novidades em "Rebelião Hedonista no Juliano Moreira", por IkaRo MaxX

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Ikaro Max

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Mar 8, 2009, 8:47:52 PM3/8/09
to versol...@yahoo.com.br

Sunday, March 08, 2009

Relíquias

para todas as mulheres deste mundo



E ela guardou as relíquias
de um amor bandido
de travessias infernais durante dois anos inteiros
numa montanha-russa desajustada
ela não pediu arrego
amou tudo em desassossego
ardeu em gritos & supressões
filmou os desastres & noites de amor
que se repetem sem cessar
ao terminar o dia
em sua memória



8 de Março de 2009
IkaRo MaxX

posted by Dionísio e a Revolução do Orgasmo at 5:35 PM 0 Comments

esporro 2

os fecundos segundos do desastre que nos levam diretamente ao pesadelo aberto enquanto somos possuídos pelos fantoches da loucura...

posted by Dionísio e a Revolução do Orgasmo at 5:16 PM 0 Comments

Thursday, March 05, 2009

A razão por trás disso...

Apresento-vos, no post abaixo, a Introdução do meu novo trabalho, o "Para ler em voz gritada", uma miscelânea mameluca de Gritos horrendos, sinfonias abortivas, manifestos, dedadas universais da goela do Parasita Eterno, cartas de amor, protozoários & vírus de futuras estações. Esse é um trabalho interessante que também consta, na versão que pretendo editar, com algumas fotos & imagens, além de comentários de amigos & escritores sobre meu trabalho.

Quando tiver com o preço da feitura & da prensagem da primeira edição eu vos informo (por aqui, por e-mail & outros meios possíveis) sobre como fazer para me ajudar na feitura & adquiri-lo.

Agradeço a cooperação de todos,

o autor.

posted by Dionísio e a Revolução do Orgasmo at 7:32 AM 0 Comments

Para ser lido em voz gritada, 2009

À guisa de Introdução...



Veio-me um terrificante impulso de selecionar alguns dos polêmicos textos que
tanto me estigmatizaram nesta & em tantas outras cidades. O viés, ou o filão,
pelo qual decidi reuni-los foram as experiências do choque estético causado
por suas demonstrações em público. Inicialmente costumava apenas lê-los em
casas de amigos ou em bares enquanto devorávamos longas conversações
sempre acompanhadas de doses violentas de qualquer substância. Com o
tempo a coisa foi tomando um rumo inesperado &, após as longas sessões
dessas reuniões, costumávamos subir nos ônibus & incitar espontaneamente o
estado de espírito dos presentes com essas leituras violentas. Enquanto líamos
nos dependurávamos nas cadeiras, passando de uma a outra como macacos
passando de galho em galho & soltávamos urros primais. Nessas horas o
motorista & o cobrador dos veículos de transporte público também se
excitavam ou demonstravam sua clara hostilidade. Certa vez até fomos
reprimidos por uma gangue juvenil de um dos bairros de periferia, porém,
conseguimos fazê-los enxergar que essa atitude deles era uma reprodução
intolerável de um comportamento policialesco. Por incrível que pareça essas
palavras tocaram no âmago deles &, dentro em pouco, eles já aplaudiam
nossa performance espontânea dentro do buzão. Com as expansões nos
territórios & na velocidade da mobilidade logo estávamos também invadindo
outras searas. Éramos conhecidos então como estupradores de palcos &
platéias por assim dizer. Chegávamos aos eventos & roubávamos a atenção
de todos com nossas leituras, cenas, escândalos, farsas & tudo o que pudesse
despertar o sentido fatal do vazio cultural que era programado por
mediadores imbecis & desprovidos de talento. Apesar da sagacidade de
muitas destas armadilhas & da contribuição velada que dávamos para uma
tomada de consciência que superava o senilismo comodista estético muito
dos outros artistas (de todas as áreas da arte, etc) demonstravam verdadeiro
rancor por estarmos “atrapalhando” os seus números. Mas, eles se esqueciam
que não estávamos ali para divulgar nossos nomes, embora nossa imagem
aparecesse (eram nossos corpos lá sofrendo o risco, queimando no fogo da
vaia ou do aplauso, do belo & do ridículo...), nem para – meramente –
desmerecer seus trabalhos & esforços: estávamos propagando novas posturas,
novas tomadas de decisão, novos valores a partir de uma guerrilha de caráter
total & amoral. Não bastam os rancores, mas, as reações muitas vezes
ultrapassaram a barreira da intelecção racional: ocorreram brigas onde
apanhei feio por conta dos poemas que li ou havia perdido o direito civil de
transitar por lugares por conta da sugestão de uma conduta mais
inapropriada. Expulsão de bares; expulsão de hotéis onde aconteciam
eventos, feiras, inaugurações; expulsão de festas; expulsão de ateliês de arte;
liminares contra a minha presença & a de meus amigos em determinados
lugares. Existiu realmente uma caça aos poetas tão baixa quanto a caça às
bruxas ou aos judeus! Uma sabotagem silenciosa coletiva dos espaços de
cultura, dos organizadores & dos “artistas mesquinhos & comportados” contra
quem tentasse alterar ou destruir a codificação alienadora & discriminatória
onde o que vale são os rótulos, as indicações, as panelinhas & os preços. Por
isso decidimos virar as costas para essa latrina onde pululam os limitados &
decidimos expandir nossas experiências líricas por outros lugares do Brasil & do
exterior. Nesses outros territórios desconhecidos, apesar das dificuldades,
encontramos lugares & pessoas com quem ao menos pudéssemos
compartilhar & construir movimentos & mutações na vida cotidiana que
levávamos. Bastava um grito inesperado & algo louco acontecia... como se
fosse um verdadeiro milagre. Isso nos fez perceber uma coisa sintomática &
fisiológica quanto às palavras terem também uma interpretação física, como
um rompimento de um tendão onde haviam ficado represados muitos desejos,
ou como doenças que nos faziam perder o apetite pela vida. A palavra
exerce um poder fascinante no organismo humano... algo além da sugestão...
principalmente quando a palavra também se desdobra ou forma imagens &
não meramente reproduz conceitos de uma ordem cultural já estabelecida &
arraigada. Atentos a isso, produzimos bastante coisa que pudesse marcar o
inconsciente dessas pessoas um pouco mais atentas ao que estava
acontecendo. Trouxemos de novo o corpo à luz da língua, desvelamos a ação
de seu véu misterioso & soltamos os brinquedos desgovernados pelas ruas até
que o êxtase se desse por completo.

Algumas destas poesias & textos inclusive, tiveram boa recepção por parte do
próprio público letrado. Como, por exemplo, os três textos (A vida pode ser
bela, E assim foi e & o próximo século será meu) que tive oportunidade de ler
durante a Roda de Poesia Paraibana à qual fui convidado de última hora
(para suprir alguns ausentes) durante a Fliporto de 2008. Depois de minha
leitura fui procurado por algumas pessoas dentre elas um poeta de
Pernambuco que já vive em João Pessoa há alguns anos. Ele decidiu se juntar
à roda & subiu no palco para fazer uma homenagem ao Augusto dos Anjos,
no que, logo depois, José Nêumanne Pinto declamou outra do Augusto
dedicando em minha homenagem: “o nosso Augusto dos Anjos pósmoderno”.
Ou o caso de “Lendo Malraux no WC”, originalmente publicada no
livro “Um Cristo Cuspido no Espelho do Século” & que foi citada no blog do
poeta Ademir Assunção, que é uma poesia de descrição de acontecimentos
de um sábado à noite prolongado no domingo de manhã & pela tarde.
Poemorfose também foi um dos achados inspirados em um poema do mesmo
amigo que me acompanhou no Lendo Malraux, embora escrito de maneira
bastante radicalizada & niilista, teve grande sucesso em leituras em bares
como o Bar do Elvis (em João Pessoa), do Cavanhaque (em Recife/PE) & no
Mercado Ver-o-Peso (em Belém/PA). A cada provocação rotatória desta
miscelânea de imagens o público respondia aos gritos. Outro dos poemas
escritos On the Road foi o Jamais sonhara em ser contradição que faz uma
coletânea de imagens da saga de vários destinos aleatórios pelos quais
passaram vários dos companheiros de embarque neste carnaval de devires
mágicos. Acoplando num mesmo lirismo várias experiências o poema foi
desenvolvendo uma polifonia que lhe tornou peculiar. E o seu poder oral é
maior ainda por conta das diferenças lingüísticas de expressão que ele assume
como pensar, por exemplo, o OOMMMMM dos mantras, com o Lost Geral
(uma expressão que usamos para dizer que ficamos tão chapados que nos
perdemos em nossa mente) ou a mina & o cara (expressões usuais para os
gêneros). Ou os exemplos k(qu)ilométricos de Embaixo de todas as feridas &
Surra da Vida (também presente na edição de Um Cristo Cuspido no espelho
do Século): o primeiro me remetendo ao polimorfismo pelo qual possuo & sinto
o amor acontecer & precipitar acontecimentos; o segundo onde vemos
transbordar o lirismo do ódio como um novo encantamento exasperado de
limites,assume ares contra-ideológicos, contra o mandamento do amor (&
dessa forma renega o primeiro já comentado), da paz & da beleza que
equilibra, enquanto norma, as vontades individuais. A mesma magia insana
serve para os Manifestos presentes aqui: Fustigar os sexos com dinamites;
Manifesto, Para os que estão vivos; Aviso, Sobre poemas & livros, etc; ou o
texto que rememora o movimento PoecodeBar que rolou pela cidade de
João Pessoa na década de 90. Uma das leituras mais interessantes foi uma
crônica imediata que escrevi sobre o Dia Internacional das Prostitutas, que
resultou no homônimo, em que apresentei no mesmo dia no Centro Histórico
de João Pessoa. Durante essa leitura vieram mulheres & garotos que puxaram
a minha roupa ao ponto de ficar toda esfolada & inutilizável. Inspirado pela
banda Monte Rei que fazia uma apresentação espontânea numa calourada
na UFPB & com um litro de vinho queimando no sangue vomitei o poema
“escrito virando uma garrafa de vinho...” no microfone num número com a
banda, o que garantiu uma boa noite de diversão. O poema Andando nas
Vielas foi publicado na Coletânea Poemas Dispersos organizada pelo site
Literatura Clandestina sob a égide do escritor e poeta Elenilson Nascimento.
Porém, antes da publicação, ela já era declamada abertamente nos bares da
cidade de João Pessoa como um retrato fiel do que significa a marginalização
do poeta na sociedade do pseudohedonismo que se alia ao espetáculo
financeiro da imagem, o mesmo Espetáculo sobre o qual escreveu Guy
Debord. Muitas vezes esses & outros poemas, aliados a ações de efeito imoral,
causou nossas expulsões dos bares. Éramos (ainda somos!) bastante intratáveis
quanto à nossa estilística comportamental, verbal, visual e etc. O poema Eu fiz
amor com Caos é um relato fiel de um poeta socialmente desajustado &
confuso emocionalmente que cai na estrada em busca de amores múltiplos &
acaba só se metendo em roubadas homéricas... no fim da história ele não
consegue encontrar senão sua própria & miserável solidão da qual ele tentou
fugir a todo custo. Esses & os outros textos presentes & os que não puderam
entrar nessa edição inicial possuem entre eles um liame bastante visível,
embora seus ritmos & suas evoluções ocorram & se dispersem em vários
continentes da chamada Metáfora. A liberdade, o Amor, as Paixões, o Sexo
sujo & desenfreado, a corrupção dos costumes, a criminalidade como tática
de subversão valorativa, as fugas psíquicas & reais para outros planetas,
mundos, culturas, etc, são temas que se entrecruzam nas veias desta poesia
que vocifera todos os dias nas ruas & que muitas vezes não vemos ou não
conseguimos atender ou entender sem uma imersão direta no fluxo ao qual
elas nos conduzem.

A proposta inicial deste libelo é incitar a poesia a deixar seus lugares arcaicos
de conveniência & invadir os espaços mais aleatórios & banais da vivência
cotidiana. Por isso o título “Para se ler em Voz Gritada”, uma vez que o grito possui uma predominância ambiental, além de causar um ruído na cena
mecanizada do nosso dia-a-dia na corrida mongolóide pela sobrevivência &
ser tachada como postura “irracional” ou sintoma de loucura. Mas, nós, artistas
& fundadores de uma nova seita de corpos livres, iniciadores do último dos
trabalhos & da primeira das diversões, não nos importamos com essas
taxações mesquinhas que são artifício do senso comum & da visão estreita do
cidadão médio, hipócrita & honrado controlado por todos os tipos de artifícios
da Alienação Absoluta.

Não mais percamos tempo em sarais. Os sarais são a cerimônia de funeral da
poesia. São as farsas que adornam os paletós de imortalidade dos bundões
acomodados que enganam seus leitores & a si mesmos. Saiam por aí & gritem,
se esfolem... Escrevam suas poesias & deixem suas lendas rolarem nas
memórias daquelas outras Crianças que por ali estiveram & que lhe são gratas
por terem dimensão de que pode ser divertido desobedecer & serem livres.


IkaRo MaxX
João Pessoa / PB

posted by Dionísio e a Revolução do Orgasmo at 7:24 AM 0 Comments

Sunday, March 01, 2009

Para Sandro Lobo (há um tempo atrás)

Sandro,

Carburando o pulmão com a leveza da malagueta de um cigarro... o mundo diluído numa epifania, a saliva grotesca de nossas vergonhas pegando fogo, queimando o tapete da sala... Mil coisas acontecendo. Mil despedidas, mil entradas para outras vidas, mil acidentes.

Vivemos agora uma o Parto de Uma Geração de Novas Blasfêmias... a crisálida luxúria que renova a violência nos revelando novas verdades. Eis o momento... o momento em que erguemos nossos corpos como taças de vinho & nos embriagamos do mais puro momento.

Blasfeme... castigue os ouvidos da divindade com a súbita erupção do desejo!!! De onde vem essa força, essa magnetismo, essa vulcão que inocula os jardins proibidos de uma juventude radical... de uma beleza deflorada & aguda como o brilho da mais longínqua constelação? As antenas captam todas as freqüência do coração... respeitamos & soltamos os animais que nascem em nossas peles... UM POUCO DE VINHO PARA QUE AS SANGRIAS SEJAM ABERTAS.

Estamos com as costas na paredes... tudo o que temos é o dom de uma expressão inalienável... a pureza de nosso veneno, o perigo de nossa Ação-Verbo-Efeito.

Viemos para chocar... não para sermos compreendidos. E melhor que qualquer psicanálise... vamos no mais baixo abismo do sonho, adentramos a caverna do Ser Verdadeiro para extrair a quintessência da Santa Criminalidade, dos objetos mais ocultos, dos sentimentos mais ambíguos.


AGORA O GRITO MATA TODA ESCRAVIDÃO DAS FORMAS & DOS VERSOS


Tudo verte... jorra... brinca... briga.... desfaz castelos & canta...
Todo sangue, todo suor, toda lágrima, toda nudez... toda paranóia, toda alegria, toda melaconlia, todo sentido trágico, todo apolíneo, todo sentimento, todo voragem, toda hora, toda eternidade, todo pecado, toda salvação, todo delírio... todo tudo, todo nada....


Os adolescentes agora celebram com as putas
A falta de perspectiva & de dinheiro
Assim se encontra a verdadeira felicidade
Que nunca foi progressiva, nem regressiva, nem estática...
Mas, uma dinâmica que atulha sonhos & vertigem & espasmos numa mesma correia que corre como um rio no sangue, ou uma gota de chuva no espelho sem fim de nosso desejo... uma bricolagem de Deus & Satã no mesmo sorriso da ação executada, da apreciação musical do CAOS, do borbulhar de frêmitos sexuais intensos como labaredas em Belém....

Vamos dar novas perspectivas através de nossa experiência do despedaçamento
afirmando o desastre da integridade moral
que a Ironia socrática escondeu
como um piolho de serpente no ovo da razão humana

O progresso leva à regressão mental, à infantilização do instinto através de uma repressão ainda maior da vontade.
Assassinam individualizações todos os dias com a rotatividade anônima da indústria da morte padronizada
As crianças não podem mais existir, quando são afogadas em seus próprios sonhos & seus desejos são equivalidos a três centavos de miséria labutada & 30 anos batendo continência para as armas bélicas & a ordem militar que transforma ordem em ruído & ruído em ordem.
As criança se transformando em alienígenas com sexos artificiais
Acreditando no Nada como saída para sua Vida esvaziada
Pelos cânones de uma miséria absoluta...
Pedaços de topázio refreando o espírito
Como rolhas no rabo
& anúncios cheios de gostosas & caralhudos
Humilhando-os com uma noção de beleza falseada, maqueada, arquitetada para o seu mal estar....



E Agora fiz dos meus versos uma Arma... uma metralhadora de repetição automática ou uma bomba de rosas envenenadas com esperma ácido
Uma peste muito mais profunda & rasgada que o sentido de Artaud ou a desmontagem de Burroughs nos padrões dos sinais de poder
Uma guerrilha
Contra essa linguagem que sufoca não só o poeta
Mas a própria VIDA....

IkaRo MaxX

possession, fever, chaos... dark voices, heart beat
Estou difundindo isso... mandando pra alguns canais.
Estou indo à Paris segunda-feira.
Uma nova estadia num Velho Inferno ou num Paraíso, quem sabe?
Não precisamos mais de Rimbaud ou de Verlaine.
Você tem total autorização para imprimir, escrever sobre, divulgar ou limpar sua bunda com ele.
Enfim... há vários usos.
Podes abduzir & seqüestrar jovens com suas promessas de paraísos perdidos & libertinos.
O GOZO SEM QUALQUER BARREIRA... a beleza jorrando bruta diretamente de uma genitália reluzente.
Esse livro vai te arranhar... te pegar pelas entranhas, te virar ao averso...
Vai te assaltar, fazer amor com você, deixar pegadas libidinosas em tua carne... tatuar pesadelos & luas cheias no teu peito... Te fazer ofegar
Te querer fazer enlouquecer...
Alguma coisa deve acontecer.... algo deve ser feito...
Action!! RIGHT NOW!!!
Perdoe as indulgências de Dostoiesvski, perdoe a bebedeira de Alfred Jarry & Edgar Alllan Poe.
Desbravemos os jardins selvagens
Cometamos mais lúcidos delitos, atinjamos mais cruéis vertigens...
Os bárbaros são crianças com olhares de cometa & línguas vorazes... queimando como fogos de artifício no céus da liberdade... explodindo qualquer conceito ou entrave da própria existência.

Abraços

IkaRo MaxX
poeta refugiado

posted by Dionísio e a Revolução do Orgasmo at 9:42 PM 0 Comments

Duas OutraS do Cézar Sturba

mi n h a s c o i S s a s s u bma r in a s

Minhas mãos mordidas
Minhas músicas dormindo em muitos discos
Meus 40 e tantos botões de todos os dias
Óóh! As cortinas do mundo se abriram e eu estava no palco ainda nu

Meu almoço de aço
Minhas formigas estrangeiras
Meu sofá absolutamente deserto
Diga o que quiser, sou feliz com minha falsa sociabilidade

Minhas louças radioativas
Meu soluço muito esquisitíssimo
Minhas verdades sanitárias
Estranho não é o México, estranho é posar nu.

Meus amigos de antenas loucas e geniais
Minha pressa comendo cru
Minhas semanais vontades de voar
Vinte e 7 mulheres sabem que tenho uma pinta no... braço

Minhas gotas com passagens aéreas
Minhas diferenças escritas com panos brancos
Minhas vitórias escatológicas
Nada nunca abala, tudo sempre é


13/04/2002
(mais uma noite embriagada)
( c om J a v a e Ma n u )





Pai chão


Às tintas de um incêndio no olho colérico
Um rio denso entrou pela minha janela.
E uma locomotiva veio devassa num vôo-pássaro.
Uma discussão

Você odiando como um demônio
descendo as escadas junto com uma cachoeira de ratos
e eu divagando em caleidoscópios, em escuridões giratórias.
Minha confusão

Corra louca.
Corra para o abraço tempestuoso do seu lar, sua sagrada heresia.
Ficarei aqui com um sorriso demolido
Procurando um troco pelas minhas ruínas
Mostrarei para o mundo todo o ar de meus pulmões
Revelarei a todos a secreta música do homem louco.

Desculpe-me aquela pergunta,
é que encontrei na sua respiração alguém que já sofreu muito.
Desculpa por não entender as intenções e a fúria das marés
Desculpa por não saber que era em você que corria todo meu sangue
Lembre-se dos beijos de mil anos,
Das noites em que tentávamos incendiar.
Lembre-se de mim.

Mas agora vá mesmo, seus ossos limpos desaparecerão.
Minha vida se encarrega de exilar seu nome
Agora serei o que nossa guerra construiu, minha inimiga fiel
E não o que ela destruiu
Estarei sempre aqui
Brincando de escorrega num ponto de interrogação.


30/03/2002



do seu primeiro livro "O Livro VerdeDas Verdades"
http://arcosdigital.com/pt/index.php?option=com_content&task=view&id=44&Itemid=34

posted by Dionísio e a Revolução do Orgasmo at 7:21 PM 0 Comments

Thursday, February 26, 2009

Manifesto Situacionista & o Punk



Manifesto Situacionista

Uma nova força humana, que a estrutura existente não poderá dominar, cresce dia a dia com o irresistível desenvolvimento técnico e a insatisfação de seus usos possíveis em nossa vida social carente de sentido.

A alienação e a opressão nesta sociedade não podem ser mantidas sob qualquer uma de suas variantes, mas somente rejeitadas em bloco com esta mesma sociedade. Todo progresso real fica evidentemente em suspenso até a solução revolucionária da crise multiforme do presente.

Quais são as perspectivas de uma organização da vida em uma sociedade que autenticamente "reorganiza a produção sobre as bases de uma associação livre e igual de produtores"? A automatização da produção e a socialização dos bens vitais reduzirão cada vez mais o trabalho como necessidade exterior e proporcionarão, finalmente, a liberdade completa para o indivíduo. Livre assim de toda responsabilidade econômica, livre de todas as dívidas e culpas para com o passado e o próximo, o homem disporá de uma nova mais-valia incalculável em dinheiro porque é impossível reduzi-la para a medida do trabalho assalariado: o valor do jogo, da vida livremente construída. O exercício de tal criação lúdica é a garantia da liberdade de cada um e de todos na estrutura da única igualdade garantida contra a exploração do homem pelo homem. A liberação do jogo é a autonomia criativa, que supera a velha divisão entre o trabalho imposto e o ócio passivo.

A igreja queimou noutros tempos os pretensos feiticeiros para reprimir as tendências lúdicas primitivas conservadas nas festas populares. Na sociedade hoje dominante, que produz massivamente tristes pseudo-jogos da não-participação, uma atividade artística verdadeira é forçosamente classificada no campo da criminalidade. É semiclandestina. Surge na forma de escândalo.

Que é isso, de fato, mais que a situação? Se trata da realização de um jogo superior, que mais exatamente é provocada pela presença humana. Os jogadores revolucionários de todos os países podem reunir-se na Internacional Situacionista para começar a sair da pré-história da vida quotidiana.

A partir de agora, propomos uma organização autônoma dos produtores da nova cultura, independentes das organizações políticas e sindicais que existem neste momento, pois questionamos a capacidade delas de organizar outra coisa que a manutenção do que existe.

O objetivo mais urgente que estabelecemos a tal organização, no momento em que deixa o estágio inicial experimental para uma primeira campanha pública, é a tomada da UNESCO. A burocratização, unificada em escala mundial, da arte e de toda a cultura é um fenômeno novo que expressa o profundo parentesco dos sistemas sociais coexistentes no mundo, sobre a base da conservação eclética e a reprodução do passado. A resposta dos artistas revolucionários a estas novas condições deve ser um novo tipo de ação. Como a existência mesma desta concentração administrativa da cultura, localizada em uma construção única, favorece o roubo por meio do golpe e como a instituição é completamente destituída de qualquer senso de uso fora de nossa perspectiva subversiva, nos achamos justificados diante de nossos contemporâneos para tomarmos tal aparato. E o faremos.

Estamos decididos a nos apossarmos da UNESCO, mesmo que por pouco, já que estamos seguros de fazer disso rapidamente uma obra que permanecerá, para esclarecer uma longa série de perguntas, como a mais significativa.

Quais deverão ser os principais caracteres da nova cultura e como ela se compararia com a arte antiga?

Contra o espetáculo reinante, a cultura situacionista realizada introduz a participação total.
Contra a arte conservada, é um organização do momento vivido diretamente.
Contra a arte parcelar, será uma prática global que se dirija ao mesmo tempo sobre todos os elementos utilizados. Tende naturalmente a uma produção coletiva e, sem dúvida, anônima (pelo menos na medida em que, ao não estar as obras armazenadas como mercadorias, tal cultura não estará dominada pela necessidade de deixar traços). Suas experiências se propõem, como mínimo, uma revolução do comportamento e um urbanismo unitário, dinâmico, suscetível de estender-se ao planeta inteiro; e de ser prolongado seguidamente a todos os planetas habitáveis.

Contra a arte unilateral, a cultura situacionista será uma arte do diálogo, uma arte da interação. Os artistas – com toda a cultura visível – chegaram a estar completamente separados da sociedade, do mesmo modo que estão separados entre si pela concorrência. Mas antes inclusive deste corredor sem saída do capitalismo, a arte era essencialmente unilateral, sem resposta. Superará esta era fechada do primitivismo por uma comunicação completa.

Ao ser, em um estágio avançado, todo mundo artista, isto é, inseparavelmente produtor-consumidor de uma criação cultural, se assistirá a dissolução rápida do critério linear de novidade. Ao se tornar todo mundo, por assim dizer, situacionista, se verá a uma inflação multidimensional de tendências, de experiências, de "escolas" radicalmente diferentes e isto não já sucessivamente, mas simultaneamente.

Inauguramos agora o que será, historicamente, o últimos dos ofícios. O papel de situacionista, de amador-profissional, de anti-especialista, é ainda uma especialização até o momento da abundância econômica e mental no qual todo mundo se tornará "artista", num sentido que os artistas não alcançaram: a construção da própria vida. Entretanto, o último ofício da história é tão próximo da sociedade sem divisão permanente do trabalho, que quando aparece, seu estado de ofício foi negado.
Aos que não nos compreenderam bem dizemos com um irredutível desprezo: os situacionistas, de quem vocês acreditam serem os juízes, vos julgarão um dia ou outro. Esperamos vocês no momento crucial que é a inevitável liquidação do mundo da escassez, sob todas as suas formas. Estes são nossos fins e serão os fins futuros da humanidade.







DESTRUIÇÃO: O PUNK EDIFICADO EM GUY DEBORD
Cristiano Bastos

Talvez o vocábulo que melhor defina uma paternidade musical para o Punk seja "inextricável". Um timbre com essas qualidades, ainda que o Sex Pistols não tivesse sido forjado e lucrado as maiores condecorações do levante, em 1977, inevitavelmente teria se imposto através do legado sônico de grupos seminais como New York Dolls, The Kinks, The Stooges, The Who, Velvet Underground e muitos outros. No plano da contestação de cânones artísticos e da retórica política, contudo, a genealogia do Punk tem outra ascendência. Uma análise que remonta as primeiras vanguardas de revolta contra a arte no século XX, os chamados "Ismos": Futurismo, Dadaísmo e o obscuro - mas de significação estética decisiva - Situacionismo.

Na Itália, o Futurismo de Fellipo Marinetti desencadeia uma nova vanguarda de revolução contra os moldes impostos pela inteligência produtora de arte no início do século, fundindo, num só expediente, a dinâmica pintura-poesia-música-moda-política e arquitetura. Entusiastas da publicidade, o Primeiro Manifesto, redigido por Marinetti, em 1909, louvava a juventude, as máquinas, o movimento, a energia, a guerra e a velocidade. Um incontestável pendor juvenil, que muito remete ao Punk, pela semelhança de atitudes e o ímpeto de reinventar.

O elemento destruir é o amálgama entre Punk e Futurismo; a dicotomia está no "o que" precisamente destruir. O Futurismo almejava dizimar modelos artísticos senis, imbuído em uma rearquitetura da arte. Um dos núcleos da rebelião Punk é a insubordinação contra os estandartes que levaram o Rock à monotonia e à opulência semi-erudita, e conflagraram, in loco, seu acontecimento.

Se o Futurismo havia se maravilhado com a possibilidade estética da guerra (algo "ruidoso, veloz e teatral"), antes de ela ocorrer, o Dadaísmo insurgiu-se em oposição às fascinações desta ordem. Ainda que partilhassem da mesma revolta a determinado tipo de realização artística, os dadaístas estavam em dissonância face à definição de arte. Surgido em 1916, em Zurique, na Suíça, ao inverso do Futurismo, o Dadaísmo não era de um movimento propriamente artístico, sendo mais atitude do que estilo.

Erigido por uma linhagem de "artistas" avessos ao trabalho, que acreditavam estar alienados muito além das belas-artes, dos quais os mais loquazes expoentes são o poeta Tristan Tzara e o artista plástico Marcel Duchamp, o Dadá agiu com atos subconscientes e formulações extravagantes nas investidas de sua plataforma utópica. A arte, segundo o credo dadaísta, é mera falsificação imposta pela sociedade burguesa, uma válvula de segurança moral, idêntica ao trabalho.

Duchamp, o qual declarava-se anti-artista, dizia que "aqueles que olham é que fazem os quadros". Seu próprio caso é bastante elucidativo nesse sentido. A contribuição de Duchamp para dessacralização da aura de gênio ostentada pelos artistas, uma reminiscência herdada do romantismo, ajudou a solucionar o enigma fantástico do átimo criativo. Ao utilizar em obras objetos manufaturados, modificados ou não, Duchamp inaugura os ready-mades. A peça Fontaine, de sua autoria, um mictório elevado ao estatuto de arte, é exemplo dessa possibilidade.

Embora o street punk londrino tenha origens não-intelectuais, absorvidas de ferozes slogans de torcidas de futebol, como o Streetford End of Mancheste United ("Nós Odiamos os Humanos!" era o grito de guerra entoado) e a literatura skinhead de Richard Allen, alguns protopunks politizados, egressos das academias de arte britânicas, como os membros da banda The Clash e o empresário Malcom McLaren, posteriormente retomaram doutrinas futuristas e dadaístas. A absorção do conteúdo anarquista das duas escolas, um dia vanguardas, talvez tenha ocorrido justamente pelo caráter monolítico dessas instituições de ensino. Nos anos sessenta, McLaren era estudante da Croydon Art School, onde tornou-se colega de Jamie Reid, futuro designer do Sex Pistols que, entre outros grafismos, foi responsável pela capa do single anti-jubileu "God Save The Queen". "Eu aprendi política e entendi o mundo através da história da arte", rejubilava-se McLaren.

A temática anti-arte-antilabor dos dadaístas é retomada de forma mais contundente, na década de 50, na Itália, pela Internacional Situacionista, sob a luz de Guy Debord. O termo "situacionismo", que numa significação estrita remete a posições políticas reacionárias, conforme o panfleto número 9 da Internacional Situacionista, de 9 de agosto de 1964, "é uma palavra que contém em si mesma sua própria crítica; uma atividade que pretende fazer as situações e não as examina em função de um valor explicativo ou qualquer outro". Foi desse filão intelectual, na não-reconhecida seção inglesa situacionista intitulada King Mob, que Malcom Mclaren usurparia idéias e emblemáticos slogans para o estopim da Blank Generation em 1977 - outro lampejo alheio, vislumbrado pelo protótipo punkster Richard Hell. Elementos visuais da cultura underground novaiorquina, a comitiva Pop Art reunida em torno de Andy Warhol na Factory e a banda New York Dolls, tiveram assimilação de natureza distinta nessa gênese, assim como o extemporâneo crossover envolvendo Pop Music, Power, Motherfuckers, White Panthers e a banda protopunk MC5. A filosofia professada por McLaren era mais ou menos a seguinte: "se você não roubar as coisas que percebe a sua volta, só porque elas a inspiraram, então você é um estúpido. O mundo é feito de plágios."

Guy Debord, filósofo, agitador social, cineasta e autêntico misantropo de sua práxis, teve uma trajetória envolta em legítimos desastres do destino, o que torna a confrontação com Sid Vicious, baixista dos Sex Pistols, e o americano Darby Crash, vocalista do grupo The Germs (ambos mortos tragicamente em razão do estilo de vida Punk), uma extravagante coincidência. Autor da desdenhada obra A Sociedade do Espetáculo, em 1967, mas de vital importância para alas extremistas em maio de 68, Debord viveu no auto-isolamento, sendo ignorado tanto pela imprensa como por lúmpen-intelectuais. Desprezo que talvez encontre explicação no fato de ele mesmo intitular-se "doutor em nada"; nunca freqüentou bancos acadêmicos, tampouco abandonou as teorias que formulou. Retratos seus são raros e jamais concedeu uma entrevista sequer em toda vida. Aumenta nele a mácula de maldito o pai ter exaurido a fortuna da família, acumulada durante gerações, e ter sido implicado no assassinato do amigo e editor Gérard Lebovici, em 1984, em Paris, incidente que justifica como "uma emboscada não explicada".

Debord publicou A Sociedade do Espetáculo com o objetivo de legar um apêndice teórico plausível aos situacionistas, até então órfãos de um, e obteve alguma repercussão nos meios intelectuais e estudantis franceses. Através de uma aleatória compilação de conceitos de concisão aforística sobre a lógica de funcionamento do império midiático, o livro perfila uma acurada análise acerca da moderna sociedade de consumo. O desdobramento de imagens manufaturadas, transmitidas no feitio de eventos palpáveis de política e de cultura, como substitutas da veemente ação criadora, é a principal insígnia situacionista contra a sociedade espetacular análoga à arte. Tal sociedade, no horizonte vislumbrado por Debord, fincada nos alicerces do espetáculo, é "o capital em tal grau de acumulação que se personifica em imagem".

No artigo de 1988, "Comentários sobre a Sociedade Espetacular" - com dedicatória a Lebovici -, Debord revela ter suprimido de A Sociedade do Espetáculo inúmeras conclusões relevantes. O intuito, segundo ele, foi privar os agentes do espetáculo de conhecerem detalhes sobre o organismo desta sociedade e gerar, deliberadamente, o ruído que produz a desinformação.

No mesmo ensaio, Debord acautela-se: "É preciso levar em consideração que, dessa elite que vai se interessar pelo texto, quase metade é formada pelos que se esforçam para manter o sistema de dominação espetacular, e a outra metade por aqueles que se obstinam em agir em sentido oposto. Como devo levar em conta leitores muito atentos e de tendências diversas, é evidente que não posso falar com inteira liberdade. Devo ter cautela para não ensinar demais". Mas o protecionismo de informações de Debord justifica-se, levando em conta que Malcom McLaren certamente deveria ser um desses leitores bastante atentos.

O homem que "inventou o Punk", egresso da King Mob, abandonou a causa revolucionária situacionista e transformou a crítica anticapitalista e antiarte numa forma de encher os bolsos de dinheiro. A King Mob, na verdade, apesar da retórica situacionista, tinha sua ascensão de outros grupos. McLaren, por exemplo, vinha da cena freak anarquista em Notting Hill, oeste de Londres. "Não há limites à nossa total ausência de lei", promulgavam eles no volante impresso King Mob Echo.

Da King Mob, Mclaren deu prosseguimento à farsa ao encampar frases de efeito da cartilha situacionista e aplicá-las aos Sex Pistols, dando-lhes semântica e alvos novos. "Fique Puto, Destrua!" (Get Pissed, Destroy!), de "Anarchy In the UK" (Anarquia no Reino Unido) - banida das rádios - e "Sem Futuro!" (No Future!), da música homônima, epistemologicamente, muito traduzem o apocalipse situacionista da arte, a qual, para ser realizada, deve ser destruída. Debord e seu séquito, contudo, não estavam nem um pouco interessados quanto à representação da King Mob em solo britânico. Um comentário realizado na Internacional Situacionista 12 evidenciava a aversão dos debordistas à fração britânica: "uma trupe chamada King Mob...passa-se, de maneira bastante errônea, por ligeiramente pró-situacionista".

Para Debord, o espetáculo é apenas o aspecto mais visível e superficial de uma verdadeira maquinaria de manipulações que fragmenta a vida cotidiana em imagens. Essa imagética, veiculada pelos meios de comunicação, induz os indivíduos a consumir, passivamente, tudo o que efetivamente lhes falta na vida real. Para Debord, o espetáculo é administrado pelo próprio espetáculo, uma entidade viva governando a sociedade. Esse fenômeno, fruto independente de sua cognição, é uma artimanha, espécie de conluio maligno engendrado pelas sociedades capitalistas, que tornaram a economia um fim e a alienação, subsidiada pelo espetáculo, uma forma de domínio. Debord critica até mesmo os metadebates realizados sobre o espetáculo, atribuindo-lhes o epíteto de "discussões vazias". As diretrizes dessas discussões também são ditadas pelo espetáculo, a fim de que não revelem absolutamente nada sobre sua pragmática.

Algumas teorizações envolvendo a Internacional Situacionista e o Punk, porém, estão inventariadas em análises de que se depreende um certo nonsense ao concatenar as duas unidades. O jornalista americano Greil Marcus, utilizando o método de livre associação no livro Lipstick Traces (Marcas de Batom), de 1990, faz interligações genealógicas que culminam em fatos referentes a ambos. Por exemplo: a semelhança fonética entre John of Leyden (pertencente à tradição do Livre Espírito das heresias medievais) e Johnny Lydon (pseudônimo de Johnny Rotten, vocalista dos Sex Pistols), é encarada por Marcus como uma "releitura radical e extravagante da história". Marcus, entre outras considerações, postula que "a Internacional Situacionista foi uma bomba, que passou despercebida no seu tempo, e iria explodir décadas depois sob a forma de 'Anarchy In The Uk' e 'Holydays In The Sun'". O autor credita a McLaren a conexão entre os dois movimentos.

O ideário faça-você-mesmo, todavia, praticado singularmente pelo Punk, cuja principal alavanca foi McLaren, na encarnação do Sex Pistols, já é semeado pelos situacionistas em 1960. Na Internacional Situacionista 4, de 17 de maio, o papel do sujeito comum - imberbe e roufenho nas grandes massas - pode ser o de realizador artístico e o nascimento da máxima faça-você-mesmo fica visivelmente perceptível. "Inauguramos agora o que será, historicamente, o último dos ofícios. O papel de situacionista, de amador-profissional, de anti-especialista, é ainda uma especialização até o momento da abundância econômica e mental no qual todo mundo se tornará 'artista', num sentido que os artistas não alcançaram: a construção da própria vida".

E a questão da erudição sonora proposta pelos praticantes do chamado Rock Progressivo (que reinou despoticamente em respeitável parte dos anos 70 e terminou por desencadear outra legítima revolta Punk), é homóloga ao desgosto tanto de punks quanto de situacionistas, na figura de Debord, ao caráter experimental da música. Johnny Rotten celebrizou-se ao vestir uma camiseta com os enfáticos dizeres "I Hate Pink Floyd" (Eu odeio Pink Floyd) na época em que a banda era a divindade intocada da geração progressiva e gigante da música pop de então.

Em 1967, às vésperas de o Pink Floyd lançar o primogênito álbum The Pippers Gates of Dawn, o baixista Roger Waters escreveu uma espécie de minimanifesto, distribuído pela gravadora inglesa EMI como parte da estratégia de divulgação. Nessa época, o rótulo "Rock Progressivo" nem havia sido cunhado e o sistema nervoso da banda ainda era Syd Barret, que vitimado de outra modalidade de misantropia, a lisérgica, foi literalmente segregado da banda no disco seguinte, The Saucerful of Secrets. Waters parece escarnecer do sentido "anti" do qual certos movimentos se revestem. O que pronuncia no manifesto soa como uma réplica à negação da música experimentalista que Debord tanto execrava e um anticorpo à aversão e o ódio dos punks ao Rock Sinfônico de exatamente 10 anos depois. "Tocamos como queremos e o que achamos de novo. Somos a orquestra do movimento alternativo porque tocamos o que as pessoas livres querem ouvir. Não somos um anti-grupo, não somos anarquistas: somos a favor da liberdade, da criatividade e da beleza."

O caso envolvendo a música - talvez a única ramificação das artes que possa se dar ao luxo de renegar padrões rígidos de educação ¾ também foi a fagulha de desencontros ideológicos na Internacional Situacionista. Dicotomias internas, envolvendo conceitos díspares de um mesmo credo, deixaram à mostra a ausência de dinâmica interna. Um desses embates sucedeu-se entre Debord e o músico situacionista Walter Olmo, que apresentou um texto chamado "Por um Conceito de Música Experimental". O escrito, radicalmente rechaçado por Debord, onde Olmo relatava suas pesquisas musicais referentes a construções de ambiências, é relegado à "atitude típica do pensamento de direita". O ensaio custou a expulsão sumária de Olmo da Internacional Situacionista. Outra polêmica de Olmo em torno das experimentações é relacionada à invenção do tereminófano, uma traquitana emissora de notas, variáveis conforme o ir e vir de pessoas em uma galeria de arte.

No cerne dos situacionistas, nova incompatibilidade é denotada pela ala de Munique, representada pela revista Spur (traço ou caminho), editada pelo grupo Spur, em 1960. O Spur apostava na produção coletiva e não-competitiva da arte, contrastando com os arraigados objetivos de supressão propostos por Debord. "A arte não tem nada a ver com verdade. A verdade está entre entidades. Querer ser objetivo é ser parcial. Ser parcial é pedante e entediante...NÓS EXIGIMOS O KITSCH, A SUJEIRA, A GOSMA PRIMORDIAL, O DESERTO. A arte é o monte de excremento no qual o kitsch cresce. Em vez de idealismo abstrato, queremos niilismo honesto", atestava a reclamatória de 1961, publicada no periódico.

Em 1978, o ativista situacionista David W., centrado em Guy Debord, no texto "The End of Music", reprova o trabalho do programador visual do Sex Pistols, Jamie Reid. O designer era colaborador de um veículo oficial dos situacionistas, o Point Blank, e utilizou algumas das imagens que produziu na capa do single "Pretty Vacant". Pelo ponto de vista de W., Reid estava suprindo a renegada King Mob de trabalhos pertencentes à Internacional Situacionista. "Malcon McLaren", protesta ele, "empresário dos Sex Pistols, foi amigo de indivíduos versados na crítica situacionista na Inglaterra e se apropriou de alguns dos slogans e atitudes daquele ambiente...O EP 'Pretty Vacant' foi promovido por um pôster com fotos cortadas de dois ônibus indo na direção das palavras TÉDIO e LUGAR NENHUM - imagem tirada direto das páginas de Point Blank".

Quando, em 1989, Debord publicou um dos seus últimos escritos, "Comentários sobre a Sociedade Espetacular", argüindo que as premonições feitas 1967 tornaram-se verdades, fez apenas uma ressalva: a sociedade espetacular, no mundo contemporâneo, transmutou-se numa nova forma, definitivamente integrada ao espetáculo. De maneira análoga ao Punk, Debord privilegiou um estilo de vida às margens dos oficialismos; das artes, da política e das instituições. Em dezembro de 1994, contando então 64 anos e vivendo no mais restrito isolamento, Debord escolhe pelo suicídio. A imprensa francesa, que o havia repudiado durante mais de quarenta anos, de maneira absurdamente irônica, constrói sobre ele o estereótipo de celebridade "hollywoodiana", reprocessando seu libelo, de pífio subproduto cultural, a objeto de culto em diversos países. Tal como ocorreu com o Punk, à medida em que, de underground, passou a top of the pops. A Sociedade Espetacular, contra a qual Debord e o Punk se debateram a vida inteira, não concedeu indulgências nem mesmo aos seus maiores visionários.

* Cristiano Bastos é jornalista de Porto Alegre e seu texto "Destruição: O Punk Edificado em Guy Debord", já foi publicado na Revista Mondo Bizarre, em Portugal.








“A arte está morta, não consuma seu cadáver”.

“Mude a vida transforme seu mode d’emploi”



A Internacional situacionista foi criada em julho de 1957, em Cosio d’Arroscia, na Itália a partir da fusão de 3 grupos: a Internacional Letrista, o Movimento Internacional por uma Bauhaus Imagista e a Associação Psigeográfica de Londres. Ela teve em seus 12 anos de existência 70 membros de 16 diferentes nacionalidades. Mas devido às constantes exclusões (45 dos 70 foram excluídos e 19 desligaram-se) a I.S. poucas vezes teve mais de 10 integrantes simultâneos. Quando questionados sobre quantos eram, os situacionistas davam a seguinte e divertida resposta: “somos um pouco mais que o núcleo inicial de guerrilha em Sierra Maestra, mas com menos armas. Um pouco menos que os delegados que estiveram em Londres em 1864 para fundar a Associação Internacional dos Trabalhadores, mas com um programa mais coerente. Tão firmes como os gregos da Termópilas, mas com um porvir mais belo”.

A primeira fase da I. S. que vai até o início dos anos 60, ainda está muito marcada pela importância que davam aos temas arte e cultura. O grupo se apresenta como uma “frente revolucionária na cultura”. Para os situacionistas a arte sempre foi a mais alta forma do trabalho criador. E foi na crítica a arte contemporânea que o movimento inicialmente construiu sua crítica a sociedade espetáculo.

Recusavam uma arte fechada apenas nos seus propósitos estilísticos e formais. Queriam uma arte de ambiência, uma arte que negasse o sentido da própria arte, que afirmasse aos homens as impossibilidades contemplativas, uma arte como criação permanente e permanentemente reconstruível. Tinham um ponto de vista dialético da arte, assumindo a tarefa de “superar” a arte, ao abolir a noção de arte como uma atividade especializada e separada e transformando-a naquilo que seria parte da construção da vida cotidiana.

Do ponto de vista situacionista, a arte ou é revolucionária ou não é nada. A superação da arte só viria pela transformação ininterrupta do meio urbano. O que demandava fazer do urbanismo e da arquitetura as ferramentas da revolução do cotidiano. Segundo o programa Situacionista a imaginação deveria tomar de assalto o vazio existencial da cidade, subvertendo um cotidiano cego pelo hábito, restituindo significando aos espaços, despertando um passado mítico.

No período de 1960-61 acontece um grande expurgo dos “artistas” da I.S. que marca a passagem da “fase artística” para a “fase política”. À medida que o grupo se aprofunda em seu projeto de se tornar político, cada vez mais tomam destaque as questões objetivamente políticas, a organização de conselhos operários, a avaliação da nova fase do capitalismo… Os insultos aos surrealistas vão diminuindo, e cresce o número de insultos contra stalinistas, leninistas e intelectuais em geral. Freqüentemente aparentam parodiar os Trotskistas com suas exclusões, rachas, remissões à revolução permanente, hábito de batizar de “congressos internacionais” conversas de bar de 5 ou 6 pessoas.

O Trabalho teórico á que se dedicam Debord e Vaneigem (os dois principais teóricos situacionistas) depois de 1962 faz com que a I.S. se torne levemente discreta no período, o que é apenas um intervalo preparatório para uma nova fase da guerra que eles vêem à frente. A construção de textos com a atenção minuciosa daqueles que fazem bombas, desembocou nos principais livros do grupo, “A sociedade do espetáculo” de Guy Debord e a “Arte de viver para as novas gerações” de Raul Vaneigem, lançados quase simultaneamente no final de 1967.

Em 1966, os situacionistas usam todos os fundos do escritório da UNEF de Strausbourg para a publicação de um caderno intitulado: Sobre a miséria do meio estudantil. Esse texto foi reproduzido em praticamente todas as universidades. Em Nanterre, os estudantes usam o texto para começar sua própria revolta. Um desses estudantes, Daniel Cohn Bendit depois se lembraria: “o texto funcionou como uma espécie de detonador, nós fizemos tudo o que pudemos para distribuí-lo”.

EM 1968 aconteceu aquilo que muitos consideram a grande “obra de arte” situacionista, as revoltas francesas, que marcam o início do fim da I.S. efetivado através de um decreto de autodissolução em 1972. Talvez os mais importantes textos situacionistas sejam aqueles que apareceram nos muros de Paris de 68 como “Não trabalhe jamais”.

Teorias
“A mercadoria nós a queimaremos”.

“Abaixo a sociedade de consumo”.

Foram os situacionistas, e centralmente Guy Debord, que numa mescla de marxismo, anarquismo e surrealismo fizeram a crítica mais certeira à sociedade “espetacular mercantil” onde tudo se associa à mercadoria e essa se dá como espetáculo. Toda a vida é envolta por uma imensa acumulação de espetáculos.

A sociedade do espetáculo é o mundo das pseudo-necessidades, do consumo, o mundo em que o viver tornou-se uma representação caricata espetacular dos bens de consumo, “o mundo em que a cultura é redefinida por um processo de comercialização, transformada num campo de investimentos, especulação e consumo como qualquer outro, criando uma indústria que se esforça por compensar o extremo empobrecimento da vida social, cultural e emocional, arrebatando as pessoas para uma celebração permanente das mercadorias, saudadas como imagens, como novidades, como objetos eróticos, como espetáculo” (Sevcenko). A mercadoria se torna o centro absoluto da vida social e as trocas entre os sujeitos passam a ser indiretas, tendo por intermediária a imagem.

Ao fazer o diagnóstico da deturpação da sociabilidade pela mercadoria eles propõem uma “revolução integral na vida cotidiana” que haveria de reivindicar o viver do tempo histórico, buscando a desmontagem do capitalismo enquanto civilização. Isso aconteceria pela implementação dos conselhos operários, pela autogestão e pela inovação do surrealismo. O surrealismo é revivido sob o signo não conformista absoluto que têm como linguagem os elementos semânticos da revolução, se erguendo contra todos inclusive os revolucionários. Em todos os lugares, sustentavam incondicionalmente todas as formas de liberdade dos costumes, a chamada libertinagem.

Esse coletivo coloca-se não só como o negativo da sociabilidade burguesa, mas também como o negativo daqueles que se antepunham “formalmente” a ela. Ele busca afrontar as vicissitudes dos projetos revolucionários de seu tempo, para anunciar-lhes a derrota antecipada. Para eles as palavras “movimento político” escondem o aparelhamento promovido pelos lideres de grupos e partidos, que se servem da a passividade organizada de seus militantes e da força opressiva de seus poderes. A I.S. repudia o poder hierárquico, sob qualquer forma que se apresente. Logo não é um movimento político clássico.

posted by Dionísio e a Revolução do Orgasmo at 5:54 PM 1 Comments

Friday, February 20, 2009

Vãos devaneios vão...

"(...) Há em mim todos os lamentos do mundo, há em mim um deserto de homens. Eu queria poder mostrar todo o meu amor... Mas, o mundo quer sacrifícios, quer sepulturas, quer cátedras congeladas, ofícios banalizados, MOEDA CORRENTE & contas... muitas contas & papel. Sou um imprestável... quem pode confiar em alguém assim? Além do mais estou FICANDO APAIXONADO... é muito louco isso... quero negar, quero refrear, mas, sinto-me tentado a roubar o seu coração apenas pelo prazer de sentir alguém me amando, da maneira como EU ME INVENTEI & SOU. Toda vez em que convesamos nos aprofundamos tanto... eu me torno uma pessoa muito melhor do que sempre observei habitualmente em mim mesmo... é como eu me transformasse naquele Homem Extraordinário que Raskholnikov fala em "Crime & Castigo". Há uma centelha de alguma entrega verdadeira que me indica um caminho para o paraíso... o LUGAR ONDE NÃO SERÃO NECESSÁRIO ODES LAMENTOSAS... aí minha alma jazerá sobre um campo de sóis vermelhos acariciando minha pele com raios primaveris. Eu sei que eu a intrigo... eu a deixo pensativa, profunda, eu a faço ver coisas que nunca viu ou sentira antes. Mas, sinto que ela tem MEDO de tudo isso que sente, porque se acostumou com o equilíbrio & a conservação da coisa corrente, dos fluxos cotidianos, banais, etc. De forma alguma ela é banal!! Digo, as coisas próximas dela, etc... que cria uma ambiência mais tranqüila, um ar ameno, etc. E eu, brincando de escritor ou poeta, um cientista louco que experimenta dançar com a alma & os neurônios alheios... desconectado do princípio evolutivo & conservador da Raça Humana... mas, quem pode entender isso? Quem pode entender que a vida pra mim é uma EXPERIÊNCIA? Ou seja, NADA É CERTO, TUDO PODE SER PROVADO & NEGADO & DEPOIS OUTRA COISA VAI SURGIR... (...)"


Domingo, 6 de janeiro de 2008 0:01:26
IkaRo MaxX


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