Mandou bem, Gilvan!
E parece-me que essa precarização não é casual.
Justamente, a quem interessa a precarização das condições de trabalho do jornalista?
A todos os setores aos quais não interessa uma cobertura adequada e crítica dos fatos.
Como pode um jornalista realizar uma cobertura assim, com instabilidade no emprego e más condições de trabalho, com legiões de concorrentes de olho em seu emprego, inclusive, pessoas registradas profissionalmente sem formação acadêmica?
Não, não há uma conspiração. Não houve uma reunião patronal na qual esse duro contexto foi planejado e decidido. É dessas coisas que Foucault explica: o poder se exerce difusamente, não mais encarnado em pessoas ou instituições. Não temos moinhos contra os quais nos atirarmos como Dom Quixote. Cabe a nós, como diria Stuart Hall em "Codificação/Decodificação", escolher entre os códigos 1) "dominante", no qual seremos cooptados; 2) de "oposição" irrestrita, no qual seremos esmagados; ou 3) no de "negociação", no qual sobreviveremos ao sistema, mantendo nossos princípios, colocando, aqui e ali, sempre que houver uma oportunidade, nossa proposta de uma nova comunicação. Eu fico com o terceiro. Vamos?
Abraços!
Marcello
Marcello Riella Benites
Jornalista
MTE 24.844 SP
Câmara Municipal de Macaé
Mestrando do PPGCL - Uenf