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Eu fiz amor com o CAOS
rasguei meu corpo em mil feridas
através de seus longos & inumeráveis braços
enquanto rodopiava como feno nas estradas
por onde me sujei
de tantas desilusões
enquanto roncavam demônios em meus estômagos
e de sede morriam os pássaros em minha voz
e na incerteza dos momentos passageiros
busquei a mais fugaz felicidade do destruído
e levei a mais alta surra
sofrendo espasmos dos mais venenosos acasos
erguendo meu corpo esguio e minusculo
como um raio de sol fresco & fugidio
numa neblina escura que é o destino
Rompi os casulos que prendiam minhas asas
voei com as borboletas e meretrizes
vomitei palavras de fogo
enquanto meus dentes sujos de comida alguma
atormentava o passeio dos homens
no inocente parque da tristeza
E eu derrubei postes & telefones públicos
enquanto urrava em desvario
todas as blasfêmias possíveis
o quanto dói ser enganado!
o quanto dói deixar o coração voar na ilusão da leve pluma
enquanto como zinco o sangue nos cola à terra
asfixiando sonhos & entranhas
e eu que vi,
que sofri,
que desmaiei em Hospitais de Restauração como berços da morte
carregado de leprosos com as ventanas cheias de tubos
enquanto esperava a noite do deleite sensual & enganoso
& me embriaguei de sede
& de falta de grana
de grama
de mel...
Usei os travesseiros da penúria
onde nossas costam ficam esmagadas entre células de concreto
no desconforto da matéria oprimida
no esmagamento da caixa craniana por pensamentos horripilantes
& no auge do desespero
abrindo a veia como a um tinteiro
ousei escrever este poema.
Poema-improvisado agora... à 12h10
03 de Janeiro de 2009 na Lan House
em Recife/PE durante uma viagem de carona
ass. IkaRo MaxX |