CARTA ABERTA À SENADORA VANESSA GRAZZIOTIN
Senadora,
Hoje, ao abrir a minha caixa de correspondências, deparei-me com um jornaleco seu. Consideremos, portanto, a sua ridícula pretensão.
A senhora achou mesmo que o seu jornaleco seria suficiente para convencer-me a votar na senhora?
A senhora achou mesmo que, ao receber o apoio do ex-presidente Lula, o chefe do mensalão, ...
aquele que ao “se botar na vitrina, não vale 1,99”, isso me comoveria?
A senhora achou mesmo que o seu jornaleco me faria esquecer, faz uns dez anos, quando acusou um político de ter desviado recursos públicos e agora, ao unir-se a ele, seria indiferente para mim?
A senhora achou mesmo que, com o seu jornaleco, eu deixaria de relevar a denúncia no Senado do ex-senador Demóstenes Torres, acusando-a de não ter votado contra medidas que prejudicariam a Zona Franca?
A senhora achou mesmo que, com o seu jornaleco, me faria também esquecer quando votou contra o aumento do salário-mínimo, no governo Lula, porque achou exacerbado? Na realidade, senadora, esse é custo de ser apoiado por Lula e a presidenta Dilma. Ao receber o apoio deles, a senhora perdeu completamente aquilo que lhe seria mais valioso: a dignidade política e o respeito dos seus eleitores. A senhora não possui mais isenção. A senhora está nas mãos deles. Como disse hoje o candidato Navarro, isso é um negócio. E como pode a senhora nos dizer: “Você pode confiar”?
A senhora achou mesmo que, com o seu jornaleco, no qual aparece numa foto com chefe do mensalão me deixaria orgulhoso? E aquelas pessoas no entorno do palanque, incapazes de ter um mínimo de reflexão; incapazes de não perceber a falta de comida nas suas casas; incapazes de achar que as dificuldades que encontram nos prontos-socorros e hospitais públicos, de não encontrarem os remédios de que tanto precisam nas farmácias populares, de só conseguirem marcar consultas para daqui a uns quatro meses; incapazes de associar a eterna falta de água, incapazes de ver o estado crítico da escola pública em que seus filhos estudam, incapazes, enfim, de associar que os problemas que as afetam duramente estão diretamente ligados à omissão política. Essas pessoas que a aplaudem, não possuem um mínimo de discernimento. E, ao enviar-me seu jornaleco, senhora Vanessa, igualou-me a eles. Ofendeu profundamente a minha cidadania e aflorou-me a ira.
A senhora achou mesmo que, com o seu jornaleco, conseguiria apagar da minha memória aquela imagem num culto evangélico, com a mãos para cima, a invocar o nome de Deus... Quanto oportunismo! Inocentes úteis são esses evangélicos que, a um pedido de um pastor ridículo, votam no candidato dele. Até parece que Deus é quem iria governar nossa Manaus. Se acreditar em Deus fosse tão imprescindível para se administrar uma cidade, senhora Vanessa, Manaus seria uma Dubai. Definitivamente, Manaus não tem a cara de Deus: tem a cara do diabo.
Finalmente, a senhora ainda não percebeu que, mesmo sendo apoiada por quatro pessoas de grande peso político, não consegue ultrapassar primeiro colocado. Usou a promoção política em detrimento de sua biografia. Agora é tarde, senadora.
Despeço-me, aconselhando-a , como a senhora mesma vive dizendo, a cuidar apenas da sua família. É melhor para Manaus.
Antonio Vilela