"Dinhêro" - por IkaRo MaxX

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Ikaro Max

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Aug 25, 2010, 1:52:58 AM8/25/10
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Dinhêro...

"Computadores fazem arte / artistas fazem dinheiro..." (Chico Science)



Até hoje tento entender o poder que esse pedaço de papel exerce sobre a orbe humana. Juro que esse foi um dos maiores problemas que enfrentei desde minha criação até agora. Não... eu não nasci nem cresci numa comunidade hippie ou alternativa. Talvez eu seja o mais mazelado dos filhos deslocados psiquicamente, espiritualmente & organicamente do meio pequeno burgês mais desprezível. O "outro" - ou os "outros" - que cresceu em mim como uma mudança radical de rota ou como um tronco independente da raiz me levou a perceber a idiotia triunfante do meio em que vivia. Não por ser mais inteligente ou mais esperto. Talvez. Não é difícil perceber o quanto um pedaço de papel com poder abstrato pode pôr aos seus "pés" ou sob suas unhas toda o potencial humano de transformar a vida. Quando pequeno eu via como os mais autênticos babacas - filhos de médicos, advogados, juízes, ou qualquer um que se reporta como "bem sucedido" no mundo financeiro - eram bajulados como se fossem imagens sorridentes de Jesus Cristo. E eles nem eram os mais inteligentes da turma! No entanto, aqueles cabelinhos arrumados, aquelas roupinhas brancas & aqueles dentes escovados eram cultuados com o mais despendioso trabalho de babação. Todo o caminho deles era aberto, inclusive para atropelar os alunos mais brilhantes & menos dotados econonicamente. Principalmente esses! Isso é o retrato do mundo moderno, mas que não é novidade na História. E esse olhar pode ser tão horripilante que tem o poder de inspirar traumas! Bem... a realidade é que não consigo enxergar lucidez alguma no culto ao dinheiro, na corrida rumo ao genocídio do dia-a-dia pela busca do santo graal com cifrão na frente, na exterminação do próximo, do diferente, dos amigos, para se ter zeros a mais à direita no seu salário. Podem dizer o que quiserem... mas, eis a verdade. A triste & imunda verdade que todo mundo evita - e que de certa forma já conhecem: estamos nos matando, "destruindo" o mundo, disseminando medo & terror, esteriotipando as diferenças, estuprando os menores & menos desenvolvidos, por pura ambição capital, por pura gratuidade moral baseada no mais vil dos lucros, a monopolização dos recursos vitais que na realidade esmaga & escamotea a potência real & possível de tais recursos. Veja como o potencial homem do poder, o branco, bem educado, de classe média mas com aspiração a ascenção, trata os diferentes quando tem a oportunidade de "crescer"! Veja como trata as mulheres, os negros, os gays... sempre tem no bolso ou na manga os argumentos clássicos que reiteram a incapacidade ética, histórica ou qualquer uma que sua retórica possa atualizar para ter sua hegemonia protegida, ter seu lucro garantido, podendo assim melhor devastar a existência dos outros! Não... não estou surtando ou tendo crises "humanísticas"... estou desabafando o quanto é doentio essa corrida desenfreada & desesperada pelo acúmulo, produção, consumo & uso desenfreado de tais mercadorias que no fundo são medíocres, sem valor real... puro lixo. Os verdadeiros criadores, os poetas, os literatos fora da academia, são vistos como piolhos & muitas vezes agem assim, cinicamente, porque estão cansados de serem vítimas históricas do descaso de uma civilização que busca "refinamento", mas que se afoga em um esgoto de ambições & epidemias de ordem material. Os grandes empresários, os donos da mídia & seus escravos que (des)educam escravos num dia-a-dia de rotinas & fadigas cíclicas infernais temperadas por psicanálise, remédios, televisão, saídas aos sábados, revistas, restaurantes & férias acreditam & pregam descaradamente que o dinheiro é tudo & que a vida não é nada sem o aval deste poderoso chefe, o Capital. Há um tempo atrás fui taxado de maníaco, louco, bipolar, esquizofrênico, porque tive a lucidez de rir de uma nota de R$50,00, saída do meu bolso, sendo queimada durante um recital de poesia. Nesse poema eu celebrava o suicídio do poeta diante do túmulo vivo no qual a sociedade havia transformado sua expressão, com livros invendáveis & estantes abarrotadas de besteirol alimentador de traças. E olhe, que procurei em vários autores alguma resposta satisfatória a essa irônica & triste especulação quanto a origem da alienação do humano em uma forma de submissão cada vez mais irritante & "indolor" ao pedaço de papel a que me refiro nesse texto. Como se esse papel tivesse sido investido de papel místico, religioso, como se tivesse apreendido tudo o que o espírito humano é, era & pode se tornar. Se tornando o único mestre diante do qual tudo se nivela, por baixo. O senhor dos senhores. Shakespeare falava magistralmente quando escreveu que um homem sem braços poderia ter quantos braços quisesse... e não haveria honra maior que a sua, refletida em quantos cristais ele se propusesse a adquirir. Sabe-se lá quantos projetos secretos estão sendo financeados por aí... talvez até um novo tipo de bomba que acabe de vez com a divisão de classes - eliminando a ponta mais numerosa & mais "frágil", diga-se de passagem, os pobres - & instaurando o que se convencionaria chamar de "paz burguesa", ou o "mundo esclarecido". Tudo isso é bobagem, mas, faz parte de algum ramo da árvore da especulação. No entanto... a triste realidade é essa... por exemplo, sinto o peso da incompreensão de parentes que me recriminam por não fazer parte de maneira "direta" ou assumida neste mundo tal como está posto. Todos os adjetivos da pior qualidade já foram empregados para taxar a minha posição - ou antes, oposição - diante disso. Mas, muito tranqüilo & sereno continuo navegando na contramão, apesar do que dizem & do que irão dizer, apenar porque não quero matar alguém por um pedaço de papel que poderia ser muito melhor utilizado em fogueiras, rituais ou para limpar a bunda em caso de necessidade.
 
 
 
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