Primeiro Sarau (AntI-SaRaU) Imaginário de João Pessoa
Carta aberta aos artistas desterritorializados...
Na falta de perspectiva de abertura do mercado editorial, de editais & concursos menos elitista & fechados para grupinhos, panelas & falta de patrocínio & abertura dos indivíduos para a mudança decisiva não só no panorama da cena cultural paraibana, nordestina, brasileira & universal, mas também em suas vidas, decidi pensar uma forma lúdica de expor os trabalhos construídos por poetas & acrobatas não aceitos ou não catedráticos desta realidade torpe. Lançarei o pulsante bramido do Sarau (anti-sarau) Imaginário, como um espaço potencial para autores, atores, performers, improvisadores, músicos, escultores, artistas provocadores & malditos gemerem suas lamúrias & suas visões para que sejam ouvidos por quem assim se interessar – cruas mensagens, linguagens estranhas, hieróglifos, imagens, filosofias, abortos, vômitos & tripas de fora do estabelecido, do conveniente. O esquema do Sarau Imaginário é o mesmo de um palco livre, sem público, sem discriminações hierárquicas entre as artes ou importância elementar superior de qualquer um sobre os outros. É um espaço livre para discussões, propostas, ações conjuntas ou individuais, espaço para a raiva, a indignação, o amor, as orgias que confundam arte & vida & outros condimentos desconhecidos. Cansados do ostracismo, cansados de sermos confundidos pelos estereótipos dos policiais da cultura, das fés, da política & da vida econômica (ditadura moral do trabalho, etc.), iremos expôr nossas vertentes múltiplas, nossas aberrações, em espaços fechados ou praças públicas, universidades, cabarés, casas de conhecidos. Faremos jam’s sessions, leituras combinadas, atuação multiforme, dança, sexo ou o que nos aprazam, de acordo com nossos desejos, de maneira a garantir com que cada um tenha a possibilidade de conhecer mais os trabalhos & as linhas de atuação dos outros. Isso é algo inovador para a nossa contracultura, para a nossa resistência... uma vez que os órgãos culturais & a iniciativa privada só injetam dinheiro em projetos voltados ou para a educação de rebanho, ou para a manutenção da arte conservadora popular (ou de pseudovanguarda), servindo de instrumento para redução de seus impostas, lucros maiores & marginalizando cada vez mais grandes & originais artistas que poderiam estar fomentando & semeando espaços novos na vida. Não faremos concessões... vamos nos embriagar de pulsões, de abismos, de insolências, de poemas ousados, burlescos, de textos insanos, de vôos dilacerantes, de crimes hediondos em forma de expressão corporal ou metafísica, de traquinagens, de abduções, fomes, anseios, delírios, maluquice, incestos, furtos & outras benesses!
A entrada para participação será contribuições financeiras para a embriaguez coletiva (junto, no caso de interesse em apresentar algo, com o trabalho – levar na hora, não vamos ter censura!). Nada mau, afinal, iremos nos embriagar & nos divertir nesse canibalismo lírico, nessa amável transgressão de limites.
DIANTE DA DECADÊNCIA REITERADA POR TODOS OS MEIOS & O SISTEMA DA INDÚSTRIA CULTURA (E BLABLABLA), ERGUEMOS NOSSOS CORPOS & NOSSAS ESVOAÇANTES SENSIBILIDADES PARA O DESPOJAMENTO DA FORMA ESTÉTICA, DAS ARMADILHAS DOS CONCEITOS, PARA EXPREMER NO FOCINHO DA REALIDADE ABERTURAS DE DEVIRES ELÉTRICOS, CARGAS DE INSANIDADE APAIXONADA & DELEITE EXTÁTICO, ESPASMOS DE ÊXTASE & DESLUMBRAMENTO, GESTOS DE INTENSIDADE ONÍRICA - EM RESUMO: ABORTAMOS A PALHAÇADA INSTITUÍDA COM UMA SURRA DE VIDA, DE VIRULÊNCIA & LIBIDO EXPERIÊNCIAS EM PICO, COM TODAS NOSSAS VONTADES ACESAS RUMO AO DELÍRIO COLETIVO (E AO PRAZER INDIVIDUAL PARTILHADO DE MULTIPLAS MANEIRAS POR CADA UM, NUM JOGO DE DELÍCIAS...).
VAMOS COPULAR TODOS OS CONTRÁRIOS NUMA RESPIRAÇÃO ORGÁSTICA de indefinidos caminhos...
Podemos aproveitar essa época do Fenart aí & começar uma primeira experiência (a primeira indicação - que tomo liberdade de fazer - são os bares que ficam ali por trás da entrada principal - aquela que desemboca na Epitácio Pessoa - ): podemos nos bater por lá, encher a cara, lermos & nos divertirmos, & - quem sabe, de acordo com os ânimos & o espírito - intervir no EVENTO com uma MULTIPLICIDADE ESCARRADA DE SUBJETIVIDADE!!
VAMOS AMAR ATÉ PERDER O FÔLEGO... sentirmos a leveza da GRATUIDADE...
Quem se interessar, aqui está meu email... e anexo também o meu telefone: (83) 8751-7465 (ou simplesmente apareça por trás do esapço cultural, nos bares, para ler, fazer arte, se divertir, etc...)
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