'Políticas públicas de saúde mental são contrárias aos médicos'

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Genesis Nunes

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Dec 10, 2010, 8:23:37 AM12/10/10
to psicologi...@hotmail.com, fsm_...@googlegroups.com, grupodeestudos...@googlegroups.com, caps...@yahoogrupos.com.br, jor...@yahoogrupos.com.br, piac...@googlegroups.com, semanadepsicolo...@googlegroups.com
Buenos Dias,
 
E ai pessoas, tudo tranquilo?
Socializo com vocês este e-mail com algumas falas, no mínimo absurdas, do novo presidente da associação brasileira de psiquiatria sobre políticas públicas, caps, tratamentos para sujeitos em sofrimento psíquico... uma visão psiquiatrizante, institucionalizada, medicalizante, controladora, tecnicista, corporativista!!
 
Há Braços...
Gênesis Nunes
 
 
"E tem o seguinte, meus senhores: não vamos enlouquecer, nem nos matar, nem desistir.
 Pelo contrario: vamos ficar ótimos e incomodar bastante ainda"
                                                                                                                                (Caio Fernado Abreu)

 

From: kiofer...@hotmail.com
To: baiano...@hotmail.com; marc...@yahoo.com.br; katiane...@hotmail.com; livi...@hotmail.com; calim...@hotmail.com; mari...@hotmail.com; jackel...@hotmail.com; jacque_...@hotmail.com; shenia...@gmail.com; itala_ps...@yahoo.com
Subject: 'Políticas públicas de saúde mental são contrárias aos médicos'
Date: Fri, 10 Dec 2010 13:18:41 +0300


Vejam notícia abaixo sobre posse do novo presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria. O discurso médico-hegemônico sem disfarces, sensuras, ou meias palavras. 

Apenas me pergunto, se o que ele chama de ideologia nas políticas públicas são os princípios éticos de "humanização", "autonomia do sujeito em sofrimento", desospitalização (descentralização do modelo hospital-centrado), desinstitucionalização (desconstrução da loucura como doença), o que se dirá do discurso dele mesmo? 

Será a medicalização, corporativismo médico e alienação do paciente um discurso livre da ideologia?

Apreciem e critique a leitura abaixo. Vamos a Luta!
 
Pedro Santos
Formação em Psicologia UFPE
Psicólogo Residente PSF - Secretaria de Saúde de Fortaleza (SUS)
Membro do Grupo de Pesquisa: "Práticas Clínicas em Instituições e Psicologia Comunitária" - Dpto de Psicologia-UFPE
085 -88318524 ; 081 - 88341414

"não aceiteis o que é de hábito como coisa natural,

nada deve parecer natural, nada deve parecer impossível de mudar!" (BERTOLD BRECHT). 



'Políticas públicas de saúde mental são contrárias aos médicos', diz especialista

 Novo presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) é eleito afirmando que vai defender os psiquiatras e, por consequência, os pacientes da atual política de saúde mental do Ministério da Saúde
 
 O psiquiatra Antonio Geraldo da Silva passou os últimos meses em campanha para se tornar o novo presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). Seu principal argumento para conquistar o cargo era que, uma vez eleito, promoveria uma “defesa intransigente da psiquiatria, dos psiquiatras
 e dos pacientes”. No último dia 26 ganhou as eleições com 2/3 dos votos.
 
 A receptividade a esse discurso se explica pela conclusão dos psiquiatras de que o Ministério da Saúde patrocina uma política de saúde mental contrária  aos médicos psiquiatras, à medicina e, por consequência, aos pacientes. “Os responsáveis pela área estão orientados por interesses ideológicos e
 corporativistas. Para atingir seus objetivos, precisam afastar os critérios técnicos e científicos das decisões, ou seja, se livrar dos médicos”, esclarece o presidente da ABP.
 
 Segundo Antonio Geraldo, com a justificativa de “humanizar o tratamento”, grupos militantes na saúde mental com forte influência no Governo pretendem reclassificar a doença mental como um problema social. “Assim, a condução das políticas de saúde deixa de ser atribuição dos médicos e passa ao controle dos ‘movimentos sociais’. Este é o verdadeiro objetivo”, diz.
 
 Nos últimos anos, de acordo com o presidente da ABP, a coordenação de Saúde mental do Ministério da Saúde vem, por meio de portarias, tentando subtrair da assistência os princípios da Lei 10.216/01, que dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais e redireciona o modelo assistencial em saúde mental.
 
 “Esta lei garante, expressamente, ao paciente o direito a ‘ter acesso ao melhor tratamento, consentâneo às suas necessidades’. O melhor tratamento apenas o médico é capaz de indicar e ele pode ser, dependendo do caso, tanto um acompanhamento extra-hospitalar até a internação em um hospital geral com unidade de psiquiatria ou hospital especializado, alguns casos não responsivos a terapia pode ter a necessidade de eletroconvulsoterapia. É o diagnóstico médico que define a intervenção e não ideologias pré-históricas ou a necessidade de alimentar mercados de trabalho. Infelizmente, o conceito de ‘melhor tratamento’ se opõe aos atuais interesses da coordenação de saúde mental do Ministério da Saúde e por isso foi substituído por tratamento ‘humanitário’, como se o tratamento médico não fosse humanizado”, esclarece Antonio Geraldo.
 
 Para promover essa mudança de orientação na assistência, o Ministério da Saúde vem implantando o que denomina “reforma psiquiátrica”, que basicamente prega a extinção dos hospitais especializados e a concentração dos atendimentos nos CAPS. Estratégia que se opõe à Lei 10.216, “É um erro, promovido por má fé e ignorância. Os CAPS são bons instrumentos, mas incapazes de atender a demanda dos pacientes e a complexidade de determinados transtornos. Essas unidades devem estar inseridas dentro de uma rede, que se sucede com promoção de saúde, prevenção de doença, atendimento primário, secundário e terciário. Obviamente que não concordamos (e sempre lutamos contra) com os serviços de má qualidade. Mas, nesses casos, as ferramentas devem receber investimento para melhorar o atendimento e não serem simplesmente fechada sem análise técnica, visando apenas a redução de custos e a condenação de determinados diagnósticos psiquiátricos”, diz
 Antonio Geraldo.
 
 A postura antimedicina da dita “reforma” pode ser observada nas normas que regulamentam os CAPS, símbolo do movimento. Segundo as regras, essas unidades só poderão funcionar em área física específica e independente que qualquer estrutura hospitalar. “Por que essa determinação? A proximidade com um hospital pode trazer diversos benefícios. Não existe qualquer indicação
 técnica que sustente o contrário. É um raciocínio dogmático a serviço de interesses estranhos à saúde”, afirma o presidente da ABP.
 
 Entre as funções do CAPS está a oferta de “acolhimento noturno”. “Essa expressão é um eufemismo para internação. Ao dizer que ‘acolhem’, não se obrigam a ter um médico para diagnosticar a necessidade de internação”, explica. "Quem ficaria tranquilo em deixar um filho, durante um surto
 psicótico, em um serviço sem médicos?", pergunta.
 
 A prioridade para esse tema foi fundamental para Antonio Geraldo se tornar o novo presidente da ABP, e ele não pretende decepcionar os psiquiatras. “Vamos lutar para abolir a ideologia e o corporativismo das políticas públicas e exigir que a saúde volte a ser planejada com base na ciência, conduzida por médicos comprometidos com os conhecimentos técnicos e que tenha como finalidade atender as necessidades do paciente, o que hoje não é o caso. Aqueles que necessitam do serviço público para tratamento próprio ou de familiares sabem muito bem do que estou falando”, finaliza.
 
 

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