Autonomia & Excelência - A nossa proposta para a ABRI

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Carlos Frederico

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Jul 17, 2011, 11:38:15 PM7/17/11
to Fórum Estudantil Regional de Relações Internacionais
No próximo encontro da ABRI, será eleita a nova diretoria para o
período 2011-2013. Nesse sentido, gostaríamos de lhes apresentar nossa
chapa, constituída a partir de uma posição consensual entre sócios da
ABRI, diversos programas de pós-graduação e cursos de graduação, em
torno de dois princípios que devem sustentar o processo de construção
da Associação e do campo das Relações Internacionais: a autonomia e a
busca por excelência.

Compreendemos que com a criação da ABRI em setembro de 2005 demos um
grande passo para a construção das Relações Internacionais no Brasil
como um campo de conhecimento autônomo. Àquela altura, avaliava-se
que, a despeito da grande expansão do campo, professores e
pesquisadores vinculados aos programas de pós-graduação, cursos de
graduação e centros de pesquisa careciam de um espaço autônomo de
intercâmbio acadêmico-científico e de expressão de suas demandas
institucionais e políticas. Entre 2005 e 2010, as perspectivas de
expansão da área se confirmaram, desenhando um quadro composto, hoje,
por cerca de 100 programas de graduação e 13 de pós-graduação
(compreendendo 13 cursos de mestrado e 6 cursos de doutorado), sem
contar os programas que possuem áreas de concentração ou linhas de
pesquisa em Relações internacionais. Tais números confirmam a pujança
da área em termos do crescente interesse pelas relações internacionais
e de uma conseqüente demanda por formação profissional.

O crescimento da área confirma a necessidade de consolidação das RI
como um campo de conhecimentos autônomo e da ABRI como um fórum
independente de debates acadêmicos e de articulação de demandas
institucionais, com vistas à consolidação de padrões de excelência
consistentes com as demandas e responsabilidades que lhe são
atinentes. Nesse sentido, acreditamos que a busca de autonomia e
excelência que conduziu à criação da Associação deve ser reafirmada
como princípio orientador das atividades e do posicionamento público
da ABRI. Naturalmente, a afirmação e defesa da autonomia da área de
Relações Internacionais e da ABRI não devem prejudicar nosso diálogo
fraterno com outras áreas nem, tampouco nossa capacidade de
articulação com outras associações irmãs no Brasil e no exterior. A
construção das Relações Internacionais como campo de conhecimento
autônomo e da ABRI como uma Associação independente supõe três
movimentos combinados:

1. Autonomia: reconhecer a diversidade e estimular a pluralidade

O reconhecimento da diversidade do campo de estudos das RI, tanto no
que respeita à variedade de orientações teórico-metodológicas de seus
“programas” e projetos de pesquisa, quanto no que concerne à
heterogeneidade de posicionamentos políticos de seus pesquisadores é
uma condição para a construção de uma associação plural e democrática.
A diversidade do campo não deve ser tomada como problema, senão como
sinal de seu vigor intelectual. Nesse sentido, a ABRI deve, no melhor
espírito republicano e consoante o princípio elementar da honestidade
acadêmica, contribuir para fazer vicejar a diversidade e buscar
descrevê-la e representá-la em suas atividades.

Acreditamos que, desde sua fundação, a ABRI desempenhou esse papel,
incentivando a presença das mais diversas orientações em seus
encontros e pautando seu posicionamento público na prática da consulta
a pesquisadores e programas e na busca pelo entendimento. Assim,
seguindo o caminho até aqui palmilhado, propomos:

(i) Incentivar e facilitar a criação de novos canais horizontais de
consulta e articulação entre os programas de pós-graduação em Relações
Internacionais e fortalecer os mecanismos já existentes. Nesse
contexto, a ABRI, reconhecendo e respeitando a autonomia e a
diversidade dos programas, deve facilitar e apoiar a construção do
fórum de coordenadores de programas de pós-graduação em Relações
Internacionais. Tal mecanismo é essencial para o posicionamento da
associação não apenas diante das agências estatais, como também em
face de entidades civis e, particularmente das associações científicas
nacionais e estrangeiras;

(ii) incentivar o diálogo e a cooperação entre os cursos de
graduação em Relações Internacionais através do apoio ao fórum de
coordenadores de cursos de graduação, cuja primeira reunião, encontra-
se prevista para o próximo encontro;

(iii) incentivar o intercâmbio de experiências e o fortalecimento de
nossos periódicos através da criação do Fórum de editores de
periódicos científicos;

tais fóruns deverão contribuir para:

(iv) qualificar e ampliar a participação da ABRI junto às agências de
fomento e avaliação, particularmente a CAPES, o CNPq, e o INEP.

(v) fortalecer e aprofundar os laços com associações científicas
brasileiras e estrangeiras com quem devemos trabalhar
cooperativamente, observando, contudo as especificidades e autonomia
do campo das Relações Internacionais e a independência de nossa
Associação.

2. Excelência: fortalecer a graduação e a pós-graduação e contribuir
para a formação científica e profissional

Ainda consoante o espírito da fundação da ABRI, acreditamos que a
Associação deve contribuir para o fortalecimento de seus cursos de
graduação e seus programas de pós-graduação. Nossa proposta pretende
dar prosseguimento e aprofundar as ações que tiveram lugar nos últimos
anos, através do incentivo ao debate de padrões de qualidade para
nossas graduações, do estímulo à criação de canais horizontais de
consulta, articulação e cooperação entre os programas de pós-graduação
e cursos de graduação e, finalmente, de apoio à pesquisa e à produção
acadêmica, nos limites que cabem à uma associação científica. Para
tanto, acreditamos que a ABRI deve:

(vi) Executar no próximo período a decisão já tomada no âmbito da
atual diretoria de criação de uma revista científica da associação;

(vii) Criar prêmios que reconheçam a excelência da produção
científica no campo das Relações Internacionais, nos níveis da
graduação (iniciação científica), mestrado (dissertações) e doutorado
(teses)

(viii) criar oportunidades de debate acadêmico entre estudantes,
professores e pesquisadores vinculados a programas de pós-graduação
através da promoção de Seminários de pós-graduação e workshops
doutorais;

(ix) facilitar e apoiar iniciativas de cooperação entre programas
de pós-graduação com vistas à construção de projetos de ensino e
pesquisa comuns;

(x) Fortalecer o Seminário Nacional de Graduação em Relações
Internacionais – cuja 1a edição teve lugar em 2010 – como instância
para a promoção de padrões de qualidade para os cursos de graduação e
debate acerca da formação profissional no campo das RI;

(xi) Incentivar a cooperação entre os cursos de graduação através
da promoção da pesquisa nacional de egressos e do intercâmbio de
experiências de ensino e iniciação científica;

3. Autonomia, Excelência e independência: ampliar a presença da ABRI
nos debates de temas da Política Internacional

A construção de um campo de conhecimento autônomo e de uma associação
independente, supõe, finalmente, maior participação da ABRI e de seus
associados nos debates públicos em torno dos problemas internacionais
que afetam a sociedade brasileira. Para tanto, acreditamos que a ABRI
deve dar os primeiros passos no sentido da constituição de arenas de
discussão que permitam o diálogo entre a comunidade acadêmica, os
profissionais de relações internacionais e os diversos atores sociais
envolvidos nos processos de tomada de decisão acerca dos temas que
compõem a agenda internacional do Brasil. Nessa direção propomos:

(xii) a criação de grupos de trabalho, no interior da Associação,
para o debate de temas relevantes das Relações Internacionais do
Brasil;

(xiii) a participação em, e eventual criação de, arenas
interdisciplinares e inter-institucionais para o debate de temas
relevantes das Relações Internacionais do Brasil;

(xiv) dar maior publicidade aos debates promovidos no interior da
Associação ou pelos diversos programas da área acerca dos grandes
temas da agenda internacional.

A construção de um campo de conhecimentos autônomo, de uma Associação
independente e, finalmente de padrões de excelência consistentes com
as responsabilidades impostas ao profissionais de relações
internacionais e à nossa comunidade acadêmica, exige o aprofundamento
e a ampliação das atividades da ABRI.

O seu apoio e participação são indispensáveis para esse projeto.

http://autonomiari.wordpress.com/2011/07/01/29/
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