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Data: 28/12/2012 23:02:26 Para: Sergio Zambiasi; Enio Raffin;Associação Juízes para Democracia; humberto; jornal diario gaucho; JORNAL DIARIO GAUCHO ROZANNE; jornal ZH; jornal ZH cartas; m 'NAVCV-Vitimas CrimesViolentos'; m presi...@stj.gov.br; MJ gabineted...@mj.gov.br; mj gabmin...@stf.jus.br; MJ sen...@mj.gov.br; Movimento Gabriela Sou da Paz!; MP E claudi...@hotmail.com; MP E gabinete; MP E ouvidoria; MP E pjecrim; mp rs mauro T...@mp.rs.gov.br; OAB SP; OAB/RS; Ouvidoria da SSP; Paulo Martins; pc Associação Delegados Polícia; POLIBIO BRAGA; Presidência da Republica; Presidência da República; prf dr Derenne; prof 2 adriano; REDE_NACIONAL_L...@yahoogrupos.com.b; rubens santos; sbt jornalpauta; senador alvaro dias; senador crivella; senador esup...@senado.gov.br; SENADOR paulo...@senador.gov.br; senador si...@senado.gov.br; Sergio Zambiasi; sindicato GO sittra; stf bn...@stf.gov.br; STF Ellen Gracie; stj Ouvi...@stj.gov.br; Territorio Mulher: Ana Maria C. Bruni; USA for...@nytimes.com; USA fte....@ft.com; USA let...@washpost.com; ver Canoas juares; vereador adel...@camarapoa.rs.gov.br; vermeer Genovese Francisco; zero Hora; zero hora; zero hora carlos; Zero Hora celi...@terra.com.br; b...@brasilsemgrades.org.br; Menzel; deputa...@yahoo.com.br; bsg ra...@criscel.com.br; Luiz Oderich; adv joln; adv Laerte Soares; Maria do Carmo Suzin Mais um dia 29. Mais um mês de ausência do meu filho Mário. São 87 meses desde a triste noite em que apagaram a chama de vida do meu filho, aos 20 anos. São 2610 dias de saudades.
Há momentos que penso já ter escrito tudo o que tinha para escrever. Em outros, entretanto, dou-me conta que estou falando de sentimentos e isso não se esgota. Basta uma palavra que o Mário costumava dizer, um gesto que ele costumava ter, uma roupa que costumava usar para desencadear dentro de mim uma avalanche de sentimentos: mistura de dor e saudade. A busca incessante, entretanto, é por justiça, já que tenho consciência de que não importa o que aconteça nada o trará de volta.
Nessa época do ano, em que todas as pessoas fazem planos para o ano seguinte, buscando amor, fraternidade, esperança e bons presságios para o futuro, fico dividido. Há um lado meu que me faz lutar, buscar forças para seguir em frente, fazer planos, mas existe outro lado que me paralisa, que me impede de olhar a vida acreditando no bem e na justiça. Felizmente, estou cercado de pessoas como você que me permitem desabafar, o que torna o meu fardo mais leve. Assim, tenho consciência de que preciso continuar lutando para alcançar o que meu filho tanto pregou, apesar de sua pouca idade: a justiça.
Ao longo desse tempo todo, esperei das chamadas autoridades da área da segurança pública, respostas para as minhas indagações: quem assassinou o meu filho Mário, aos 20 anos de idade? Quem mandou assassiná-lo a sangue frio? Qual motivo tiveram para assassiná-lo, na noite de 29 de setembro de 2005, quando se dirigia a uma confraternização com amigos de infância? Os assassinos foram contemplados com a impunidade. Estão livres e praticando outras mortes, porque estão certos de que nada será feito contra eles. O Mário era jovem, mas hoje percebo como era diferente. Destacava-se pela sua simplicidade, humildade e sendo de justiça. Era flexível em seus argumentos, sabia escutar e calar na hora certa. Tinha o dom de usar as palavras certas que iam direto ao coração das pessoas e faziam-nas refletir sobre suas colocações. Era observador e atinha-se aos detalhes o que enriquecia seus argumentos. No trabalho, seu senso de responsabilidade mostrava-me o quanto eu precisava aprender com ele. Aos 18 anos assumiu o compromisso de certificar a empresa através da Norma ISO 9001. Fez isso pessoalmente, mas depois de me convencer que isso era importante de fato e que teria o meu apoio. Desde sua morte, bradei aos quatro ventos em busca de respostas, mas a insensibilidade das pessoas que se dizem “responsáveis” pela área da segurança pública, sequer tiveram tempo em suas agendas de encontros políticos para direcionar esforços no sentido de ajudar a elucidar o caso ou para ouvir o clamor de um pai que busca Justiça, bem distante de qualquer sentimento de vingança. Sei que estamos em meio aos festejos de final de ano: Natal e Ano Novo. Permitam-se dar um conselho de pai: diga sempre ao seu filho o quanto você o ama.Não vá dormir de mal com ele. Diga-lhe sempre o que vai em seu coração. Não sabemos quando nossa vida se encerra e podemos, com gestos simples como este, suavizar a dor de quem fica e dar-lhe forças para lutar. E isso que tem me mantido vivo e lutando: a certeza de sempre ter-lhe dito tudo. Quero ouvi-lo uma vez mais, mesmo que do outro lado da vida, que sente orgulho de ser meu filho. Vou continuar cobrando trabalho sério e com afinco dessas autoridades que percebem sim, altos salários para darem respostas à sociedade. E, como pagador de impostos que sou, já que parecem ignorar minha condição de pai apelante, estou a exigir, mais uma vez, que o assassinato do meu filho Mário seja devidamente esclarecido e que os executores e mandantes sejam identificados e encaminhados ao poder Judiciário para julgamento. Tenho fé em Deus. E isso que me move e me sustenta. Por isso, desejo a você que o ano novo chegue cheio de amor pela sua família e capacidade de diálogo com seus filhos. Deixe de lado as mágoas e os ressentimentos pelas pessoas que você ama. Ignore de coração pequenas coisas que não acrescentam nada e valorize os gestos de carinho e retribua. Apesar da dor e da saudade, sinto-me um ser humano melhor. Um abraço a todos, Sérgio, Pai do Mário | ||
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