Deflagração do Desejo![]() art por IkaRo MaxZ dedicado aos maravilhosos: Romeu, Manassés, André "nudista", Uadi, Ricardo Carlaccio, Fabi, Milton, Hallan Barba, Augusto, Marco, Mélodie, Aluízio, Apolline, Apolo, Esaú, Gepetto, Leo "Fumacinha", Cézar Sturba, Shirley, Henrique, Renálide, Adalberto, Aninha, Giovani, Nelsão, Marinho e a quem mais vivenciou esta & outras destas noites inspiradoras... E agora, senhoras & senhores, mendigos & amantes... estou felicíssimo pelas toneladas de insights que tive ontem enquanto por uma trilha insondável no cotidiano urbano eu descia do ônibus & invadia um supermercado acompanhado por um vagabundo iluminado para saquear uma iluminação etílica dentro do Reino Diabólico da Mercadoria depois de um passeio frustrado mergulhamos nas ondas noturnas caminhando entre o cheiro forte de urina & tomamos algumas cervejas enquanto eu tentava a sorte ensaiando trocar um cd por mais loiras geladas inventando um monte de lorotas de comerciante eu, que nunca vendi um selo na vida que nunca vendi a alma nunca! nem o amor que me toma me ergue como uma bandeira num tumulto absurdo numa Revolução do Imaginário ou do Inominável como um diamante cuspido por uma boca-vulcão na cara flácida do tédio divino... e assim foi que descobri o sentido disso... desvendei a Dor, meus amores Nada mais que o desafio de trilhar seu caminho sem a proteção hierarquizada do criador com sua ordem entediante! E assim alargo minha visão & minha devassidão floresce num campo fértil para o desastre & o êxtase... Passei por vários lugares conheci estranhos que viajavam com suas mochilas juvenis cheias de sonhos, tecnologia & souvenirs cheios de esperança de que outro lugar lhes revele esperança menos dor, maiores alívios, mais paixões incríveis que nos tirem o ar & nos elevem escutei um casal falar sobre sua vida a garota falando sobre seu irmão gay enrustido escutei sirenes de polícia relinchando ao lado numa caminhada impertubável pela escuridão do centro histórico para escutar o Blues Etílico e encontrar os outros vagabundos iluminados os santos da noite anjos boêmios & desclassificados que são a inspiração em pele viva para poemas e dissertações infinitas como as constelações de nossa sorte com estômagos feridos sexos acessos como faróis indecentes nudez voluntária nas escadarias & ladeiras do Porto do Capim todos juntos escutando as freqüências da sonata caos enquanto discutíamos o Corpo-Gostoso do LSD ou o Corpo-Poderoso do pó com os amigos de São Paulo Manassés... gênio negro de cabeças mutantes dançarino lambisgóia com cavalos marinhos satânicos saindo da língua aliciando todas as compainhas dançando com todas as intensidades eu vos acompanho, meu amigo! Misturemos nossas bebidas... que importa se o vinho deve ser puro? Que importa se esses cigarros são falsificados? Que importa se nossas conversas são incompreensíveis? Tudo brilha, tudo acende & apaga tudo cintila nessa pauta de dissonâncias onde nós curvamos o abismo desaguando numa corrente elétrica que acende nosso espírito & não nos deixa morrer um segundo sequer! Que importa se eles comprendem ou não Chacal & o seu poeta traficante de armas? Olha... todos estão aqui hoje... é o que importa... até nosso amigo Augustone deu as caras por hoje teremos todas as companhias do inferno toda a horda de deserdados & traidores nos seguirão até os confins do último bordel onde a existência apaga todos os sentidos... Manassés, você não acha que o poema sobre a cor das vogais de Rimbaud não é um retrato psicodélico? Bebamos, então! No mais vamos cair nas situações mais absurdas dentro desse desfile de aberrações que é uma espécie de Carnaval do Delírio onde a carne não finge sangue teremos um crescimento considerável na deflagração da loucura hoje encontrarei irmãs, primas & o incesto será vivido sem fim diante dos pais & irmãos, dos homens de fé dos homens de negócio dos homens que carregam em si toda a sisudez da derrota de terem crescido enquanto escrevemos poesias absurdas onde Madre Tereza de Calcutá é violentada por um cavalo doido e o papa alicia um garoto de rua africano os vendavais não param, amigos... Romeu me chama pra um rolê onde encontramos um pessoal que vai viajar conosco "garanto que nunca irão se esquecer de nós" diz enquanto minha cerveja é derrubada & eu consigo fazer com que o figura me pague outra isso, sim, é o milagre da multiplicação da cerveja chego com um latão compartilhando tudo brindando com meu amigo e sua amante francesa catando cigarros do bolso de André dançando as notas que vibram com uma luz de anil nos corpos dos embriagados uma noite dessas é o presságio do milagre da reunião de seres vagabundos & queridos uma constelação de cicatrizes no reino da escravidão uma pulsação de liberdade sem freios cortando a jugular do silêncio medievo todos num só espasmo a embriaguêz Vamos lá, que ainda temos shows à assistir temos famílias perdidas situações antigas a se desculpar um beijo maravilhoso assim, assim... ereções proibidas compartilhadas em segredo familiar temos canções a cantar com os velhos boêmios antigos tocando violão, pandeiro, ganzá enquanto Nelsão poeta solta a língua desafiando a última estrela a brilhar na frieza de sua bela solidão enquanto os cachorros comiam nos becos & a polícia rastreava procurando um baseado acesso e ríamos com tamanha idiotice por que perseguir pessoas que não querem fazer nada só viajarem dentro de si & dentro de todas as coisas sem querer violentar a beleza de cada uma delas? por que querer expulsá-los de suas próprias mentes à cacetadas? entre um absurdo e outro fui ver o Zeferina Bomba do meu amigo Ílson que lembrou da nossa intervenção do Festival de Garanhuns onde eu subi no palco com meus amigos e eu tirei a roupa mostrei a bunda num frio de congelar as glândulas e mandei o publico se foder a MTV filmou tudo & censurou, claro. Mas, que importa? Leremos mais poemas Provocaremos polêmicas maiores seguindo a fórmula de Heráclito Pólens! e outro amigo louco que quis me encarar me asustar me anular tomou minha cerveja e não quis devolver mais eu recuperei e entreguei a ele depois de beber o que precisava e ficamos de boa porque em relação as coisas materiais eu já aprendi a lidar e a viver... não me incomodo mais com certas expropriações de resto as vivências são mistérios maravilhosos que imitam fielmente a vida antes de ir embora... quando a desesperança já pesava em meu peito encontro outros amigos devoradores com uma amiga nossa francesa & proponho uma noite insana... uma tournê pelos puteiros desafiamos a Melodia a seguir acompanhar nossa fome por vida entramos no Scala e assistimos um show maravilhoso com uma menina fazendo acrobacias no mastro erguendo as velas dos visitantes, dos marinheiros e dos estivadores deixando nossa amiga embasbacada com o térmito saímos cumprimentamos a garota e fomos no Cabaré da Luz Verde onde nos divertimos mais ainda com uma briga entre as putas entre provocações, aperto nos seios na barriga flácida de uma e respostas obcenas do tipo "Ao menos eu tenho uma bocetona que aguenta dois e tu não aguenta caralho nenhum!" indignação & risos uma última cerveja que também foi partilhada com a puta decadente que estava na escadaria batendo em sua xoxota e berrando no cabaré batia na sua boceta como se explicasse o quadro de Courbet "A origem do mundo" como se dilatasse naquelas batidas uma música ancestral que ia dos dedos ao íntimo do seu ser & nos revelava uma coisa sagrada que ela trocava por um maço de qualquer coisa nos traços desgastados dela eu vi anjos chorarem eu senti os destroços de várias Madalenas que eram massacradas & feitas de saco de pancadas por brutamontes e feitas de palhaça pro outras putas mais novas e um pouco mais conservadas mais entre uma dor & essa descarga violenta de insultos o cabaré explodiu numa existência lúdica alegre viva incandescente enquanto nós tragávamos os copos do desespero de que aquilo nunca um dia acabasse... Sábado, 17 de Janeiro de 2009 IkaRo MaxX posted by Dionísio e a Revolução do Orgasmo at 7:28 AM 0 Comments |