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Neste sábado, dia 29, está completando 73 meses da morte do meu filho Mário, um jovem de apenas 20 anos, que teria um futuro brilhante pela frente, que teve sua vida ceifada por criminosos impunes até hoje. Mário foi morto na noite de 29 de setembro de 2005 quando se dirigia para um churrasco de confraternização com amigos de infância, como fazia praticamente todas as semanas. Mas, nessa noite, não chegou a encontrar seus amigos, pois foi impedido por um assassino cruel e desalmado, talvez a mando de alguém não menos cruel, frio e calculista. São 2.190 dias de muita saudade e uma certeza: jamais vou receber um abraço do meu filho Mário de novo. E uma dor imensurável de um pai que perdeu o filho de maneira tão abrupta. Este sofrimento me atinge diariamente e me faz chorar de dor e de saudade. E até hoje, apesar das centenas, milhares de apelos encaminhados às ditas autoridades responsáveis, não sei o por quê meu filho Mário foi assassinado. Nesse tempo todo, nada me dizem essas autoridades. Não possuem nenhum argumento capaz de me convencer a respeito do que efetivamente aconteceu naquela trágica e inesquecível noite. A respeito de quem assassinou meu filho Mário ou a respeito de quem foi o mandante desse crime. E o que dizer da Polícia da cidade de Canoas, onde aconteceu este homicídio inexplicável? Sucateada, sem as mínimas condições humanas, técnicas e de infra-estrutura para uma investigação séria e a contento. Além, é claro da ausência completa de vontade política, numa demonstração de que está a andar acéfala. O mesmo ocorre, lamentavelmente, com o Ministério Público, que ostenta o título de o guardião da sociedade e que tem, pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), garantida a sua prerrogativa constitucional de investigação. É impossível se conviver com tamanho descaso. Passaram, nesse período, dois prefeitos pela cidade (Canoas) onde ocorreu o homicídio. Não vi qualquer manifestação de cobrança das autoridades competentes. A imagem da cidade está bem abaixo dos interesse eleitoreiros. É melhor calar, porque rende mais votos, do que cobrar um trabalho sério da Polícia local. Todos nós sabemos que quando essas autoridades querem, quando imbuídas de vontade política e técnica, descobrem os assassinos para encaminhá-los ás barras da Justiça. Exemplos não nos faltam. O caso do assassinato da juíza carioca é a mais pura e inequívoca comprovação de que é possível sim, se chegar aos verdadeiros assassinos e aos seus mandantes. Essa é uma prova cabal da eficiência da Polícia quando exigida, quando há pressão política e dos meios de comunicação, aliado ao prestígio das vítimas ou de seus familiares. Talvez isso tenha faltado na elucidação do assassinato do meu filho Mário. Fosse eu um influente político ou com parentesco de autoridade da área da segurança pública, o resultado da investigação teria sido outro. Mas sou apenas e tão somente um cidadão de bem, que paga regiamente os seus impostos, para ter o mais absoluto e hediondo descaso das autoridades como recompensa. Enquanto cumpro com minhas obrigações civis, os assassinos e/ou mandantes do assassinato do meu filho Mário são recompensados com o instituto da impunidade. Lamentável! Inaceitável! Entendo, nesse tempo todo, que o descaso é uma arma que essas autoridades utilizam como uma forma de tentar calar-me. Jamais conseguirão, porque enquanto houver um sopro de vida em meu corpo e minha mente, estarei bradando por Justiça. Quero sim, seja em que tempo for, que os assassinos do meu filho Mário e/ou os mandantes sejam identificados e punidos legalmente pelo bárbaro crime que cometeram. Bárbaro porque o meu filho Mário era um jovem de bem, não tinha inimizades, não devia nada a ninguém. Foi assim que o criei e foi assim que ele seguiu minhas orientações. Nunca conseguirão me impedir, como pai, de saber o que realmente aconteceu naquela noite de 29 de setembro de 2005. Essas autoridades me devem isso. É também para isso, que recebem seus gordos salários, pagos com os impostos pagos pelos contribuintes. E eu sou um deles. Sergio, Pai do Mário |
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