudanças práticas, principalmente em Belém que é uma cidade muito provinciana', diz a estudante Rafaela (o nome é fictício). A Holanda foi o primeiro país a aceitar o casamento entre pessoas do mesmo sexo, que é legalizado nos Estados americanos da Califórnia e Massachusetts, além da Bélgica, Espanha, Noruega, Canadá, África do Sul e a Grã-Bretanha. O casamento é apenas uma das programações realizada pelo Movimento de Gays, Lésbicas, Bissexuais,Transexuais e Travestis (GLBT) de Belém. O grupo ainda vai lançar no próximo dia 28 uma campanha internacional pela aprovação do Projeto de Lei (PL) 122/2008, que dispões sobre a criminalização da homofobia. No dia 31, pretendem realizar a 1ª Marcha pela Livre Opção Sexual. O coordenador da organização não-governamental (ONG) Cidadania, Orgulho e Respeito (Cor), integrante do GLBT, Marcelo Carvalho, diz que a hora é de reivindicar direitos e enfrentar a insegurança e o desrespeito. 'Um homossexual tem medo de entrar em um delegacia, porque a abordagem é sempre constrangedora. É como se falassem 'você é culpado por que é homossexual', declara. O PL 122/2008 quer tornar crime a discriminação por orientação sexual e identidade de gênero, com a pena, reclusão e aplicação de multa aliança Entidades, organizações sociais e movimentos por libertação e igualdade de direitos também terão um dia inteirinho dedicado a eles durante o Fórum Social Mundial 2009, em Belém. No sexto dia do FSM acontece em Belém o Dia das Alianças, voltado a organizações e redes que queiram propor assembléias durante o evento. No dia 1º de fevereiro, sexto e último dia do FSM Amazônia, ocorre o Dia das Alianças, que será dividido em dois momentos. Pela manhã serão organizadas as assembléias entre as redes e entidades com temas e lutas afins, que deverão elencar propostas concretas sobre as campanhas, manifestações ou qualquer outra atividade, ação ou reflexão que deverão continuar para além do Fórum. À tarde, durante a Assembleia das Assembleias, haverá a leitura das propostas e encaminhamentos com os resultados de todas as assembleias ocorridas durante o turno da manhã. Será um evento público com início previsto para às 15 horas, dando visibilidade às propostas concretas dos movimentos participantes do FSM. Na Assembleia das Assembleias a apresentação dos resultados das convergências será intercalada com atividades artísticas e culturais, marcando o encerramento do FSM Amazônia 2009. SOLIDARIEDADE Pensando na participação política e também presencial de grupos e organizações foi criado um Fundo de Solidariedade que visa garantir a vinda dessas delegações a Belém, sede do FSM, entre 27 de janeiro a 1º de fevereiro. O 'fundo' é financiado por organizações internacionais e nacionais e foi criado com objetivo de ajudar a participação equilibrada, de povos indígenas e tradicionais, e de organizações e entidades de países que historicamente não faziam parte do processo do Fórum, e que passaram a participar desde o dia de Ação Global, em janeiro de 2008. Para o Fórum de Belém espera-se a participação de mais de 3.000 índios e índias de todo o mundo. A se confirmar a participação dos inscritos, será o maior número de indígenas já registrado no Fórum Social Mundial. |